PULGARRASCAL
Marcas da Posse
O cheiro característico de álcool, sabão cirúrgico e pomada cicatrizante era um dos aromas mais familiares e excitantes para Jorge Carrascal. Caminhando pelas calçadas de pedras portuguesas de Ipanema, o colombiano sentia a brisa salgada do mar bater contra o topete louro impecável, enquanto descia a rua em direção à fachada de concreto aparente e vidro fumê do estúdio mais exclusivo da Zona Sul do Rio de Janeiro: o *Pulgar Ink*.
Jorge sorriu de lado, ajustando os óculos de sol escuros e ajeitando a camisa de linho azul clara, propositalmente desabotoada até a metade do peito para exibir as tatuagens que já preenchiam sua pele bronzeada. Era sua folga semanal do cargo de economista-chefe e, depois de meses imerso em planilhas, relatórios financeiros e reuniões executivas, seu corpo pedia por adrenalina. E, acima de tudo, pedia pelo toque específico de um par de mãos grandes, pesadas e cobertas de tinta preta.
A história dos dois estava gravada em cada centímetro daquela pele. Quando Jorge desembarcara no Brasil vindo da Colômbia, anos atrás, trazia consigo o receio de entregar seu corpo a qualquer profissional. Para ele, tatuagem nunca fora mero adorno estético; era ritual, alma, sentimento materializado. Procurara referências até encontrar o nome de Erick Pulgar, o chileno de poucas palavras e precisão cirúrgica, cujas artes eram disputadas a peso de ouro por celebridades e atletas.
A primeira sessão entre eles fora inesquecível. Jorge se deitara naquela maca com o coração na boca para eternizar o nome de seu bem mais precioso: "Santino", gravado bem na frente de seu pescoço, acima da clavícula. O cuidado com que os dedos ásperos de Erick tocaram sua garganta, a respiração quente e compenetrada do tatuador tão perto de seu rosto e aquele olhar escuro e predatório haviam feito o colombiano queimar de dentro para fora. A tensão sexual fora imediata, densa, quase sufocante. Jorge tornou-se cliente cativo, inventando novos desenhos a cada mês apenas para sentir a vibração da máquina sob o comando do chileno. Meses depois, em uma festa com amigos em comum, a barreira do profissionalismo desmoronara em um beijo feroz no estacionamento, dando início a uma paixão avassaladora que culminou em alianças nos dedos.
Ao empurrar a porta de vidro temperado do estúdio, o som abafado de rock clássico e o zumbido distante de agulhas o acolheram. A recepcionista, Camila, sorriu de imediato ao reconhecer o patrão consorte.
— Bom dia, senhor Carrascal! Não sabia que viria hoje — disse ela, levantando-se.
— E aí, Cami? Dia de folga na empresa — Jorge piscou, apoiando os cotovelos no balcão com sua ginga natural. — Vim ver se o chefe tem um horário pra mim. O Erick tá muito enrolado?
— Ele tá terminando a última cliente da manhã na sala VIP. Disse que já estava no acabamento. Se você quiser esperar um minutinho no lounge, ele já deve liberar.
— Tranquilo, fico por aqui — respondeu Jorge, sentando-se em uma das poltronas de couro marrom.
Ele pegou uma revista de artes visuais, mas mal conseguiu folhear duas páginas. O clique metálico da porta da sala principal ecoou pelo corredor e passos elegantes de salto alto chamaram sua atenção.
Jorge ergueu os olhos e o sangue gelou instantaneamente nas veias.
Da sala saiu uma mulher morena, de cabelos longos e ondulados, usando um short jeans minúsculo de cintura baixa e uma regata justa. Ao redor da bunda esquerda e descendo por toda a extensão de sua coxa torneada, havia uma enorme tatuagem floral recém-terminada, brilhando sob o plástico filme protetor.
Jorge trincou a mandíbula com tanta força que o músculo saltou na bochecha. Ele conhecia perfeitamente aquela mulher.
Era Marcela. A mesma morena atrevida que, dois meses antes, em um evento social na Barra da Tijuca, passara a noite inteira cercando Erick, jogando charme descarado e passando a mão no peito tatuado do chileno diante de quem quisesse ver. Naquela noite, a discussão entre Jorge e o marido fora feia, cheia de gritos e acusações de ciúmes, terminando com uma noite fria no sofá.
Ver a mesma mulher ali, saindo da sala privativa de Erick, com a bunda e as coxas praticamente nuas expostas após horas de intimidade e toque, fez um vulcão de ciúme ferver no peito do colombiano.
Marcela agradeceu com um sorriso insinuante em direção à sala entreaberta:
— Obrigada, Erick... seu toque é simplesmente mágico. Te vejo no retoque, lindo.
Jorge bufou em silêncio, cruzando os braços e fuzilando a mulher com o olhar. Quando Marcela passou pela recepção e notou a presença de Jorge, apenas ergueu uma sobrancelha petulante e saiu rebolando em direção à rua.
O colombiano respirou fundo três vezes, sentindo o veneno da possessividade pulsar em suas têmporas. A malandragem nata de Jorge logo se transformou em uma ideia perigosa, calculista e irresistivelmente provocadora.
Sem pedir licença à recepcionista, Jorge empurrou a porta da sala VIP com firmeza.
Erick estava de costas, organizando as tintas e descartando as agulhas usadas no recipiente de lixo biológico. Vestia uma regata preta justa que deixava à mostra os braços maciços e noventa por cento do tronco cobertos de desenhos escuros. Os ombros largos e a postura imponente de predador eram inconfundíveis.
— Já disse que o comprovante vai por e-mail, Marcela... — começou Erick com a voz rouca e indiferente, sem se virar.
— Não sou a sua clientinha assanhada, Pulgar — disparou Jorge, encostando a porta atrás de si e girando a chave na fechadura. O trinco correu com um estalo seco.
Erick virou-se no mesmo instante. Os olhos escuros e penetrantes piscaram, genuinamente surpresos ao encontrar o marido parado ali, com uma postura desafiadora e o semblante emburrado.
— Jorge? — Erick franziu o cenho, arrancando as luvas de látex pretas com um puxão ríspido. — O que você tá fazendo aqui? Pensei que estivesse na empresa resolvendo a auditoria.
— Peguei folga — Jorge deu dois passos lentos para dentro da sala, os olhos castanhos brilhando com faíscas perigosas. — E resolvi vir aqui ver de perto como o meu marido passa as manhãs. Pelo visto, muito bem acompanhado, né? Tatuando a bunda de vagabunda no sigilo.
Erick soltou um suspiro pesado, mas um meio-sorriso involuntário brotou no canto de seus lábios grossos. Conhecia o veneno do marido quando a fera do ciúme despertava.
— Ela é apenas uma cliente, Jorge. Pagou adiantado pela arte há três meses. Eu sou um profissional — Erick cruzou os braços tatuados sobre o peito imenso, encarando o colombiano de cima a baixo. — E você sabe muito bem que ninguém toca no que é seu.
— Sei? Não pareceu quando ela saiu daqui chamando seu toque de "mágico" — retrucou Jorge com um biquinho descaradamente manhoso, avançando até a maca de couro acolchoada. — Mas já que você é tão profissional e sua agenda tá livre agora... eu quero me tatuar.
Erick ergueu uma sobrancelha, surpreso.
— Você? Faz mais de um ano que você disse que não tinha mais espaço no corpo pra agulha.
— Pois eu arrumei um espaço muito especial — Jorge desafiou, a voz descendo uma oitava, carregada de segundas intenções.
Erick manteve a seriedade, mas a curiosidade e a atração evidente começavam a nublar sua compostura. Ele pegou um novo par de luvas pretas na gaveta, calçando-as lentamente enquanto mantinha o olhar fixo no marido.
— E o que o senhor economista quer fazer hoje? Qual é o desenho? E onde vai ser? — perguntou o chileno, a voz grave vibrando com autoridade.
Jorge sorriu com malícia pura. Ele deu um passo à frente, virando-se de costas para Erick bem ao lado da maca de tatuagem.
Sem dizer uma única palavra, Jorge levou as mãos ao cós da calça de sarja bege que vestia. Com movimentos deliberadamente lentos e provocadores, desabotoou o fecho, puxou o zíper e empurrou o tecido pelas coxas torneadas até os joelhos.
A respiração de Erick travou na garganta.
Por baixo da calça, Jorge não usava uma cueca tradicional. Vestia uma calcinha minúscula de renda preta, que contornava perfeitamente suas nádegas redondas, firmes e bronzeadas, destacando a pele macia e a curva suave de sua lombar.
Com as pontas dos dedos finos e cheios de anéis, Jorge enganchou a lateral da peça íntima ínfima e a puxou alguns centímetros para baixo, expondo a pele virgem e intocada exatamente sobre o cóccix, entre as duas covinhas provocantes de suas costas.
Jorge virou o rosto de lado, olhando para Erick por cima do ombro. O olhar era uma mistura letal de atrevimento, carência e uma manha irresistível, com os lábios carnudos entreabertos em um bico pidão.
— Quero aqui — Jorge sussurrou, dengoso. — Bem aqui no fundinho. E não é desenho nenhum. Quero o seu nome. Quero tatuar "Pulgar" em letras bem bonitas, pra deixar gravado pro mundo inteiro saber quem manda nessa raba.
A mente de Erick pareceu sofrer um curto-circuito. O chileno engoliu em seco, sentindo uma onda de sangue quente descer direto para a virilha. O tecido grosso de sua calça preta esticou instantaneamente sob a pressão de uma ereção violenta e dolorosa. O contraste da renda preta na pele dourada de Jorge, somado à audácia da declaração e àquele olhar pidão, desmontou qualquer barreira de autocontrole que o tatuador possuía.
— Você é um desgraçado manipulador, Carrascal... — rosnou Erick, dando um passo pesado até colar o corpo maciço contra as costas de Jorge. A mão enluvada pousou com força na nádega direita do colombiano, apertando a carne macia sem pudor.
Jorge soltou um suspiro manhoso, rebolando de leve contra a rigidez que pressionava suas costas.
— Vai me tatuar ou vai ficar só babando, meu pitbull? Anda... marca o que é seu.
Erick respirou fundo, tentando manter o mínimo de foco técnico. Ele afastou o corpo com esforço, embora seus olhos continuassem escuros como uma noite sem estrelas.
— Deita de barriga pra baixo nessa maca. Agora — ordenou a fera, a voz áspera e autoritária.
Jorge obedeceu rindo baixinho, deitando-se de bruços sobre o couro frio, com a calça arriada nas canelas e a rendinha preta abaixada até o limite do pudor. Erick limpou a área com álcool cirúrgico, fazendo o colombiano estremecer com o toque gelado. O chileno desenhou o decalque à mão livre — a caligrafia gótica impecável desenhando "Pulgar" em traços fortes e elegantes bem no centro do cóccix.
— Ficou perfeito... — Jorge murmurou, olhando pelo espelho de mão que Erick lhe estendeu.
— Não se mexe. O osso aí é sensível — avisou Erick, montando a máquina rotativa e ajustando a voltagem.
O zumbido agudo preencheu a sala. Quando a agulha tocou a pele do cóccix pela primeira vez, injetando a tinta preta, Jorge arqueou as costas com um gemido abafado no estofado. A dor era aguda, queimava e pulsava, mas a sensação de submissão voluntária e posse absoluta transformava cada pontada em puro combustível erótico.
Erick trabalhava com maestria, mas sua respiração estava cada vez mais descompassada. A mão livre do tatuador descansava na cintura fina de Jorge, sentindo os tremores e os arrepios que percorriam a espinha do marido.
— Tá doendo, vida? — perguntou Erick, a voz suavizando em um tom protetor, depositando um beijo suave na curva das costelas de Jorge enquanto a máquina continuava o traçado.
— Dói... mas é gostoso — manhou Jorge, virando o rosto de lado no travesseiro da maca, com os olhos úmidos de tesão e dor. — Saber que sua marca vai ficar cravada em mim pra sempre... ahnn... vai mais fundo, amor.
— Cala a boca, porra... não me provoca que eu ainda tenho que terminar essa linha — Erick rosnou entre dentes, os nós dos dedos brancos de tanta tensão acumulada.
Quinze minutos depois, que pareceram uma eternidade de suplício doce, a máquina silenciou. Erick limpou o excesso de sangue e tinta com uma toalha macia, borrifou o produto cicatrizante e jogou as luvas na lixeira.
A palavra "Pulgar" brilhava em preto vivo, impecável e imponente sobre a curva do bumbum de Jorge, cercada pela vermelhidão natural da pele irritada.
— Terminei — disse Erick, a voz tão baixa que soou como um trovão distante.
Jorge começou a se levantar devagar, mas mal teve tempo de apoiar os cotovelos. Erick segurou seus quadris com as mãos nuas e o puxou com brutalidade para a beirada da maca, virando-o de frente de uma vez só.
— Agora você vai pagar pelo show que deu, seu moleque atrevido — rugiu o chileno.
Antes que Jorge pudesse formular uma provocação, a boca de Erick colidiu com a sua em um beijo devastador. Não havia espaço para delicadeza. A língua grossa e quente do tatuador invadiu a boca de Jorge com voracidade possessiva, sugando, mordendo o lábio inferior do colombiano até fazê-lo arfar sem ar. As mãos de Jorge subiram desesperadas, embrenhando-se nos cabelos curtos de Pulgar, gemendo sôfrego contra a garganta dele.
— Erick... ah, porra... — Jorge arfou quando o chileno desceu os beijos molhados pelo seu pescoço, passando reto pela tatuagem de "Santino" e cravando os dentes na curva entre a clavícula e o ombro, marcando a pele com um hematoma arroxeado.
Erick agarrou a calcinha de renda preta e não se deu ao trabalho de abaixá-la: rasgou o tecido com as duas mãos, ouvindo o som gostoso do tecido cedendo e expondo a intimidade do marido completamente. Ele puxou a própria calça para baixo junto com a cueca, libertando o membro colossal, latejante e escuro, coberto por veias grossas que pulsavam de desejo acumulado.
Sem esperar, Erick pegou uma das pomadas lubrificantes da bancada, espalhou nos dedos com urgência e invadiu a entrada quente de Jorge. O colombiano soltou um grito rouco, cravando as unhas nas costas tatuadas do marido, rebolando o quadril em busca de mais atrito.
— Tá apertado pra caralho... parece que nunca foi comido — Erick xingou baixinho no ouvido de Jorge, a voz suja pingando volúpia enquanto alargava o menor com dois, depois três dedos ágeis. — Fica empinando essa bunda rebolativa na minha cara... achou que ia sair ileso?
— Mete logo essa porra... Erick, anda! — Jorge manhou desesperado, as pernas longas e tatuadas já enlaçando a cintura larga do gigante. — Me fode aqui mesmo nessa mesa... faz essa porra balançar!
Erick não esperou um segundo convite. Retirou os dedos, posicionou a cabeça larga e úmida de sua ereção na entrada de Jorge e empurrou para dentro de uma só vez.
O grito de Jorge foi estrangulado pelo beijo urgente de Erick. O corpo do colombiano foi completamente preenchido, esticado ao limite pela grossura implacável do chileno. A maca de ferro e couro rangeu ruidosamente com o impacto das peles colidindo.
— Caralho... você é perfeito demais, Jorge... — Erick arfava pesadamente, os olhos fixos nos do marido, começando a estocar com força metódica e profunda.
Cada investida era brutal e certeira, acertando o ponto mais profundo dentro de Jorge, fazendo o colombiano choramingar de prazer desmedido. As mãos de Erick seguravam com firmeza as coxas de Jorge, mantendo-as bem abertas contra o peito, enquanto o quadril pesado golpeava sem misericórdia. O som úmido do sexo e os estalos de pele contra pele preenchiam toda a sala trancada.
— Ahnnn! Erick! Mais... mais forte! — Jorge suplicava descarado, o topete louro completamente bagunçado pelo suor, as costas arqueando da maca a cada estocada. — Isso... me arromba todinho... fala que eu sou seu!
— Você é minha mulherzinha, caralho! — Erick ditou com autoridade suja, acelerando o ritmo para estocadas rápidas, violentas e impiedosas que faziam a maca deslizar alguns centímetros no chão de cimento queimado. — Tá marcado na pele agora. Ninguém toca. É tudo meu!
— Sou seu... só seu, meu amor! Ahnnn!
O ritmo frenético beirou a insanidade. Jorge fechou os olhos com força, mordendo o próprio lábio até quase sangrar, o abdômen se contraindo em espasmos incontroláveis enquanto seu próprio membro, intocado, esguichava leite quente sobre seu peito tatuado e a camisa de linho amassada. O orgasmo rasgou o colombiano de dentro para fora em um grito rouco de êxtase puro.
O aperto interno foi o golpe de misericórdia para Erick. Sentindo as paredes de Jorge ordenharem seu pau em contrações deliciosas, o chileno rosnou como uma fera encurralada, deu três estocadas brutais até o talo e despejou jatos espessos e quentes bem no fundo do ventre do marido, preenchendo-o por completo.
Erick desabou com o peito suado sobre o de Jorge, enterrando o rosto no pescoço cheiroso do colombiano, enquanto ambos arfavam em uníssono, recuperando o ar em golfadas trêmulas.
O silêncio na sala foi quebrado apenas pelos batimentos cardíacos descompassados dos dois.
Lentamente, Erick deslizou para fora de Jorge, arrancando um muxoxo de protesto do menor. O chileno puxou um pacote de lenços umedecidos, limpando o marido com uma delicadeza que ninguém no mundo dos negócios jamais imaginaria que aquele brutamontes possuía. Em seguida, aplicou cuidadosamente o plástico filme sobre a nova tatuagem no cóccix, garantindo que o desenho não infeccionasse.
Jorge sentou-se na maca com dificuldade, sentindo as pernas bambas e a ardência deliciosa tanto no cóccix quanto entre as coxas. Ele cruzou os braços finos sobre o peito, fazendo um biquinho dengoso e irresistível, com os olhos pidões voltados para o marido.
— Você quase me quebrou no meio, Pulgar... — murmurou o colombiano, arrastando a voz com pura manha. — Mereço muito carinho agora.
Erick riu baixo, uma risada rouca e genuína, aproximando-se da maca e puxando Jorge pela cintura para que ele se sentasse em seu colo. Jorge enterrou o rosto na curva do pescoço cheia de tinta de Erick, inalando o cheiro amadeirado do perfume misturado ao suor da paixão.
— Você não tem vergonha nessa cara, né? — Erick beijou a testa de Jorge, passando a mão pesada pelos fios loiros do topete dele, acariciando com devoção absoluta. — Armou esse circo todo só por causa da Marcela?
Jorge ergueu o queixo, ainda emburrado, mas com o coração derretido.
— Não quero nenhuma piranha olhando pro que é meu. Você é meu marido. E agora... — Jorge tocou as próprias costas com a ponta dos dedos, sentindo o relevo do plástico protetor. — Tá gravado no meu corpo de quem eu sou.
Erick segurou o rosto bronzeado de Jorge entre as duas mãos grandes, fitando-o com aquele olhar escuro que, para o resto do mundo, significava perigo, mas que para o colombiano era puro abrigo e devoção.
— Eu nunca precisei de tinta pra saber de quem você é, Jorge — sussurrou o chileno, encostando a testa na dele, a voz embargada de sinceridade. — Eu sou completamente louco por você desde o primeiro dia em que você sentou nessa maca. Você é a minha vida, meu bem. Não existe Marcela, não existe contrato, não existe nada no mundo que chegue aos pés do que eu sinto por você.
Jorge sorriu, o sorriso arteiro e iluminado voltando a desabrochar em seus lábios inchados. Ele deu um selinho demorado no marido, aninhando-se ainda mais em seus braços fortes.
— Eu sei, meu pitbull... — Jorge ronronou dengoso, fechando os olhos em paz. — Mas agora você vai me levar pra casa no colo e vai cozinhar pra mim, porque suas estocadas me deixaram sem andar.
Erick soltou outra gargalhada gostosa, apertando o marido contra o peito, sabendo que, diante daquele colombiano manhoso, ele sempre seria o homem mais dominado — e mais feliz — da face da terra.