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PULGARRASCAL

Soberania e Desejo

Erick prendeu Jorge contra o parapeito de vidro do deque, encurralando o corpo esbelto e bronzeado entre o abismo escuro do oceano lá embaixo e a muralha viva de músculos tatuados à sua frente. As ondas quebravam com violência contra as pedras da encosta do Joá, mas o rugido das águas parecia insignificante diante da tempestade que faiscava entre os dois.

Jorge tentou empurrar os ombros largos do chileno, mas foi como tentar mover uma montanha de granito. O topete loiro balançava com a brisa salgada, e o bico emburrado nos lábios carnudos entregava que, por trás da fúria altiva, existia uma carência quase infantil de atenção exclusiva.

— Me solta, Erick — sibilou Jorge, virando o rosto de lado, recusando-se a encarar os olhos negros que o devoravam. — Volta lá pra dentro. Vai dar atenção pra herdeirinha dos Fontana.

Erick não respondeu com palavras. Em vez disso, segurou com firmeza o queixo de Jorge com os dedos calejados e cobertos de tinta, forçando o colombiano a olhar diretamente para si. O aperto era seguro, possessivo, mas desprovido de qualquer brutalidade real.

— Você acha mesmo que alguma mulher neste mundo tem poder pra tirar meus olhos de você, Carrascal? — A voz de Erick saiu cavernosa, rouca, vibrando contra a pele aquecida do pescoço de Jorge. — Doze anos juntos, porra. Você me conhece melhor do que qualquer um.

— Não parecia lá dentro — rebateu Jorge, a voz falhando ligeiramente quando Erick deu mais um passo à frente, colando os corpos com tanta força que o volume imenso e rígido por baixo da calça social do chileno pressionou a virilha do colombiano. — Você ficou lá parado... deixando aquela pirralha rebolar o rabo na sua cara...

— Eu estava fechando um acordo de armas que vai garantir o porto do Rio por mais dez anos sem derramar uma gota de sangue — sussurrou Erick, inclinando-se até que seus lábios quase roçassem a orelha de Jorge, mordiscando a cartilagem de leve antes de descer uma trilha de beijos quentes até a clavícula. — Mas se você quer saber o que realmente estava passando pela minha cabeça enquanto aquela idiota tentava chamar minha atenção...

Erick pegou a mão direita de Jorge, cheia de anéis pesados, e a guiou sem cerimônia para baixo, forçando os dedos finos a apertarem a ereção latejante por cima do tecido fino da alfaiataria. Jorge arfou baixinho, os olhos semicerrando-se pelo choque térmico do desejo evidente.

— Eu só conseguia pensar em quanto tempo faltava para trazer você de volta pra nossa casa — rosnou o chileno, a boca colada na comissura dos lábios de Jorge. — Só conseguia pensar em arrancar essa sua roupa e te foder até você esquecer como se fala. Aquele decote não vale a metade da sua unha suja, Jorge. Nada naquele salão importa além de você.

Jorge estremeceu. O peito subia e descia em arfadas descompassadas. O orgulho ferido ainda tentava erguer barreiras, mas o calor abrasador que emanava de Erick derretia qualquer resistência.

— Você é muito descarado, Pulgar... — manhou o colombiano, o tom dengoso começando a substituir a raiva, embora mantivesse o cenho franzido. — Acha que vai me convencer com conversa mole?

— Eu nunca usei conversa mole com você — disse Erick, antes de capturar a boca do marido em um beijo devastador.

A língua de Erick invadiu a cavidade de Jorge com fome acumulada de semanas. Era um beijo profundo, molhado, violento na medida certa, arrancando um gemido estrangulado do colombiano. As mãos de Jorge, que antes tentavam empurrar, subiram desesperadas para os cabelos escuros e raspados nas laterais do marido, puxando-o para mais perto. Erick gemeu contra a garganta de Jorge, apertando as nádegas firmes do menor com as duas mãos, erguendo-o alguns centímetros do chão de madeira.

Quando o ar faltou e os lábios se separaram com um estalo lascivo, Jorge estava ofegante, as pupilas completamente dilatadas.

— Vamos embora — ordenou Erick, o olhar faiscando um perigo que Jorge conhecia muito bem.

— Mas... e o brinde do Giorgian? — Jorge tentou fingir compostura, ajeitando a camisa entreaberta com dedos trêmulos.

— Que se foda o brinde. O Guillermo entende. O Santino tá seguro dormindo aqui com o Milano — Erick segurou Jorge pelo pulso, puxando-o pelo deque privativo em direção à saída lateral da mansão, evitando o salão principal. — Nós temos um atraso de semanas pra resolver. E você não vai dormir enquanto não me der tudo o que me deve.

O caminho pelo Joá até a Niemeyer a bordo do Porsche preto foi um teste implacável de resistência. Erick dirigia com uma mão firme no volante e a outra espalmada na coxa interna de Jorge, subindo e descendo pelo tecido fino da calça. A cada curva fechada, os dedos pesados do mafioso apertavam a carne macia, aproximando-se perigosamente da virilha.

— Erick... para, você vai bater essa porra — Jorge reclamava manhoso, jogando a cabeça para trás no encosto de couro, embora abrisse ainda mais as pernas para facilitar o toque.

— Fica quieto — murmurou o chileno, deslizando a mão por baixo do cós da calça de Jorge, buscando a intimidade do marido.

No instante em que as pontas dos dedos ásperos tocaram o tecido delicado e sedoso, Erick franziu as sobrancelhas, puxando a renda para cima. A luz fraca do painel iluminou a cor escarlate.

— Que porra é essa? — perguntou Erick, a voz engrossando em uma oitava, os olhos faiscando enquanto desacelerava na entrada do Leblon.

Jorge mordeu o lábio inferior, lançando um olhar de soslaio, infinitamente arteiro e provocador.

— Uma calcinha de renda vermelha... comprei em Milão semana passada — sussurrou o colombiano, rebolando levemente contra os dedos do marido. — Achei que você merecia ver... mas como você preferiu ficar de papo com a novinha, talvez eu devesse guardar pra outro dia.

Erick freou o carro na garagem subterrânea privativa do edifício com um solavanco violento. Desligou o motor e olhou para Jorge com a ferocidade de um predador enjaulado que acabara de ver a porta da jaula se abrir.

— Você é um demônio, Carrascal. Desce desse carro antes que eu te coma aqui mesmo no capô.

Subiram pelo elevador privativo trocando mordidas sôfregas e mãos descaradas. No segundo em que as portas de metal se abriram diretamente na sala monumental da cobertura, com vista panorâmica para o mar escuro e as luzes da orla, a civilidade ruiu por completo.

Erick arremessou o paletó no chão e puxou Jorge pela cintura, prensando-o de costas contra o tampo de mármore negro da ilha da cozinha americana. Copos vazios e uma garrafa decorativa foram empurrados para o lado sem o menor cuidado, ecoando pelo ambiente silencioso.

— Mostra — ordenou o chileno, a respiração batendo quente no rosto de Jorge. — Mostra essa merda agora.

Com um risinho ladino e desafiador, Jorge desabotoou a própria calça social, descendo o zíper devagar. Ele deslizou o tecido pelas pernas até deixá-lo cair no piso frio de porcelanato, chutando os sapatos italianos para longe. Ficou apenas com a camisa de seda preta desabotoada e a minúscula peça íntima de renda vermelha, que mal cobria a base de sua ereção e deixava a curva inteira das coxas bronzeadas e nádegas perfeitamente esculpidas à mostra.

Na parte inferior de suas costas, bem sobre o cóccix, a palavra "Pulgar", gravada em tinta indelével anos atrás, brilhava sob a penumbra da cobertura.

Erick engoliu em seco, soltando um rosnado gutural.

— Puta que pariu... você quer me deixar louco, não quer?

— Eu quero o meu marido — Jorge provocou, apoiando os cotovelos no mármore e empinando os quadris em direção a Erick, com um biquinho dengoso nos lábios. — Quero ver se esse pitbull todo ainda dá conta do recado ou se tá ficando velho demais pra mim.

A audácia foi a sentença de Jorge.

Sem qualquer aviso, Erick avançou. Suas mãos imensas agarraram as laterais da calcinha vermelha e, com um único puxão violento, rasgaram a seda e a renda ao meio. O som do tecido se partindo arrancou um gemido surpreso e excitado de Jorge. O chileno abriu o próprio cinto com pressa febril, arriando as calças e libertando seu membro colossal, rígido, veado e escuro, latejando em prontidão absoluta.

Erick não perdeu tempo buscando pomadas no quarto. Pegou um frasco de óleo corporal aromático que descansava na bandeja decorativa da bancada, despejou uma quantidade generosa na palma da mão e espalhou pela haste pulsante e pelos dedos. Com agilidade experiente, invadiu Jorge por trás, usando os dedos compridos para preparar a entrada apertada do colombiano.

— Ahnn! Erick... porra! — Jorge arqueou as costas, cravando as unhas no mármore gelado, a respiração entrecortada pelo prazer agudo. — Vai... mete logo... não enrola, caralho!

— Quem manda aqui sou eu, porra — Erick rosnou em seu ouvido, puxando o topete loiro de Jorge para trás até que o pescoço ficasse completamente exposto, cravando os dentes com força calculada na jugular do menor. — Você vai aprender a me respeitar e parar de dar show por causa de menina boba.

Erick retirou os dedos e, em um único movimento bruto e determinado, afundou o quadril para a frente.

A invasão foi devastadora. A glande larga abriu caminho sem hesitação, esticando as paredes internas de Jorge e preenchendo-o até a raiz de uma só vez.

Jorge soltou um grito rouco que ecoou pelas paredes altas da cobertura, um som que misturava a dor deliciosa da plenitude física ao êxtase do reencontro. Suas pernas fraquejaram, mas os braços de Erick eram barras de ferro sustentando-o pela cintura fina.

— Olha pra você... — Erick arfou pesadamente, o peito tatuado colado nas costas suadas de Jorge, sentindo o calor ardente que o envolvia como uma luva sob medida. — Tá tão apertado... como se nunca tivesse levado um pau na vida. Toda essa bunda é minha, Jorge. Cada pedaço.

— É sua... caralho, é tudo sua! — Jorge gemia desesperado, empurrando o quadril para trás, suplicando pelo movimento. — Fode, amor... por favor, me fode fundo!

Erick começou a estocar. As investidas eram pesadas, ritmadas, profundas e impiedosas. O som do impacto do quadril maciço de Pulgar contra as nádegas bronzeadas de Carrascal estalava como chicotadas no silêncio do apartamento. A cada estocada certeira, Erick atingia exatamente a próstata do colombiano, fazendo Jorge tremer dos pés à cabeça, salivando de volúpia.

— Ahnnn! Erick! Mais... mais rápido, meu grandão! — Jorge choramingava, a malandragem dando lugar à rendição total. Ele rebolava em torno do membro do marido, buscando o atrito perfeito, o suor fazendo suas peles tatuadas deslizarem uma contra a outra em um balé primitivo.

Erick segurou com força nos quadris de Jorge, deixando marcas vermelhas onde seus dedos afundavam, acelerando o ritmo para uma cadência quase insana. O mármore da ilha balançava sob a força do chileno. Ele fodia Jorge com a possessividade de um homem marcando o que considerava a joia mais preciosa de seu império, despejando toda a frustração, a saudade e o desejo acumulado em cada movimento implacável.

— Quem é o seu homem, Jorge? — Erick rosnou, a voz suja, desprovida de qualquer verniz civilizado. — Fala pra mim, sua putinha marrenta! Quem é que te abre desse jeito?

— É você... Erick! Só você, meu pitbull! Porra... eu vou gozar, Erick! Não para, não para!

— Segura — ordenou Erick, diminuindo as estocadas deliberadamente, enterrando-se até o limite e girando os quadris lá dentro.

— Não! — Jorge soltou um choro dengoso, balançando a cabeça em agonia deliciosa. — Não faz isso... por favor, amor, deixa eu gozar...

— Só se você prometer que nunca mais vai duvidar de mim — Erick exigiu, curvando-se para morder a orelha de Jorge, a respiração em chamas. — Promete, Jorge.

— Eu prometo! Prometo tudo, caralho... mete essa porra fundo de novo!

Satisfeito, Erick soltou o controle. Voltou a estocar com uma fúria brutal e ritmada, golpeando Jorge sem trégua. O colombiano atingiu o ápice em questão de segundos; o abdômen se contraiu com violência e jatos espessos de seu próprio sêmen mancharam a pedra preta da ilha, arrancando-lhe um grito rasgado de puro prazer.

O aperto convulsivo das paredes internas de Jorge ao redor de sua carne foi o golpe final para Pulgar. O chileno soltou um rugido selvagem, enterrou-se até o osso púbico e derramou-se profundamente dentro do marido em espasmos longos e quentes, preenchendo-o até transbordar.

Ficaram colados por longos minutos, os corpos brilhando de suor sob a penumbra, arfando pesadamente enquanto o mundo lá fora continuava a girar indiferente.

Lentamente, Erick deslizou para fora de Jorge, arrancando um muxoxo de protesto do colombiano, cujas pernas cederam instantaneamente. Antes que Jorge pudesse tocar o chão, Erick o ergueu nos braços como se ele não pesasse nada, carregando-o com cuidado pela sala até a suíte master.

O banheiro da suíte foi inundado pelo vapor quente do chuveiro duplo. Erick colocou Jorge debaixo da água morna, lavando o corpo do marido com uma delicadeza quase reverente. Retirou cada vestígio de suor e sêmen com as próprias mãos ensaboadas, beijando os ombros, o pescoço e a nuca marcada de Jorge.

Quando finalmente se deitaram na cama king-size, com o edredom macio cobrindo-os até a cintura, o quarto estava imerso em uma paz quase sagrada.

Jorge puxou o travesseiro para perto e virou-se de costas para Erick, encolhendo as pernas e cruzando os braços sobre o peito. O biquinho manhoso estava de volta aos lábios, e o olhar castanho encarava a parede de vidro com uma birra calculada.

Erick riu baixo, puxando o corpo esbelto do marido contra o seu peito largo, envolvendo a cintura de Jorge com um braço pesado e possessivo.

— Ainda tá emburrado, Carrascal? Depois de tudo o que eu acabei de fazer com você?

Jorge soltou um suspiro dengoso, mexendo os ombros para se ajeitar melhor no abraço de conchinha.

— Tô — murmurou o colombiano, a voz arrastada pela manha. — Minha cintura tá doendo horrores. Minhas pernas tão dormentes. E você ainda rasgou minha calcinha favorita, que custou uma nota preta em Milão.

Erick sorriu contra os fios loiros da nuca de Jorge, depositando ali um beijo longo e carinhoso.

— Eu compro dez daquela pra você amanhã, meu bem. E trago o estilista aqui pra medir essa sua bunda se você quiser.

Jorge virou o rosto para trás, com os olhos brilhando em uma mistura de doçura e atrevimento.

— Quero cafuné — exigiu com a voz fininha, dengosa como a de uma criança mimada. — E você vai ficar acordado até eu dormir, fazendo massagem na minha nuca. Senão, amanhã eu acordo de mau humor e te faço dormir na sala.

O temido chefe do submundo carioca, o homem que fazia cartéis inteiros tremerem com um olhar, apenas soltou uma gargalhada genuína, enterrando os dedos calejados no topete bagunçado de Jorge, iniciando um carinho suave e rítmico que fez o colombiano fechar os olhos quase instantaneamente.

— Suas ordens são leis, minha vida — sussurrou Erick, puxando Jorge ainda mais para perto, sabendo que, diante daquele colombiano manhoso, ele sempre entregaria a sua própria alma de joelhos.

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