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Quando eu conheci você

Máscaras e Verdades Amargas

A luz estroboscópica do salão da universidade cortava a escuridão em flashes de neon, transformando a multidão em um borrão de cores e silhuetas misteriosas. O tema da noite era "Baile de Máscaras", e Will Byers sentia que, pela primeira vez em muito tempo, a máscara de plástico dourado sobre seu rosto era a única coisa honesta que ele estava usando. Por baixo dela, seus sentimentos por Mike Wheeler continuavam sendo um segredo corrosivo, uma ferida que não cicatrizava.

Will ajustou o colarinho da camisa e olhou para o lado. Carlton estava lá. Ele era um veterano de arquitetura, gentil, com um sorriso fácil e mãos que sempre pareciam encontrar o caminho para o ombro de Will. Carlton era seguro. Carlton era o tipo de distração que Will precisava para parar de pensar nos olhos escuros de Mike e no modo como o namorado de sua irmã o olhava nos últimos dias — um misto de raiva contida e algo que Will não ousava nomear.

— Você está muito quieto, Will — comentou Carlton, aproximando-se para ser ouvido acima da música eletrônica vibrante. — Quer beber alguma coisa? Ou prefere ir para um lugar mais calmo?

Will olhou para a pista de dança. Mike estava lá, os cabelos pretos bagunçados sob uma máscara prateada minimalista, com os braços ao redor da cintura de Jane. Jane sorria, encostando a cabeça no ombro dele, parecendo a imagem perfeita da felicidade. A visão fez o estômago de Will dar um nó.

— Um lugar mais calmo parece ótimo — respondeu Will, forçando um sorriso.

Eles se afastaram para um canto mais escuro, perto das grandes cortinas de veludo que decoravam as janelas do salão. O ar ali era mais fresco. Carlton se inclinou, os olhos brilhando através da máscara.

— Sabe, Will... eu estava esperando por um momento a sós com você a semana toda.

Will sentiu o coração acelerar, mas não da forma que deveria. Ele queria sentir borboletas, mas sentia apenas uma pressão no peito. Antes que pudesse responder, Carlton reduziu a distância e o beijou. Foi um beijo suave, atencioso. Will fechou os olhos e tentou se perder naquilo, tentou desesperadamente fazer com que Carlton fosse o suficiente.

Do outro lado do salão, o mundo de Mike Wheeler parecia estar desmoronando em câmera lenta. Ele deveria estar prestando atenção no que Jane dizia sobre o curso de botânica, mas seus olhos estavam fixos na silhueta de Will no canto da sala. Quando viu Carlton se inclinar e os lábios dos dois se encontrarem, Mike sentiu uma onda de calor insuportável subir pelo pescoço.

— Mike? Você está ouvindo? — Jane perguntou, puxando levemente sua mão.

— O quê? Sim, claro, Jane — mentiu ele, a voz falhando.

— Olha só! — Max exclamou, surgindo de repente ao lado deles com Lucas e Dustin. A ruiva apontava para o canto onde Will e Carlton estavam. — O Will finalmente tomou coragem! Eles formam um casal fofo, não acham?

— Finalmente! — Dustin comemorou, ajustando sua máscara de robô. — Carlton é um cara legal, ele vai tratar o Will bem.

— Eles parecem felizes — comentou Lucas, sorrindo para a cena.

Jane bateu palmas, genuinamente radiante pelo irmão.

— Eu sabia! Will merece alguém que o faça sorrir assim. Mike, não é incrível?

Mike sentiu como se o oxigênio tivesse sido drenado do salão. Sua mandíbula estava tão tensa que chegava a doer. Ele olhou para Will, que agora se afastava do beijo com um rosto corado, e sentiu uma fúria irracional. Não era apenas ciúme; era uma possessividade que ele não tinha o direito de sentir, mas que o consumia por dentro.

— É... incrível — murmurou Mike, o tom de voz tão seco que Max arqueou uma sobrancelha, desconfiada.

— Você está bem, Mike? — perguntou Max, cruzando os braços. — Parece que viu um fantasma. Ou que comeu algo estragado.

— Eu só preciso de um pouco de ar — disse Mike bruscamente, soltando a mão de Jane. — Já volto.

Ele não esperou por uma resposta. Mike caminhou a passos largos, ignorando os chamados de Dustin. Seus olhos seguiram Will, que acabara de se desvencilhar de Carlton e seguia em direção ao corredor dos banheiros, provavelmente para lavar o rosto e processar o que acabara de acontecer.

Will entrou no banheiro masculino, que por sorte estava vazio. Ele se apoiou na pia de mármore e encarou seu reflexo no espelho. A máscara dourada estava levemente torta. Ele a removeu, revelando os olhos úmidos e a expressão confusa.

— Por que eu não sinto nada? — sussurrou para si mesmo. — Ele é perfeito. Por que dói tanto?

O som da porta batendo com força o fez pular. Will se virou e seu coração parou. Mike estava parado ali, a respiração pesada, os olhos pretos fixos nele com uma intensidade assustadora. Sem dizer uma palavra, Mike girou a tranca da porta, trancando-os lá dentro.

— Mike? O que você está fazendo? — Will perguntou, a voz trêmula. — A Jane está lá fora, os nossos amigos...

— Por que ele, Will? — Mike deu um passo à frente, ignorando a pergunta. — Por que aquele cara?

— Do que você está falando? Carlton é meu amigo, ele é legal...

— Ele não é para você! — Mike gritou, a voz ecoando nos azulejos brancos. Ele estava agora a poucos centímetros de Will, encurralando-o contra a pia. — Você mal o conhece. Você estava... você estava beijando ele na frente de todo mundo!

— E o que isso importa para você, Mike? — Will sentiu a raiva começar a suplantar o medo. — Você é o namorado da minha irmã! Você deveria estar feliz por mim, como todo mundo está! Por que você está agindo como um louco desde a fogueira?

Mike abriu a boca para retrucar, mas as palavras pareceram travar em sua garganta. Ele olhou para Will — para os lábios dele, para a curva suave de seu pescoço — e a fachada de "bom namorado" e "amigo leal" que ele tentava manter desmoronou completamente.

— Porque eu não consigo suportar a ideia de outro cara tocando em você — confessou Mike em um sussurro rouco, a vulnerabilidade transparecendo em sua voz pela primeira vez.

Will congelou. O silêncio no banheiro era tão denso que ele podia ouvir as batidas frenéticas de seu próprio coração.

— Mike... você não sabe o que está dizendo.

— Eu sei exatamente o que estou dizendo — Mike deu o último passo, eliminando qualquer espaço entre eles. Suas mãos subiram para o rosto de Will, os dedos trêmulos tocando a pele quente das bochechas do outro. — Eu tentei ignorar. Tentei ser o que a Jane espera, o que você espera. Mas eu vejo você e... Will, eu estou ficando louco.

— Você tem que parar — Will pediu, embora suas mãos tivessem subido involuntariamente para os pulsos de Mike, não para afastá-lo, mas para segurá-lo ali. — Isso é errado. A Jane...

— Eu sei que é errado — Mike murmurou, aproximando o rosto. — Eu sei que sou um idiota. Mas eu não consigo respirar se não fizer isso.

Mike não esperou por uma permissão que sabia que Will, em sua bondade infinita, talvez nunca desse verbalmente. Ele inclinou a cabeça e pressionou seus lábios contra os de Will.

Diferente do beijo de Carlton, que fora calmo e educado, o beijo de Mike era uma tempestade. Era desesperado, faminto e carregado de anos de sentimentos reprimidos e palavras nunca ditas. Will soltou um gemido baixo, uma mistura de alívio e agonia, e cedeu. Suas mãos se enredaram nos cabelos pretos de Mike, puxando-o para mais perto, querendo fundir-se a ele apesar de toda a culpa que já começava a pesar em seus ombros.

Eles estavam perdidos um no outro, no som de suas respirações curtas e no calor de seus corpos, que por um momento, as máscaras sociais não importavam.

O que eles não perceberam foi o som suave da porta sendo testada pelo lado de fora.

Chrissy Cunningham, a melhor amiga de Jane, tinha ido ao banheiro para retocar o batom. Ao encontrar a porta masculina trancada e ouvir ruídos estranhos, sua curiosidade natural — e a preocupação de que alguém pudesse estar passando mal — a fez olhar pelo pequeno vão da porta que não fechava perfeitamente devido a uma dobradiça solta.

O que ela viu fez seu sangue gelar.

Will Byers, o irmão doce de sua melhor amiga, estava prensado contra a pia, com os braços envoltos no pescoço de Mike Wheeler. E Mike... Mike o beijava com uma paixão que Chrissy nunca o vira demonstrar por Jane.

Chrissy levou a mão à boca, abafando um grito de surpresa. Ela recuou um passo, o coração disparado. Aquilo não era apenas um erro; era uma traição que destruiria o grupo de amigos e, principalmente, Jane.

Dentro do banheiro, Mike se afastou minimamente, encostando a testa na de Will.

— Will... — ele ofegou, os olhos ainda fechados. — Eu sinto muito. Eu não...

Will abriu os olhos, a realidade voltando como um balde de água gelada. As lágrimas começaram a escorrer.

— Mike, o que a gente fez? — Will sussurrou, a voz quebrada. — O que a gente vai fazer agora?

Mike não teve resposta. Ele olhou para a porta trancada, sem saber que o segredo deles já não pertencia apenas aos dois. Lá fora, no meio das luzes e da música, a tempestade estava apenas começando.

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