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Quem é ele?

Marcas de uma Noite de Inverno

O sol da tarde filtrava-se pelas janelas altas da biblioteca da Academia Colosso, criando padrões de luz e sombra sobre as mesas de carvalho pesado. Vikir mantinha os olhos fixos em um pergaminho sobre táticas de contenção de monstros de classe perigo, mas sua concentração era constantemente testada pelo peso quente e macio em seu colo.

Camus Morg não conhecia a palavra "limite". Ela estava sentada sobre as coxas dele, um braço passado casualmente pelo pescoço de Vikir enquanto a outra mão brincava com uma mecha do cabelo preto dele.

— Vikirzinho, você está lendo a mesma página há dez minutos — sussurrou ela, inclinando-se para frente. Seus lábios roçaram o lóbulo da orelha dele, um convite silencioso e perigoso. — Por que não fazemos algo mais produtivo?

— Ler é produtivo. Ter você obstruindo minha visão, não — respondeu Vikir, sem desviar o olhar do texto. Ele fingia uma indiferença absoluta, embora o cheiro de flores de inverno que emanava da pele de Camus fosse inebriante.

Ao redor deles, Piggy e os outros colegas de classe assistiam à cena com uma mistura de pavor e fascinação. Ninguém conseguia entender como um plebeu de notas medianas e orelhas baixas conseguia tratar a herdeira prodígio dos Morg com tanto desdém, e muito menos por que ela parecia adorar isso.

— Ei, Vikir — começou Piggy, a curiosidade vencendo o medo. — A Senhorita Camus disse que vocês se conhecem desde pequenos. Como você era naquela época? Você sempre foi... assim? Tão sério?

Vikir finalmente levantou os olhos do pergaminho, um brilho gélido e levemente sádico cruzando suas pupilas vermelhas.

— Eu era funcional — disse Vikir. — Já a Camus... ela sempre teve uma tendência para o furto e para o exibicionismo.

Camus soltou uma risadinha, apertando o abraço.

— Eu não chamaria de furto. Eu chamaria de "empréstimo de longo prazo".

— Como daquela vez que você roubou a camisa daquele garoto? — Vikir arqueou uma sobrancelha.

Os ouvidos dos amigos se aguçaram. Camus tentou tapar a boca de Vikir, mas ele desviou o rosto com agilidade.

— Ela roubou a única camisa limpa que o garoto tinha para treinar — continuou Vikir, a voz calma e cortante. — E ela se recusou a devolver a tarde inteira. O garoto teve que passar seis horas sem camisa, sob o sol, apenas porque ela decidiu que "queria ver o progresso do treinamento dele" de um ângulo mais privilegiado.

— Ora, a vista era excelente! — Camus exclamou, ficando levemente corada, mas sem perder a pose. — E ele não reclamou tanto quanto você faz parecer.

— Ele não reclamou porque estava ocupado tentando não ser pego pelo seu tio enquanto estava seminnu no seu jardim — rebateu Vikir. — Mas isso não foi nada comparado ao dia do guarda-roupa.

Camus empalideceu subitamente.

— Vikir, não ouse...

— Ah, essa eu quero ouvir! — exclamou um dos rapazes da mesa ao lado, inclinando-se para frente.

— O garoto estava em seu quarto, tentando ter um momento de paz — narrou Vikir, sentindo um prazer sombrio ao ver Camus esconder o rosto em seu pescoço. — Camus estava lá, como sempre, sendo... Camus. Ela tinha acabado de se despir para trocar de roupa ou algo do tipo, alegando que "não havia segredos entre eles", quando a sobrinha pequena do garoto começou a esmurrar a porta querendo atenção.

— E o que aconteceu? — Piggy perguntou, com os olhos arregalados.

— Camus entrou em pânico. Ela se jogou dentro do guarda-roupa do garoto, completamente sem roupa, e teve que ficar lá por duas horas enquanto a menina brincava de boneca na cama. O garoto ficou sentado na frente do armário, suando frio, rezando para que ela não soltasse um espirro e fosse descoberta pela família dele. Imagine a explicação: uma Morg nua no armário de um plebeu.

— Eu quase morri de calor lá dentro! — Camus resmungou contra a pele do pescoço de Vikir, dando-lhe uma mordida leve por puro despeito.

Vikir não reagiu à mordida, mas continuou seu ataque verbal.

— Mas a maior vergonha foi política. Camus quase causou um incidente diplomático entre as famílias.

— Como assim? — perguntou Piggy.

— Ela voltou para a mansão Morg um dia com o pescoço e os ombros cobertos de marcas roxas e vermelhas. O tio dela, o Patriarca interino, quase declarou guerra, achando que ela tinha sido atacada por alguma fera ou inimigo político. Ele convocou os magos de elite, pronto para queimar o território vizinho.

Vikir fez uma pausa dramática, sentindo Camus tremer levemente em seu colo.

— No fim, ela teve que confessar na frente de todo o conselho de anciões que não era um ataque. Ela disse, com todas as letras, que tinha pedido para o garoto ser "um pouco mais bruto" durante um momento a sós porque ela gostava da sensação.

O silêncio que se seguiu na biblioteca foi tão denso que se podia ouvir o som das páginas virando em outras salas. Os amigos de Vikir olhavam para Camus com uma mistura de choque e um novo tipo de respeito aterrorizado.

— Você não tem filtro! — Camus gritou baixinho, escondendo o rosto completamente no vão do pescoço de Vikir, as pontas das orelhas dela ardendo em vermelho. — Pare de falar!

— Por que eu pararia? — Vikir soltou um riso seco, seus dedos finalmente subindo para acariciar o cabelo dela, um gesto que parecia carinhoso, mas que carregava a autoridade de quem detinha o controle. — Você esqueceu de mencionar as vezes em que o garoto foi encontrado com o rosto enterrado no seu peito, ou quando ele foi pego mordendo você porque você simplesmente não parava de implorar por atenção.

— Vikir! — Ela gemeu, a voz abafada.

— Sem mencionar — continuou ele, implacável — que você já pediu esse garoto em casamento mais de dez vezes. E em todas as vezes, você disse que o dote seria a sua total submissão se ele apenas aceitasse ser "selvagem" com você.

Camus levantou o rosto, os olhos brilhando com uma mistura de luxúria e irritação.

— E você aceitou todas as vezes, seu idiota! — Ela sussurrou, alto o suficiente para os amigos ouvirem.

Vikir apenas deu de ombros.

— Um plebeu não pode recusar as ordens de uma nobre tão insistente.

— Mentiroso — murmurou ela, aproximando os lábios dos dele. — Você adora.

Ela tentou beijá-lo ali mesmo, na frente de todos, mas Vikir virou o rosto no último segundo, fazendo com que o beijo dela atingisse sua bochecha. Ele voltou a atenção para o livro, deixando-a frustrada e ofegante em seu colo.

— Estamos em público, Camus. Comporte-se — disse ele, embora sua mão livre tivesse descido subitamente para a cintura dela, apertando a carne ali com uma força que a fez soltar um suspiro trêmulo.

Mais tarde, quando as luzes da academia começaram a diminuir e os corredores ficaram vazios, os dois se encontraram em um dos campos de treinamento isolados, atrás das estufas de alquimia. A máscara de "plebeu indiferente" de Vikir caiu no momento em que a porta se fechou atrás deles.

Camus não perdeu tempo. Ela o empurrou contra a parede de pedra, as mãos subindo para o peito dele, desabotoando os primeiros botões da camisa escolar.

— Você me humilhou na frente dos seus amigos — disse ela, a voz carregada de desejo. — Agora você tem que compensar.

Vikir a envolveu pela cintura, puxando-a para perto com uma força que a fez soltar um ganido de surpresa. Seus olhos vermelhos brilhavam intensamente na escuridão.

— Você gosta da humilhação, Camus. Sempre gostou — disse ele, a voz agora rouca e profunda, desprovida da monotonia que usava durante o dia. — E você gosta ainda mais quando eu te trato como a nobre mimada que você é.

Ele inclinou a cabeça, seus dentes roçando a pele sensível do pescoço dela, exatamente onde as marcas de mordida costumavam ficar. Camus inclinou a cabeça para trás, expondo a garganta, as mãos agarrando desesperadamente os cabelos de Vikir.

— Seja bruto — ela implorou, a respiração vindo em curtos espasmos. — Como você disse que o garoto era. Mostre para eles que você não é apenas um plebeu sem graça.

Vikir soltou um rosnado baixo. Ele a ergueu, fazendo com que ela entrelaçasse as pernas em sua cintura. Sem qualquer hesitação, ele cravou os dentes em seu ombro, marcando-a novamente, reivindicando seu território da mesma forma que os Baskerville faziam com suas presas.

Camus soltou um grito abafado, as unhas cravando-se nas costas dele.

— Sim... Vikir... mais... — ela murmurou, a voz trêmula.

Ele a pressionou com mais força contra a parede, uma das mãos descendo para a curva de seus quadris enquanto a outra subia para apertar seu seio por cima do tecido fino da blusa. Ele sabia exatamente como tocá-la, como fazê-la implorar por mais, transformando a herdeira arrogante dos Morg em uma massa de desejo em seus braços.

— Você reclama que eu falo demais — disse Vikir contra a pele dela —, mas é você quem não consegue manter o silêncio quando eu te toco assim.

Ele desceu os beijos para o decote dela, sua língua traçando o contorno de sua pele quente. Camus estava em chamas, seu corpo reagindo violentamente a cada toque calculado de Vikir. Ele se divertia com o contraste: durante o dia, ele era a sombra invisível e ela a luz radiante; à noite, ele era o mestre e ela, sua devota seguidora.

— Eu odeio você — ela mentiu, puxando-o para um beijo faminto e desordenado.

— Eu sei — respondeu Vikir, separando-se apenas o suficiente para olhar nos olhos dela. — Por isso você continua voltando para o colo do "plebeu".

Ele a colocou no chão, mas não a soltou. Seus dedos brincaram com o colarinho da blusa dela, ocultando as novas marcas que ele acabara de criar. Amanhã, ela teria que usar um lenço ou uma gola alta, e ambos saberiam o porquê.

— Vá para o seu dormitório, Camus — ordenou ele, recuperando a expressão fria. — Antes que seu tio decida aparecer na academia com um exército.

Camus ajustou a roupa, o rosto ainda corado e os olhos brilhando com uma satisfação profunda. Ela se aproximou e deu um último selinho rápido nele.

— Ele não viria. Ele sabe que, se me tirar daqui, eu fujo com você no dia seguinte.

Vikir observou-a se afastar, a silhueta elegante desaparecendo nas sombras do corredor. Ele limpou um traço de batom do canto da boca e suspirou. Ser um Baskerville disfarçado era exaustivo, mas ter Camus Morg como sua noiva era o único caos que ele se permitia apreciar.

Ele voltou para o dormitório masculino, o silêncio da noite sendo apenas uma breve trégua antes que as provocações de Camus recomeçassem na manhã seguinte. E no fundo, Vikir sabia que não queria que fosse de outra forma.