Quem é ele?
Sombras e Linhagens: O Caos que Antecede a Tempestade
A notícia se espalhou pelos corredores da Academia Colosso como um incêndio em floresta seca: em dois dias, ocorreria o Grande Treinamento de Demonstração, e as famílias dos alunos de elite — e até dos plebeus — foram convidadas para observar o progresso de seus herdeiros. Para a maioria, era uma chance de glória. Para Vikir van Baskerville, era o início de uma dor de cabeça monumental.
No refeitório, o grupo de amigos de Vikir estava em polvorosa. Tudor, sempre o mais entusiasmado, batia com o punho na mesa enquanto devorava um pedaço de carne.
— Finalmente! Eu mal posso esperar para ver quem são os pais do Vikir — exclamou Tudor, olhando para o amigo que, como de costume, comia sua sopa em silêncio absoluto. — Cara, você é um mistério. Um plebeu que luta como um demônio e tem a herdeira dos Morg pendurada no pescoço? Sua família deve ser, no mínimo, composta por caçadores de ursos gigantes.
— Eles são apenas... pessoas exageradas — respondeu Vikir, sem levantar os olhos. — Você ficaria decepcionado.
— Decepcionado? — Camus, que estava convenientemente sentada ao lado de Vikir, passando a mão por baixo da mesa na coxa dele, soltou uma risada cristalina. — Oh, Tudor, você não tem ideia. A família do Vikir é a coisa mais entretenida que eu já vi. Especialmente o irmão mais velho dele e o pai.
Vikir lançou um olhar de aviso para Camus, mas ela o ignorou completamente, deleitando-se com a atenção de Sinclair, Sancho e Bianca.
— O pai dele, Hugo... bem, digamos que ele tem uma forma muito "enfática" de demonstrar orgulho — continuou Camus, os olhos brilhando de malícia. — E o irmão, Osíris? Ele é basicamente uma versão do Vikir, mas com um complexo de proteção que beira o absurdo. Se alguém respirar errado perto do "irmãozinho", Osíris é capaz de mobilizar um exército.
— Meu irmão é um idiota irritante — resmungou Vikir, a voz carregada de um cansaço genuíno. — E meu pai não sabe o significado da palavra "discrição".
— Ah, pare com isso! — Camus cutucou a bochecha de Vikir. — E a pequena Pomerie? A sobrinha dele é um pequeno furacão de caos. E não esqueçam da Peri, a irmã... ela tem tanto ciúme do Vikir que provavelmente vai tentar duelar com qualquer garota que chegar a menos de dois metros dele.
Bianca arqueou uma sobrancelha, observando a interação.
— Se a família dele é tão protetora, como eles deixam você ficar... bem, assim com ele? — perguntou ela, apontando para a mão de Camus que agora subia perigosamente para perto do quadril de Vikir.
— Eles não deixam — Camus piscou. — Eles apenas não conseguem me impedir.
Vikir suspirou, sentindo a provocação de Camus por baixo da mesa tornar-se mais ousada. Ele sabia que o disfarce de "plebeu" estava por um fio, especialmente com a iminente chegada dos Baskerville. Hugo e Osíris não eram conhecidos por sua sutileza, e a ideia de vê-los tentando agir como "cidadãos comuns" era quase cômica, se não fosse perigosa para seus planos.
Mais tarde naquela noite, o cenário mudou do refeitório barulhento para a quietude luxuosa do dormitório de Camus. Como uma Morg de alto escalão, ela desfrutava de privilégios que Vikir, em sua persona de plebeu, tecnicamente não deveria compartilhar. Mas as sombras eram aliadas de Vikir, e entrar ali era uma tarefa simples.
Camus estava sentada em sua cama, usando apenas uma camisola de seda fina que mal escondia as curvas de seu corpo. Ela observava Vikir, que estava de pé perto da janela, observando o pátio da academia.
— Venha aqui, Vikir — chamou ela, a voz suave e carregada de segundas intenções.
Vikir se virou, a expressão gélida.
— Você falou demais hoje, Camus. Se Tudor ou Sinclair começarem a ligar os pontos entre as histórias da "família exagerada" e os Baskerville, meu trabalho aqui fica mais difícil.
— Ah, pare de ser tão estratégico por cinco minutos — ela se levantou e caminhou até ele, envolvendo os braços em sua cintura e sentando-se em seu colo no momento em que ele se sentou em uma poltrona próxima. — Você adora quando eu te provoco. Eu vi como sua respiração mudou quando eu falei do Osíris.
— Meu irmão é um estorvo — Vikir repetiu, mas suas mãos, quase por instinto, subiram para a cintura de Camus.
— Ele te adora. E eu também — Camus começou a rebolar levemente sobre o colo dele, sentindo a rigidez do corpo de Vikir aumentar. Ela inclinou a cabeça, mordiscando o queixo dele. — Sabe, eu estava pensando... se o seu pai te visse agora, ele ficaria orgulhoso ou tentaria me matar?
— Ele provavelmente tentaria te contratar para garantir que a linhagem continue — respondeu Vikir, o sarcasmo voltando à tona, mas sua voz estava ficando mais profunda.
Camus riu, um som baixo e vibrante. Ela começou a desabotoar a camisa dele, expondo o peito marcado por cicatrizes de batalhas que nenhum "plebeu" deveria ter. Ela passou as unhas levemente sobre uma cicatriz no ombro dele.
— Você é tão tenso... — ela sussurrou, aproximando os lábios dos dele. — Precisa relaxar antes do treinamento.
A provocação de Camus atingiu o limite. Vikir, que sempre se orgulhava de seu autocontrole, sentiu o desejo acumulado explodir. Em um movimento rápido, ele inverteu as posições, prendendo-a contra o colchão da cama.
— Você queria o "garoto selvagem", não é? — rosnou Vikir, seus olhos vermelhos brilhando com uma intensidade predatória que faria qualquer monstro recuar.
— Eu quero o meu Baskerville — ela desafiou, com um sorriso vitorioso.
O que se seguiu foi uma tempestade de paixão reprimida. Vikir não era gentil; ele a possuía com a mesma eficácia estratégica com que caçava. Suas mãos deixavam marcas vermelhas na pele pálida de Camus, e seus dentes encontravam o ombro e o pescoço dela em mordidas possessivas que a faziam gemer alto, o som abafado pelos beijos dele.
— Vikir... mais forte... — ela implorava, as pernas entrelaçadas nas costas dele, sentindo cada centímetro da força bruta que ele escondia sob o uniforme escolar.
Ele a fodeu com uma intensidade rítmica e implacável, batendo contra ela até que Camus perdesse a noção de onde terminava o quarto e onde começava Vikir. Cada estocada era uma resposta às provocações do dia, cada mordida um selo de propriedade. Quando o clímax os atingiu, Camus estava trêmula, a voz rouca de tanto gritar o nome dele contra o travesseiro.
No dia seguinte, a atmosfera na academia estava elétrica. O treinamento começaria em vinte e quatro horas. Vikir e Camus caminhavam em direção à sala de aula de táticas avançadas.
— Você está andando de um jeito engraçado hoje, Camus — comentou Bianca, estreitando os olhos enquanto o grupo se reunia no corredor.
— Ah, eu... pratiquei muito alongamento ontem à noite — respondeu Camus, ajeitando apressadamente o lenço de seda que usava no pescoço.
— E você, Vikir — Sinclair notou, apontando para o pescoço do amigo. — Isso é... batom? Perto da sua orelha?
Vikir limpou o local com as costas da mão, sem demonstrar um pingo de vergonha.
— Deve ser alguma mancha de tinta da biblioteca.
— Tinta vermelha cereja? — Tudor riu. — Cara, você é o plebeu mais sortudo ou o mais mentiroso da história desta academia.
Enquanto entravam na sala de aula, que ainda estava vazia minutos antes do professor chegar, Camus tentou uma última provocação. Ela se inclinou sobre a mesa de Vikir, sussurrando:
— Acho que esqueci minha calcinha no seu dormitório, Vikirzinho. Ou será que ficou no meu?
Vikir não respondeu com palavras. Ele olhou para os lados, certificando-se de que os amigos ainda estavam distraídos na porta, e agarrou Camus pelo braço, puxando-a para um canto escuro atrás de uma estante de livros pesados no fundo da sala.
— Vikir! Alguém vai entrar... — ela sussurrou, embora seus olhos brilhassem de excitação.
— Você começou isso — disse ele.
Sem aviso, ele a prensou contra a estante. Seus lábios encontraram os dela em um beijo que roubou todo o fôlego de Camus. Enquanto uma mão mantinha os pulsos dela presos acima da cabeça, a outra desceu, puxando a saia do uniforme dela. Ele começou a beijar e morder o peito dela por cima da blusa, sua língua traçando o relevo do mamilo através do tecido.
— Vikir, para... o professor... — Camus arfava, mas seu corpo se arqueava em direção a ele, incentivando o contato. — Mais... morda mais...
Ele obedeceu, deixando uma marca nítida logo acima da linha do decote dela. O som de passos no corredor os fez congelar. Vikir se afastou com a agilidade de um predador, ajustando o uniforme de Camus e o seu próprio em segundos. Quando Tudor e os outros entraram na sala, Vikir estava sentado em sua mesa, folheando um livro, e Camus estava na mesa ao lado, subitamente muito interessada em suas anotações.
— Vocês dois são muito estranhos — comentou Sancho, sentando-se atrás deles. — Estão muito quietos.
Durante a aula, o professor falava sobre formações de defesa, mas Vikir não estava prestando atenção. Ele esticou a mão por baixo da mesa lateral e, com um movimento rápido e quase invisível, deu um tapa firme e uma cutucada na bunda de Camus.
Ela deu um pulo na cadeira, soltando um pequeno "ah!", atraindo o olhar de toda a classe.
— Senhorita Morg? Algum problema? — perguntou o professor.
— Eu... eu só senti uma cãibra! — ela exclamou, o rosto ficando completamente vermelho.
Ela lançou um olhar mortal para Vikir, que permanecia com a expressão mais inocente e fria do mundo, embora o canto de seus lábios estivesse levemente curvado.
— O treinamento de amanhã será interessante — sussurrou Vikir, de modo que apenas ela ouvisse.
— Eu vou te matar — ela devolveu no mesmo tom, embora por baixo da mesa, sua mão estivesse procurando a dele para apertá-la com força.
O dia passou entre provocações silenciosas e olhares carregados. No entanto, conforme a noite caía e o dia do treinamento se aproximava, a tensão real começava a se manifestar. Vikir sabia que, quando Hugo van Baskerville entrasse naquela arena, o segredo do "plebeu" estaria por um fio. Mas, olhando para Camus, que agora ostentava marcas escondidas sob o uniforme e um brilho de segredo nos olhos, ele percebeu que, talvez, o caos fosse exatamente o que ele precisava para lembrar ao mundo — e a si mesmo — quem ele realmente era.
— Prepare-se, Camus — disse Vikir, enquanto se despediam nos corredores dos dormitórios. — Amanhã, a "família exagerada" chega.
— Eu mal posso esperar — ela sorriu, tocando a marca no pescoço que ele havia deixado. — Para ver você tentar manter essa cara de gelo quando o seu irmão começar a gritar o seu nome para toda a academia ouvir.
Vikir apenas suspirou. O treinamento seria um campo de batalha, e não apenas contra os monstros que a academia libertaria. Seria uma batalha para manter sua sanidade diante de sua família e da mulher que parecia determinada a desmascará-lo, um beijo e uma provocação por vez.