Rapidinha
O Labirinto de Vidro e a Floresta de Sombras
O Camaro de Peter Hale cortava a estrada sinuosa que levava às profundezas da reserva de Beacon Hills como uma lâmina negra rasgando o veludo da noite. Stiles estava com as mãos presas ao assento, sentindo cada cavalo-vapeur do motor vibrar em sua espinha. O silêncio dentro do carro não era desconfortável; era carregado, denso como a eletricidade que precede uma tempestade de verão.
Angel dirigia com uma mão só, os dedos longos e pálidos tamborilando no volante de couro. Ela não olhava para Stiles, mas ele sabia que ela sentia cada batida errática de seu coração humano.
— Você está pensando demais de novo, Stiles — disse ela, a voz suave mas cortante, quebrando o transe dele. — Eu consigo ouvir as engrenagens da sua cabeça rangendo daqui.
— É um defeito de fábrica — Stiles respondeu, soltando um suspiro trêmulo. — Eu venho com um processador superaquecido. E, honestamente, depois do que aconteceu naquele banheiro, acho que meus circuitos estão em curto-circuito permanente.
Angel soltou uma risada baixa, um som que vibrou na garganta dela como o rosnado contido de um predador satisfeito. Ela reduziu a marcha e entrou em uma trilha de terra quase invisível entre as árvores colossais.
— O que aconteceu no boliche foi apenas uma amostra, querido — ela murmurou, parando o carro em uma clareira isolada, onde a luz da lua mal conseguia penetrar a copa das árvores. — Você foi um bom garoto, seguiu meus instintos. Mas agora não temos Jackson nos irritando ou o Scott tentando farejar sua culpa.
Stiles olhou ao redor. A escuridão da floresta era absoluta, exceto pelo brilho dos painéis do carro.
— Angel, você sabe que este é o lugar onde metade dos corpos da cidade são encontrados, certo? Não é exatamente o cenário de um filme do Nicholas Sparks.
— Eu não sou uma fã de romances açucarados, Stiles — ela disse, desligando o motor e virando-se para ele. Seus olhos castanhos brilharam intensamente, capturando a pouca luz rasteira. — Eu sou uma Hale. Nós pertencemos a esta floresta. E agora, você também pertence.
Ela se inclinou sobre o console central, invadindo o espaço dele com uma agilidade que o deixou sem fôlego. Angel segurou o rosto de Stiles com as duas mãos, as unhas arranhando levemente sua mandíbula. O beijo que se seguiu não teve nada de hesitante. Foi uma colisão de dentes e língua, um gosto de desafio e desejo bruto.
— Sai do carro — ela ordenou contra os lábios dele, a voz rouca de comando.
Stiles obedeceu como se estivesse sob um feitiço. O ar frio da noite atingiu seu rosto, mas o calor que emanava de Angel era como uma fornalha. Ela contornou o veículo e o empurrou contra a lataria fria do Camaro.
— Você disse que estava nervoso porque todos estavam olhando — ela sussurrou, as mãos descendo para o cinto dele com uma impaciência febril. — Aqui, apenas as árvores e a lua são testemunhas. E elas não contam segredos.
— Angel... — Stiles tentou formular uma frase coerente, mas sua mente se apagou quando ela o beijou novamente, desta vez descendo para seu pescoço, mordendo a pele sensível logo abaixo da orelha.
— Shh... — ela sibilou. — Sem palavras agora, Stiles. Apenas instinto.
Com uma força que lembrava a Stiles que ela era metade loba, Angel o despojou de suas roupas com uma eficiência predatória. Ela mesma se livrou da jaqueta e da blusa, revelando a pele pálida que parecia brilhar sob o luar. Ela não usava sutiã, e a visão de sua forma perfeita fez o estômago de Stiles dar um nó de puro desejo.
Ela se ajoelhou novamente, mas desta vez não havia pressa para voltar a um encontro de boliche. Ela o tomou com uma lentidão torturante, usando a língua e os lábios para explorar cada centímetro dele, fazendo Stiles gemer o nome dela para a vastidão da floresta. Suas mãos se perderam nos cabelos escuros dela, puxando levemente enquanto ele lutava para não desabar ali mesmo.
— Por favor... — ele arquejou, sentindo que estava prestes a explodir.
Angel parou e olhou para cima, um sorriso vitorioso e descarado iluminando seu rosto. Ela se levantou, ajeitando o cabelo, e se virou de costas, apoiando as mãos no capô do carro.
— Você se lembra do que eu disse no espelho? — ela perguntou, olhando por cima do ombro. Seus olhos agora eram de um azul elétrico, a loba emergindo para a caçada final. — Eu quero sentir você. Agora.
Stiles não hesitou. Ele a tomou por trás, suas mãos apertando a cintura dela com uma força que ele não sabia que possuía. Quando ele entrou nela, o impacto foi tão intenso que ambos soltaram um grito uníssono que ecoou entre as árvores. O ritmo era frenético, selvagem, desprovido de qualquer delicadeza romântica. Era uma dança de poder.
A cada estocada, o Camaro balançava levemente, o metal frio contrastando com o calor febril de seus corpos suados. Stiles enterrou o rosto no ombro dela, sentindo o cheiro de ozônio, baunilha e o aroma terroso da floresta. Ele sentia as unhas de Angel cravando-se no metal do capô, deixando marcas permanentes ali, enquanto ela gemia palavras em uma língua que parecia antiga, talvez algo que sua linhagem de bruxa sussurrava em seu sangue.
— Mais... Stiles... não para! — ela gritava, jogando a cabeça para trás, os cabelos chicoteando o peito dele.
Ele a virou de frente para ele, erguendo-a e prendendo as pernas dela ao redor de sua cintura. Stiles a pressionou contra o para-brisa do carro, seus olhos fixos nos dela. Não havia sarcasmo agora, apenas uma conexão crua e absoluta. Ele a beijava com uma possessividade que rivalizava com a dela, enquanto continuava o movimento rítmico que os levava ao precipício.
— Você é minha — ele rosnou, a voz soando estranha aos seus próprios ouvidos, mais profunda, mais animal.
— Sempre fui — ela respondeu, as pupilas dilatadas ocupando quase todo o azul de seus olhos. — Desde o estacionamento, Stiles. Você é o meu humano.
O ápice os atingiu como uma avalanche. Stiles sentiu cada músculo de seu corpo se contrair enquanto ele se derramava dentro dela, e Angel soltou um uivo abafado contra o pescoço dele, seus dentes cravando-se levemente na pele dele em uma marcação simbólica.
Eles ficaram ali por longos minutos, abraçados na quietude da clareira, o som de suas respirações pesadas sendo o único ruído no mundo. O suor esfriava em suas peles, mas a conexão permanecia incandescente.
Lentamente, Angel desceu de seu colo, seus pés tocando o chão coberto de folhas secas. Ela se vestiu com a mesma calma irritante de antes, como se não tivesse acabado de ter uma experiência transcendental no meio da floresta.
Stiles, ainda trêmulo, tentava colocar as calças sem cair.
— Você está bem? — ela perguntou, aproximando-se e ajeitando a gola da camisa dele.
— Eu acho... acho que acabei de descobrir que o boliche é um esporte muito perigoso — ele brincou, embora o brilho em seus olhos fosse de puro afeto, à sua maneira desajeitada.
Angel sorriu e deu um beijo casto na ponta do nariz dele.
— Vamos para casa, Stilinski. Meu pai pode ser um psicopata, mas ele tem um rastreador neste carro e eu não quero explicar por que o capô está com marcas de garras.
— É — Stiles concordou, entrando no carro. — E eu tenho que explicar para o meu pai por que eu cheiro a floresta e... bem, a você.
Enquanto o Camaro dava a volta e saía da reserva, Stiles olhou para Angel. Ela parecia um anjo sob a luz do painel, mas ele sabia a verdade. Ela era uma força da natureza, uma híbrida letal que o escolhera. E, pela primeira vez na vida, Stiles Stilinski não se sentia apenas o "garoto humano" correndo atrás de monstros. Ele se sentia parte de algo maior, algo perigoso e infinitamente mais emocionante.
— Angel? — ele chamou, quando já estavam perto das luzes da cidade.
— Sim?
— História é, definitivamente, minha matéria favorita agora.
Ela soltou uma gargalhada clara e melodiosa, acelerando o carro em direção ao futuro incerto que os aguardava em Beacon Hills. O encontro no boliche fora um desastre para os pinos, mas para eles, fora o início de uma dinastia de caos.