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RAVE! ONE SHOTS

Ondas, Algodão-Doce e Outras Coisas Pegajosas

A brisa do mar trazia consigo aquele cheiro característico de sal e protetor solar, algo que Tom normalmente detestaria, mas que hoje parecia estranhamente suportável. Talvez fosse o fato de que ele não estava ali sozinho com Edd e Matt, tentando impedir que o ruivo se afogasse em dez centímetros de água por estar admirando o próprio reflexo nas ondas. Hoje, o cenário era outro. Era o primeiro "encontro" oficial do trisal, longe dos olhos vigilantes dos amigos e da rotina caótica da casa.

Tom estacionou o carro perto da orla, soltando um suspiro pesado enquanto desligava o motor. No banco de trás, a energia era o oposto de sua calma estoica.

— Praia! Praia! Praia! — PK cantava, balançando os ombros no ritmo de uma música que só existia na cabeça dele. Ele usava um casaco oversized por cima do que quer que tivesse escolhido para nadar, e seus acessórios de metal tilintavam a cada movimento.

— Liam, se você não parar de pular, eu vou te amarrar no banco com fita isolante — resmungou Tord, embora houvesse um sorriso de canto em seus lábios enquanto ele ajustava os óculos escuros. O norueguês parecia estranhamente relaxado, vestindo uma regata vermelha que deixava seu braço robótico à mostra, brilhando sob o sol da tarde.

— Você não teria coragem, Tordie! — PK mostrou a língua, abrindo a porta do carro e saltando para fora com a agilidade de quem não pesava mais que um saco de batatas. — Vamos logo! O sol não vai ficar aí para sempre!

Tom saiu do carro, pegando a bolsa térmica e uma mochila.

— Ele tem razão em uma coisa, Tord. Vamos antes que ele decida sair correndo e a gente o perca de vista no meio da multidão.

Eles caminharam até a areia, encontrando um lugar relativamente afastado. Tom e Tord começaram a montar o guarda-sol, uma tarefa que rapidamente se transformou em uma pequena disputa de ego sobre quem sabia melhor a aerodinâmica da fixação na areia. Enquanto isso, PK estava de costas para eles, tirando o casaco e os acessórios.

— Pronto — disse Tom, fincando a base com força. — Agora, PK, passa o protetor se não você vai...

As palavras de Tom morreram na garganta. Tord, que estava prestes a fazer um comentário sarcástico sobre a força bruta de Tom, também travou no lugar.

PK se virou, sacudindo o cabelo neon. Ele não estava usando calções de banho. Em vez disso, ostentava um biquíni de amarrar, preto com detalhes em rosa choque, perfeitamente adequado ao seu estilo *scene*. A peça deixava à mostra muita pele, as curvas magras mas bem definidas de seu corpo e a marca de algumas cicatrizes que contavam histórias de batalhas espaciais e quedas de skate.

— O que foi? — PK perguntou, inclinando a cabeça para o lado com uma expressão de falsa inocência, embora o brilho travesso em seus olhos entregasse que ele sabia exatamente o efeito que estava causando. — Ficou pequeno demais? Eu achei que combinava com as minhas meias.

Tom limpou a garganta, sentindo o rosto esquentar. Seus olhos negros percorreram o corpo de PK, descendo pelas tiras finas nos quadris do menor.

— É... — Tom gaguejou por um segundo, algo raro para ele. — É diferente.

Tord, por outro lado, soltou um assobio baixo, sem esconder o olhar predatório. Ele deu um passo à frente, a mão robótica estalando levemente enquanto ele passava a língua pelos dentes afiados.

— Diferente é apelido, Thomas — Tord ronronou, parando atrás de PK e deslizando os dedos metálicos, frios pelo ar-condicionado do carro, pelas costas do rapaz. — Eu diria que é um crime contra a minha sanidade mental. Você quer que a gente seja preso por exibicionismo, Liam?

PK soltou uma risadinha, arrepiando-se com o toque.

— Eu sou um alienígena, Tord. As leis humanas de vestimenta são meras sugestões para mim. Além disso, vocês dois estão babando. É fofo.

— Eu não estou babando — mentiu Tom, virando o rosto e pegando uma lata de refrigerante da bolsa térmica para disfarçar o volume incômodo que começava a surgir em sua calça. — Só... vai passar protetor. Agora.

A tarde na praia foi uma mistura de diversão genuína e tensão sexual mal disfarçada. PK corria para o mar, arrastando os dois namorados com ele. Tom tentava manter a compostura, agindo como o "adulto" do grupo, enquanto Tord aproveitava cada onda para "acidentalmente" esbarrar em PK ou segurá-lo pela cintura. Em certo ponto, Tom acabou cedendo, entrando na brincadeira e levantando PK nos ombros, apenas para ser derrubado por um ataque surpresa de Tord.

Quando o sol começou a baixar, tingindo o céu de laranja e roxo, eles decidiram sair da água. O biquíni de PK, agora molhado e colado ao corpo, não ajudava em nada a manter o autocontrole dos outros dois.

— Certo, chega de tortura — disse Tom, jogando uma toalha sobre os ombros de PK e o puxando para perto, como se quisesse escondê-lo do resto do mundo. — Vamos para o parque de diversões antes que o Tord tente morder alguém.

— Eu só mordo quem eu gosto, Thomas — Tord retrucou, mas seguiu os dois em direção ao calçadão.

O parque de diversões à beira-mar era um labirinto de luzes neon, música alta e cheiro de fritura. PK estava em êxtase. Ele corria de uma barraca para outra, os olhos brilhando mais que os LEDs dos brinquedos.

— Olha aquele! — PK apontou para uma barraca de tiro ao alvo, onde o prêmio principal era um alienígena de pelúcia verde neon com olhos gigantes. — Ele parece o meu primo de terceiro grau, o Galaczor! Eu quero!

Tom e Tord se entreolharam. O desafio estava lançado.

— Deixa comigo, baixinho — disse Tord, sacando uma nota do bolso e entregando ao atendente. — Eu sou um mestre em armas, lembra? Isso aqui é brincadeira de criança.

Tord pegou a espingarda de ar comprimido com uma confiança irritante. Ele mirou, disparou e... errou por milímetros.

— O cano está torto! — Tord exclamou, indignado. — Isso é sabotagem!

Tom soltou uma risada seca e se aproximou, empurrando Tord levemente com o ombro.

— Sai da frente, comunista de araque. Deixa quem tem visão de verdade resolver isso.

— Você nem tem olhos, Tom! — Tord rebateu, cruzando os braços.

Tom ignorou a provocação. Ele se concentrou, sentindo o peso da arma de brinquedo. Com uma calma gélida, ele disparou três vezes seguidas, derrubando todos os alvos com uma precisão cirúrgica.

O atendente, impressionado, entregou a pelúcia verde para Tom, que a estendeu para PK com um sorriso vitorioso.

— Para você, estrela cadente.

PK abraçou o boneco, pulando de alegria e dando um beijo estalado na bochecha de Tom.

— Meu herói!

Tord bufou, mas não se deu por vencido. Na barraca seguinte, de derrubar latas com bolas de beisebol, ele usou toda a força de seu braço robótico para desintegrar a pilha de metal, ganhando um unicórnio punk para PK.

— Agora estamos quites — Tord declarou, entregando o prêmio com um ar de superioridade.

PK agora carregava dois bichos de pelúcia gigantes e parecia a pessoa mais feliz do planeta Terra (ou de qualquer outro).

— Vocês dois são hilários quando competem por mim — PK comentou enquanto caminhavam em direção a uma cabine de fotos antiga, pintada com cores vibrantes. — Vamos entrar aqui! Eu quero registrar o momento antes que um de vocês tente matar o outro.

A cabine era apertada. Tom entrou primeiro, sentando-se no banco estreito. PK sentou em seu colo, e Tord se espremeu ao lado deles, passando o braço por trás do pescoço de Tom para conseguir aparecer no enquadramento.

— Digam "anarquia"! — PK gritou.

O flash disparou quatro vezes. Na primeira foto, PK estava fazendo uma careta e Tom olhava para ele com adoração, enquanto Tord tentava ajustar o cabelo. Na segunda, Tord estava beijando a bochecha de PK, enquanto Tom olhava para a câmera com uma expressão de surpresa. Na terceira, PK puxou os dois para um beijo triplo desajeitado, resultando em uma confusão de narizes e risadas. Na última, os três estavam apenas sorrindo, genuinamente felizes, com PK no centro, unindo os dois opostos.

Ao saírem da cabine, Tord pegou a tira de fotos, observando-a por um longo tempo sob a luz dos postes.

— Sabe... — Tord começou, sua voz mais baixa e sincera — eu nunca achei que diria isso, mas eu estou gostando dessa vida. Sem exércitos, sem planos de dominação... apenas isso.

Tom colocou a mão no ombro de Tord, um gesto de trégua que raramente acontecia.

— É, não é tão ruim quanto eu imaginei que seria dividir o PK com você, Larsson.

PK abraçou os dois pela cintura, caminhando entre eles enquanto voltavam para o carro.

— É porque eu sou incrível, e vocês são sortudos. Agora, vamos para casa. Eu estou com areia em lugares que eu nem sabia que existiam.

A viagem de volta foi mais silenciosa, preenchida pelo som baixo do rádio e pela exaustão gostosa de um dia bem vivido. Quando chegaram em casa, Edd e Matt já estavam dormindo ou trancados em seus quartos. A sala estava escura, iluminada apenas pelas luzes da rua que filtravam pelas cortinas.

Eles se jogaram no sofá, exaustos. PK, no entanto, parecia ter tido um segundo fôlego. Ele se ajoelhou no meio do sofá, ficando entre Tom e Tord. O biquíni ainda estava sob suas roupas leves, e ele começou a distribuir carícias lentas, passando as mãos pelo peito de Tom e, simultaneamente, brincando com os fios de cabelo na nuca de Tord.

— O dia foi ótimo — sussurrou PK, sua voz agora carregada de uma intenção diferente. — Mas eu acho que o encontro ainda não acabou.

Tom sentiu seu sangue ferver. Ele segurou a cintura de PK, puxando-o para mais perto, enquanto Tord se inclinou, deixando beijos úmidos no pescoço do menor.

— Você é um provocador, Liam — Tom murmurou contra os lábios dele.

— E vocês amam isso — PK respondeu antes de selar seus lábios nos de Tom em um beijo profundo e faminto.

Eles subiram para o andar de cima, entrando no quarto de Tom, que era o maior. O clima estava denso, a eletricidade entre os três era quase palpável. Mas, ao pararem diante da cama, um momento de hesitação mútua surgiu.

Tom e Tord se olharam. Eles eram namorados de PK, mas a relação entre eles dois ainda era um território em grande parte inexplorado e cheio de espinhos.

— Então... — Tom começou, coçando a nuca — como exatamente isso vai funcionar? Eu não quero que ninguém saia chutado da cama no meio da noite.

Tord cruzou os braços, parecendo subitamente inseguro, algo que ele mascarava com uma carranca.

— É uma questão logística, Thomas. Eu não sou exatamente a pessoa mais fácil de compartilhar espaço.

PK soltou uma risada suave, pegando a mão de cada um e unindo-as no centro.

— Sempre tem um jeito, seus bobos. Não precisa ser perfeito, só precisa ser a gente.

PK puxou Tord para um beijo, e para surpresa do norueguês, Tom não se afastou. Pelo contrário, Tom se aproximou, e logo os três estavam emaranhados em uma dança de toques e descobertas. No calor do momento, as barreiras entre Tom e Tord começaram a derreter. Em um movimento fluido, Tom puxou Tord pelo colarinho, e os dois trocaram um beijo curto, intenso e carregado de anos de rivalidade que agora se transformava em algo novo e cru.

— Nada mal, testemunha de Jeová — Tord provocou, ofegante, com os olhos brilhando.

— Cala a boca e volta aqui, comunista — Tom respondeu com um sorriso desafiador.

PK observava tudo com um sorriso vitorioso. Ele se jogou na cama, puxando os dois para cima de si. A noite foi uma exploração caótica e íntima, onde o ciúme deu lugar à curiosidade e o afeto superou o orgulho. Pela primeira vez, eles não eram apenas Tom, Tord e o vizinho alienígena; eles eram um único núcleo, funcionando em uma harmonia estranha que só fazia sentido para eles.

Horas depois, quando a respiração de todos havia voltado ao normal e o suor esfriava na pele, Tord se sentou na beira da cama, observando o espaço limitado.

— Essa cama é pequena demais para nós três — constatou Tord, vestindo apenas suas calças. — Eu vou dormir no meu quarto por hoje. Se eu ficar aqui, um de vocês vai acabar caindo e eu não quero ser o responsável por levar o Thomas para o hospital às quatro da manhã.

Tom, que estava abraçado a um PK quase adormecido, assentiu levemente.

— Pela primeira vez, eu concordo com você.

Tord se inclinou, dando um beijo na testa de PK e um aceno de cabeça para Tom.

— Amanhã eu vou medir o quarto. Vou encomendar uma cama de casal sob medida... uma que caiba um norueguês, um alcoólatra e um alienígena canadense sem problemas.

— Que seja uma cama de rei, então — murmurou PK, fechando os olhos.

Tord sorriu, saindo do quarto e fechando a porta suavemente atrás de si. Tom se ajeitou na cama, puxando o lençol sobre ele e PK. O silêncio da casa era pacífico, um contraste gritante com o caos que costumava definir suas vidas.

Enquanto caía no sono, Tom pensou que, apesar de todas as explosões, naves espaciais e passados complicados, aquele era o começo de algo que realmente valia a pena manter. Eles eram disfuncionais, eram estranhos, mas eram deles. E, no fim das contas, isso era tudo o que importava.