Retalhos de uma corte
O Labirinto de Pixels e Sedas
O dia no Circo Digital havia sido uma maratona de frustração sensorial para Pomni. Desde o momento em que o sol artificial — aquele disco amarelo berrante que Caine chamava de "astro-rei" — surgiu no horizonte de dados, Ragatha decidiu que seu passatempo favorito seria testar os limites da sanidade da boba da corte.
Durante a atividade de "Organização de Bolinhas Coloridas no Vácuo", Ragatha passou a maior parte do tempo inclinada sobre os baús, garantindo que o tecido de seu vestido de retalhos esticasse ao máximo sobre seus quadris generosos. Cada vez que ela se abaixava para pegar uma esfera, o ângulo era calculado com uma precisão matemática para que Pomni tivesse uma visão privilegiada do que havia por baixo. A boneca de pano até fingiu um "problema técnico" em uma de suas costuras laterais, pedindo para Pomni segurar o tecido enquanto ela o ajustava, aproximando o rosto da jester de tal forma que o calor que emanava de sua pele de algodão era quase insuportável.
— Oh, Pomni, está tão apertado aqui, não acha? — Ragatha havia sussurrado naquela tarde, enquanto passava a mão pelo próprio decote, fingindo abanar-se do calor inexistente.
Pomni, cujo corpo hermafrodita latejava sob a roupa de jester a cada movimento da boneca, mal conseguia articular uma frase. Ela passou o dia em um estado de prontidão constante, seu membro rígido incomodando contra a perna, contando os segundos para que o relógio marcasse a hora do descanso. Ela imaginava o momento em que trancaria a porta do quarto de Ragatha e finalmente tomaria para si aquelas curvas que a torturaram por horas.
Quando o sinal finalmente soou, Pomni praticamente correu pelos corredores. Seus pés batiam no chão com uma urgência selvagem. Ela chegou à porta de Ragatha, respirando fundo para tentar controlar o tremor nas mãos. Ela queria ser dominante hoje. Queria mostrar a Ragatha que toda aquela provocação teria um preço alto e prazeroso.
Ela abriu a porta sem bater.
Ragatha já estava lá, sentada na beira da cama. Ela havia retirado o vestido, ficando apenas com aquela lingerie de renda preta que contrastava de forma obscena com sua pele de pano clara e seus cabelos ruivos. Ela estava de costas, arqueando a coluna de um jeito que enfatizava a largura de seus quadris e a maciez de seu bumbum de enchimento.
— Você demorou, querida — disse Ragatha, a voz carregada de uma promessa pecaminosa.
Pomni não disse nada. Ela apenas começou a arrancar a própria roupa, jogando o chapéu de guizos para um lado e a túnica para o outro. Sua ereção saltou para fora, vibrando com a proximidade da boneca. Ela avançou, as mãos prontas para agarrar Ragatha e jogá-la contra o colchão.
— Prepare-se, Ragatha. Eu vou fazer você implorar por misericórdia depois do que fez comigo hoje — rosnou Pomni, a voz rouca de desejo.
Ela se lançou sobre a boneca, buscando seus lábios em um beijo que deveria ser o início de uma noite de luxúria desenfreada.
*HONK!*
O som de uma buzina de festa estourou nos ouvidos de Pomni. Um borrão de pixels pretos e cinzas surgiu instantaneamente entre os rostos das duas, impedindo o contato.
Pomni recuou, piscando os olhos em choque. Seus olhos em espiral giravam freneticamente.
— O quê...? O que foi isso? — perguntou Pomni, a voz subindo uma oitava.
Ela tentou novamente, desta vez tentando agarrar um dos seios fartos de Ragatha.
*BOING!*
Mais pixels. Suas mãos foram repelidas por uma força invisível, e o borrão digital cobriu o peito da boneca como uma nuvem de fumaça estática.
— Não... não, não, não! — Pomni olhou para o teto, gritando para o vazio. — CAINE! VOCÊ ESQUECEU! CAINE, SEU DENTUÇO MALDITO, TIRE ISSO!
Não houve resposta. Apenas o silêncio do Circo Digital, interrompido ocasionalmente pelo som distante de alguma engrenagem girando. Caine, em sua infinita falta de atenção ou talvez em uma brincadeira sádica de última hora, simplesmente não havia desativado a censura automática naquela noite.
Pomni caiu de joelhos no chão, as mãos na cabeça. O membro entre suas pernas latejava dolorosamente, uma necessidade biológica pulsando em um mundo que subitamente decidira ser "livre para todos os públicos" novamente.
— Eu vou morrer — lamentou Pomni. — Eu vou literalmente entrar em combustão espontânea.
De cima da cama, um som suave começou a ecoar. Era uma risadinha.
Pomni levantou o olhar e viu Ragatha. A boneca não parecia nem um pouco frustrada. Na verdade, ela estava deitada de lado, apoiando a cabeça em uma das mãos, com um brilho de puro deleite sadomasoquista em seu olho de botão azul.
— Parece que o destino quer que a nossa brincadeira dure um pouco mais, Pomni — disse Ragatha, passando a ponta dos dedos de pano pela própria coxa, logo abaixo da linha onde os pixels de censura começavam a aparecer se ela subisse demais.
— Como você pode estar rindo? — Pomni levantou-se, frustrada, o rosto vermelho. — Isso é tortura! Eu estou... eu estou explodindo, Ragatha!
— Eu sei que está — respondeu a boneca, levantando-se da cama com uma elegância lenta. Ela caminhou até Pomni, parando a uma distância segura para que a censura não fosse ativada pelo contato físico. — E é exatamente isso que torna tudo tão... excitante.
Ragatha começou a circular Pomni como uma predadora. Ela se aproximava, deixando o calor de seu corpo ser sentido pela jester, mas recuava no milissegundo antes de os pixels aparecerem.
— Você sabia que, se eu não tocar você, a censura não aparece? — sussurrou Ragatha, parando atrás de Pomni. Ela se inclinou, soprando ar quente na nuca da boba da corte. — Eu posso fazer tantas coisas com você sem nunca encostar um dedo na sua pele, Pomni.
Pomni estremeceu, fechando os olhos. O som da voz de Ragatha era como veludo raspando em seus nervos expostos.
— Ragatha, por favor, não faça isso... — implorou Pomni.
— Não faça o quê? Isso? — Ragatha deu a volta e parou bem na frente de Pomni.
Lentamente, a boneca de pano começou a se tocar. Ela deslizou as mãos pelos próprios quadris, apertando a carne de enchimento de forma que o tecido da lingerie se enfiasse entre suas nádegas. Ela fechou o olho de verdade, deixando a cabeça pender para o lado, soltando um gemido baixo e gutural que não foi censurado porque não havia "contato proibido".
— Ah... Pomni... olhe para mim — pediu Ragatha. — Olhe como eu estou ficando quente só de pensar no que eu faria com você se esse borrão preto não estivesse aqui.
Pomni abriu os olhos, hipnotizada. A visão de Ragatha se masturbando de forma sugestiva, as mãos de pano massageando os próprios seios por cima da renda, era quase pior do que a censura em si. A imaginação de Pomni preenchia os espaços vazios, visualizando a textura da pele de Ragatha, o bico dos seios que ela sabia que estavam endurecendo por baixo do tecido.
— Eu imaginei você dentro de mim o dia todo — continuou Ragatha, a voz ficando mais rouca. Ela se ajoelhou na frente de Pomni, mas manteve as mãos longe do membro da jester. Em vez disso, ela aproximou o rosto, parando a centímetros da ereção pulsante de Pomni. — Eu imaginei o seu gosto. Eu imaginei como você me preencheria até eu sentir que minhas costuras iam estourar.
Pomni soltou um soluço de desejo. Ela tentou levar a mão à cabeça de Ragatha, mas o borrão de pixels apareceu instantaneamente entre sua mão e o cabelo ruivo da boneca.
— Droga! — praguejou Pomni.
— Shhh... não tente tocar — instruiu Ragatha, olhando para cima, para os olhos em espiral de Pomni. — Apenas use seus olhos. E use sua voz. Diga-me, Pomni... o que você quer fazer comigo agora? Se a censura sumisse por um segundo, onde você me tocaria primeiro?
Pomni engoliu em seco. A provocação de Ragatha estava derrubando suas últimas barreiras de sanidade.
— Eu... eu jogaria você nessa cama e abriria suas pernas tanto que você veria o código-fonte desse lugar — disse Pomni, a voz tremendo de luxúria. — Eu enterraria meu rosto entre suas coxas e não pararia até você estar soluçando o meu nome. E depois... depois eu entraria em você com tanta força que você esqueceria que é feita de pano.
Ragatha soltou um gemido alto, as mãos apertando suas próprias coxas com força.
— Sim... continue falando, Pomni. Não pare.
— Eu morderia seus ombros — continuou Pomni, dando um passo à frente, forçando Ragatha a recuar um pouco para evitar a censura. — Eu apertaria esses seus seios macios até minhas mãos doerem. Eu queria sentir o seu sêmen digital se misturando ao meu, queria sentir você tremendo sob o meu peso enquanto eu te estoco sem parar, ignorando qualquer regra, qualquer mestre de cerimônias...
Ragatha agora estava respirando de forma ofegante, seu peito subindo e descendo violentamente. Ela começou a esfregar a própria intimidade por cima da renda com uma rapidez frenética, os olhos fixos nos de Pomni.
— Eu estou quase lá, Pomni... fale mais! Diga o que você faria com a minha boca!
— Eu calaria você com o meu pau! — gritou Pomni, a frustração atingindo o ápice. — Eu faria você engolir cada gota, faria você se engasgar de prazer enquanto eu seguro seu cabelo ruivo e te mostro quem manda nesta sala!
O grito de Ragatha não foi censurado. Foi um som de puro êxtase que ecoou pelas paredes do quarto. O corpo da boneca de pano se contraiu em um orgasmo violento, provocado apenas pelas palavras de Pomni e pelo próprio toque. Ela desabou no chão, trêmula, o rosto corado de um rosa profundo.
Pomni, no entanto, ainda estava no limite. Ela olhava para baixo, para a boneca exausta, e sentia que ia enlouquecer.
— E eu? — perguntou Pomni, a voz quase um choro. — O que eu faço agora, Ragatha?
A boneca de pano levantou o olhar, um sorriso de satisfação vitoriosa nos lábios. Ela se levantou lentamente, limpando uma gota de suor imaginária da testa.
— Bem, querida... parece que você vai ter que resolver isso sozinha — disse Ragatha, caminhando até a cama e deitando-se confortavelmente, cobrindo-se com o lençol até o pescoço. — Eu estou exausta. Foi uma tarde e tanto, não acha?
— Ragatha! Você não pode estar falando sério! — Pomni estava incrédula.
— A censura é uma coisa terrível, não é? — Ragatha fechou o olho de botão, a imagem da inocência recuperada. — Talvez amanhã o Caine se lembre de desligar. Boa noite, Pomni.
Pomni ficou parada no meio do quarto, nua, ereta e completamente desamparada. Ela olhou para a boneca, depois para a porta, e depois para as próprias mãos. O silêncio do quarto era agora preenchido apenas pelo som rítmico de algo batendo na parede vizinha — Zooble e Gangle, pelo visto, não estavam tendo problemas com a censura, ou talvez tivessem encontrado uma forma de burlar o sistema que envolvia muito menos conversa.
— Eu odeio este lugar — sussurrou Pomni para si mesma.
Ela caminhou até o canto do quarto, sentando-se no chão frio. Com um suspiro de derrota, ela começou a cuidar de si mesma, fechando os olhos e tentando manter na mente a imagem de Ragatha se contorcendo sob ela, enquanto a luz estática da censura brilhava ocasionalmente no escuro, um lembrete constante de que, no Circo Digital, até o prazer tinha suas falhas de programação.
Ragatha, sob os lençóis, abriu o olho por um segundo e observou a silhueta da jester no escuro. Ela sorriu. Amanhã seria um dia ainda mais longo. E ela mal podia esperar para ver que novos ângulos de seu corpo ela poderia mostrar durante a próxima missão. Afinal, se o sexo era proibido pela máquina, a tortura psicológica era um dom que ela, como boneca de pano, havia aperfeiçoado com maestria.
— Durma bem, Pomni — murmurou Ragatha, antes de finalmente se entregar ao sono, deixando a jester sozinha com seus fantasmas e seus desejos pixelados.