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Retalhos de uma corte

O Labirinto das Intenções Trocadas

A missão daquele dia era, nas palavras de Caine, uma "Incursão Inesquecível à Ilha da Inocência Interrompida". O cenário consistia em uma vila tropical feita de polígonos vibrantes, habitada por NPCs que pareciam camponesas saídas de um RPG de fantasia genérico, todas com vestidos simples e expressões de admiração constante. O objetivo era encontrar uma "Pérola da Pureza" escondida em algum lugar da praia, mas Ragatha tinha seus próprios planos para o que seria "puro" ou não naquela tarde.

Desde que desembarcaram na areia digital, Ragatha estava em seu auge. O sol artificial realçava o brilho de seu cabelo ruivo e a textura macia de seus braços de pano. Ela sabia que Pomni estava no limite. A boba da corte caminhava com uma rigidez que denunciava o esforço para manter o controle sobre o membro que Caine lhe dera.

— Oh, Pomni, está tão quente aqui, não acha? — Ragatha disse, parando propositalmente na frente de uma palmeira.

Ela não esperou resposta. Com um movimento lento e calculado, Ragatha levou as mãos à barra de seu vestido de retalhos. Ela o ergueu até a altura das coxas, mas não parou por aí. Com os dedos de pano, ela segurou as laterais de sua calcinha de renda e a puxou para cima com força, ajustando-a de modo que o tecido fino marcasse profundamente sua intimidade. Ela inclinou o quadril para frente, criando uma silhueta obscena que desafiava a lógica da censura.

— Sinto que estou ficando... assada com esse clima — continuou a boneca, olhando para Pomni por cima do ombro com um sorriso predatório. — Você não gostaria de conferir se minhas costuras internas estão superaquecendo?

Pomni parou de caminhar. Seus olhos em espiral giraram tão rápido que pareciam prestes a saltar do rosto. O volume em sua calça de jester era impossível de ignorar. Ela abriu a boca para dizer algo, mas as palavras morreram na garganta. Ragatha estava a milímetros de ativar os pixels pretos, mas sua técnica era impecável; ela mantinha a exibição no limite exato da "sugestão artística".

No entanto, algo mudou no olhar de Pomni. O pânico habitual e a luxúria desesperada foram substituídos por uma calma fria e perigosa. Ela soltou um suspiro longo, relaxou os ombros e deu um sorriso de lado que Ragatha nunca tinha visto antes.

— Sabe, Ragatha... você tem razão — disse Pomni, sua voz subitamente suave e firme. — Está realmente quente. Mas acho que essas moças da vila podem me ajudar a me refrescar melhor.

Ragatha franziu a testa, soltando o tecido da calcinha.

— O quê?

Pomni ignorou a boneca e caminhou em direção a um grupo de três NPCs que colhiam frutas digitais perto dali. Eram mulheres virtuais com curvas generosas e olhos programados para serem receptivos.

— Olá, senhoritas — disse Pomni, parando diante delas com uma postura de confiança absoluta. — Eu sou a atração principal do Circo, mas confesso que nunca vi belezas tão... naturais nesta ilha.

Uma das camponesas, uma loira com um decote camponês bem generoso, sorriu e fez uma reverência.

— Oh, nobre jester! É uma honra. Gostaria de provar nossas frutas?

Pomni aproximou-se da NPC, ficando a poucos centímetros dela. Ela estendeu a mão e tocou levemente o queixo da mulher digital, deslizando o polegar pelo lábio inferior dela.

— Eu adoraria provar algo doce — murmurou Pomni, a voz carregada de um flerte pesado. — Mas estou interessada em algo que tenha um pouco mais de... suco. Algo que eu possa realmente morder e sentir o gosto o dia inteiro.

Ragatha, observando de longe, sentiu uma pontada aguda de algo que ela não sabia se era ciúme ou choque. Ela caminhou apressada até elas.

— Pomni! O que você está fazendo? Temos uma missão!

Pomni virou o rosto levemente, lançando um olhar de soslaio para Ragatha, mas sem se afastar da NPC.

— A missão pode esperar, Ragatha. Eu estava apenas comentando com essa bela moça sobre como o hardware dela parece ser de... última geração. — Pomni voltou-se para a camponesa. — Diga-me, querida, você é programada para ser tão acolhedora com todos os visitantes, ou eu sou um caso especial? Porque eu tenho um "equipamento" novo que adoraria testar em uma interface tão macia quanto a sua.

A NPC soltou uma risadinha programada, o rosto ficando levemente rosado.

— A jester é muito direta!

— Eu gosto de ir direto ao ponto — respondeu Pomni, baixando o olhar para o busto da mulher. — Especialmente quando o ponto é tão atraente. Sabe, Ragatha vive me dizendo que é feita de pano e enchimento, mas eu estava pensando... será que uma mulher de pixels como você não teria uma resposta mais... elétrica ao meu toque?

Ragatha sentiu seu rosto de pano esquentar. Ela cruzou os braços, tentando recuperar a posição de poder.

— Pomni, você está sendo ridícula. Ela é um monte de linhas de código! Ela nem tem... sentimentos!

Pomni finalmente se virou para Ragatha, mas não recuou. Ela caminhou até a boneca e parou perigosamente perto, mas em vez de tocá-la, ela apenas a rodeou, exatamente como Ragatha costumava fazer.

— Código ou não, Ragatha, ela não fica tentando me torturar com o que eu não posso ter — sussurrou Pomni no ouvido da boneca. — Ela parece pronta para aceitar qualquer coisa que eu queira dar a ela. E acredite, eu estou carregando muita coisa hoje.

Pomni olhou para o corpo de Ragatha, de cima a baixo, com um desdém fingido.

— Talvez eu esteja cansada de tentar abrir uma fechadura que está sempre com a chave escondida. Talvez eu queira uma porta que já venha... escancarada.

Ragatha sentiu uma vibração estranha em seu sistema. Aquilo não era o que ela esperava. Ela queria ser a provocadora, a governante daquele jogo de desejo frustrado. Ver Pomni assumir o controle e, pior, direcionar sua atenção para outras, estava mexendo com suas costuras de uma forma dolorosa.

— Você não teria coragem — desafiou Ragatha, a voz um pouco trêmula.

— Quer apostar? — Pomni sorriu de forma selvagem.

Ela voltou para a NPC e passou o braço pela cintura da mulher, puxando-a para perto.

— Diga-me, linda... se eu pedisse para você me mostrar onde fica a caverna mais escura e privada desta ilha, você me levaria lá? Eu tenho uma "pérola" própria que adoraria esconder dentro de você.

A NPC acenou positivamente, começando a caminhar com Pomni.

— Claro, nobre jester! Por aqui!

Ragatha ficou parada na areia, vendo as duas se afastarem. O ódio e a luxúria se misturavam em seu peito de algodão. Ela não ia deixar aquilo acontecer. Ela correu e se colocou na frente de Pomni, bloqueando o caminho.

— Chega! Pomni, pare com isso agora!

— Qual o problema, Ragatha? — perguntou Pomni, parando com a mão ainda na cintura da NPC. — Achei que você gostasse de jogos. Achei que você gostasse de ver o quanto eu fico... excitada. Bem, eu estou. E agora eu vou resolver isso. A menos, é claro, que você tenha algo melhor a oferecer do que apenas puxar a calcinha.

Ragatha respirou fundo. Ela olhou para a NPC e depois para Pomni. O olhar de Pomni era desafiador, faminto e, pela primeira vez, dominante.

— Eu tenho — disse Ragatha, a voz baixa e carregada de uma urgência real. — Eu tenho muito melhor.

— Prove — disse Pomni.

Ragatha olhou ao redor. Elas estavam perto de uma cabana de palha vazia. Sem dizer uma palavra, ela agarrou o braço de Pomni e a puxou para dentro, chutando a porta para fechar. A NPC ficou do lado de fora, voltando instantaneamente à sua rotina de colher frutas, seu propósito servido.

Dentro da cabana, a luz era filtrada pelas frestas do teto, criando listras de claridade sobre a pele das duas.

— Você acha que pode me ganhar de volta com um susto? — perguntou Pomni, encostando-se na parede de palha, os braços cruzados sobre o peito firme. — Eu cansei de ser seu brinquedo, Ragatha.

— Você não é meu brinquedo, Pomni — disse Ragatha, aproximando-se com uma intensidade que fez a jester perder um pouco da pose. — Você é a única coisa neste mundo de dados que me faz sentir viva. E se eu te provoquei... foi porque eu queria ver exatamente isso. Eu queria ver você perder o controle.

Ragatha ajoelhou-se diante de Pomni. Ela não hesitou. Com as mãos de pano, ela abriu as calças de jester de Pomni, liberando o membro que latejava com uma fúria contida. A visão era estonteante sob a luz tropical.

— Você quer falar de suco, Pomni? — perguntou Ragatha, olhando para cima. — Você quer falar de interfaces elétricas? Pois saiba que nenhuma dessas bonecas de código pode sentir o que eu sinto quando você está perto.

Ragatha aproximou o rosto, mas antes que a censura pudesse agir, ela usou as mãos para abrir suas próprias pernas, revelando que já estava completamente úmida, o tecido de sua calcinha descartado em algum lugar no caminho.

— Esqueça a pérola, Pomni — sussurrou a boneca. — Entre em mim. Agora. E eu prometo que vou fazer você esquecer que qualquer outra mulher existe neste circo.

Pomni não precisou de outro convite. Ela agarrou os ombros de Ragatha e a levantou, prensando-a contra a parede de palha. A estrutura rangeu, mas elas não se importaram. Pomni posicionou-se e, com um rugido de frustração e desejo liberados, ela penetrou em Ragatha com uma força que fez a boneca gritar.

— Ah! Sim! Finalmente! — Ragatha envolveu as pernas ao redor da cintura de Pomni, cravando os dedos nas costas da jester.

O ritmo era frenético. Não havia mais espaço para provocações ou jogos mentais. Era apenas carne digital e pano de desejo se chocando em uma sincronia violenta. Pomni estocava com uma profundidade que parecia querer alcançar a alma de Ragatha, enquanto a boneca de pano gemia e chorava de prazer, o cabelo ruivo balançando descontroladamente.

— Você... você gosta disso? — arquejou Pomni, batendo com força contra os quadris de Ragatha. — Gosta de sentir o que as NPCs iam sentir?

— Eu amo! — gritou Ragatha. — Mais, Pomni! Mais forte! Me quebre!

A censura de Caine piscava furiosamente ao redor delas, como uma tempestade de pixels pretos tentando conter a explosão de dados que o ato gerava, mas a intensidade era tamanha que o sistema parecia não conseguir acompanhar. Elas eram um borrão de movimento e êxtase.

Pomni sentia cada fibra de Ragatha se moldando ao seu redor. A boneca era quente, apertada e acolhedora, um contraste perfeito para a agressividade que Pomni estava descarregando.

— Eu vou... eu vou... — Pomni não conseguia falar.

— Vai, Pomni! Me preencha! — Ragatha implorava, seus olhos revirados.

O ápice veio como um terremoto. Ragatha atingiu o orgasmo primeiro, seu corpo de pano tremendo tanto que Pomni teve que segurá-la para que não caíssem. Segundos depois, Pomni liberou tudo dentro de Ragatha, um jorro de sêmen digital que pareceu selar a união das duas naquele mundo bizarro.

Elas desabaram no chão da cabana, ofegantes, os corpos ainda entrelaçados. O silêncio da ilha voltou, quebrado apenas pelo som das ondas virtuais batendo na praia.

Pomni olhou para Ragatha, que tinha um sorriso de triunfo e exaustão no rosto.

— Então... — começou Pomni, limpando o suor da testa. — Acho que o seu "equipamento" ainda é o melhor do mercado.

Ragatha riu, puxando Pomni para um beijo calmo e profundo, agora livre de qualquer censura.

— E eu acho que você aprendeu a flertar muito bem, boba da corte. Mas não se atreva a fazer aquilo de novo.

— Só se você parar de puxar a calcinha no meio da praia — provocou Pomni.

Ragatha deu um tapa leve no braço de Pomni, mas logo a abraçou com força.

— Combinado. Mas só até a próxima missão.

E ali, na cabana de palha da Ilha da Inocência Interrompida, elas descobriram que, no Circo Digital, a melhor forma de ganhar um jogo de provocação era, às vezes, simplesmente mudar as regras.