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rio de Janeiro

O Calor da Carne e o Som do Mar

A noite no Rio de Janeiro tinha uma densidade diferente de qualquer outro lugar. Não era apenas a temperatura, que se recusava a cair mesmo após o sol se pôr atrás dos morros; era a eletricidade no ar, uma mistura de maresia, o som distante de um samba vindo de algum quiosque e a sensação de que o tempo era uma sugestão abstrata. No apartamento de Gael, o silêncio era um luxo raro. Seus pais tinham viajado para a Região dos Lagos, e os outros integrantes do "Ameaça Pública" haviam finalmente se dispersado após uma tarde exaustiva de vôlei e risadas na areia.

Alexander estava parado na varanda, observando as luzes da cidade. Ele ainda sentia o sal da praia na pele e o cansaço bom nos músculos. Ouviu os passos leves de Gael atrás de si. O loirinho não disse nada de imediato; apenas se posicionou ao lado de Alex, apoiando os cotovelos no parapeito. O silêncio entre eles tinha evoluído. Não era mais o silêncio de dois estranhos tentando se entender, mas uma conversa muda que acontecia na frequência do afeto.

— No que você está pensando, moreno? — perguntou Gael, a voz suave, quase um sussurro que se perdia na brisa.

— No quanto tudo isso é louco — Alex respondeu, virando o rosto para encarar o perfil de Gael, iluminado pela luz amarelada dos postes. — Se eu contasse para o Alex de um ano atrás que eu estaria aqui, com você, sentindo que finalmente pertenço a algum lugar... ele não acreditaria.

Gael sorriu, aquele sorriso que sempre parecia carregar um pouco do sol do meio-dia. Ele estendeu a mão e tocou a nuca de Alex, os dedos subindo por entre os fios escuros, puxando-os de leve.

— O Alex de um ano atrás não conhecia o Rio. E não me conhecia.

O toque de Gael era um convite silencioso. Alex sentiu o estômago dar voltas. A tensão entre eles, que vinha sendo cozinhada em banho-maria por meses — entre beijos roubados, abraços demorados e olhares carregados —, parecia ter atingido o ponto de ebulição. Não havia mais para onde fugir, e, pela primeira vez na vida, Alex não queria fugir de nada.

Gael se aproximou, eliminando o pouco espaço que restava. Ele segurou o rosto de Alex com as duas mãos, os polegares traçando o contorno das maçãs do rosto do moreno. O beijo que se seguiu foi lento, profundo e carregado de uma intenção que fez os joelhos de Alex fraquejarem. Tinha gosto de desejo acumulado e da urgência de quem finalmente encontrou o que procurava.

— Vamos para dentro? — murmurou Gael contra os lábios de Alex.

Alex apenas assentiu, incapaz de articular palavras.

O quarto de Gael estava na penumbra, iluminado apenas pela luz que vinha do corredor. O ventilador de teto girava em uma velocidade constante, cortando o ar quente, mas não era o suficiente para dissipar o calor que emanava dos dois. Assim que a porta se fechou, a urgência tomou conta. Gael empurrou Alex gentilmente contra a madeira da porta, voltando a beijá-lo com uma fome nova.

As mãos de Alex tatearam a camiseta de Gael, puxando-a para cima até que ela fosse descartada em algum lugar do chão. Ele sentiu a pele de Gael sob seus dedos — firme, quente e levemente áspera pelo sol. Gael, por sua vez, trabalhava nos botões da camisa de Alex com uma paciência que beirava a tortura. Quando a peça finalmente caiu, Gael parou por um segundo para admirar o moreno.

— Você é lindo, Alex — disse Gael, a voz rouca, os olhos percorrendo cada centímetro do peito de Alex. — Cada detalhe seu.

Alex sentiu o rosto queimar, mas não desviou o olhar.

— Você também. Sempre foi.

Eles se moveram para a cama, um emaranhado de braços e pernas. Gael se posicionou sobre Alex, apoiando o peso nos cotovelos. O contraste era nítido: o loirinho solar, de ombros largos e movimentos seguros, e o moreno de traços mais finos, que parecia florescer sob o toque do outro. Gael começou a distribuir beijos pelo pescoço de Alex, descendo pela clavícula, marcando o território com uma suavidade que fazia Alex arquechar o corpo.

— Gael... — Alex sussurrou, as mãos enterradas nos cabelos loiros do outro, puxando-o para mais perto.

— Estou aqui, moreno. Só eu e você.

Gael desceu as mãos pelo corpo de Alex, desfazendo o cinto e o botão da calça jeans com uma destreza que denunciava o quanto ele também desejava aquele momento. Quando ambos estavam finalmente despidos de qualquer barreira, a realidade do que estava prestes a acontecer atingiu Alex. Ele sentiu uma pontada de nervosismo, um resquício daquela insegurança que o acompanhava desde São Paulo.

Gael percebeu. Ele sempre percebia.

O loirinho parou o que estava fazendo e olhou nos olhos de Alex, a expressão transbordando ternura e cuidado. Ele acariciou o rosto de Alex, prendendo uma mecha de cabelo atrás da orelha.

— Ei — disse Gael, a voz doce. — A gente só vai até onde você quiser. No seu tempo. Eu não vou a lugar nenhum.

Alex sentiu um nó na garganta, mas era um nó de gratidão. Ele puxou Gael para um beijo casto, sentindo-se seguro nos braços daquele garoto que tinha transformado seu mundo.

— Eu confio em você — Alex respondeu, a voz firme. — Eu quero você.

Gael sorriu e voltou a beijá-lo, agora com mais intensidade. Ele começou a preparar Alex com uma paciência infinita, usando os dedos e os lábios para garantir que o moreno estivesse relaxado e pronto. Cada toque era acompanhado de uma pergunta muda, respondida pelos suspiros e pelo modo como Alex se entregava.

O calor no quarto parecia ter aumentado dez graus. O suor fazia as peles deslizarem uma na outra, criando uma fricção eletrizante. Alex sentia cada músculo de Gael, a força controlada e a delicadeza inesperada. Ele se sentia aberto, vulnerável, mas estranhamente poderoso por ser o objeto de tanto desejo.

Quando Gael finalmente se posicionou para entrar, ele parou novamente, buscando o olhar de Alex.

— Olha para mim — pediu Gael.

Alex abriu os olhos, encontrando as íris claras de Gael fixas nas suas. A conexão era tão forte que parecia palpável. Quando Gael se moveu para preenchê-lo, Alex soltou um suspiro longo, as unhas cravando-se levemente nos ombros de Gael. Foi uma sensação de plenitude, de um encaixe que ia muito além do físico.

— Tudo bem? — sussurrou Gael, a respiração curta contra o ouvido de Alex.

— Sim... — Alex respondeu, a voz trêmula. — Sim, por favor.

Gael começou a se mover, inicialmente devagar, estabelecendo um ritmo que respeitava o corpo de Alex. A cada estocada, ele buscava os lábios do moreno, como se quisesse garantir que eles estivessem sempre conectados. Alex sentia-se flutuando, uma mistura de dor doce e prazer avassalador que o fazia perder a noção de onde ele terminava e onde Gael começava.

O ritmo acelerou conforme a necessidade aumentava. O som da respiração ofegante dos dois preenchia o quarto, competindo com o ruído do ventilador e o barulho distante da rua. Alex se sentia guiado por Gael, entregando-se àquela dança de pele e suor. Ele nunca tinha se sentido tão visto, tão cuidado e, ao mesmo tempo, tão desejado.

— Gael... eu... — Alex não conseguia terminar a frase, o prazer subindo em ondas que ameaçavam afogá-lo.

— Eu sei, moreno. Eu também — Gael respondeu, a voz carregada de uma emoção crua. Ele aumentou a intensidade, os movimentos mais profundos e urgentes.

Gael segurou as mãos de Alex, entrelaçando os dedos com força sobre o travesseiro. Era uma âncora no meio da tempestade de sensações. Alex fechou os olhos, deixando-se levar pelo êxtase que explodia em cada terminação nervosa. Ele se sentia vivo, mais vivo do que em qualquer outro momento de seus dezessete anos.

Quando o ápice chegou, foi como se o Rio de Janeiro inteiro tivesse silenciado por um segundo. Alex se arqueou, o nome de Gael escapando de seus lábios como uma prece, enquanto sentia o próprio corpo entrar em combustão. Gael seguiu logo atrás, enterrando o rosto no pescoço de Alex, os espasmos de prazer unindo-os em um momento de absoluta entrega.

O silêncio que se seguiu foi preenchido apenas pelo som das respirações tentando voltar ao normal. Gael não se afastou imediatamente; ele permaneceu ali, o peso reconfortante de seu corpo sobre o de Alex, os corações batendo em uníssono. Ele começou a depositar beijos suaves no ombro e no pescoço de Alex, um gesto de carinho pós-tempestade.

— Você está bem? — perguntou Gael, finalmente se afastando um pouco para olhar para o moreno.

Alex sorriu, um sorriso genuíno, cansado e imensamente feliz. Ele passou a mão pelo rosto suado de Gael, limpando uma gota que escorria pela têmpora do loirinho.

— Eu estou maravilhoso. Acho que nunca estive tão bem.

Gael riu baixo e se deitou ao lado dele, puxando Alex para o seu peito. O lençol fino foi usado para cobri-los, embora o calor ainda fosse intenso.

— Eu avisei que o Rio ia te mudar — brincou Gael, a voz agora suave e sonolenta.

— Você não avisou que ia ser assim — retrucou Alex, aninhando-se no abraço de Gael. — Você não avisou que eu ia me apaixonar por cada pedaço desse lugar... e por você.

Gael apertou o abraço, beijando o topo da cabeça de Alex.

— É o efeito do "Ameaça Pública", moreno. A gente não faz nada pela metade.

Eles ficaram ali por um longo tempo, observando as sombras do ventilador de teto dançarem nas paredes. O medo de Alex, aquele fantasma de São Paulo que dizia que ele nunca seria bom o suficiente ou que as pessoas sempre iriam embora, parecia ter sido finalmente exorcizado. Naquele quarto, naquela cidade, ele não era mais o garoto que se escondia. Ele era o garoto que amava e era amado em troca.

— Gael? — chamou Alex, já quase pegando no sono.

— Oi.

— Obrigado. Por me incluir. Por não desistir.

Gael não respondeu com palavras. Ele apenas segurou a mão de Alex sob o lençol, apertando-a com firmeza. Não era preciso dizer mais nada.

Lá fora, o Rio de Janeiro continuava seu curso. O mar batia na orla, os carros passavam pelas avenidas e a cidade pulsava. Mas ali, naquele pequeno espaço de intimidade, o mundo tinha parado. Alexander finalmente tinha encontrado a sua casa, e ela não era feita de tijolos ou CEPs, mas do calor da pele de Gael e da certeza de que, não importa o que acontecesse amanhã, ele nunca mais estaria sozinho.

O sono chegou para os dois como uma onda mansa na Praia do Flamengo. Entrelaçados, suados e felizes, o moreno e o loirinho dormiram sob o céu estrelado da cidade maravilhosa, prontos para acordar e viver mais um dia de um verão que, para eles, nunca teria fim.