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Rocinha

Noite de Caça e Sedução

A noite caiu sobre a Rocinha como um manto de veludo negro, mas o morro nunca dormia. O som dos radinhos de comunicação estalava nas esquinas, e o brilho das luzes dos barracos criava um cenário que, para Guilherme Allegretti, era o seu reino particular. No escritório da mansão, o clima ainda estava denso. Letícia estava sentada na mesa de carvalho, os cabelos pretos levemente bagunçados e a respiração começando a voltar ao normal depois do "incêndio" que o marido causara minutos atrás.

Guilherme, agora vestindo apenas um short de tactel preto e com o peito tatuado à mostra, recarregava o pente de sua pistola com movimentos mecânicos e precisos. O olhar verde estava focado, aquela frieza de dono do morro que ele só deixava de lado quando estava nos braços da esposa.

— Coração, tu sabe que eu não gosto de te deixar sozinha quando o clima tá estranho lá embaixo — murmurou Guilherme, a voz rouca ecoando no silêncio do escritório. — Mas o Bernardo me deu o papo. O moleque que tá roubando a contabilidade foi pego tentando vazar pra favela vizinha. Tenho que dar o exemplo.

Letícia desceu da mesa, ajustando a regata. Ela caminhou até ele, rodeando seu pescoço com os braços branquíssimos. O contraste era absurdo: a delicadeza dela contra a brutalidade dele.

— Eu sei, meu bem. Só toma cuidado — ela disse, dando um beijo no canto da boca dele, logo acima do bigode aparado. — Não demora. Sabe que eu fico sem sono quando você não tá na cama.

— Vou ser rápido, amor — Guilherme apertou a cintura dela, sentindo a maciez da pele de Letícia. — O Ragnar vai ficar na porta do quarto. Ninguém sobe. Se precisar de qualquer coisa, tu aciona o rádio que o Kael tá no andar de baixo.

No andar de baixo, o clima era de uma calmaria enganosa. Kaelton — ou Kael, como preferia ser chamado — estava jogado no sofá da sala de cinema, com os pés em cima da mesa de centro. Ele usava um short largo e estava sem camisa, exibindo o corpo de atleta e as tatuagens que fechavam parte do braço. Lua estava aninhada entre suas pernas, a cabeça descansando no peito dele. O platinado do cabelo de Kael brilhava sob a luz baixa, e ele passava os dedos suavemente pelos fios pretos e ondulados da namorada.

— Vida, você tá muito quieta — Kael comentou, a voz baixa, quase um sussurro. — O que foi? Tá sentindo alguma coisa?

Lua levantou o rosto, os olhos negros e puxados brilhando com uma doçura que sempre desarmava o jeito marrento de Kael. Ela era pequena, parecia um mochi de tão delicada, e o jeito que o biquíni de fita ainda marcava sua pele era uma tentação constante para o rapaz.

— Nada, amor. Só tava pensando em como eu gosto de ficar assim