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Romance Proibido

Entre o Fogo e o Veneno

O dia seguinte em Hogwarts amanheceu com um céu cinzento, carregado de nuvens que prometiam uma tempestade, mas o clima dentro do castelo estava muito mais agitado do que o exterior. A notícia sobre a "Invasão da Gelatina" havia se espalhado mais rápido do que um feitiço de *Sonorus*, e Eliane Epans caminhava pelos corredores com um sorriso de satisfação que nem mesmo as olheiras da noite mal dormida conseguiam apagar.

— Você está radiantemente insuportável hoje — comentou Draco Malfoy, emparelhando o passo com ela enquanto se dirigiam para a aula de Defesa Contra as Artes das Trevas. — Meu padrinho vai nos esfolar vivos na detenção de hoje. Você tem consciência disso, não tem?

— Ah, Draco, deixe de ser dramático — Eliane respondeu, ajeitando a gravata da Grifinória que estava, como sempre, ligeiramente frouxa. — Ele não vai esfolar ninguém. No máximo, vai nos fazer contar quantos grãos de areia existem na Ampulheta da Sonserina. Além disso, você adorou ver o Filch tentando lutar contra um sapo de limão gigante.

— Eu admito que a parte em que o sapo grudou na peruca dele foi... memorável — Draco concedeu, com um meio sorriso aristocrático. — Mas você está brincando com fogo, Eliane. Snape não é um dos seus admiradores bobos da Grifinória. Ele é... perigoso.

Eliane parou por um momento, olhando para um retrato de uma dama antiga que parecia muito interessada na conversa.

— Eu sei exatamente o que ele é, Draco. E é por isso que é tão divertido.

A aula de Defesa passou como um borrão. Eliane mal conseguia se concentrar nos feitiços de escudo, pois sua mente voltava repetidamente para o momento na masmorra, quando o espaço entre ela e Snape havia desaparecido. Ela ainda conseguia sentir o cheiro dele — sândalo, pergaminho antigo e algo amargo que ela não conseguia identificar. Era um perfume que não deveria ser atraente, mas nela, causava uma reação visceral.

Quando o relógio marcou oito horas daquela noite, o grupo improvável de "criminosos da gelatina" se reuniu diante da porta de Snape. Harry e Rony pareciam prontos para um funeral; Hermione carregava um balde com uma expressão de resignação ética; Neville tremia levemente; e Draco parecia apenas entediado.

A porta se abriu antes mesmo que batessem. Snape estava parado ali, parecendo uma estátua de obsidiana.

— Entrem — ordenou ele, sua voz vibrando como um violoncelo mal ajustado. — O material de limpeza está no corredor adjacente. Sr. Potter, Sr. Weasley, vocês cuidarão das manchas no teto. Srta. Granger e Sr. Longbottom, as paredes. Draco... tente não desmaiar ao tocar em água com sabão e limpe o chão.

— E eu, Professor? — perguntou Eliane, dando um passo à frente, os olhos fixos nos dele.

Snape sustentou o olhar dela por um tempo que fez Rony soltar um pigarro desconfortável.

— A Srta. Epans — disse Snape, com uma lentidão calculada — ficará na sala de poções. Tenho ingredientes que precisam ser preparados para as aulas do primeiro ano, e considerando sua... "habilidade" com misturas, creio que será mais útil do que esfregando pedras.

— Que conveniente — sussurrou Harry para Rony, recebendo um olhar de advertência de Hermione.

O grupo se dispersou para suas tarefas sob o olhar vigilante de Snape, até que apenas ele e Eliane restaram no escritório. Ele fechou a porta com um movimento fluido da varinha e apontou para a mesa de trabalho no fundo, onde várias raízes de asfódelo e fígados de dragão esperavam processamento.

— Trabalhe em silêncio, Epans — disse ele, sentando-se em sua mesa principal. — Minha paciência hoje é um recurso escasso.

Eliane não respondeu de imediato. Ela caminhou até a bancada, pegou a faca de prata e começou a picar as raízes com uma precisão cirúrgica. O som rítmico da lâmina contra a madeira era o único ruído na sala por longos minutos.

— O senhor não parece estar revisando pergaminhos hoje — comentou ela, quebrando o silêncio sem olhar para trás.

— Eu disse silêncio.

— O senhor diz muita coisa, Severus. Mas raramente diz o que está pensando.

Snape largou a pena. O som do objeto batendo na mesa foi como um tiro no ambiente silencioso.

— O que faz você acreditar que tem o direito de usar meu prenome ou de questionar meus pensamentos? — Ele se levantou e caminhou até ela, parando a uma distância que Eliane considerou deliciosamente próxima. — Você é uma aluna. Uma criança petulante que busca atenção da maneira mais imprudente possível.

Eliane largou a faca e virou-se para ele. Ela teve que inclinar a cabeça para trás para encarar aqueles olhos negros que pareciam túneis sem fim.

— Eu não quero atenção de qualquer um — disse ela, sua voz caindo para um sussurro audacioso. — E eu não sou uma criança. Uma criança teria medo do senhor. Uma criança veria apenas o morcego das masmorras. Eu vejo o homem que protege os alunos mesmo quando os detesta. Eu vejo o homem que carrega o peso de segredos que matariam qualquer outra pessoa.

Snape soltou uma risada seca e amarga, inclinando-se sobre ela, as mãos apoiadas na bancada de ambos os lados do corpo dela, prendendo-a.

— Você acha que me conhece? Você leu alguns boatos, viu algumas sombras e decidiu que sou um projeto de caridade? Você não tem ideia das coisas que eu fiz, Epans. Das marcas que carrego.

— Então me mostre — desafiou ela, sem recuar um centímetro. — Me mostre a escuridão que você tanto usa para afastar as pessoas. Eu garanto que não vou piscar.

A tensão entre eles era quase física, uma corrente elétrica que fazia os pelos dos braços de Eliane se arrepiarem. Snape estava tão perto que ela podia ver o brilho de suor em sua têmpora e a pulsação acelerada em seu pescoço. Por um momento, o rigor do professor desapareceu, substituído por uma fome crua e perigosa que ele tentava desesperadamente esconder.

— Você é um veneno, Srta. Epans — sibilou ele, e sua mão subiu, não para machucá-la, mas para segurar seu queixo com uma firmeza que era quase uma carícia. — Um veneno doce que se infiltra onde não deve.

— E o senhor é o mestre das poções — rebateu ela, sentindo o coração martelar contra as costelas. — Deveria saber que alguns venenos são, na verdade, a cura.

Snape fechou os olhos por um breve segundo, como se estivesse lutando contra um impulso avassalador. Quando os abriu, a máscara de frieza estava de volta, mas havia uma rachadura nela que não existia antes. Ele soltou o queixo dela abruptamente.

— Volte ao trabalho. As raízes não vão se picar sozinhas.

Eliane sorriu, um sorriso pequeno e vitorioso. Ela pegou a faca de volta, sentindo o calor do toque dele ainda queimando em sua pele.

— Como desejar, Professor.

Lá fora, no corredor, o som de risadas e o barulho de baldes indicavam que os outros estavam terminando a tarefa. Pouco tempo depois, a porta se abriu e Hermione entrou, parecendo exausta, seguida por um Rony coberto de sabão.

— Terminamos, Professor Snape — anunciou Hermione, olhando de relance para Eliane e notando o brilho estranho nos olhos da amiga.

Snape caminhou até a porta, inspecionando o corredor com um olhar crítico antes de voltar para o grupo.

— Aceitável. Desapareçam da minha vista antes que eu mude de ideia sobre os pontos que retirei. Draco, fique um momento.

Os grifinórios não precisaram de um segundo convite. Eles saíram apressados, mas Eliane parou na porta, olhando para trás. Snape estava de costas, falando em voz baixa com Draco, mas ela sabia que ele sentia o olhar dela.

— Até a próxima aula, Professor — disse ela, em um tom que apenas ele entenderia a profundidade.

Ele não respondeu, mas seus ombros ficaram visivelmente mais tensos.

No caminho de volta para a Torre da Grifinória, o grupo estava incomumente silencioso, até que Rony finalmente explodiu:

— Eliane, o que diabos estava acontecendo lá dentro? Você parecia... não sei, diferente.

— É o cheiro do fígado de dragão, Rony — mentiu ela, rindo. — Deixa a gente um pouco tonta.

— Sei... — murmurou Harry, trocando um olhar preocupado com Hermione. — Só tome cuidado. Snape não é alguém com quem se brinque. Ele não joga o mesmo jogo que nós.

— Eu não estou jogando, Harry — disse Eliane, olhando para as janelas do castelo, onde a chuva finalmente começava a cair. — Eu estou sendo muito, muito séria.

Naquela noite, Eliane deitou-se em sua cama de dossel, mas o sono não veio. Ela fechou os olhos e viu apenas o rosto de Snape, a dor e o desejo que ele tentava ocultar atrás de sua muralha de sarcasmo. Ela sabia que estava entrando em um território perigoso, um onde as regras de Hogwarts não se aplicavam e onde o coração poderia ser partido com a mesma facilidade com que se quebra um frasco de cristal.

Enquanto isso, nas masmorras, Severus Snape permanecia sentado em sua poltrona de couro, encarando as brasas moribundas da lareira. Em sua mão, ele segurava uma pequena mecha de cabelo ondulado escuro que encontrara na bancada de poções — um descuido de Eliane, ou talvez um presente deixado de propósito.

Ele deveria queimá-la. Deveria bani-la de seus pensamentos e reforçar suas defesas de Oclumência. Mas, em vez disso, ele fechou a mão sobre o fio de cabelo e respirou fundo, sentindo o rastro persistente de baunilha e pólvora que agora assombrava seu santuário.

— Imprudente — murmurou ele para as sombras. — Absolutamente imprudente.

Mas, pela primeira vez em muitos anos, o mestre das masmorras não se sentia completamente sozinho. E esse era o pensamento mais aterrorizante de todos.

No dia seguinte, a rotina de Hogwarts continuou, mas algo havia mudado irrevogavelmente. Nas refeições, Eliane não apenas olhava para a mesa dos professores; ela o desafiava com o olhar, e Snape, embora mantivesse sua expressão de desprezo habitual, não desviava mais o rosto com a mesma rapidez.

Durante uma aula de poções no meio da semana, enquanto Neville quase causava um desastre com uma Poção de Confusão, Snape passou pela mesa de Eliane. Sem dizer uma palavra, ele deixou cair um pequeno pedaço de pergaminho dobrado sobre o caderno dela.

Eliane esperou que ele se afastasse para abrir. Não havia assinatura, apenas uma frase escrita com uma caligrafia elegante e pontiaguda:

*"A curiosidade matou o gato, Srta. Epans. Certifique-se de que sua ousadia não tenha o mesmo destino. Detenção na sexta-feira. Não se atrase."*

Ela sorriu, guardando o bilhete perto do coração. A chuva batia contra as janelas da masmorra, mas para Eliane, nunca houve tanta luz naquele lugar sombrio.

— Você está sorrindo para um bilhete do Snape? — sussurrou Hermione, horrorizada. — Eliane, isso é um pedido de socorro ou uma declaração de guerra?

Eliane olhou para a frente, onde Snape estava criticando a poção de Harry com uma crueldade quase teatral.

— Pode ser os dois, Mione. E nenhum deles me assusta.

A sexta-feira chegou com a promessa de um confronto que ambos ansiavam e temiam. Eliane passou o dia preparando-se mentalmente, sua personalidade travessa dando lugar a uma determinação silenciosa. Ela não queria apenas irritá-lo mais; ela queria derrubar as paredes.

Quando ela entrou na sala de poções naquela noite, não havia caldeirões sujos ou ingredientes para picar. Snape estava parado junto à janela, observando a Floresta Proibida sob a luz da lua.

— Você veio — disse ele, sem se virar.

— Eu disse que não tinha medo da escuridão — respondeu ela, fechando a porta atrás de si.

Snape virou-se lentamente. Ele não usava sua capa de viagem habitual, apenas a túnica preta abotoada até o pescoço, o que o tornava menos uma figura de autoridade e mais um homem.

— O que você quer de mim, Eliane? — A pergunta foi direta, desprovida de sarcasmo.

Eliane caminhou até ele, parando a poucos centímetros. Ela estendeu a mão e, com uma coragem que faria Godric Gryffindor orgulhoso, tocou o rosto dele, os dedos traçando a linha de sua mandíbula.

— Eu quero o que ninguém mais se atreve a pedir — disse ela. — Eu quero a verdade por trás da máscara.

Snape segurou o pulso dela, mas não a afastou. Seus olhos se encontraram em um embate silencioso que durou uma eternidade.

— A verdade é um lugar perigoso — avisou ele, sua voz rouca.

— Eu sempre gostei de perigo — sussurrou ela.

E ali, no silêncio das masmorras, cercados pelo cheiro de poções e segredos antigos, o professor e a aluna cruzaram uma linha que mudaria suas vidas para sempre. O beijo que se seguiu foi uma explosão de necessidade e contenção rompida, um encontro de fogo e veneno que prometia uma cura ou uma destruição total. Mas, naquele momento, nada disso importava. Eles eram apenas duas almas encontrando-se no escuro.