Romance Proibido
O Labirinto das Intenções
O ar nas masmorras de Hogwarts nunca pareceu tão denso, mas para Eliane Epans, a frieza habitual do lugar havia se tornado um cobertor familiar. Já se passavam duas semanas desde que a primeira barreira entre ela e o Professor Snape fora derrubada. Desde então, as detenções haviam se transformado em um jogo clandestino de sombras e silêncios compartilhados. Entre um ingrediente picado e uma correção de pergaminho, o espaço entre eles diminuía até que o mundo exterior deixasse de existir. Eram beijos roubados atrás de prateleiras de ingredientes raros, conversas sussurradas que revelavam mais sobre Severus do que qualquer livro de história da magia, e toques que queimavam como fogo de dragão.
No entanto, assim que o sol nascia ou a porta da sala de poções se abria para o resto da escola, a máscara voltava.
— Menos dez pontos para a Grifinória, Srta. Epans, por sua incapacidade crônica de manter a boca fechada enquanto outros tentam aprender — sibilou Snape naquela manhã de quinta-feira, sua capa farfalhando enquanto ele passava pela mesa dela sem sequer um olhar de soslaio.
Eliane apenas sorriu, um brilho travesso dançando em seus olhos castanhos.
— Ora, Professor, o senhor sabe que o silêncio me dá urticária. Além disso, eu estava apenas explicando para o Neville que a raiz de mandrágora dele parece mais um trasgo com indigestão do que um ingrediente de poção.
— Mais cinco pontos — rebateu Snape, parando diante do caldeirão de Harry Potter com uma expressão de desgosto profundo. — Pela insolência contínua.
Harry olhou para Eliane e balançou a cabeça, murmurando algo sobre ela ter um "fetiche por punições". Draco, da mesa ao lado, soltou uma risadinha abafada, trocando um olhar cúmplice com a amiga. Ninguém desconfiava. Para o resto de Hogwarts, Eliane era apenas a pedra no sapato de Snape, e ele era o carrasco que ela adorava provocar.
— Ele está de péssimo humor hoje — sussurrou Hermione, debruçada sobre seu livro. — Você devia parar de cutucá-lo, Eliane. Um dia ele vai realmente te expulsar da sala.
— Ele não conseguiria viver sem o entretenimento, Mione — respondeu Eliane, piscando para a amiga enquanto voltava a mexer sua poção com uma elegância que Snape certamente notaria, mesmo fingindo ignorar.
Mas a rotina de aulas e encontros furtivos começou a parecer pequena para a energia transbordante de Eliane. No sábado seguinte, o tédio a atingiu com força total. O céu estava nublado, mas não chovia, e a Floresta Proibida parecia um convite sussurrado para o desastre.
— Eu tive uma ideia — anunciou ela durante o almoço, debruçada sobre a mesa da Grifinória.
— Isso nunca termina bem — disse Rony, com a boca cheia de torta de rins.
— Vamos fazer uma expedição — Eliane continuou, ignorando o comentário. — Ouvi dizer que, na borda leste da Floresta, as Árvores de Cristal estão florescendo. Elas só brilham durante o dia em condições de névoa. É uma visão incrível.
— Eliane, a Floresta Proibida é... bom, proibida — lembrou Hermione, embora seus olhos brilhassem com uma curiosidade científica reprimida.
— É por isso que é divertido! — Eliane exclamou, rindo. — Draco já topou. Ele disse que o padrinho dele está ocupado preparando um estoque de Poção do Despertar para a Ala Hospitalar e não vai notar nossa ausência. Luna e Gina também vêm.
— Você vai nos matar — murmurou Harry —, mas prefiro morrer na floresta do que morrer de tédio estudando História da Magia.
O grupo se esgueirou para fora do castelo duas horas depois. Eliane liderava o caminho com sua altura de um metro e sessenta, mas com uma presença que parecia ocupar todo o terreno de Hogwarts. Ela pulava sobre as raízes expostas, seus cabelos ondulados balançando ao vento, rindo de cada tropeço de Rony ou cada reclamação de Draco sobre a lama em suas botas de couro de dragão.
— Se meu pai souber que estou rastejando pelo mato como um Weasley... — resmungou Draco, embora estivesse claramente se divertindo.
— Ah, cale a boca, Malfoy — retrucou Gina, dando-lhe um empurrão amigável. — Você está adorando a aventura.
Eles se aprofundaram mais do que deveriam. A névoa começou a subir, espessa e prateada, transformando o cenário em algo onírico. Eliane estava em êxtase. Ela subiu em uma rocha alta coberta de musgo, abrindo os braços para sentir a umidade da floresta.
— Não é maravilhoso? — gritou ela para os amigos. — Olhem para aquelas luzes ali adiante!
— Eliane, desça daí — pediu Neville, nervoso. — Aquelas luzes não parecem flores. Parecem... olhos.
Antes que qualquer um pudesse reagir, um som de galhos quebrados ecoou. Não eram flores de cristal. Era um ninho de Acromântulas jovens que haviam decidido caçar fora do território principal. Elas não eram gigantescas como Aragogue, mas eram rápidas e famintas.
— Corram! — gritou Harry, sacando a varinha.
O pânico se instalou. O grupo começou a recuar, lançando feitiços de impedimento, mas o terreno era traiçoeiro. Eliane, em sua ousadia habitual, ficou para trás para garantir que Neville, que havia tropeçado, conseguisse se levantar.
— *Impedimenta!* — gritou ela, derrubando uma das criaturas que saltava em sua direção. Ela ria, uma risada nervosa e carregada de adrenalina. — Isso sim é entretenimento!
— Eliane, isso não é hora para piadas! — berrou Hermione, puxando-a pelo braço.
De repente, a temperatura da floresta pareceu despencar. Uma sombra negra e fluida rompeu a névoa com a violência de um vendaval.
— *ARANIA EXUMAI!*
O feitiço foi lançado com uma precisão e potência que fizeram as criaturas recuarem instantaneamente para as sombras mais densas. Severus Snape parou entre os alunos e as feras, sua silhueta recortada contra a névoa, a varinha empunhada como uma espada. Ele não parecia um professor; parecia um carrasco enfurecido.
Houve um silêncio absoluto, quebrado apenas pela respiração ofegante dos adolescentes. Snape virou-se lentamente. Seu rosto estava mais pálido do que o normal, e seus olhos negros faiscavam com uma fúria que fez até Draco recuar dois passos.
— De volta para o castelo. Agora — disse ele, a voz tão baixa que era quase um rosnado. — Se eu ouvir um único pio, uma única desculpa, eu garantirei que todos vocês terminem o ano letivo limpando as latrinas de Hogsmeade com escovas de dente.
Os amigos de Eliane não esperaram um segundo comando. Eles se amontoaram e começaram a caminhar apressadamente em direção à orla da floresta. Eliane tentou segui-los com um sorriso amarelo, mas a mão de Snape disparou, agarrando seu braço com uma firmeza que não permitia discussões.
— Você fica, Srta. Epans — sibilou ele.
Os outros olharam para trás, mas um olhar de Snape foi o suficiente para fazê-los correr o restante do caminho. Quando ficaram sozinhos na névoa, Snape a soltou, mas não se afastou. Ele começou a andar de um lado para o outro, as mãos presas nas costas, a capa chicoteando o ar.
— Você é... — ele começou, mas a voz falhou por um momento, sufocada pela raiva. — Você tem noção da estupidez monumental que acaba de cometer?
— Severus, calma, estávamos apenas...
— CALMA? — Ele rugiu, aproximando-se dela até que suas respirações se misturassem. — Eu vi você naquela rocha. Eu vi aquelas criaturas cercando você enquanto você ria como se estivesse em um festival de verão! Você tem algum desejo de morte? Alguma necessidade patológica de me ver perder o que resta da minha sanidade?
Eliane piscou, surpresa com a intensidade da reação dele. Ela estendeu a mão para tocar o peito dele, mas ele recuou, como se o toque dela o queimasse.
— Eu sabia me cuidar — disse ela, embora sua voz tivesse perdido um pouco da ousadia. — Eu não ia deixar nada acontecer com eles.
— Com eles? — Snape riu de forma amarga e sem humor. — Eu não dou a mínima para o que acontece com Potter e seus seguidores idiotas. Eu estava falando de você!
O silêncio caiu sobre eles novamente. Eliane sentiu o coração acelerar, não pela adrenalina da luta, mas pela confissão implícita nas palavras dele. Ela deu um passo à frente, forçando-o a encará-la.
— Você ficou com medo — constatou ela, suavemente.
— Eu fiquei aterrorizado — ele admitiu, a voz agora reduzida a um sussurro quebrado. Ele a segurou pelos ombros, os dedos apertando o tecido de suas vestes. — Você brinca com o perigo como se ele fosse um animal de estimação, Eliane. Mas a escuridão não é uma brincadeira. Eu passo cada hora do meu dia tentando garantir que você tenha um futuro, e você joga tudo isso fora por uma "aventura"?
— Eu sinto muito — murmurou ela, vendo pela primeira vez a vulnerabilidade por trás da armadura de gelo. — Eu só queria sentir que o mundo era grande de novo.
Snape fechou os olhos, encostando a testa na dela. O cheiro de ervas e fumo de sua pele a envolveu, acalmando o tumulto em seu peito.
— Se você morrer — disse ele, quase inaudível —, eu não terei mais nada por que lutar. Entendeu? Nada.
Eliane envolveu a cintura dele com os braços, puxando-o para perto. Ali, no meio da Floresta Proibida, longe dos olhos de Dumbledore ou dos alunos, ela sentiu o peso do amor dele — um amor torturado, possessivo e desesperado.
— Eu não vou a lugar nenhum, Severus — prometeu ela. — Eu sou difícil demais de matar.
Ele se afastou apenas o suficiente para olhar em seus olhos castanhos. A fúria ainda estava lá, mas estava sendo rapidamente substituída por outra coisa. Ele a beijou então, um beijo que não tinha nada de gentil. Era punitivo, carregado de alívio e de uma fome que parecia querer consumi-la por inteiro para que ela nunca mais pudesse fugir de sua vista.
Eliane correspondeu com a mesma intensidade, suas mãos subindo para os cabelos negros dele, puxando-o para mais perto. Naquele momento, o perigo das Acromântulas parecia insignificante comparado à tempestade que era Severus Snape.
Depois de um tempo que pareceu suspender as leis da física, Snape se afastou, recompondo-se com uma velocidade impressionante. Ele limpou um traço invisível de poeira de sua túnica e recuperou sua expressão de máscara de ferro.
— Cinquenta pontos da Grifinória — disse ele, sua voz voltando ao barítono frio habitual. — Pela sua liderança deplorável e por colocar alunos em risco.
Eliane riu, ajeitando o cabelo e limpando o batom borrado com o polegar.
— Só cinquenta? O senhor está ficando mole, Professor.
— E detenção — acrescentou ele, os olhos brilhando com uma promessa perigosa. — Todas as noites desta semana. Começando agora. Vamos voltar para o castelo antes que alguém venha procurar o "herói" Potter.
Eles caminharam de volta em silêncio, mantendo uma distância regulamentar de dois metros. Para qualquer observador, era apenas o Professor Snape escoltando uma aluna rebelde de volta para a punição merecida. No Grande Salão, os amigos de Eliane esperavam ansiosos, pálidos e prontos para o pior.
Quando Eliane entrou, escoltada por um Snape que parecia pronto para amaldiçoar o primeiro que respirasse mais alto, o silêncio foi sepulcral.
— Srta. Epans irá para a minha sala — anunciou Snape para o salão, embora seus olhos estivessem fixos em Dumbledore, que observava a cena com um brilho enigmático por trás dos óculos de meia-lua. — Os demais envolvidos receberão suas sentenças amanhã.
Eliane lançou um olhar rápido para Harry e Hermione, fazendo um sinal de "está tudo bem" com os dedos, antes de seguir Snape para as masmorras.
Assim que a porta do escritório se fechou, o teatro acabou. Snape sentou-se em sua cadeira, massageando as têmporas, enquanto Eliane se sentava no colo dele sem pedir licença.
— O senhor sabe que o Draco vai contar para todo mundo que você quase teve um colapso nervoso lá fora, não sabe? — perguntou ela, brincando com os botões da túnica dele.
— Draco sabe quando deve manter a língua dentro da boca se quiser herdar a fortuna dos Malfoy — respondeu Snape, embora tenha deixado que ela se acomodasse. — Mas você... você vai ser a minha morte, Eliane Epans.
— Não — disse ela, inclinando-se para dar um beijo casto na ponta do nariz dele. — Eu vou ser a sua vida. O senhor é que ainda não se acostumou com a ideia.
Snape suspirou, um som que carregava uma rendição que ele nunca admitiria em voz alta. Ele a abraçou com força, escondendo o rosto em seu pescoço. A masmorra estava fria, as sombras eram longas e o futuro era incerto, mas ali, naquele pequeno espaço de tempo, o mestre das poções e a garota travessa da Grifinória encontraram a única poção que realmente importava: a que curava a solidão.
— Se você fizer isso de novo — murmurou ele contra a pele dela —, eu tranco você em um armário de suprimentos até o dia da sua formatura.
— Promessas, promessas... — Eliane riu, sabendo que, apesar de toda a rigidez e dos pontos perdidos, ela o tinha exatamente onde queria: em seu coração.