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Rosas em Chamas

Labirintos de Névoa e o Calor do Aço

O Thousand Sunny deslizava por um mar que parecia feito de espelhos, refletindo um céu tingido pelo laranja e violeta do crepúsculo. O silêncio que se seguira à batalha contra os caçadores de recompensas era preenchido apenas pelo ranger suave da madeira e pelo som rítmico de algo pesado sendo erguido no convés superior.

Azumi estava sentada na mesa da cozinha, observando Nami traçar novas rotas no mapa. A estrategista, no entanto, não conseguia se concentrar totalmente nas correntes marítimas. Seus pensamentos voltavam, como um imã, para a conversa que tivera com Zoro na noite anterior. O toque firme dele em seu pulso ainda parecia queimar, uma sensação distinta do calor gerado por sua *Bara Bara no Mi: Modelo Roseus*.

— Você está com aquela cara de novo — comentou Nami, sem tirar os olhos do compasso.

— Que cara? — Azumi perguntou, recuperando a postura e tomando um gole de seu chá de hibisco, que tinha a mesma cor de suas chamas.

— A cara de quem está tentando resolver um quebra-cabeça que não tem peças lógicas. Ou a cara de quem está pensando no Zoro. O que, convenhamos, dá no mesmo.

Azumi soltou uma risada curta, balançando a cabeça.

— Ele é apenas... teimoso. Um desafio tático. Eu gosto de entender como as pessoas funcionam, Nami. E o Roronoa funciona à base de pura negação e metal.

— Cuidado, Azumi — Nami finalmente olhou para ela, com um sorriso cúmplice. — Homens como ele não são conquistados com planos mirabolantes. Eles são como o mar: você não o controla, você apenas aprende a navegar nele.

Azumi se levantou, ajeitando o cinto que carregava alguns mapas e pequenas bolsas de pólvora.

— Eu sou uma navegadora nata, querida. Só que o meu mapa é o campo de batalha.

Ela saiu para o convés, sentindo a brisa noturna arrepiar sua pele. O som que ouvira antes vinha da área de treinamento. Zoro estava lá, sem camisa, o suor brilhando em seus músculos definidos enquanto ele levantava um peso que parecia grande demais até para um gigante.

Azumi não se aproximou imediatamente. Ela se encostou em uma viga, observando-o em silêncio. Havia uma beleza bruta na disciplina dele. Cada movimento era preciso, cada respiração era controlada. Ela se perguntou, por um momento, como seria aquela mesma intensidade direcionada a algo que não fosse o treinamento.

— Vai ficar aí parada apenas gastando o oxigênio ou veio dizer mais alguma asneira? — a voz de Zoro cortou o silêncio, embora ele não tivesse parado o exercício.

— Eu estava apenas admirando a vista, Marimo — respondeu ela, aproximando-se com seu andar felino. — É raro ver alguém trabalhar tanto para ser tão... simples.

Zoro soltou o peso, que causou um estrondo surdo no convés. Ele pegou uma toalha, secando o rosto enquanto encarava a mulher à sua frente.

— Simplicidade funciona. Enquanto você gasta energia pensando em mil maneiras de distrair o inimigo, eu gasto a minha garantindo que, quando eu chegar neles, a luta acabe.

— E se você nunca chegar neles? — ela provocou, parando a poucos centímetros dele. O cheiro de esforço físico e ozônio que emanava dele era denso. — Se o inimigo te prender em um labirinto onde suas espadas não têm o que cortar?

Zoro deu um passo à frente, invadindo o espaço pessoal dela. Ele era consideravelmente mais alto, obrigando-a a inclinar a cabeça para trás.

— Eu corto o labirinto.

Azumi sorriu, um brilho perigoso nos olhos. Ela estendeu a mão e tocou o peito dele, bem sobre a grande cicatriz deixada por Mihawk. A pele dele estava quente, e ela sentiu o coração dele batendo forte e constante.

— Você é tão linear, Roronoa. É quase adorável.

Zoro não recuou. Pelo contrário, ele segurou a mão dela que estava em seu peito, apertando-a levemente. O olhar dele desceu para os lábios dela por uma fração de segundo antes de voltar para seus olhos.

— Você fala demais, mulher. E se exibe demais. No campo de batalha, isso é um convite para a morte.

— Ou um convite para algo mais interessante — sussurrou ela, sentindo o calor de suas próprias chamas rosa começando a serpentear por seus braços, não para queimar, mas como uma extensão de sua excitação.

Antes que o clima pudesse se intensificar, um sino tocou freneticamente da gávea.

— NAVIO À PROA! — gritou Usopp, a voz trêmula. — E... e ele é enorme! E está pegando fogo!

A tensão erótica entre os dois evaporou, substituída instantaneamente pelo instinto de combate. Zoro soltou a mão de Azumi e desembainhou a Shusui em um movimento único. Azumi correu para a amurada, seus olhos semicerrando enquanto analisava a silhueta que emergia da névoa que subitamente se tornara espessa.

— Não é um navio comum — disse Azumi, observando as chamas que consumiam a embarcação à frente. Eram chamas verdes, doentias. — Luffy! Não deixe o Sunny se aproximar! Aquilo é uma armadilha química!

Luffy, que já estava no topo da cabeça do Sunny, olhou para trás.

— Mas tem gente lá, Azumi! Eu consigo ouvir os gritos!

— É uma gravação ou um truque de ventriloquismo — ela afirmou, a mente trabalhando a mil por hora. — Olhe a inclinação do casco. Aquele navio já deveria ter afundado se fosse real. É uma isca para nos atrair para a névoa.

— Ela tem razão — disse Robin, surgindo das sombras. — Sinto uma presença estranha vindo daquela neblina. Não é vida, é... estática.

— Zoro, Sanji! — Azumi assumiu o comando, a voz autoritária. — Preparem-se para um ataque de longo alcance. Nami, vire o leme 45 graus para bombordo agora! Franky, use o sistema de ventilação para empurrar essa névoa para longe!

— Quem te deu o comando, sua metida? — resmungou Zoro, mas ele já estava se posicionando na lateral do navio, preparando um golpe de ar comprimido.

— A inteligência me deu o comando — retrucou ela, enquanto suas mãos se cobriam de labaredas rosa vibrantes. — Agora, cala a boca e corta o que eu mandar!

O navio fantasma explodiu em uma nuvem de gás verde assim que o Sunny começou a manobra de desvio. Se tivessem avançado mais dez metros, estariam todos intoxicados. Da névoa, surgiram pequenas embarcações rápidas, tripuladas por figuras mascaradas que disparavam ganchos de abordagem.

— Eles querem o navio intacto — deduziu Azumi. — Estão evitando os canhões. Eles querem luta corpo a corpo.

— Ótimo — disse Zoro, um sorriso feroz surgindo em seu rosto. — Estava ficando entediado.

A luta começou em meio ao caos cromático das chamas rosa de Azumi e o brilho do aço de Zoro. Azumi movia-se como uma bailarina mortal, lançando esferas de fogo que não apenas queimavam, mas criavam explosões de luz que cegavam os atacantes. Ela usava sua fruta para criar "trilhas" de fumaça sólida, sobre as quais caminhava no ar, flanqueando os inimigos.

Zoro, por outro lado, era uma força da natureza. Ele cortava os ganchos e os inimigos com uma eficiência assustadora. No meio do combate, Azumi percebeu um atirador escondido em uma das embarcações menores, apontando uma arma de cano longo diretamente para as costas de Zoro.

— Roronoa, abaixo! — gritou ela.

Sem hesitar, ela se lançou do ar. Suas chamas rosa se transformaram em um chicote longo e incandescente.

— *Roseus Whip!*

O chicote de fogo envolveu o cano da arma do atirador no exato momento do disparo, desviando a bala para o mar. Azumi aterrissou levemente ao lado de Zoro, as costas tocando as dele enquanto eram cercados por cinco mascarados.

— Eu disse que você era descuidado — provocou ela, embora estivesse ofegante.

— Eu ia desviar — resmungou ele, embora soubesse que tinha sido por pouco. — Mas obrigado pela "estratégia".

— Menos conversa, mais corte — disse ela, lançando uma onda de calor que empurrou dois inimigos para trás.

Zoro girou, suas três espadas criando um turbilhão de vento.

— *Santoryu: Kokujo O Tatsu Maki!*

O tornado de lâminas limpou o convés em segundos. Com a ameaça imediata eliminada e os atacantes restantes fugindo para a névoa, o silêncio retornou ao Sunny, agora manchado pelas marcas da batalha.

Luffy ria, impressionado com a eficácia do plano de Azumi.

— Shishishi! Azumi, você é incrível! A fumaça rosa deixou eles todos tontos!

Ela sorriu para o capitão, mas seus olhos logo procuraram Zoro. O espadachim estava guardando suas espadas, mas não parecia apressado em sair de perto dela.

— Você não se saiu mal — admitiu ele, a voz baixa, para que apenas ela ouvisse. — Para uma exibicionista.

— E você não se saiu mal para um Marimo que só sabe bater em coisas — ela retrucou, aproximando-se dele.

A adrenalina da batalha ainda corria em suas veias, e a proximidade física entre eles parecia carregar uma voltagem maior do que nunca. Azumi estendeu a mão e limpou um rastro de sangue da bochecha de Zoro com o polegar. O gesto foi íntimo, lento, e ela viu os olhos dele escurecerem.

— Por que você faz isso? — ele perguntou, a voz rouca, segurando o pulso dela novamente, mas desta vez não para afastá-la, e sim para mantê-la ali.

— O quê? — ela sussurrou, dando um passo final, eliminando qualquer espaço entre seus corpos.

— Provocar. Desafiar. Você age como se nada pudesse te tocar, como se tudo fosse um jogo de tabuleiro.

Azumi olhou para as próprias mãos, onde pequenas faíscas rosa ainda dançavam.

— Quando você perde tudo o que ama em uma guerra que não pediu, e depois perde a única pessoa que te estendeu a mão... você aprende que a única maneira de não ser quebrada é ser a pessoa que dita as regras. Eu crio o caos para não ser consumida por ele.

Zoro a observou em silêncio por um longo tempo. Ele viu, por trás da máscara de sedução e confiança, a órfã que teve que comer uma fruta roubada para não morrer de fome. Ele soltou o pulso dela, mas apenas para passar a mão pela nuca de Azumi, puxando-a levemente para mais perto.

— Aqui você não precisa ditar as regras sozinha — disse ele, a sinceridade de suas palavras atingindo-a com mais força do que qualquer golpe. — E eu não sou um dos seus peões de estratégia.

— Eu sei que não é — ela respondeu, a voz quase sumindo. — Peões são descartáveis. Você... você é a peça que eu não posso me dar ao luxo de perder.

A tensão entre eles esticou-se até o limite. O convés estava deserto agora, com os outros membros do bando cuidando dos danos ou comemorando na cozinha. Sob a luz da lua, as chamas rosa que Azumi costumava usar como arma brilharam fracamente ao redor deles, criando uma aura suave.

Zoro inclinou a cabeça, seus lábios roçando os dela. Foi um toque hesitante no início, um contraste absoluto com sua personalidade bruta. Azumi suspirou contra a boca dele, suas mãos subindo para os ombros largos do espadachim, puxando-o para si.

O beijo, quando finalmente aconteceu, foi como o encontro de dois elementos opostos. O fogo dela encontrou o aço dele. Era quente, exigente e carregado de meses de implicância e desejo reprimido. Zoro a envolveu pela cintura, levantando-a levemente do chão, enquanto Azumi se perdia na sensação de ser finalmente segurada por alguém que era tão forte quanto ela.

Quando se separaram, ambos estavam arfantes. Azumi encostou a testa na dele, um sorriso genuíno e suave — algo que ela raramente mostrava — iluminando seu rosto.

— Acho que isso não estava nos meus planos originais — confessou ela.

Zoro soltou uma risada rara, um som profundo que vibrou no peito dela.

— Estrategistas também cometem erros.

— Não foi um erro — ela corrigiu, mordendo o lábio inferior. — Foi uma adaptação necessária ao terreno.

Zoro a colocou no chão, mas manteve um braço ao redor de sua cintura.

— Vá descansar, Azumi. Amanhã teremos mais problemas para você resolver.

— E você estará lá para cortar o que eu não conseguir queimar? — ela perguntou, recuperando o tom provocador.

Zoro olhou para o horizonte, onde a névoa finalmente se dissipava.

— Sempre.

Azumi deu um último beijo rápido no canto da boca dele antes de se afastar, caminhando em direção aos quartos. Ela parou na porta e olhou para trás, vendo Zoro voltar para sua posição de vigia, aparentemente o mesmo homem de sempre. Mas ela sabia que, a partir daquela noite, o aço do espadachim tinha um novo ponto de fusão.

E as chamas rosa dela tinham encontrado, finalmente, um lugar onde podiam arder sem medo de consumir tudo ao redor. A Grand Line continuava perigosa, cheia de mistérios e inimigos, mas, pela primeira vez em anos, Azumi não sentia que estava navegando sozinha. Ela tinha um bando, tinha um capitão louco e, agora, tinha o fogo que ardia nos olhos de um certo espadachim de cabelos verdes.

Enquanto se deitava, ela sorriu para o teto da cabine. O passado ainda era uma cicatriz, mas o futuro... o futuro parecia ter a cor vibrante de suas próprias chamas. E ela mal podia esperar pela próxima batalha, apenas para ver como Zoro reagiria quando ela decidisse "adaptar o plano" novamente.

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