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Saúde

O Renascer do Girassol e a Redenção das Sombras

— Devagar, Rimuru-sama. Lembre-se do que Shuna-sama disse: um passo de cada vez, ou eu terei que carregá-lo novamente, e temo que Guy-sama não aprecie a concorrência — disse Diablo, mantendo-se a exatos dois passos de distância, com uma reverência que parecia fundir-se ao próprio ar.

Rimuru soltou uma risadinha, o som agora claro e vibrante, sem o rastro de cansaço que o assombrara por meses.

— Já faz um ano, Diablo! Eu me sinto ótimo. Olhe só, nem uma tontura — respondeu Rimuru, girando levemente no jardim central de Tempest. Seus cabelos azuis-prateados brilhavam sob o sol, e seus olhos amarelos, antes nublados pela dor, agora cintilavam com uma malícia doce.

O tempo fora o melhor remédio. Após o colapso que quase destruiu seu núcleo mágico, Rimuru fora submetido a um regime de descanso que faria um eremita parecer agitado. Guy Crimson, em sua possessividade avassaladora, mal o deixara tocar o chão por seis meses. Mas agora, o Rei de Tempest estava de volta.

— Kukuku... O senhor está radiante, meu mestre. Tão radiante que as flores deste jardim parecem murchar de inveja — Diablo comentou, seus olhos carmesim e dourados brilhando com aquela adoração fanática que nunca mudava.

— Falando em flores... cadê as minhas pequenas? — perguntou Rimuru, olhando em volta.

A resposta veio na forma de dois vultos de cabelos vermelhos que emergiram de trás de uma sebe de rosas mágicas. Akane e Sakura, agora com um ano de idade, já caminhavam — ou melhor, corriam — com uma energia que desafiava as leis da física. Akane, a mais velha por minutos, tinha o temperamento explosivo de Guy e a agilidade de um felino. Sakura, por outro lado, possuía a calma calculista de Rimuru, mas com um brilho travesso que indicava que ela era a mente por trás de todas as travessuras.

— Tio Di! — gritou Sakura, jogando-se nos braços do demônio primordial assim que o viu.

Akane não ficou atrás, agarrando-se à perna de Diablo com uma força que faria um cavaleiro sagrado suar. Diablo, o ser que aterrorizara o reino de Ingrassia até que a própria ideia de nobreza se tornasse um trauma coletivo, derreteu-se instantaneamente. Ele pegou as duas com uma delicadeza absoluta, permitindo que elas puxassem suas orelhas e brincassem com seus botões dourados.

— Minhas pequenas senhoras — murmurou Diablo, ignorando completamente as etiquetas de sua classe. — O que os seus tios andam ensinando a vocês hoje?

— Tio Veldora ensinou a "Explosão do Dragão do Caos"! — anunciou Akane, orgulhosa, apontando um dedinho gordinho para uma estátua que, felizmente, ainda estava inteira.

Rimuru massageou as têmporas.

— Eu vou ter uma conversa séria com o Veldora. De novo.

— Deixe o dragão, Rimuru. Ele é um brinquedo útil para elas — disse uma voz profunda e sedutora logo atrás dele.

Guy Crimson envolveu a cintura de Rimuru com seus braços poderosos, enterrando o rosto no pescoço do Slime. O cheiro de Rimuru — uma mistura de brisa fresca e magia pura — era a única coisa que realmente acalmava os instintos destrutivos do Lorde Demônio Vermelho.

— Você demorou — murmurou Rimuru, recostando-se no peito largo de Guy.

— Assuntos chatos com Leon. Ele reclama demais — Guy respondeu, mas seus olhos logo se fixaram em Diablo e nas filhas. — Vejo que o mordomo continua roubando a atenção das minhas filhas.

— Elas o adoram, Guy. Aceite — Rimuru riu, virando-se nos braços dele para selar seus lábios nos dele em um beijo rápido e doce.

Guy, no entanto, não se deu por satisfeito com algo rápido. Ele aprofundou o beijo, ignorando os protestos de "Eca!" que vinham de Kenya e Ryota, que brincavam ali perto com Chloe. As crianças de Ingrassia haviam se tornado irmãos adotivos protetores para as gêmeas, formando uma pequena guarda de elite que seguia as bebês por toda parte.

A noite em Tempest caiu com a promessa de celebração. O banquete foi farto, e a alegria era palpável. Rimuru sentia-se completo. Ele olhava para a mesa e via Veldora contando histórias exageradas para Kenya, Diablo servindo as gêmeas com uma devoção cômica, e seus subordinados rindo e bebendo.

Mais tarde, no silêncio da suíte real, a atmosfera mudou. O alívio de ver Rimuru recuperado e a paixão que Guy sentia por seu consorte atingiram um ponto de ebulição. Eles se amaram com uma intensidade que parecia querer compensar todos os meses de abstinência forçada pela saúde frágil de Rimuru. Guy foi possessivo, faminto, mas ainda assim carregado de uma adoração que beirava o religioso. Foram vezes o suficiente para que o sol começasse a ameaçar o horizonte antes que eles finalmente adormecessem.

No entanto, o despertar não foi tão idílico.

Rimuru sentou-se na cama e sentiu uma pontada aguda em seu ventre, seguida por uma onda de tontura que o fez ver estrelas.

— Ai... — ele gemeu, levando a mão à cicatriz do parto.

Guy acordou em um segundo, o pânico voltando ao seu rosto como um fantasma do passado.

— Rimuru? O que foi? Onde dói? — Guy já estava de pé, sua aura flutuando de forma instável.

— Eu não sei... minha barriga dói e eu me sinto tonto — disse Rimuru, empalidecendo.

O desespero de Guy foi imediato. Ele não chamou Shuna; ele praticamente a teletransportou para o quarto, junto com o kit de emergência. Em questão de minutos, o quarto estava cheio. Benimaru, Shion e Diablo observavam da porta com rostos que pareciam estar em um funeral.

— Se ele estiver grávido de novo... — Guy murmurava, andando de um lado para o outro, puxando os próprios cabelos vermelhos. — Eu não vou suportar. Eu não posso passar por aquilo de novo. Eu vou destruir este castelo se ele estiver em perigo!

— Guy-sama, acalme-se! — Shion gritou, tão nervosa quanto ele. — O senhor está assustando as crianças!

Akane e Sakura estavam sentadas no tapete, olhando para o pai com olhos arregalados, sentindo a tensão pesada no ar.

Shuna terminou o exame, sua expressão passando de séria para algo que se assemelhava a uma irritação contida. Ela olhou para Rimuru e depois para Guy, cruzando os braços sob o peito.

— E então? — perguntou Diablo, sua voz como uma lâmina afiada. — O mestre está com um novo herdeiro?

Shuna soltou um longo suspiro.

— Não. Ele não está grávido.

O suspiro de alívio coletivo foi tão forte que pareceu apagar as velas do quarto. Guy caiu de joelhos ao lado da cama, encostando a testa no colchão.

— Graças aos deuses... — ele sussurrou.

— No entanto — Shuna continuou, sua voz subindo um tom —, Rimuru-sama está com uma inflamação muscular e uma queda de pressão por esforço excessivo. Guy-sama, eu fui clara sobre a moderação!

Guy levantou o rosto, parecendo um garoto pego roubando doces.

— Eu... nós... faz tempo que ele não se sentia bem... — ele tentou se justificar.

— O senhor pressionou a cicatriz dele — Shuna o interrompeu, dando uma bronca que faria um exército recuar. — O corpo de Rimuru-sama é resistente, mas o senhor é um Lorde Demônio Primordial! Tenha um pouco de autocontrole! O senhor causou uma mini-tontura e dor por puro excesso!

Rimuru, agora um pouco mais corado, cobriu o rosto com o lençol, morrendo de vergonha.

— Shuna, chega... não precisa dar detalhes...

— Precisa sim! — Shuna retrucou. — Agora, o senhor vai ficar de repouso por vinte e quatro horas. E Guy-sama, o senhor está proibido de tocar nele pelos próximos três dias. Entendido?

— Três dias?! — Guy exclamou, indignado.

— Ou eu conto para a Milim que você quebrou o brinquedo favorito dela — Shuna ameaçou com um sorriso doce e assustador.

Guy calou-se imediatamente.

Diablo, vendo que o perigo passara, aproximou-se das gêmeas.

— Parece que a mamãe precisa descansar — disse ele, pegando as duas. — O que acham de irmos ver o "tio" Veldora tentar voar sem bater nas árvores?

— Sim! — as duas gritaram, esquecendo instantaneamente o drama dos pais.

Enquanto Diablo levava as meninas, ele lançou um olhar por cima do ombro para Guy. Um olhar que dizia claramente: "Eu cuido da diversão delas melhor do que você cuida da saúde do mestre". Guy apenas rosnou, voltando sua atenção para Rimuru.

— Desculpe, Rimuru — Guy sussurrou, acariciando o rosto dele. — Eu me empolguei. É que você estava tão lindo...

— Eu sei, seu bobão — Rimuru sorriu, puxando Guy para um abraço calmo. — Mas da próxima vez, tente não me fazer precisar de uma equipe médica, ok?

— Prometo.

O dia seguiu em paz. Veldora, o segundo tio favorito, acabou servindo de montaria para as crianças e as gêmeas, rugindo de forma amigável enquanto sobrevoava Tempest. Diablo, o favorito absoluto, supervisionava tudo com um sorriso satisfeito, ocasionalmente lançando pequenos feitiços de luz para entreter Sakura.

À noite, Rimuru estava sentado na varanda, observando as luzes da cidade. Ele sentia-se amado, protegido e, finalmente, em paz. O pesadelo de Ingrassia era uma memória distante, enterrada sob o peso de novas lembranças felizes. Ele olhou para Guy, que estava sentado aos seus pés, e para as filhas, que dormiam no berço próximo.

— O que você está pensando? — perguntou Guy.

— Que a vida é estranha — respondeu Rimuru. — Eu vim para este mundo como um slime solitário. E agora... eu tenho tudo isso.

Guy pegou a mão de Rimuru e a beijou com devoção.

— E você terá muito mais, Rimuru. Enquanto eu existir, o mundo será o seu jardim.

Rimuru sorriu, fechando os olhos. Ele sabia que, com Guy ao seu lado e seus amigos leais vigiando as sombras, não havia nada que ele não pudesse enfrentar. Tempest não era apenas uma nação; era o seu lar, o lugar onde um deus ferido encontrara a cura no abraço de um demônio e no riso de suas crianças. E enquanto as estrelas brilhassem sobre a floresta de Jura, aquela paz, conquistada com sangue e lágrimas, seria eterna.