Sequestrador da noire
O Labirinto de Seda e o Despertar da Besta
A biblioteca era um santuário de conhecimento envolto em opulência, mas para mim, cada estante de carvalho parecia uma barra de uma cela dourada. O cheiro de papel antigo e couro misturava-se ao perfume amadeirado de Erick, que permanecia logo atrás de mim, como uma sombra impossível de dissipar. Meus pés descalços afundavam no tapete persa enquanto eu fingia analisar as lombadas dos livros, mas minha mente gritava por uma saída.
— Escolha algo, Aurora — disse ele, a voz vibrando suavemente em minhas costas. — Quero saber que tipo de histórias alimentam essa sua mente brilhante.
Eu parei diante de uma coleção de clássicos. Meus dedos tremiam. A seda branca da roupa que ele me forçara a vestir roçava em minha pele nua, um lembrete constante da minha vulnerabilidade. A ausência de roupas íntimas me fazia sentir exposta, mesmo sob camadas de tecido caro. Voltei-me para ele, a raiva finalmente superando o terror paralisante.
— Eu não quero livros, Erick. Eu quero minha vida de volta! — Minha voz subiu um tom, ecoando pelas paredes altas. — Você não pode simplesmente me trancar aqui e esperar que eu brinque de casinha com você!
Erick inclinou a cabeça, os olhos castanhos escurecendo. A calma que ele exibia era uma máscara fina, e eu podia ver as rachaduras se formando.
— Eu te dei tudo o que uma mulher desejaria, Aurora. Conforto, proteção, luxo. Por que você insiste em lutar contra o inevitável?
— Isso não é proteção, é sequestro! — gritei, dando um passo em direção a ele, desafiando a distância de segurança. — Você é um doente, um monstro! Eu prefiro morrer naquela estrada a passar mais um minuto sendo sua "boneca"!
O silêncio que se seguiu foi denso, carregado de uma eletricidade perigosa. O rosto de Erick transformou-se. A suavidade desapareceu, dando lugar a uma expressão de pura e bruta dominância. Ele deu um passo à frente, e sua estatura de 1,90 metro pareceu dobrar de tamanho, eclipsando a luz que vinha das janelas.
— Eu tentei ser paciente — sibilou ele, a voz agora grossa e carregada de uma fúria contida. — Tentei ser o cavalheiro que você esperava encontrar. Mas parece que você só entende a linguagem da força.
Antes que eu pudesse reagir, ele avançou. Tentei correr em direção às portas duplas, mas Erick foi mais rápido. Sua mão grande e forte fechou-se em volta do meu braço, puxando-me de volta com uma violência que me fez perder o fôlego. Eu lutei, arranhando o peito largo e definido dele através da camiseta preta, mas era como tentar mover uma montanha de granito.
— Me solta! Socorro! — Meus gritos eram inúteis naquele isolamento.
— Chega! — rugiu ele.
Com um movimento brusco, ele me jogou sobre uma mesa de leitura maciça no centro da biblioteca. O impacto me deixou atordoada por um segundo. Antes que eu pudesse me levantar, Erick já estava sobre mim, prendendo meus pulsos acima da cabeça com apenas uma das mãos. Com a outra, ele retirou um lenço do bolso da calça e um pequeno frasco que eu reconheci instantaneamente. O cheiro doce e enjoativo do sedativo invadiu minhas narinas.
— Hummm! Não! — Tentei virar o rosto, mas ele pressionou o pano embebido contra minha boca e nariz com uma força implacável.
— Durma, Aurora — ordenou ele, os olhos fixos nos meus enquanto a escuridão começava a me puxar novamente. — Quando acordar, você aprenderá que sua língua afiada tem consequências.
Minha visão borrou. O teto da biblioteca começou a girar, e a última coisa que senti foi o peso do corpo massivo de Erick pressionando-me contra a madeira dura da mesa. Meus pulmões cederam ao químico, e o mundo desapareceu em um vazio cinzento.
Eu estava desmaiada, um corpo inerte e sem vontade própria. Erick soltou o pano, observando o peito de sua prisioneira subir e descer em uma respiração superficial e drogada. Ele não a levou de volta para o quarto imediatamente. Ele a virou de bruços sobre a mesa, apreciando a forma como a seda branca se moldava ao corpo esguio e bonito da garota de vinte anos.
Com uma mão pesada, ele desferiu um tapa sonoro nas nádegas dela, o som ecoando pela biblioteca silenciosa. A pele sob a seda reagiu instantaneamente, mas Aurora não se moveu.
— Minha — murmurou ele, a voz carregada de uma possessividade doentia.
Ele repetiu o gesto, mais forte, sentindo a firmeza do corpo que agora lhe pertencia por completo. Não havia ninguém para impedi-lo, ninguém para ouvir o som daquela punição unilateral. Erick inclinou-se sobre o corpo desfalecido, aspirando o cheiro do cabelo castanho espalhado pela mesa.
Ele a virou novamente, segurando o rosto dela entre as mãos. Aurora parecia um anjo de porcelana quebrado, os olhos azuis escondidos sob pálpebras finas, a boca entreaberta. Erick não resistiu. Ele pressionou seus lábios contra os dela em um beijo profundo e invasivo, reclamando o território de uma mulher que não podia retribuir nem recusar.
— Você vai aprender a me amar — sussurrou ele contra os lábios dela, enquanto a pegava no colo para levá-la de volta à sua cela de luxo. — Nem que eu tenha que te quebrar e reconstruir todos os dias.
Ele caminhou pelo corredor, o corpo de Aurora pendendo em seus braços como um troféu conquistado na guerra. Naquela casa, o tempo parava para Erick Makevic, e a vontade de Aurora era apenas um detalhe que ele estava disposto a apagar, um beijo e um sedativo por vez.