Sequestro

Point off view narradora Na manhã seguinte, o sol refletia na neve com tamanha intensidade que parecia que o mundo havia sido reiniciado. Giovanna acordou cedo, como era seu hábito, mas desta vez não foi para checar e-mails ou cotações de ações. Ela preparou o café pessoalmente — algo raro — e levou uma bandeja para a cama. Maya despertou com o aroma de café fresco e croissants. — Bom dia, meu amor — disse Giovanna, sentando-se na beira da cama com um sorriso que pouquíssimas pessoas no mundo tinham o privilégio de ver. — Bom dia... — Maya se espreguiçou, parecendo um gato satisfeito. — Você parece radiante. A Suíça te faz bem. — Você me faz bem, Maya. — Giovanna serviu o café. — Eu estive pensando... quando voltarmos, quero que as coisas mudem na empresa. Não quero você apenas como minha esposa. Quero que você assuma a diretoria de projetos sociais e de expansão criativa. Você tem uma visão que eu nunca terei. Maya arregalou os olhos, parando no meio do movimento. — Espera... você... você tá me dando um emprego na sua empresa? — perguntou, ainda sem crer. — Gi, você está falando sério? Eu achei que você queria me manter longe daquele ninho de cobras. — Eu limpei o ninho, lembra? — Giovanna riu, inclinando-se para beijar a ponta do nariz de Maya. — E quem melhor para me ajudar a liderar do que a mulher que me ensinou a sentir de novo? Maya ficou em silêncio por um instante, sentindo o coração bater mais forte, e então sorriu com toda a certeza do mundo. — Eu aceito — disse, os olhos brilhando de determinação. — Mas com uma condição. — Qual? — perguntou a empresária, arqueando a sobrancelha, curiosa. — Uma vez por ano, voltamos para cá. Só nós duas. Sem telefones, sem reuniões, sem ninguém. Apenas nós e as montanhas. Giovanna sorriu, pegou a mão dela e apertou com carinho. — Negócio fechado. Para sempre. O resto da estadia foi um interlúdio de felicidade absoluta. Elas caminharam pelas trilhas geladas, visitaram as lojas de luxo onde Giovanna fazia questão de comprar joias que combinassem com a cor dos olhos de Maya, e jantaram em restaurantes cujas mesas eram reservadas com meses de antecedência. Em cada brinde, em cada troca de olhares, o vínculo entre elas se fortalecia. No último dia antes do retorno ao Brasil, elas estavam no terraço do chalé, envoltas em mantas pesadas, observando o Matterhorn sob a luz do luar. — Você está preocupada com a Soraya? — perguntou Maya, quebrando o silêncio. — Nem um pouco — respondeu Giovanna, a voz voltando ao tom firme de quem manda no mundo. — Ela é uma página rasgada. O dinheiro que dei a ela foi o preço da nossa liberdade. Se ela for inteligente, nunca mais cruzará o nosso caminho. Se não for... bem, ela sabe do que sou capaz. Maya suspirou, encostando a cabeça no ombro da loira. — Eu sinto que finalmente posso respirar. Durante toda a minha vida, eu fui a moeda de troca dela. Agora, eu sou dona do meu destino. Graças a você. — Não diga isso — corrigiu Giovanna. — Você se salvou no momento em que decidiu me amar. Eu apenas forneci as ferramentas. O retorno ao Brasil no jato particular foi tranquilo. Enquanto sobrevoavam o oceano, Giovanna trabalhava em seu laptop, mas sua mão esquerda nunca soltava a mão de Maya. O império Torres estava prestes a entrar em uma nova era. Não seria mais apenas baseado em poder e aquisições agressivas, mas em algo muito mais duradouro. Ao desembarcarem em solo brasileiro, o calor tropical as atingiu, mas não era mais sufocante. Era o calor de casa. O motorista as esperava com o carro, e o trajeto até a mansão foi feito em um silêncio confortável. Ao entrarem na sala principal, Maya parou por um momento, olhando para o espaço que antes parecia uma prisão dourada. Agora, as flores eram frescas, a energia era leve e o retrato de Giovanna na parede não parecia mais o de uma deusa distante, mas o da mulher que a amava com cada fibra do ser. — Bem-vinda de volta, senhorita Torres — disse Giovanna, abraçando-a por trás. — É bom estar de volta, Gi. Do outro lado do salão, parcialmente escondida atrás uma cortina de veludo, Lorena observava tudo. Tinha ouvido o som do carro e vido elas entrarem de mãos dadas, com a postura mais leve, mais unida do que nunca. O coração dela apertou de um misto de inveja e raiva. Viu Giovanna abraçar Maya, ouviu o carinho na voz da patroa — um tom que ela nunca tinha ouvido dirigido a ninguém, nem mesmo a ela. Os punhos dela se cerraram com força ao lado do corpo, as unhas cravando na palma. Ela não merece nada disso, pensou, os olhos brilhantes de ressentimento. Ela chegou de penetra, causou confusão, e agora tem tudo o que eu sempre quis... o seu respeito, o seu amor, o seu sobrenome. — não vai ficar assim ... Point off view Giovana torres Garcia Observei Maya subir as escadas ao lado de Dalva, rindo baixo enquanto carregavam algumas malas, e senti um alívio tranquilo no peito. Fiquei ali um instante, apreciando a cena, até ouvir passos rápidos vindo da cozinha. Virei-me e vi Lorena se aproximar, parando a poucos passos de mim, com as mãos entrelaçadas na frente e — Você voltou — disse ela, com a voz suave, se aproximando um pouco mais do que o normal. — Voltei — respondi, mantendo o tom calmo mas firme, sem recuar nem avançar. Ela baixou o olhar por um segundo, depois voltou a me encarar, e continuou num sussurro carregado de sentimento: — Essa casa ficou silenciosa demais sem você... Parecia que até o ar faltava quando você não estava aqui. Eu cruzei os braços, estudando cada expressão dela. Percebi a intenção por trás daquelas palavras, o jeito como ela me olhava como se eu fosse algo que devia pertencer a ela. — A casa só tem sentido agora que as duas donas dela estão aqui — corrigi, claramente, deixando sem espaço para mal-entendidos. Vi o sorriso dela vacilar, o brilho nos olhos escurecer de leve, mas ela apenas concordou com a cabeça, curvando-se rapidamente. — Sim, senhora. Com certeza. — Vocês duas precisam de alguma coisa? Posso preparar algo, um lanche, uma bebida... — ofereceu ela, — Não, estamos bem, obrigada — respondi direta, sem hesitar. — Vou subir agora, preciso descansar um pouco. Tenha uma boa noite, Lorena. Ela ficou parada ali por um instante, como se esperasse que eu dissesse algo mais, ou que a convidasse para ficar. Mas eu apenas fiz um pequeno aceno com a cabeça e comecei a subir as escadas, deixando-a para trás no salão. Entrei no quarto e vi que Maya acabava de sair do banho, enrolada num roupão branco com a inicial dela bordada no peito. Joguei-me de corpo inteiro sobre a cama, afundando o rosto no travesseiro, completamente exausta. Ela sorriu, aproximou-se devagar e subiu na cama, sentando-se ao meu lado para passar creme nas minhas mãos. — Que foi? — perguntou suavemente. — Tô exausta, Garcia — murmurei, fechando os olhos. Senti o toque leve dela, mas logo depois sua mão deslizou pelo meu braço, subiu pelo meu pescoço e me fez virar o rosto para ela. Os olhos dela já não tinham só carinho — brilhavam com um desejo que me fez esquecer o cansaço por um instante. — Então vem tomar um banho primeiro — disse, baixinho, puxando devagar a alça da minha blusa. — Vou te ajudar a relaxar do meu jeito. Levantei devagar, e ela me acompanhou, tirando minhas roupas uma por uma até que eu fiquei só de pele. Depois, abriu o próprio roupão e o deixou cair no chão, expondo o corpo inteiro para mim. — Agora sim — sussurrou, colando o corpo no meu. Point off view Lorena Assim que vi Giovanna sumir no topo da escada, virei e fui em direção ao meu quarto. Mas mal dei alguns passos e um som baixo, que vinha do corredor, me fez parar de vez. A casa já estava toda silenciosa — Dalva tinha ido embora mais cedo, só restava eu ali. Aproximei-me devagar, sem fazer barulho, até chegar perto da porta do quarto delas, que estava entreaberta. Encostei o ouvido na madeira fria. — Ahh… continua, baby… — era a voz de Maya, manhosa, cheia de prazer. Fiquei ali, imóvel, ouvindo cada gemido, cada respiração ofegante, cada vez que Giovanna rosnava o nome dela. Ouvi tudo por alguns minutos, sentindo o sangue ferver, os punhos se fecharem com força e o coração bater forte de raiva e ciúme. Não suportava pensar que Giovanna estava ali, se entregando para ela, enquanto eu só podia ouvir. Afastei-me depressa, quase correndo até o meu próprio quarto, bati a porta devagar mas com força suficiente para descarregar um pouco da fúria, e me joguei na cama. Fiquei ali, olhando para o teto, a raiva não passava — pelo contrário, só crescia, queimando por dentro. Mas não ia fazer nada agora, não ia dar o gosto de aparecer ali e parecer louca. Você vai pagar Garcia a Giovanna e minha.... (...) Point off view Maya Manoela Garcia torres Giovanna saiu cedo, como sempre, depois de um beijo demorado e um pedido para que eu descansasse bem antes de ir conhecer a empresa mais tarde. A porta da frente fechou, o som do carro desapareceu na estrada e a mansão ficou em silêncio. Percebi que alguns funcionários n havia chegado ainda, só ficou eu e Lorena Eu ainda arrumava alguns papéis na sala de estar quando ouvi passos calmos se aproximando. Era Lorena, com a expressão fechada, sem aquele ar educado de antes. — Maya — chamou ela, parando bem na minha frente. — Preciso que venha comigo um instante. Tem uma coisa que a senhora precisa ver antes de ir trabalhar. — Agora? E o que seria? — perguntei, estranhando o tom e o jeito como ela bloqueava o caminho. — É surpresa. Por favor — insistiu, e antes que eu pudesse responder ou chamar alguém, ela avançou rápido, segurando meus braços com uma força que eu não imaginava que ela tivesse. Tentei gritar, mas ela tapou minha boca com um pano que tinha na mão, e em segundos tudo ficou turvo. Perdi as forças e escorreguei nos seus braços, inconsciente. Narradora Assim que o corpo de Maya ficou pesado e desacordado nos seus braços, Lorena a arrastou rápido para um canto mais escuro, e logo em seguida discou o número que tinha guardado: eram homens que trabalharam na segurança da fazenda, mas que Giovanna mandou demitir por conduta irregular. Mal desligou o telefone, ouviu passos rápidos atrás de si. Assustou-se ao virar e ver Caio parado ali, olhando para a cena com os olhos arregalados. — O que é que você fez?! — exclamou ele, baixo mas cheio de choque, apontando para Maya caída no chão. Lorena levou um susto tão grande que quase perdeu o equilíbrio. Mas vendo que era ele, resolveu falar antes que ele gritasse: — Cala a boca! Não é o que parece… ou melhor, é exatamente o que parece — desabafou, a voz saindo entre o desespero e a raiva. — Você acha justo ela ter tudo isso? Ela não passa de uma aproveitadora que roubou o lugar de quem realmente merece! Caio deu um passo à frente, a expressão mudando de surpresa para um ressentimento antigo. — Eu sempre achei estranho… — murmurou ele. — Mas Maya não tem culpa. Ela é diferente… nunca fez mal a ninguém. Já aquela Giovanna… ela me humilhou na frente de todos quando me mandou embora. Disse que eu não servia pra nada. Lorena viu a brecha e avançou, falando baixo e firme: — Então é a sua chance. Olha só: você pode ficar com Maya. Leve-a para onde quiser, cuide dela, ela é toda sua. E eu fico com Giovanna — do jeito que sempre devia ter sido. Os homens que chamei chegam em instantes. Leve Maya embora daqui, bem longe, antes que alguém apareça. E você… — ela olhou para a mulher inconsciente no chão, com desdém — faça o que quiser com essa inútil, só suma daqui. Caio hesitou por um segundo, olhou para Maya e depois para a porta. A raiva que sentia de Giovanna e a vontade de ter Maya para si falaram mais alto. Assentiu devagar, agachou-se e levantou o corpo leve dela no colo, desaparecendo pela porta dos fundos sem olhar para trás. Lorena ficou sozinha no corredor, limpando as mãos na calça, com um sorriso torto nos lábios. Agora sim, pensou, tudo vai mudar. Respirou fundo pegando celular,hora do show.... Caio colocou Maya com cuidado no banco de trás do carro, cobrindo-a com um cobertor. — Levem ela para o galpão abandonado na beira da estrada — ordenou aos homens que já esperavam ali. — Eu não posso sair da mansão agora, preciso esperar a confusão passar. O carro partiu devagar Malu e Sarah estava indo pretedia se revelar pra irma, Mata saudades de Giovanna dizer que esteve sempre perto quando viu caio pondo Maya desacordada em um carro oque? ali não é a Maya ? ela fala desmaiada? Malu acho q e um sequestro droga sera q mamãe mandou fazer isso? vamos seguir eles escreve isso tudo