Sex
O Eco do Pecado na Cidade do Progresso
A rotina de Caitlyn Kiramman havia se tornado um labirinto de dissimulação. Durante o dia, ela era a Xerife de Piltover, o símbolo da ordem, a mão que segurava o rifle com precisão cirúrgica. À noite, quando o sol se punha atrás das torres de marfim e ouro, ela se dividia entre dois mundos que se repeliam como polos magnéticos opostos.
Vi era o seu refúgio. O toque de Vi era áspero, marcado por cicatrizes e pelo peso das manoplas, mas carregava uma honestidade brutal. Quando estavam juntas no pequeno apartamento em que se encontravam, o mundo parecia simples. No entanto, o cheiro de sândalo e a voz gélida de Cassandra Kiramman nunca abandonavam a mente de Caitlyn. O que acontecera naquela mesa do Conselho não fora um incidente isolado; tornara-se uma ferida aberta que Cassandra fazia questão de cutucar toda vez que as portas se fechavam.
Caitlyn subia as escadas da residência Kiramman com o coração pesado. Ela acabara de vir de um jantar rápido com Vi, onde o riso da mulher de cabelos cor-de-rosa quase a fizera esquecer a sombra que a perseguia. Quase.
Ao entrar na biblioteca da mansão, Caitlyn viu a silhueta de sua mãe contra a lareira. Cassandra segurava uma taça de vinho, o líquido carmesim refletindo a luz das chamas.
— Você está atrasada, Caitlyn — disse Cassandra, sem se virar. — O cheiro daquela... coisa... está impregnado no seu uniforme novamente.
Caitlyn sentiu um arrepio percorrer sua espinha, uma mistura de pavor e uma antecipação que ela odiava admitir.
— Eu estava em serviço, mãe — mentiu Caitlyn, a voz falhando levemente.
Cassandra virou-se devagar. Ela deixou a taça sobre uma mesa lateral e caminhou em direção à filha. Cada passo era calculado, uma predadora cercando sua presa.
— Serviço? — Cassandra parou diante dela, levando a mão ao colarinho de Caitlyn, ajustando-o com uma força desnecessária. — Você mente tão mal quanto tenta esconder o tremor nas suas mãos. Você acha que ela te dá liberdade, não é? Acha que fugir para os braços de uma criminosa é um ato de rebeldia.
— Não é rebeldia. É... — Caitlyn tentou recuar, mas suas costas encontraram a porta fechada da biblioteca.
— É fraqueza — interrompeu Cassandra, sua voz descendo para aquele tom sussurrado que desarmava Caitlyn completamente. — Você busca nela o que não tem coragem de enfrentar aqui. Mas você sempre volta para casa, não volta? Porque você sabe que ninguém mais pode te quebrar da maneira que eu quebro.
Cassandra deslizou a mão pelo peito de Caitlyn, sentindo o coração da filha martelar contra as costelas. Um sorriso cruel e satisfeito surgiu nos lábios da Conselheira.
— Vamos ver se ela deixou alguma marca em você hoje.
— Mãe, agora não... — suplicou Caitlyn, mas suas mãos já estavam subindo para os ombros de Cassandra, não para empurrá-la, mas para se segurar enquanto suas pernas começavam a ceder.
— Agora e sempre que eu desejar — decretou Cassandra.
Ela empurrou Caitlyn para o divã de couro marroquino no centro da sala. O ambiente era cercado por séculos de história e conhecimento, um santuário da linhagem Kiramman que agora servia de palco para algo que Piltover jamais ousaria imaginar.
Cassandra ajoelhou-se entre as pernas de Caitlyn, desfazendo os botões do uniforme da filha com uma autoridade que não admitia contestação.
— Ela já te tocou assim, Caitlyn? — Cassandra passou as unhas de leve pela pele exposta da barriga de Caitlyn, fazendo-a estremecer. — Ela sabe onde dói e onde queima? Ou ela é cuidadosa demais, com medo de quebrar a "boneca de porcelana" de Piltover?
— Ela me ama... — murmurou Caitlyn, fechando os olhos com força, tentando evocar o rosto de Vi para se proteger da invasão.
— O amor de Zaun é um lixo infectado — cuspiu Cassandra. — Eu sou o seu sangue. Eu sou a sua origem. O que eu sinto por você é posse, e isso é muito mais forte do que qualquer sentimento que aquela selvagem possa nutrir.
Cassandra mergulhou o rosto no pescoço de Caitlyn, inalando profundamente.
— Você ainda fede a ela. É nojento. Vou ter que limpar você de novo.
Os dedos de Cassandra encontraram o centro da intimidade de Caitlyn, que já estava úmida, traindo sua própria vontade. O gemido que escapou dos lábios de Caitlyn foi abafado pela mão de sua mãe, que cobriu sua boca com firmeza.
— Não grite, querida — sussurrou Cassandra contra seu ouvido. — Os criados ainda estão acordados. Imagine o escândalo... a Xerife e a Conselheira, em um ato de tamanha depravação. O que sua namoradinha pensaria se visse você agora? Se visse como você se abre para mim com tanta facilidade?
Caitlyn sentiu as lágrimas escorrerem. A vergonha era um peso sufocante, mas o prazer que Cassandra extraía dela era como uma droga pura e perigosa. O ritmo dos dedos de sua mãe era implacável, técnico, projetado para levá-la ao limite sem qualquer pingo de ternura.
— Você é uma vadiazinha tão obediente sob o meu toque — continuou Cassandra, as palavras sujas contrastando com sua aparência impecável. — Você se faz de forte na frente do Conselho, aponta armas para criminosos, mas aqui... aqui você é apenas carne. A minha carne.
Caitlyn tentou dizer o nome de Vi, mas o som morreu em sua garganta. Cassandra intensificou o movimento, usando a outra mão para apertar o seio de Caitlyn através do sutiã de renda, uma dor aguda que se transformava em faíscas de eletricidade por todo o seu corpo.
— Diga-me, Caitlyn — sibilou Cassandra —, ela faz você se sentir assim? Ela consegue fazer sua mente desaparecer até que reste apenas o desejo de ser usada?
— Não... — Caitlyn arqueou as costas, o couro do divã rangendo sob seu peso.
— Mentirosa — disse Cassandra, aumentando a pressão. — Você adora isso. Adora a sujeira que eu coloco em você. Você se sente suja por estar com ela, e se sente ainda mais suja por estar comigo. E é essa imundície que te faz gozar, não é?
O clímax atingiu Caitlyn como um tiro de rifle. Seu corpo ficou tenso, os pés se contraindo, enquanto ela soluçava contra a palma da mão de Cassandra. A Conselheira não parou imediatamente; ela continuou até que os espasmos de Caitlyn diminuíssem, garantindo que cada gota de resistência fosse drenada da filha.
Quando Cassandra finalmente se afastou, ela se levantou com a elegância de quem acabara de assinar um tratado de paz. Ela limpou as mãos em um lenço que retirou da manga, observando Caitlyn com um olhar de desdém e triunfo.
Caitlyn estava desfeita, o uniforme em desordem, o cabelo moreno espalhado pelo divã. Seus olhos azuis estavam vazios, focados em algum ponto invisível no teto.
— Recomponha-se — ordenou Cassandra, sua voz voltando ao tom normal, frio e cortante. — Amanhã temos a recepção para os embaixadores de Noxus. Não quero ver essas olheiras no seu rosto.
Caitlyn sentou-se devagar, as mãos tremendo enquanto tentava abotoar a camisa.
— Por que você faz isso? — perguntou Caitlyn, a voz rouca. — Por que não me deixa em paz?
Cassandra parou à porta da biblioteca, a mão na maçaneta de bronze.
— Porque você é o meu legado, Caitlyn. E eu não permitirei que uma rata de Zaun corrompa o que eu levei décadas para construir. Se eu tiver que te destruir para te manter, eu o farei.
— Vi nunca vai desistir de mim — disse Caitlyn, tentando encontrar um resto de coragem.
Cassandra soltou uma risada curta e seca.
— Ela não precisa desistir. Você mesma fará isso. Cada vez que você fechar os olhos para beijá-la, você sentirá o meu cheiro. Cada vez que ela te tocar, você vai se lembrar de como é ser possuída por mim nesta sala. Eu já venci, Caitlyn. Você só ainda não percebeu.
A porta se fechou com um som definitivo.
Caitlyn ficou ali, no silêncio da biblioteca, sentindo o frio da noite começar a entrar pelas frestas das janelas. Ela olhou para as próprias mãos, as mesmas mãos que Vi segurava com tanto carinho. Ela se sentia como um vidro quebrado, colado de forma errada, cujas arestas cortavam qualquer um que tentasse se aproximar.
Ela sabia que deveria ir embora. Deveria correr para o Subdistrito, encontrar Vi e contar tudo. Mas a paralisia do medo e daquela excitação doentia a mantinha presa. Ela era uma Kiramman. E, como sua mãe havia dito, ela pertencia àquele lugar, àquela mesa, àquela dor.
Lá fora, as luzes de Piltover continuavam a brilhar, indiferentes ao colapso moral que ocorria em seus salões mais nobres. Caitlyn terminou de se vestir, limpou o rosto e caminhou em direção ao seu quarto, cada passo ecoando como uma sentença de prisão. Ela sabia que, em poucos dias, ou talvez horas, o ciclo se repetiria. Cassandra a chamaria, as palavras sujas voltariam a ferir seus ouvidos, e Caitlyn voltaria a se perder no abismo que sua mãe cavara entre seu dever e seu desejo.
E o pior de tudo, o que mais a aterrorizava enquanto ela se deitava na cama fria, era saber que, no fundo de sua alma corrompida, ela estava ansiosa pela próxima vez.