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Sex

O Altar do Sacrifício

A atmosfera no Salão do Conselho nunca pareceu tão opressiva. O ar estava carregado com o cheiro de cera de abelha, mogno antigo e o perfume floral metálico que era a assinatura de Cassandra Kiramman. Caitlyn estava de pé, as mãos apoiadas na borda da mesa circular, a mesma mesa onde leis eram forjadas e o destino de Zaun era selado com indiferença. Seus olhos azuis estavam fixos em um ponto qualquer da madeira polida, tentando ignorar o tremor que subia por suas pernas.

Atrás dela, Cassandra caminhava com uma elegância predatória. O som dos saltos contra o piso de mármore ecoava como uma contagem regressiva. Não havia ninguém no prédio além dos guardas de elite nos portões externos; o silêncio era um cúmplice silencioso.

— Você parece tensa, Caitlyn — disse Cassandra, sua voz deslizando pelas costas da filha como uma lâmina de gelo. — É o peso da responsabilidade? Ou é a culpa que corrói você toda vez que olha para aquela... criatura de rua?

Caitlyn fechou os olhos com força, sentindo o hálito quente de sua mãe perto de sua nuca.

— Deixe a Vi fora disso, mãe — sussurrou Caitlyn, embora a menção ao nome da namorada fizesse seu peito doer de vergonha.

— Fora disso? — Cassandra soltou um riso baixo, uma vibração que Caitlyn sentiu na própria pele. — Ela está em cada fibra do seu ser, como uma infecção. Você fede a Zaun, Caitlyn. Fede a suor barato, a óleo de motor e àquela carência desesperada de quem nunca teve nada. É isso que você quer? Ser o consolo de uma órfã violenta?

Com um movimento brusco, Cassandra agarrou o cabelo de Caitlyn, puxando sua cabeça para trás. O impacto forçou Caitlyn a arquear as costas, expondo a linha de sua garganta.

— Olhe para este lugar — ordenou Cassandra, forçando-a a encarar a vastidão do salão vazio. — Este é o topo do mundo. E você prefere se arrastar no esgoto por uma mulher que nem sequer entende o conceito de herança. Você é patética.

— Eu a amo — Caitlyn conseguiu dizer, embora a voz saísse embargada.

— Amor é uma palavra que os fracos usam para justificar sua falta de controle — Cassandra rebateu, soltando o cabelo de Caitlyn apenas para empurrá-la para baixo, forçando seu torso contra a mesa fria. — O que temos aqui é controle. O que eu tenho sobre você é propriedade.

Cassandra começou a levantar a saia do uniforme de Caitlyn com uma lentidão torturante. O contraste entre o ar condicionado frio do salão e o calor das mãos de sua mãe era paralisante. Caitlyn sentiu o metal da fivela de seu cinto sendo desfeito.

— Você acha que ela te conhece? — Cassandra continuou, sua voz agora um sussurro sujo e constante. — Ela toca você com medo de te quebrar, não é? Ela te vê como uma boneca de cristal de Piltover. Mas eu... eu sei do que você é feita. Eu sei que, por baixo dessa fachada de Xerife perfeita, existe uma vadiazinha que anseia por ser dominada de uma forma que aquela selvagem jamais ousaria.

— Não... — Caitlyn soluçou, mas seus quadris traíram sua voz, movendo-se inconscientemente contra a mesa.

— Sim — afirmou Cassandra, deslizando a mão por baixo da roupa íntima de Caitlyn. — Você está tão molhada, Caitlyn. É por ela? Ou é porque você sabe o que eu vou fazer com você neste altar de poder? Você gosta da profanação, não gosta? Gosta de saber que, enquanto o povo de Piltover dorme, sua Conselheira está tratando a filha como o animal que ela deseja ser.

Cassandra não usou preliminares desta vez. Ela pressionou o corpo contra as costas de Caitlyn, prendendo-a com seu peso. Com uma das mãos, ela espalmou a nuca da filha contra a madeira, e com a outra, alcançou um pequeno frasco de óleo que mantinha escondido na gaveta da mesa de reuniões — um segredo guardado para momentos de depravação absoluta.

— Hoje — disse Cassandra, a voz ficando rouca de uma luxúria sombria —, eu vou tirar qualquer vestígio de Zaun de dentro de você. Vou ocupar um espaço que ela nunca terá a coragem de reivindicar. Vou te abrir de uma forma que você nunca esquecerá a quem pertence.

Caitlyn sentiu o toque frio do óleo na entrada de sua retaguarda e um pânico instintivo a dominou.

— Mãe, por favor... isso é demais... não aí...

— Silêncio! — Cassandra rosnou, o comando vibrando com uma autoridade que não permitia dissidência. — Você vai aceitar tudo. Você vai ser o receptáculo do meu desprezo por essa vida medíocre que você tenta levar.

Sem mais avisos, Cassandra pressionou o primeiro dedo. Caitlyn soltou um grito abafado contra o mogno, as unhas arranhando a madeira polida. A dor era aguda, uma sensação de invasão que parecia rasgar não apenas seu corpo, mas sua própria identidade.

— Dói, não dói? — Cassandra sussurrou, aumentando a pressão, forçando a entrada estreita a ceder ao seu capricho. — É a dor da realidade voltando para você. Você não é especial, Caitlyn. Você é apenas uma extensão do meu desejo. Diga-me... a sua namoradinha de rua faz isso? Ela entra em você assim, sem pedir licença, tratando você como a merda que você se tornou por segui-la?

— Vi... Vi nunca faria isso — Caitlyn engasgou, as lágrimas escorrendo livremente e manchando a mesa do Conselho.

— Exatamente — Cassandra riu, um som cruel enquanto adicionava um segundo dedo, expandindo Caitlyn com uma força metódica. — Porque ela é fraca. Ela te respeita. E o respeito é o que impede as pessoas de possuírem o que desejam de verdade. Eu não te respeito, Caitlyn. Eu te possuo. Eu te fiz, e eu posso te desfazer.

A dor começou a se misturar com uma queimação intensa, um prazer proibido e agonizante que brotava da humilhação total. Caitlyn sentia-se exposta, aberta no coração do governo de sua cidade, sendo usada pela mulher que deveria ser seu exemplo de moralidade. A sujeira das palavras de Cassandra era como um veneno que entorpecia sua mente.

— Olhe para você — Cassandra continuou, acelerando o ritmo, seus dedos movendo-se dentro de Caitlyn com uma crueza que desafiava qualquer noção de parentesco. — A grande Xerife, a salvadora de Piltover, gemendo como uma cadela no cio sob a mão da mãe. Você é suja, Caitlyn. Você é tão depravada quanto qualquer criminoso que você tranca em Stillwater. Talvez você devesse se trancar lá. Ou talvez o seu lugar seja aqui, de quatro nesta mesa, servindo ao meu prazer sempre que eu decidir te lembrar da sua insignificância.

Caitlyn não conseguia mais formular pensamentos coerentes. O mundo havia se reduzido ao ponto de contato entre ela e Cassandra, à dor que se transformava em uma necessidade desesperada e à voz de sua mãe, que destruía qualquer resquício de sua dignidade.

— Você é minha — Cassandra sibilou, retirando os dedos apenas para penetrá-la novamente com mais força, atingindo o fundo de sua resistência. — Diga. Diga que você é minha vadia. Diga que aquela carniceira de Zaun não é nada comparada ao que eu te dou.

— Eu sou... — Caitlyn arquejou, o corpo tremendo violentamente sob o controle de Cassandra. — Eu sou sua... por favor...

— Sua o quê? — Cassandra exigiu, puxando o cabelo de Caitlyn com tanta força que seus olhos se reviraram.

— Sua vadia! — Caitlyn gritou, o som ecoando pelas abóbadas de vidro, um segredo que as estrelas de Piltover testemunhavam com indiferença. — Eu sou sua... mãe... por favor, acabe com isso!

Cassandra não parou. Ela continuou a punir o corpo da filha, usando-a como um objeto, um brinquedo para sua própria frustração política e pessoal. Ela descreveu em detalhes vulgares o que faria se encontrasse Vi, como faria Caitlyn assistir enquanto destruía a única coisa que a jovem ainda tentava amar, tudo isso enquanto mantinha o ritmo implacável de seus dedos dentro dela.

A humilhação era o combustível. Caitlyn sentiu o ápice chegando, não como uma onda de prazer suave, mas como uma explosão de agonia e êxtase que a deixou sem fôlego. Ela desmoronou sobre a mesa, os músculos das coxas espasmando, enquanto Cassandra a mantinha presa, não permitindo que ela se movesse até que o último tremor passasse.

O silêncio que se seguiu foi quase mais doloroso do que o ato em si. Cassandra afastou-se, o rosto levemente corado, mas a expressão permanecia de uma frieza absoluta. Ela se limpou com um lenço de linho, cada movimento preciso e elegante, como se estivesse apenas terminando uma refeição.

Caitlyn ficou deitada na mesa, o rosto colado à madeira fria, sentindo o latejar em seu corpo e o vazio em sua alma. O cheiro de sândalo e óleo pairava sobre ela como uma mortalha.

— Limpe essa bagunça — disse Cassandra, sua voz voltando ao tom de autoridade pública, sem um pingo de emoção. — Você tem uma reunião com o conselho de segurança amanhã cedo. Tente não mancar quando entrar na sala. Seria difícil explicar por que a Xerife está com dificuldades de andar.

Caitlyn não respondeu. Ela não tinha forças.

Cassandra caminhou até a porta, mas antes de sair, parou e olhou por cima do ombro para a figura quebrada da filha sobre a mesa do Conselho.

— E Caitlyn... — Cassandra deu um sorriso gélido. — Se você pensar em contar isso para sua namorada, lembre-se: ela nunca mais vai conseguir olhar para você sem ver a minha marca. Ela nunca mais vai te tocar sem imaginar o que aconteceu nesta mesa. Você está marcada, minha filha. Por dentro e por fora.

A porta se fechou com um clique metálico e pesado.

Caitlyn permaneceu imóvel por um longo tempo. O relógio de parede no salão tiquetaqueava, marcando os segundos de uma vida que ela não reconhecia mais como sua. Ela se levantou devagar, sentindo a dor latejante que Cassandra havia deixado para trás, um lembrete constante de sua submissão.

Ela caminhou até a janela e olhou para as luzes distantes da Subferia. Vi estava lá em algum lugar, talvez esperando por ela, talvez sonhando com um futuro que Caitlyn agora sabia ser impossível.

Ela limpou a mesa com as mãos trêmulas, removendo os vestígios de sua própria vergonha. Enquanto vestia o uniforme, o tecido roçando sua pele sensibilizada era um lembrete constante de cada palavra suja, de cada toque invasivo.

Ela era a Xerife de Piltover. Ela era a herdeira do clã Kiramman. Mas, enquanto caminhava pelos corredores vazios do Conselho, Caitlyn sabia que, no fundo, ela era apenas uma sombra do que costumava ser. Cassandra não apenas a possuíra fisicamente; ela havia colonizado sua mente, transformando o amor por Vi em um campo de batalha de culpa e desejo distorcido.

Ao sair para a noite fria de Piltover, Caitlyn sentiu o vento bater em seu rosto, mas não trouxe alívio. O eco das palavras de sua mãe continuava a ressoar, uma sentença de prisão perpétua dentro de sua própria pele. Ela pertencia ao Conselho. Ela pertencia ao legado. Ela pertencia a Cassandra. E nada, nem mesmo o fogo de Zaun, poderia queimar aquela verdade.