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Sex

O Eclipse da Alma Kiramman

O ar noturno de Zaun era espesso, carregado com o cheiro de ozônio e produtos químicos, mas para Caitlyn Kiramman, aquele sempre fora o cheiro da liberdade. Ou, pelo menos, era o que ela tentava dizer a si mesma enquanto caminhava em direção ao esconderijo de Vi. No entanto, a cada passo que dava para longe de Piltover, o peso em seu ventre e a queimação entre suas coxas serviam como um lembrete físico de que ela nunca estivera tão presa.

Ao entrar no pequeno quarto, Vi estava lá, enfaixando as mãos, o rosto iluminado pela luz trêmula de uma lâmpada neon verde. A lutadora sorriu ao ver Caitlyn, um sorriso que costumava ser o sol na vida da Xerife, mas que agora parecia uma acusação silenciosa.

— Cupcake! — Vi levantou-se, jogando as ataduras de lado. — Você demorou. Achei que o Conselho tivesse te engolido viva hoje.

Caitlyn sentiu um nó na garganta. O Conselho não a tinha engolido; sua mãe o fizera.

— Vi, eu... — A voz de Caitlyn falhou. Ela olhou para as mãos de Vi, as mesmas mãos que a protegiam, e depois pensou nas mãos de Cassandra, as mãos que a profanavam.

— Ei, o que foi? — Vi aproximou-se, a preocupação vincando sua testa. Ela estendeu a mão para tocar o rosto de Caitlyn. — Você está pálida. Aquela sua mãe deu outro sermão em você?

O toque de Vi era quente e sincero. Mas, no momento em que a pele de Vi encontrou a sua, Caitlyn teve um flashback nítido de Cassandra sussurrando palavras obscenas em seu ouvido enquanto a possuía na mesa de mogno. O contraste era insuportável. A pureza de Vi a fazia se sentir ainda mais suja, um receptáculo de pecado que não merecia a devoção daquela mulher.

— Não me toque — sussurrou Caitlyn, recuando bruscamente.

Vi estacou, os olhos arregalados de surpresa e mágoa.

— O quê? Cait, o que aconteceu?

— Eu não posso mais fazer isso, Vi — disse Caitlyn, as palavras saindo como se estivessem cobertas de vidro quebrado. — Isso... nós... foi um erro.

— Um erro? — Vi soltou uma risada incrédula, dando um passo à frente. — Do que você está falando? Depois de tudo o que passamos? Depois de Jinx, do Conselho, de quase morrermos uma pela outra?

— Você não entende! — gritou Caitlyn, as lágrimas finalmente transbordando. — Você me vê como algo que eu não sou. Você me vê como uma heroína, como sua "Garota de Ouro". Mas eu sou uma Kiramman, Vi. Eu pertenço a eles. Eu pertenço a ela.

— Ela fez algo com você, não foi? — A voz de Vi tornou-se perigosamente baixa, seus punhos se fechando. — Aquela mulher fria... o que ela te disse?

— Ela me mostrou a verdade — mentiu Caitlyn, embora a verdade fosse muito mais sombria. — Ela me mostrou que eu nunca serei parte do seu mundo, e você nunca será parte do meu. Eu escolhi o meu lado, Vi. Eu escolho Piltover. Eu escolho o meu legado.

Vi deu um passo à frente, agarrando os ombros de Caitlyn com desespero.

— Olhe nos meus olhos e diga que você não me ama. Diga que tudo isso foi mentira.

Caitlyn olhou para os olhos cinzentos de Vi, cheios de uma dor que ela mesma estava causando. Por um segundo, ela quis contar tudo. Quis gritar que sua mãe a estava destruindo, que ela estava perdida. Mas o eco da voz de Cassandra sussurrou em sua mente: "Ela nunca mais vai conseguir olhar para você sem ver a minha marca".

— Eu não te amo, Vi — disse Caitlyn, a voz gélida como a de sua mãe. — Eu apenas estava curiosa sobre como era viver na lama por um tempo. Mas a curiosidade passou.

O silêncio que se seguiu foi devastador. Vi soltou os ombros de Caitlyn como se tivesse se queimado. O brilho nos olhos da lutadora se apagou, substituído por uma frieza que Caitlyn nunca vira antes.

— Entendi — disse Vi, sua voz rouca. — Volte para sua torre de marfim, Cupcake. Espero que o ar lá em cima seja tão limpo quanto você pensa.

Caitlyn virou as costas e saiu, sem olhar para trás. Ela correu pelas ruas de Zaun, subindo os níveis até chegar às pontes de Piltover. Cada passo era uma facada em seu coração, mas também um alívio doentio. Ela havia cortado o último laço que a prendia à sua humanidade. Agora, ela era apenas o que Cassandra queria que ela fosse.

Ao chegar à mansão Kiramman, a casa estava mergulhada em uma penumbra luxuosa. Ela não foi para o seu quarto. Seus pés a levaram diretamente para os aposentos de sua mãe.

Cassandra estava sentada em uma poltrona de veludo negro, lendo alguns documentos sob a luz de um abajur de cristal. Ela nem sequer levantou os olhos quando Caitlyn entrou e trancou a porta atrás de si.

— Você demorou — comentou Cassandra, sua voz calma e melodiosa. — O lixo foi devidamente descartado?

Caitlyn parou diante dela, tremendo, mas com um olhar de aceitação absoluta.

— Acabou, mãe. Eu disse a ela. Eu a deixei.

Cassandra finalmente levantou o olhar. Um sorriso de triunfo, lento e predatório, espalhou-se por seu rosto moreno. Ela fechou a pasta de documentos e levantou-se, caminhando até a filha com a graça de uma rainha que acaba de anexar um novo território.

— Finalmente — sussurrou Cassandra, acariciando o rosto de Caitlyn. — Finalmente você percebeu que não há lugar no mundo para você além do meu lado. Você é minha agora, Caitlyn. Totalmente. Sem segredos, sem distrações de Zaun.

— O que você quer de mim? — perguntou Caitlyn, a voz sem vida.

— Eu quero tudo — respondeu Cassandra, suas mãos descendo para o pescoço de Caitlyn, desfazendo o lenço do uniforme. — Eu quero o seu corpo, a sua mente, a sua alma. Eu quero que você seja a minha mulher, a minha herdeira, o meu reflexo mais sombrio.

Cassandra puxou Caitlyn para um beijo profundo, um beijo que não tinha nada de maternal. Era um beijo de posse, carregado de uma luxúria incestuosa que fazia o sangue de Caitlyn ferver de uma forma que ela não conseguia mais combater. Ela correspondeu, agarrando os ombros de Cassandra, entregando-se ao abismo.

— Diga — ordenou Cassandra entre os beijos, empurrando Caitlyn em direção à imensa cama de dossel. — Diga quem você é.

— Eu sou sua — ofegou Caitlyn, sentindo as mãos habilidosas de sua mãe despirem-na com uma urgência que ela nunca vira antes. — Eu sou sua mulher, mãe.

Cassandra jogou Caitlyn sobre os lençóis de seda, subindo sobre ela. A luz da lua filtrava-se pelas janelas altas, banhando as duas em tons de prata e sombra.

— Você é uma visão — disse Cassandra, seus olhos escuros devorando o corpo nu da filha. — Tão perfeita. Tão pura por fora, e tão maravilhosamente corrompida por dentro. Aquela garota de Zaun... ela nunca saberia o que fazer com uma joia como você. Ela tentaria te polir. Eu? Eu prefiro ver como você brilha quando eu te quebro.

As mãos de Cassandra eram implacáveis. Ela começou a explorar Caitlyn com uma familiaridade cruel, usando a boca e os dedos para levar a filha a um estado de frenesi que beirava a loucura. Não havia ternura, apenas dominação. Cassandra falava constantemente, sua voz um fluxo contínuo de obscenidades e elogios distorcidos.

— Você gosta quando eu te trato assim, não gosta? — Cassandra sibilou, mordendo o ombro de Caitlyn, deixando uma marca arroxeada que ficaria ali por dias. — Gosta de saber que você é o meu segredo mais sujo. A Xerife de Piltover, a orgulhosa Caitlyn Kiramman, abrindo as pernas para a própria mãe como uma cadela submissa.

— Sim... — Caitlyn arqueou as costas, seus dedos enterrando-se no tapete de pele ao lado da cama. — Eu gosto... eu sou sua cadela... por favor, mãe... me use.

As palavras saíam da boca de Caitlyn como veneno, mas ela não conseguia parar. A degradação era o que a mantinha viva agora. Se ela não pudesse ter o amor puro de Vi, ela teria a possessão absoluta de Cassandra.

Cassandra riu, um som gutural de prazer. Ela se posicionou entre as pernas de Caitlyn, olhando-a nos olhos com uma intensidade que parecia queimar a alma da jovem.

— Você nunca mais vai pensar nela — declarou Cassandra. — Toda vez que você sentir prazer, será o meu rosto que você verá. Toda vez que você sentir dor, será a minha mão que você sentirá. Você está ligada a mim de uma forma que a morte seria a única saída, e eu não vou deixar você morrer, minha querida.

O que se seguiu foi uma noite de excessos que Piltover jamais poderia conceber. Cassandra reclamou cada centímetro do corpo de Caitlyn, tratando-a não como filha, mas como uma amante, um objeto, uma extensão de sua própria vontade. Ela a levou ao ápice repetidas vezes, apenas para trazê-la de volta com palavras degradantes e toques que exigiam submissão total.

— Você é tão apertada para mim — sussurrou Cassandra, seus dedos movendo-se com uma violência metódica dentro de Caitlyn. — Tão cheia de vida, e eu vou drenar cada gota dessa vida até que reste apenas o que eu permitir. Você vai sentar ao meu lado no Conselho, vai olhar para aqueles homens e mulheres com a cabeça erguida, e ninguém vai saber que, por baixo desse uniforme, você está marcada pelo meu prazer.

Caitlyn soluçava, uma mistura de orgasmos e desespero. Ela sentia a marca de Cassandra em seu coração, uma cicatriz que nunca fecharia. Ela havia trocado a esperança de Zaun pela segurança sombria de Piltover. Ela havia trocado Vi por Cassandra.

— Olhe para mim, Caitlyn — ordenou Cassandra, segurando o queixo da filha com força. — Diga que você me ama.

Caitlyn olhou para o rosto moreno de sua mãe, a mulher que lhe dera a vida e que agora a estava consumindo. Ela viu o poder, a beleza e a maldade pura nos olhos de Cassandra.

— Eu te amo, mãe — sussurrou Caitlyn, as palavras soando como uma sentença de morte.

— Bom — disse Cassandra, voltando a beijá-la com uma ferocidade renovada. — Agora, deixe-me mostrar o que uma verdadeira mulher de Piltover faz com o que lhe pertence.

Quando a aurora começou a surgir no horizonte, iluminando as torres de cristal da cidade, Caitlyn estava deitada nos braços de Cassandra. Ela estava exausta, seu corpo doía e sua mente estava envolta em uma névoa de vergonha e aceitação.

Cassandra dormia com um sorriso sereno, a mão ainda pousada possessivamente sobre o quadril de Caitlyn.

Caitlyn olhou para a janela, onde as luzes de Zaun estavam se apagando. Ela sabia que Vi estaria lá embaixo, talvez bebendo em algum bar imundo, tentando esquecer o que acontecera. Uma parte de Caitlyn queria gritar, queria pular daquela janela e cair nas profundezas da Subferia.

Mas ela não se moveu.

Ela fechou os olhos e se aconchegou no calor de sua mãe. O cheiro de sândalo agora era o seu oxigênio. A mesa do Conselho era o seu altar. E Cassandra era o seu deus.

Caitlyn Kiramman, a Xerife de Piltover, havia morrido naquela noite. No seu lugar, restava apenas a mulher de Cassandra, uma criatura moldada pela dor, pelo poder e por um amor tão distorcido que o próprio sol parecia escurecer diante dele.

— Você é minha — a voz de Cassandra murmurou no sono, como um feitiço que nunca perderia o efeito.

— Para sempre — respondeu Caitlyn, entregando-se finalmente à escuridão do seu próprio legado.