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Sexo

O Labirinto da Complacência

A luz da manhã em Bangkok era agressiva, atravessando as cortinas finas e atingindo o rosto de Becky com uma claridade que ela não desejava. Ela acordou no sofá, com o corpo dolorido pela posição desconfortável e a mente pesada. O silêncio do apartamento foi quebrado pelo som de passos vindo do quarto. Nop apareceu na sala, vestindo apenas a calça do dia anterior, os olhos ainda inchados, mas com uma expressão estranhamente renovada.

— Você veio para cá? — perguntou ele, a voz rouca pelo sono. — Senti sua falta na cama quando acordei.

Becky forçou um sorriso, aquele que ela usava para desarmar tensões.

— Eu perdi o sono, Nop. Não quis te acordar.

Ele se aproximou, sentando-se ao lado dela no sofá. O cheiro dele, uma mistura de suor e do perfume que ela costumava gostar, agora parecia sufocante. Nop passou o braço pelos ombros dela, puxando-a para perto. Becky sentiu a pele dele contra a sua e um arrepio de desconforto percorreu sua espinha.

— Ontem... ontem foi o que me salvou, Becky — sussurrou ele, beijando a têmpora dela. — Eu me sinto outra pessoa hoje. Sinto que, se você estiver comigo, eu posso enfrentar qualquer coisa.

— Fico feliz que você esteja melhor — respondeu ela, tentando se esquivar sutilmente, mas ele a segurou com mais firmeza.

— Eu quero sentir isso de novo — disse ele, a voz mudando de tom, tornando-se mais urgente. — Aquela conexão. Eu não quero que esse sentimento vá embora.

Becky sentiu um nó na garganta. Ela precisava sair dali, precisava de espaço, de ar.

— Nop, eu tenho compromissos hoje. Preciso me preparar, o trabalho...

— O trabalho pode esperar uma hora — interrompeu ele, as mãos descendo para a cintura dela, apertando a carne macia sob o roupão. — Por favor, Becky. Só mais uma vez. Para eu começar o dia com essa força que só você me dá.

— Agora não, Nop. Eu realmente não estou com cabeça para isso — disse ela, sendo mais direta, embora sua voz ainda soasse doce demais para impor um limite real.

Nop parou, e a expressão de derrota começou a rastejar de volta para o seu rosto. Seus lábios tremeram levemente, e ele soltou os ombros dela, recuando como se tivesse sido atingido.

— Eu entendo. Eu sou um peso para você, não sou? — Ele desviou o olhar, a voz carregada de uma autocomiseração que Becky conhecia bem. — Eu peço demais. É que eu estou tão quebrado, Becky... e você é a única luz que eu tenho. Se você me nega isso agora, eu sinto que vou desmoronar de novo.

Becky fechou os olhos, sentindo a armadilha emocional se fechar ao seu redor. A pena, aquela maldita e avassaladora pena, começou a borbulhar em seu peito, sufocando sua própria vontade. Ela olhou para ele, para os ombros caídos, e sentiu-se a pior pessoa do mundo por querer dizer "não".

— Não é isso, Nop... não diga isso.

— Então por que? — Ele se ajoelhou no chão, entre as pernas dela, olhando-a de baixo para cima com olhos suplicantes. — Eu preciso de você. Meu corpo dói de tanto que eu preciso sentir que você ainda é minha. Por favor, Becky. Só mais essa vez. Eu prometo que vou te deixar em paz depois.

Ela olhou para o rosto dele, para a carência patética e desesperada. Um suspiro longo e cansado escapou de seus lábios. Sua resistência desmoronou como um castelo de areia atingido pela maré.

— Tudo bem — sussurrou ela, sentindo-se derrotada. — Tudo bem.

O brilho que surgiu nos olhos de Nop foi quase predatório, uma mistura de triunfo e alívio. Ele não esperou. Suas mãos subiram rapidamente, abrindo o laço do roupão de Becky. O tecido caiu para os lados, revelando seu corpo pequeno e delicado, a pele alva contrastando com o estofado escuro do sofá.

Nop a puxou para o chão, sobre o tapete felpudo da sala. O contato foi brusco, desprovido da delicadeza da noite anterior. Ele estava faminto, impulsionado por uma necessidade de validação que beirava o desespero.

— Você é tão gostosa, Becky — murmurou ele, a voz agora carregada de uma luxúria crua. — Você não tem ideia do que faz comigo.

Ele atacou os seios pequenos dela com a boca, sugando os mamilos com força. Becky soltou um arquejo, não de prazer, mas de surpresa com a intensidade. Ela sentia as mãos dele percorrendo sua bunda, apertando-a com uma possessividade que a fazia se sentir um objeto, uma ferramenta para a cura dele.

— Nop, devagar... — ela tentou dizer, mas ele a calou com um beijo profundo, invadindo sua boca com a língua.

Ele se posicionou entre as pernas dela, abrindo-as com os joelhos. Becky sentiu a rigidez dele pressionando contra sua intimidade, e uma parte dela gritava para parar, mas outra parte, a parte que se sentia responsável pela estabilidade emocional dele, a mantinha ali, imóvel, aceitando o que viria.

— Eu vou te foder tão bem que você vai esquecer qualquer outra coisa — disse ele, as palavras obscenas saindo como um veneno doce. — Você é minha, porra. Minha bonequinha.

Ele entrou nela com um impulso forte, arrancando um gemido alto de Becky. Não era um gemido de êxtase, era um som de choque. O impacto fez as costas dela arcarem contra o chão. Nop começou a se mover com uma urgência selvagem, o som da carne batendo contra a carne ecoando pela sala silenciosa.

— Isso... geme pra mim, Becky! — ele comandava, a respiração ofegante no ouvido dela. — Deixa eu ouvir o quanto você gosta disso.

Becky enterrou as unhas nos ombros dele, tentando encontrar algum ponto de ancoragem. Ela fechou os olhos com força, deixando sua mente se distanciar novamente. Ela se concentrou no barulho da cidade lá fora, no som dos carros, em qualquer coisa que não fosse a sensação de ser preenchida por alguém que ela não desejava.

— Você é tão apertadinha... — Nop rosnou, aumentando o ritmo. — Puta que pariu, Becky, você é perfeita.

Os gemidos dela começaram a sair de forma involuntária, uma resposta puramente física à fricção e ao ritmo frenético. Nop interpretou isso como prazer, o que o incentivou a ser ainda mais agressivo. Ele a virou de costas, deixando-a de quatro no tapete.

Becky sentiu o frio do ar da sala em suas costas nuas antes de sentir o calor dele novamente. Ele segurou sua cintura fina com força, as pontas dos dedos deixando marcas avermelhadas em sua pele clara. A visão da bunda dela, empinada e vulnerável, pareceu levar Nop ao limite.

— Olha pra você... — ele disse, com a voz embargada. — Tão fofa e tão puta ao mesmo tempo. Você gosta que eu te use assim, não gosta?

Becky não respondeu, apenas escondeu o rosto nos braços cruzados sobre o tapete. As palavras dele a feriam mais do que o ato físico. Ela se sentia pequena, insignificante, reduzida a um corpo que servia apenas para absorver a dor e a frustração de outro homem.

O ritmo dele tornou-se errático, os sons de sua respiração pesada e os estalos do sexo preenchendo o ambiente. Nop estava perto, ela podia sentir. Ele a puxou pelos cabelos, forçando-a a levantar a cabeça.

— Diz que você é minha, Becky. Diz!

— Eu... eu sou sua, Nop — ela mentiu, a voz embargada, as lágrimas finalmente começando a escorrer e se perder nas fibras do tapete.

Com um último impulso violento e um rosnado animal, Nop atingiu o ápice, descarregando tudo nela. Ele desabou sobre suas costas, o peso de seu corpo esmagando a estrutura magra de Becky por alguns segundos. O silêncio voltou a reinar, quebrado apenas pelos batimentos cardíacos acelerados de ambos.

Nop saiu de cima dela e se deitou ao lado, olhando para o teto com um sorriso de satisfação plena.

— Isso foi incrível — disse ele, limpando o suor da testa. — Eu me sinto vivo de novo. Obrigado, Becky. Você é mesmo um anjo.

Becky continuou deitada de bruços por um longo tempo, sentindo o sêmen escorrer por suas coxas, sentindo o ardor entre as pernas e a dormência em seu coração. Ela não se sentia um anjo. Ela se sentia um resto, uma sobra de si mesma que havia sido oferecida em um altar de sacrifício por uma dívida que ela nunca contraiu.

— Eu preciso de um banho — disse ela, a voz saindo mecânica.

Ela se levantou, sem olhar para ele, e caminhou em direção ao banheiro. Cada passo era um lembrete da violação consentida que acabara de ocorrer. Ao fechar a porta e ligar o chuveiro, ela não chorou de imediato. Ela apenas ficou parada sob a água fria, observando o líquido branco descer pelo ralo.

Ela olhou para o próprio corpo no espelho embaçado. As marcas dos dedos de Nop em seus quadris eram como tatuagens de sua própria fraqueza. Ela era Becky Armstrong, a mulher que todos admiravam, a mulher que parecia ter o controle de tudo. Mas ali, na solidão do banheiro, ela era apenas uma garota de seios pequenos e corpo frágil que não conseguia dizer "não" para um homem quebrado, com medo de que o estilhaço dele a cortasse.

— Amanhã... — sussurrou ela para o reflexo, as mesmas palavras da noite anterior.

Mas amanhã, ela sabia, Nop teria outro problema. Amanhã ele se sentiria insuficiente novamente. E amanhã, ele bateria à sua porta buscando a única cura que conhecia. E Becky, em sua infinita e autodestrutiva pena, provavelmente abriria a porta mais uma vez.

Ela saiu do banho e se vestiu rapidamente, colocando roupas largas que escondiam suas formas. Quando voltou para a sala, Nop já estava vestido, parecendo pronto para conquistar o mundo.

— Eu vou indo, tenho umas reuniões hoje — disse ele, dando um beijo rápido e confiante nos lábios dela. — A gente se fala mais tarde?

— Claro, Nop. A gente se fala.

Ele saiu, fechando a porta com um estalo firme. Becky caminhou até a janela e observou o carro dele se afastar. O sol de Bangkok agora brilhava com toda a força, iluminando a cidade, mas para Becky, as sombras dentro do apartamento pareciam ter se tornado permanentes. Ela se sentou no sofá, no mesmo lugar onde horas antes havia se perdido, e abraçou os próprios joelhos, esperando que o vazio dentro dela parasse de doer.