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Sexo

O Despertar da Inércia

Os dias que se seguiram foram marcados por uma resistência silenciosa e obstinada. Becky, exausta de se sentir um receptáculo para as frustrações de Nop, começou a erguer muros. Toda vez que ele se aproximava com aquele olhar de "cachorro abandonado", buscando o consolo de seu corpo, ela desviava. Inventava dores de cabeça, cansaço extremo ou simplesmente se trancava no banheiro até que ele desistisse. Ela sentia que, se cedesse mais uma vez, não sobraria nada de si mesma para contar a história.

Nop, por outro lado, parecia estar entrando em combustão lenta. A rejeição de Becky agia como um ácido em seu ego já fragilizado. Ele não entendia o "não" como um limite, mas como uma falha dele mesmo, o que o tornava ainda mais desesperado e, consequentemente, mais perigoso em sua carência.

Era uma noite abafada de sexta-feira. O ar condicionado do quarto de Becky zumbia suavemente, tentando combater a umidade opressiva de Bangkok. Becky estava exausta; tinha passado o dia em sessões de fotos e gravações, e seu corpo magro clamava por descanso. Ela adormeceu profundamente, envolta em um pijama de seda curta que mal cobria suas curvas, deixando suas pernas alvas e seus seios pequenos livres sob o tecido leve.

Nop entrou no quarto silenciosamente. Ele não morava ali, mas ainda tinha a chave, um privilégio que Becky não tivera coragem de revogar. Ele estava bêbado — não o suficiente para cair, mas o bastante para que sua moral estivesse turva e seu desejo, afiado. Ele parou ao pé da cama, observando a figura angelical de Becky. Ela parecia tão fofa, tão inofensiva enquanto dormia, com os lábios levemente entreabertos.

A visão daquela pureza o irritou. Ele sentia que ela estava lhe negando a "cura" de propósito. Um impulso sombrio tomou conta de seus pensamentos. Se ela não lhe dava o que ele queria por vontade própria, ele simplesmente tomaria, convencido de que, no fundo, ela não se importaria.

Ele se aproximou da cabeceira e desabotoou a calça. Seu membro estava rígido, pulsando com uma necessidade que misturava luxúria e raiva. Com cuidado, ele se ajoelhou sobre o colchão, pairando sobre o rosto de Becky. Ele usou os dedos para separar os lábios dela, sentindo o hálito quente e doce da jovem.

Sem aviso, ele deslizou o pau para dentro da boca dela.

Becky soltou um som abafado, um murmúrio confuso de quem está preso em um sonho. O invasor era grande e invasivo, preenchendo sua cavidade bucal de uma forma que a obrigava a engasgar levemente, mesmo em seu estado de inconsciência. Nop começou a se mover, segurando a nuca dela com uma mão para manter a cabeça firme contra o travesseiro.

— Você é tão linda até quando está em silêncio — sussurrou ele, a voz carregada de uma satisfação doentia.

Ele começou a foder a boca dela com movimentos rítmicos. O som da saliva se misturando ao atrito da pele era o único ruído além do ar condicionado. Becky franziu a testa, as pálpebras tremendo, mas o cansaço profundo e os resquícios de um relaxante muscular que tomara para as dores nas costas a mantinham em um limbo entre o despertar e o pesadelo.

Nop aumentou a velocidade. Ele sentia os dentes dela roçarem levemente nele, o que o excitava ainda mais. Ele queria marcar sua presença, queria que ela sentisse, mesmo dormindo, que ele ainda tinha poder sobre ela. Depois de alguns minutos de uma felação forçada e unilateral, ele se retirou, deixando um rastro de saliva no queixo delicado dela.

Ele não estava satisfeito. Ele queria mais.

Sentando-se ao lado dela, ele começou a se esfregar no corpo dela. Passou o membro pelos seios pequenos de Becky, sentindo a textura da seda do pijama e a maciez da pele por baixo. Ele subiu e desceu pelo abdômen reto, pela curva do quadril, gemendo baixo enquanto a cabeça de seu pau roçava na pele alva.

— Acorda, Becky... — ele murmurou, mas sua voz não era um chamado, era um desafio.

Ele a virou de costas, expondo a bunda arredondada e pequena que ele tanto cobiçava. O pijama subiu, revelando a calcinha de renda fina. Sem paciência para preliminares, ele afastou o tecido e se posicionou. Ele entrou nela com um golpe seco, sem lubrificação, sem cuidado.

A dor foi o gatilho que finalmente rompeu o véu do sono de Becky.

— Ah! — O grito dela foi agudo, cortando o silêncio do quarto.

Ela tentou se impulsionar para frente, mas as mãos de Nop a prenderam pelos quadris, cravando as unhas na pele dela. Becky abriu os olhos, a visão turva focando no teto escuro, sentindo a invasão bruta e o peso de Nop sobre suas costas.

— Nop? O que... o que você está fazendo? — A voz dela saiu embargada, trêmula de pavor.

— O que eu deveria ter feito há muito tempo — respondeu ele, ofegante, movendo-se com uma violência que fazia a cama de casal ranger. — Você não pode me ignorar para sempre, Becky.

— Para! Nop, por favor, para! — Ela tentou se virar, mas ele a empurrou de volta contra o colchão, o rosto dela enterrado no travesseiro. — Está doendo! Por favor, para!

— Shhh... relaxa — ele rosnou no ouvido dela, o cheiro de álcool atingindo as narinas de Becky. — Você sabe que gosta. Você sempre gosta quando eu cuido de você.

— Eu não quero! — Becky começou a chorar, soluços convulsivos sacudindo seu corpo pequeno. — Nop, você está me machucando! Sai de cima de mim!

Mas Nop estava em outro lugar. Ele estava perdido no transe de sua própria satisfação. O som do choro dela, em sua mente distorcida, parecia apenas uma parte do jogo, uma resistência que tornava a conquista mais saborosa. Ele continuou a estocar, cada vez mais fundo, ignorando os pedidos de socorro e as mãos dela que tentavam empurrar suas coxas.

— Eu te amo, Becky — dizia ele entre dentes, um contraste bizarro com a agressividade de seus movimentos. — Eu faço isso porque eu te amo. Só eu posso te fazer sentir assim.

— Não é amor! — ela gritou, conseguindo virar o rosto para o lado. — Isso é nojento! Me solta!

Becky sentia-se um objeto. Mais do que qualquer outra vez, ela sentia que sua humanidade havia sido drenada. Ela olhava para a porta do quarto, a poucos metros de distância, mas que parecia estar a quilômetros. O prazer dele era construído sobre o sofrimento dela, e a percepção disso trouxe uma náusea insuportável.

Nop acelerou, os gemidos dele tornando-se mais altos, uma mistura de esforço físico e êxtase egoísta. Ele não via as lágrimas que molhavam o lençol, não sentia o tremor de pavor que percorria os membros de Becky. Ele só via a si mesmo, o grande herói de sua própria tragédia, encontrando alívio no corpo da mulher que ele acreditava possuir.

— Eu... eu estou quase... — ele arquejou, segurando os ombros dela com tanta força que Becky sabia que ficariam hematomas.

Com um último empurrão violento, ele se derramou dentro dela. O corpo de Nop ficou tenso por alguns segundos antes de relaxar completamente sobre as costas de Becky. Ele respirava pesadamente, o suor de seu peito colando na pele dela.

Becky ficou imóvel. Ela não conseguia mais chorar alto; apenas as lágrimas silenciosas continuavam a cair. O silêncio que se seguiu foi o mais pesado de sua vida.

— Viu? — Nop sussurrou, a voz voltando a uma suavidade assustadora. — Agora eu me sinto bem. Eu precisava disso, Becky. Obrigado por estar aqui por mim.

Ele saiu de cima dela, deitando-se ao lado como se nada tivesse acontecido de errado. Ele estendeu a mão para acariciar o cabelo dela, mas Becky se encolheu, rastejando para a borda oposta da cama.

— Não me toca — disse ela, a voz fria e cortante como gelo.

Nop franziu a testa, a irritação voltando a brilhar em seus olhos.

— Qual é o seu problema agora? Eu já disse que te amo. Por que você tem que ser tão difícil?

— Sai daqui — repetiu ela, sentando-se e puxando o pijama para baixo, tentando cobrir sua nudez violada. — Sai do meu apartamento, Nop. Agora.

— Becky, não seja dramática. Foi só sexo. Você estava dormindo, eu só quis te dar prazer...

— Você me estuprou — disse ela, olhando-o nos olhos pela primeira vez naquela noite.

A palavra pareceu flutuar no ar, pesada e definitiva. Nop recuou, a expressão mudando de confusão para uma indignação defensiva.

— Como você ousa? Eu sou seu namorado! Eu cuido de você! Eu estava mal e você...

— Você não é nada meu — interrompeu ela, levantando-se, apesar da dor entre as pernas. — Se você não sair em um minuto, eu vou ligar para a polícia. E eu juro, Nop, eu não vou ter pena desta vez.

Houve um momento de tensão pura. Nop olhou para ela, vendo a fragilidade do corpo magro, mas também a chama de ódio e determinação que brilhava nos olhos dela. Ele percebeu que a armadilha da pena havia se quebrado. Ele não tinha mais poder sobre ela.

— Você é uma ingrata — resmungou ele, levantando-se e vestindo a calça com pressa. — Depois de tudo o que eu fiz por você. Você vai se arrepender disso. Ninguém vai te amar como eu.

— Eu espero que não — respondeu Becky, mantendo a voz firme até ouvir a porta da frente bater.

No momento em que o som da porta ecoou, as pernas de Becky fraquejaram. Ela caiu de joelhos no chão do quarto, os soluços voltando com uma força devastadora. Ela se abraçou, tentando desesperadamente limpar a sensação do toque dele de sua pele, mas as marcas internas eram muito mais profundas.

Ela rastejou até o banheiro, ligando o chuveiro no máximo. A água quente caiu sobre ela, mas não trazia conforto. Ela se esfregou com força, querendo arrancar a camada de pele que ele havia tocado, querendo lavar a memória de sua voz e de seu peso.

— Nunca mais — sussurrou ela para as paredes de azulejo. — Nunca mais eu vou deixar minha pena ser maior que o meu respeito por mim mesma.

Becky Armstrong, a menina fofa e doce que todos conheciam, morreu naquela noite no tapete do banheiro. No seu lugar, algo mais duro e resiliente começou a se formar. Ela olhou para o próprio reflexo no espelho, o rosto inchado, os lábios ainda marcados pela agressão. Ela sentia a dor física, mas, pela primeira vez em muito tempo, sentia também uma clareza absoluta.

O labirinto da complacência havia acabado. Ela estava perdida, sim, mas agora sabia exatamente de quem precisava fugir. E enquanto a luz da manhã começava a surgir, Becky não se preparou para colocar uma máscara. Ela se preparou para lutar.