Sexo
Soberania e Submissão
A luz da lua, filtrada pelas cortinas pesadas do gabinete, projetava sombras longas e dramáticas sobre o corpo de Regina, que agora jazia vulnerável sobre a superfície fria da mesa de carvalho. O contraste entre o calor da pele de sua mãe e a madeira rígida sob suas costas criava uma sinfonia de sensações que a prefeita não conseguia mais ignorar. Cora, com a calma de quem domina não apenas reinos, mas a própria essência do desejo humano, observava sua criação com um orgulho predatório.
— Você está tremendo, Regina — observou Cora, sua voz soando como um mel venenoso. — É o frio ou é a percepção de que, finalmente, você encontrou alguém capaz de lidar com a força da sua alma?
Regina tentou formular uma resposta, mas o que saiu foi apenas um suspiro entrecortado quando as mãos de Cora, ágeis e experientes, terminaram de remover as últimas barreiras de tecido entre elas. A pele morena de Regina brilhava sob a penumbra, cada curva evidenciada pela tensão do momento.
— Eu... eu nunca pensei que você... — Regina começou, mas sua voz falhou quando Cora se inclinou sobre ela, prendendo seus pulsos acima da cabeça com apenas uma das mãos, enquanto a outra descia lentamente pelo seu abdômen.
— Você nunca pensou que eu a amaria dessa forma? — Cora completou, aproximando os lábios da orelha de Regina. — O amor tem muitas faces, minha querida. O que o mundo chama de carinho, eu chamo de posse. O que eles chamam de devoção, eu chamo de controle. E eu pretendo exercer ambos sobre você.
O toque de Cora não era hesitante. Era a exploração de um território que ela mesma havia ajudado a moldar desde o nascimento de Regina. Seus dedos, finos e poderosos, encontraram a umidade que Regina tentava esconder, e um grito abafado escapou da garganta da prefeita.
— Olhe para mim, Regina — ordenou Cora, a autoridade em sua voz não permitindo desobediência.
Regina abriu os olhos, encontrando o olhar escuro e insondável de sua mãe. Havia uma intensidade ali que queimava mais que qualquer feitiço de fogo.
— Diga-me quem você é — sussurrou Cora, intensificando o movimento de seus dedos, provocando ondas de prazer que faziam Regina arquear as costas contra a mesa.
— Eu sou... a Rainha... — Regina arquejou, as unhas cravando-se na madeira.
— Não — corrigiu Cora, sua voz baixando para um tom quase imperceptível, mas carregado de peso. — Você é minha. Minha filha, minha rainha, minha obra-prima. E esta noite, você é apenas o objeto do meu desejo.
Cora não deu tempo para Regina processar a afirmação. Com um movimento fluido, ela se posicionou entre as pernas da filha, sua presença preenchendo o espaço físico e emocional de forma absoluta. A magia de Cora parecia emanar de seus poros, uma eletricidade estática que fazia os pelos do corpo de Regina se arrepiarem.
— Você passou tanto tempo buscando validação em homens fracos e salvadoras hipócritas — disse Cora, enquanto seus lábios traçavam um caminho de fogo pelo pescoço de Regina. — Robin Hood não podia ver a sua escuridão. Emma Swan tem medo dela. Mas eu? Eu a abraço. Eu a alimentei.
Regina sentiu uma lágrima solitária escorrer pelo canto do olho, não de tristeza, mas de um alívio avassalador. Pela primeira vez em anos, ela não precisava fingir. Não precisava ser a prefeita redimida ou a vilã incompreendida. Sob o toque de Cora, ela era apenas Regina, em toda a sua complexidade e dor.
— Mãe, por favor... — implorou Regina, sem saber exatamente pelo que estava pedindo: se pelo fim do tormento ou pela intensificação do prazer.
— O "por favor" é para que eu pare ou para que eu continue, Regina? — Cora sorriu, um brilho de triunfo nos olhos. — Seja honesta comigo. A honestidade é a única coisa que resta quando as roupas caem.
— Continue — confessou Regina em um sussurro, fechando os olhos e entregando-se totalmente. — Não pare. Nunca pare.
Cora atendeu ao pedido com uma ferocidade que surpreendeu até a si mesma. Ela explorou cada centímetro do corpo de Regina com uma fome que parecia acumulada por séculos. Seus beijos eram marcas de propriedade; seus toques, lições de anatomia e prazer. Ela usou sua língua para traçar as cicatrizes invisíveis que a vida em Storybrooke deixara em Regina, curando-as com a única medicina que conheciam: a intensidade.
O ritmo do gabinete mudou. O silêncio foi substituído pelo som da respiração pesada, pelo atrito da pele contra a pele e pelos gemidos que Regina não conseguia mais conter. Cora a levava ao limite, apenas para puxá-la de volta no último segundo, prolongando a agonia deliciosa da antecipação.
— Veja como você reage a mim — murmurou Cora, observando os espasmos de Regina. — Ninguém mais conhece os seus gatilhos como eu. Eu plantei as sementes da sua paixão, Regina. É justo que eu colha os frutos.
Regina sentia que estava se perdendo, fundindo-se à vontade de sua mãe. A mesa de carvalho, outrora símbolo de seu poder político, agora era o altar de sua submissão. Ela se sentia pequena sob Cora, mas, ao mesmo tempo, sentia-se a mulher mais poderosa do mundo por ser o foco de tamanha atenção.
— Eu senti tanto a sua falta — admitiu Regina, as palavras saindo em meio a um orgasmo que começava a tomar conta de seus sentidos.
Cora a abraçou com força, seus corpos colados, sentindo cada tremor da filha.
— Eu sei, minha querida. Eu sei. E eu nunca mais vou deixar você sentir falta de nada. Eu sou tudo o que você precisa. O mundo lá fora pode tentar nos separar, mas aqui, nesta sala, sob a minha mão, você está segura.
Quando o clímax finalmente atingiu Regina, foi como uma explosão de luz negra em sua mente. Ela gritou o nome de Cora, um som que carregava anos de ressentimento, amor, ódio e, finalmente, aceitação. Cora a segurou durante todo o processo, sussurrando palavras de encorajamento e posse, garantindo que Regina soubesse que não estava sozinha no abismo.
Minutos depois, o silêncio retornou ao gabinete, mas era um silêncio diferente. Estava carregado com o peso da nova realidade. Cora ajudou Regina a se sentar, afastando os fios de cabelo suados do rosto da filha com uma ternura que poucos teriam acreditado que a Rainha de Copas possuía.
— Você está bem? — perguntou Cora, sua voz agora suave, quase maternal, se não fosse pelo brilho de luxúria que ainda restava em seus olhos.
Regina assentiu, encostando a testa no ombro de Cora.
— Eu me sinto... completa. Pela primeira vez em muito tempo.
— Isso é porque você voltou para casa, Regina — disse Cora, beijando-lhe o topo da cabeça. — Não uma casa feita de tijolos e argamassa, mas a casa que é o nosso sangue.
Regina olhou para a mãe, vendo a mulher que a havia atormentado e moldado. Ela sabia que o relacionamento delas era tóxico para os padrões de qualquer outra pessoa em Storybrooke. Sabia que Mary Margaret desmaiaria de horror e que Emma Swan tentaria "salvá-la". Mas, enquanto olhava para Cora, Regina percebeu que não queria ser salva. Ela queria ser compreendida. E só Cora Mills era capaz de olhar para o monstro dentro dela e chamá-lo de belo.
— O que acontece agora? — perguntou Regina, sua voz recuperando um pouco da firmeza habitual.
Cora levantou-se, arrumando seu próprio vestido com uma elegância impecável, como se nada tivesse acontecido, exceto pelo leve rubor em suas faces.
— Agora, nós governamos — declarou Cora. — De dia, você continuará sendo a prefeita que eles temem e respeitam. E à noite... à noite você voltará para mim. Vamos recuperar cada segundo que o destino nos roubou.
Regina levantou-se também, sentindo a fraqueza nas pernas, mas uma força renovada no espírito. Ela começou a se vestir, observada pelo olhar vigilante de Cora.
— Eles vão notar — disse Regina. — Emma tem um instinto para o que ela chama de "vibrações de vilã".
Cora soltou uma risada curta e melodiosa.
— Deixe que notem. Deixe que especulem. Eles não têm poder sobre nós, Regina. Enquanto estivermos juntas, Storybrooke é apenas um tabuleiro de xadrez, e nós somos as únicas jogadoras que importam.
Regina terminou de abotoar seu blazer e parou em frente ao espelho, ajustando a gola. Ela viu seu reflexo, mas viu também o reflexo de Cora logo atrás dela, uma presença constante e dominante.
— Você realmente me ama, mãe? — A pergunta saiu antes que Regina pudesse contê-la. Era a dúvida de uma criança de cinco anos escondida no corpo de uma mulher poderosa.
Cora caminhou até ela e colocou as mãos em seus ombros, olhando para o reflexo de Regina no espelho.
— Eu a amo da única maneira que sei amar, Regina. Com uma intensidade que consome tudo o que toca. Eu a amo tanto que destruiria este mundo inteiro apenas para ver você sorrir, e depois o reconstruiria sob seus pés para que você tivesse onde caminhar. Se isso não for amor, então o amor não existe.
Regina sorriu, um sorriso genuíno e sombrio.
— Então, que o mundo se prepare — disse Regina.
— Exatamente — concordou Cora, inclinando-se para dar um último beijo casto, mas carregado de promessa, na bochecha da filha. — Agora, vá para casa. Durma. Amanhã começamos o nosso verdadeiro reinado.
Regina saiu do gabinete com um passo mais leve e, ao mesmo tempo, mais decidido. A névoa de Storybrooke ainda estava lá fora, mas não parecia mais uma ameaça. Era apenas um véu, escondendo o segredo mais obscuro e poderoso da cidade.
Enquanto caminhava em direção à sua mansão, Regina sentia o calor do toque de Cora ainda gravado em sua pele. Ela sabia que o caminho à frente seria perigoso e que a moralidade de Storybrooke se voltaria contra elas se a verdade viesse à tona. Mas, pela primeira vez, Regina Mills não se importava. Ela tinha sua mãe de volta. Tinha o amor que sempre desejou, em sua forma mais crua e absoluta.
Dentro do gabinete, Cora Mills observava a filha partir através da janela. Ela tocou os próprios lábios, sentindo o gosto de Regina. Um sorriso de satisfação cruzou seu rosto. Ela recuperara seu coração, sim, e com ele, a peça final de seu quebra-cabeça de poder. Regina era sua, de corpo e alma, e Cora não permitiria que nada, nem ninguém, mudasse isso.
O tempo perdido estava sendo recuperado, minuto a minuto, toque a toque. E em Storybrooke, a rainha e sua criadora estavam prestes a mostrar que o sangue Mills era, de fato, a magia mais poderosa de todas.