Sexo
Herança de Sangue e Solo
A mansão na 108 Mifflin Street nunca pareceu tão viva, embora o silêncio que emanava de suas paredes sugerisse o contrário para quem passava do lado de fora. Para Regina, cada corredor agora pulsava com a presença magnética de Cora. Não era mais apenas uma casa; era um santuário de segredos compartilhados e de uma intimidade que desafiava as leis da natureza e da moralidade de Storybrooke.
Naquela manhã, o café da manhã foi servido com uma precisão cirúrgica. Henry estava sentado à mesa, alheio à tempestade sensorial que envolvia as duas mulheres à sua frente. Cora, vestida com um conjunto de seda bordô que realçava sua beleza atemporal, observava o neto com um olhar que misturava cálculo e uma afeição possessiva.
— Henry, querido — começou Cora, sua voz suave como veludo —, notei que você tem passado muito tempo sozinho com aquele livro. Um príncipe, mesmo um moderno, precisa de orientação. Regina tem muitas responsabilidades na prefeitura, e agora que estou aqui, pretendo assumir um papel mais ativo na sua educação.
Regina, que levava a xícara de café aos lábios, parou o movimento no ar. Ela olhou para a mãe, captando o brilho de autoridade nos olhos dela. Cora não estava pedindo permissão; ela estava reivindicando seu lugar na hierarquia daquela família.
— O que quer dizer com isso, vovó? — perguntou Henry, curioso, mas cauteloso.
— Quero dizer que você precisa de uma figura de autoridade que não se perca em sentimentalismos — Cora estendeu a mão e tocou o ombro do menino, um gesto que parecia tanto um carinho quanto uma marcação de território. — Alguém que o ensine a verdadeira natureza do poder. Sua mãe fez um trabalho admirável, mas eu estou aqui para preencher as lacunas que a ausência de um... guia forte deixou.
Regina sentiu um calafrio. Cora estava assumindo o papel que, tecnicamente, pertenceria a um pai ou a um mentor soberano. Ela estava consolidando o núcleo familiar em torno de si mesma.
— Henry, vá se preparar para a escola — disse Regina, a voz um pouco mais rouca do que o normal. — A vovó e eu temos assuntos a tratar.
Assim que o menino subiu as escadas, o silêncio na sala de jantar tornou-se denso, carregado de uma eletricidade que apenas as mulheres Mills compreendiam. Cora levantou-se e caminhou lentamente até a cabeceira da mesa, onde Regina permanecia sentada.
— Você está fazendo dele um Mills completo — sussurrou Regina, sentindo a aproximação da mãe.
— Estou garantindo o nosso legado, Regina — Cora inclinou-se, suas mãos descendo para os ombros da filha, apertando-os com firmeza. — E para garantir o futuro, precisamos fortalecer o presente.
Sem aviso, Cora puxou a cadeira de Regina para trás e forçou a filha a se levantar. O contato visual era uma batalha que Regina já sabia que perderia. Cora a conduziu para fora da sala de jantar, mas não em direção à porta de saída. Elas subiram as escadas, mas pararam no meio do caminho, no patamar de mármore que oferecia uma visão ampla da entrada da casa.
— Aqui — ordenou Cora, pressionando Regina contra o corrimão esculpido. — Quero que você sinta cada centímetro desta casa como se fosse uma extensão do meu corpo.
— Mãe, Henry ainda está lá em cima... — Regina protestou fracamente, embora seu corpo já estivesse respondendo ao comando de Cora.
— Ele não sairá do quarto até que eu permita — declarou Cora, sua magia selando silenciosamente a porta do neto. — Agora, concentre-se no que realmente importa.
Cora começou a desabotoar a blusa de seda de Regina ali mesmo, no patamar. Seus dedos eram ágeis, desfazendo as casas com uma urgência controlada. Quando a pele morena de Regina foi exposta ao ar fresco do corredor, Cora não perdeu tempo. Ela atacou o pescoço da filha com beijos vorazes, deixando marcas que nenhum corretivo no mundo seria capaz de esconder totalmente.
— Você é tão perfeita, Regina — murmurou Cora contra a pele quente. — Às vezes, me pergunto se uma única vida é suficiente para explorar tudo o que eu criei em você.
O desejo de Regina explodiu em um gemido abafado. Ela agarrou os cabelos de Cora, puxando-a para mais perto, sentindo a fricção de seus corpos através das roupas finas. Cora a girou, pressionando-a de costas para o corrimão, deixando Regina pendurada sobre o vazio do hall de entrada.
— Imagine se eu decidisse ir mais longe — sussurrou Cora, sua mão descendo perigosamente para a intimidade de Regina. — Imagine se eu decidisse que Henry não é o único herdeiro que esta linhagem deve ter.
Regina arregalou os olhos, a respiração parando nos pulmões.
— O que você está dizendo?
— A magia pode fazer coisas maravilhosas, minha querida — Cora sorriu, um sorriso predatório que prometia o impossível. — Eu poderia engravidar você, Regina. Poderíamos criar um ser puramente nosso, sem a interferência de sangues fracos ou homens insignificantes. Um filho da nossa própria essência.
A ideia era absurda, proibida e, para o âmago sombrio de Regina, terrivelmente excitante. A possibilidade de carregar um fruto daquela união distorcida fez seu ventre contrair-se em um espasmo de luxúria pura.
— Você... você faria isso? — arquejou Regina.
— Eu faria qualquer coisa para garantir que você nunca olhe para outro lugar em busca de completude — respondeu Cora, antes de silenciar a filha com um beijo que tinha o gosto de promessa e possessão.
Ali mesmo, no patamar, Cora a possuiu com uma autoridade renovada. O prazer era uma faca de dois gumes, cortando as defesas de Regina e deixando-a em carne viva. Mas Cora não parou por ali. Como se quisesse marcar cada território da mansão, ela levou Regina para a biblioteca.
Entre as estantes de livros antigos e o cheiro de pergaminho, Cora a deitou sobre a mesa de leitura. O contraste da madeira fria com o calor frenético de seus corpos fazia Regina delirar. Cora usava as mãos, a língua e sua própria magia para elevar Regina a patamares de êxtase que beiravam a agonia.
— Diga que você quer — exigiu Cora, enquanto explorava a umidade profunda da filha. — Diga que você quer ser preenchida por mim, em todos os sentidos.
— Eu quero! — gritou Regina, as mãos agarrando as lombadas dos livros, derrubando alguns no chão. — Eu sou sua, faça o que quiser!
Cora riu, uma risada triunfante que ecoou pela biblioteca. Ela não tinha pressa. Cada cômodo daquela casa deveria testemunhar a rendição da Rainha Má. Elas se moveram para a sala de estar, onde o tapete persa tornou-se o cenário de uma dança de corpos entrelaçados sob a luz que entrava pelas grandes janelas. Regina estava exausta, mas a fome de Cora era insaciável, e sua própria necessidade de ser dominada pela mãe a mantinha acordada, alerta, vibrando.
— Ninguém nunca amou você assim — afirmava Cora, enquanto seus dedos traçavam caminhos de fogo pelas coxas de Regina. — Ninguém nunca saberá como é possuir a rainha em seu estado mais puro.
Finalmente, elas chegaram ao quarto principal. O santuário de Regina. Cora a jogou na cama king-size, subindo sobre ela com a graça de uma pantera. O sol já estava alto no céu, mas para elas, o tempo havia parado.
— Henry já foi para a escola — comentou Cora, sua voz voltando ao tom calmo, embora seus olhos ainda estivessem nublados pelo desejo. — Eu usei um pouco de magia para fazê-lo sair sem nos interromper. Agora, temos o dia inteiro.
Regina puxou a mãe para baixo, escondendo o rosto em seu pescoço.
— Você é um monstro, mãe.
— Eu sou o monstro que você ama — corrigiu Cora, rolando para o lado e puxando Regina para o seu peito. — E você é a criatura que eu nunca vou deixar escapar.
Regina sentiu o coração de Cora batendo contra o seu. O silêncio da mansão agora era preenchido pela respiração pesada das duas. O pensamento da promessa de Cora — de um filho nascido da magia e do sangue delas — ainda ecoava na mente de Regina como um mantra proibido.
— Você falou sério? Sobre o bebê? — perguntou Regina em um sussurro, a vulnerabilidade voltando a transparecer.
Cora acariciou os cabelos negros da filha, olhando para o teto com um sorriso enigmático.
— A magia sempre tem um preço, Regina. Mas para nós, o preço é apenas a nossa própria entrega. Se você desejar tanto quanto eu, faremos acontecer. Imagine... uma garotinha com os seus olhos e a minha determinação.
Regina fechou os olhos, permitindo-se visualizar a cena. Era uma loucura, uma abominação aos olhos de qualquer pessoa "boa" em Storybrooke. Mas ali, nos braços de Cora, a loucura parecia a única sanidade possível.
— Eu quero tudo o que você puder me dar — confessou Regina.
— E eu darei — prometeu Cora. — Mas primeiro, deixe-me mostrar mais uma vez por que você não precisa de mais ninguém neste mundo.
Cora recomeçou, seus toques agora mais lentos, mais profundos, como se estivesse tatuando sua vontade na alma de Regina. A manhã transformou-se em tarde, e a mansão Mills continuou a ser o palco de uma união que desafiava o destino. Regina entregava-se repetidamente, descobrindo que, sob o comando de Cora, ela não estava apenas perdendo sua liberdade; ela estava encontrando uma forma de soberania que nunca conhecera.
Ao final do dia, exaustas e entrelaçadas nos lençóis de seda, elas eram a imagem da vitória. Cora Mills havia retornado não apenas para Storybrooke, mas para o centro da vida de sua filha, ocupando todos os espaços, todas as funções, todos os desejos.
— Durma agora, minha pequena rainha — sussurrou Cora, beijando a testa de Regina. — Amanhã, continuaremos a construir o nosso império. E Henry verá o que significa ter uma família de verdade.
Regina adormeceu com um sorriso nos lábios, sentindo-se, pela primeira vez em sua existência, verdadeiramente protegida. O mundo lá fora poderia tentar julgá-las, mas dentro daquelas paredes, a linhagem Mills era absoluta. E o amor de Cora, em toda a sua possessividade e escuridão, era a única coroa que Regina desejava carregar.