Sexo sexo
O Labirinto de Couro e Silêncio
O silêncio nos dormitórios do Stray Kids nunca foi tão ensurdecedor quanto nos dias que se seguiram àquela noite na van. Para Bang Chan, o mundo parecia ter mudado de eixo; a negação que ele sustentara por tanto tempo ruiu, deixando em seu lugar uma possessividade crua e uma necessidade constante de ter Seungmin sob seu campo de visão. No entanto, para Seungmin, o silêncio de Chan era interpretado de forma bem diferente. O mais novo, mergulhado em sua própria insegurança e naquela fase rebelde de descoberta, convenceu-se de que o que aconteceu foi apenas uma válvula de escape para o estresse do líder. Um erro movido a álcool e testosterona.
Seungmin sentia-se descartado. Chan não o procurava para conversar sobre "eles", apenas lançava olhares intensos e sombrios durante os ensaios. Aquilo feriu o orgulho de Seungmin. Se era para ser apenas sexo, ele mostraria que também sabia jogar esse jogo. Ele decidiu que, se Chan queria ignorar o que sentia, ele daria ao líder motivos reais para enlouquecer.
A oportunidade surgiu em uma festa pós-premiação. Seungmin estava impecável, usando uma camisa de seda preta levemente aberta. Ele se certificou de estar sempre perto de outros idols, rindo alto, tocando nos braços de conhecidos do setor e, o mais perigoso de tudo, aceitando bebidas de um solista que ele sabia que Chan detestava.
Do outro lado do salão, Bang Chan segurava um copo de uísque com tanta força que os nós de seus dedos estavam brancos. Ele não estava com nenhuma mulher naquela noite. Ele não conseguia. Seus olhos eram como lasers focados em cada movimento de Seungmin. Ele viu quando o solista aproximou o rosto do de Seungmin, e viu quando Seungmin, em um ato de pura provocação, olhou diretamente para Chan antes de morder o lábio inferior e rir de algo que o outro homem disse.
Foi o suficiente. A fera que Chan tentava manter enjaulada quebrou as grades.
Ele não fez cena. Bang Chan era um líder por um motivo; ele sabia como ser discreto e letal. Ele se aproximou de Seungmin, o rosto uma máscara de calma gélida que enviou calafrios pela espinha do mais novo.
— Seungmin — a voz de Chan era um sussurro perigoso. — O carro está esperando. Vamos embora agora.
— Mas a festa mal começou, Hyung — Seungmin retrucou, a voz carregada de uma falsa audácia. — O Minho-ssi estava me contando sobre...
— Eu não perguntei — Chan o cortou, segurando o braço de Seungmin. O aperto não foi bruto como da última vez, mas era inegociável. — Agora.
O trajeto até o estúdio privado de Chan — um lugar isolado onde ninguém os interromperia — foi feito em um silêncio cortante. Seungmin tentou manter a postura de indiferença, mas o modo como Chan respirava, pesado e rítmico, o deixava em alerta. Assim que entraram e a porta foi trancada, Seungmin se virou, pronto para disparar mais uma farpa ácida.
— Você não pode simplesmente me tirar de lá como se eu fosse...
— Como se você fosse o quê, Seungmin? — Chan o interrompeu, jogando a chave sobre a mesa. — Meu? Porque é exatamente isso que você é. E você tentou me provocar a noite toda. Você quer atenção? Você quer ser punido por ser um pirralho malcriado?
— Eu não sou seu objeto, Chan! — Seungmin gritou, o peito arfando. — Você me fode e depois age como se eu nem existisse! Eu cansei de esperar você decidir se é hétero ou não enquanto eu fico aqui feito um idiota!
Chan soltou uma risada sombria, caminhando até um armário nos fundos do estúdio que Seungmin nunca vira aberto.
— Você acha que foi "apenas sexo"? — Chan tirou um estojo de couro preto de dentro do armário. — Eu passei as últimas noites sem dormir pensando em como eu ia te marcar de um jeito que você nunca mais olharia para outro homem. Você quer brincar de ser rebelde, Seungmin? Ótimo. Vamos jogar pelas minhas regras agora.
Seungmin sentiu o sangue fugir do rosto quando viu o conteúdo do estojo: cordas de shibari de seda vermelha, um arnês de couro preto, uma mordaça de bola de silicone e um plug anal com uma cauda de cachorro felpuda e macia.
— Hyung... o que é isso? — a voz de Seungmin falhou.
— Isso é o que acontece quando você tenta me fazer ciúmes — Chan disse, aproximando-se com a corda em mãos. — Tire a roupa. Tudo.
— Não...
— Não me faça repetir — o comando de Chan foi absoluto.
Tremendo, metade por medo e metade por uma excitação proibida que ele não conseguia conter, Seungmin se despiu. Sob a luz fria do estúdio, sua pele parecia porcelana. Chan o observou com a fome de um predador antes de começar a trabalhar.
Com uma habilidade que Seungmin não sabia que o líder possuía, Chan começou a amarrá-lo. As cordas vermelhas apertavam sua pele, forçando seus ombros para trás e expondo seu peito. Chan não era gentil; ele puxava os nós com firmeza, garantindo que Seungmin sentisse cada restrição. Em seguida, ele afivelou o arnês de couro sobre o peito de Seungmin, as tiras pretas destacando os mamilos eretos do mais novo.
— Você gosta de chamar atenção, não gosta? — Chan sussurrou, passando os dedos pelo pescoço de Seungmin antes de prender uma coleira de couro pesado com um anel de metal na frente. — Agora você parece exatamente o que é. Meu cachorrinho.
Seungmin tentou protestar, mas Chan rapidamente colocou a mordaça de bola em sua boca, prendendo as tiras atrás de sua cabeça. Seungmin só conseguia emitir sons abafados e gemidos frustrados.
— Shh... — Chan o pegou pelo queixo. — Cachorrinhos não falam. Eles apenas obedecem.
Chan o forçou a ficar de joelhos. O contraste entre a vulnerabilidade de Seungmin, amarrado e amordaçado, e a figura dominante de Chan, ainda vestido com seu terno caro, era avassalador. Chan pegou o plug com a cauda de cachorrinho, lubrificando-o lentamente enquanto Seungmin arregalava os olhos.
— Você estava tão ansioso para se exibir para aquele cara, não estava? — Chan posicionou a ponta do plug na entrada de Seungmin. — Vamos ver como você se exibe com isso preenchendo você.
Chan empurrou o plug de uma vez. Seungmin arqueou as costas, um gemido agudo morrendo na mordaça enquanto suas lágrimas de prazer e choque começavam a cair. A sensação de estar cheio, somada à humilhação erótica da cauda balançando entre suas coxas, fez seu corpo tremer violentamente.
— Olhe para mim, Seungmin — Chan ordenou, segurando a coleira e puxando a cabeça dele para cima. — Quem é o seu dono?
Seungmin tentou falar, mas apenas um som lamurioso saiu. Ele assentiu freneticamente, seus olhos implorando por mais.
Chan não o poupou. Ele começou a usar os dedos para estimular os mamilos de Seungmin através do arnês, enquanto a outra mão descia para o membro do mais novo, que já estava vazando fluido pré-ejaculatório. O prazer era sobrecarregado. As cordas impediam que Seungmin se movesse para aliviar a tensão, deixando-o à mercê total de Chan.
— Você foi um garoto muito malvado hoje — Chan disse, a voz rouca de desejo. — E garotos malvados precisam ser usados até não conseguirem mais pensar.
Chan desabotoou a própria calça, libertando-se. Ele não tirou o plug de Seungmin imediatamente; em vez disso, ele o virou de costas, deixando a visão da cauda de cachorro balançando ser seu combustível. Ele retirou o brinquedo com um puxão ríspido, ouvindo o estalo da sucção e o gemido abafado de Seungmin, para logo em seguida substituí-lo por si mesmo.
A entrada foi bruta, possessiva. Chan não queria apenas prazer; ele queria marcar território. Ele segurava a coleira de Seungmin com uma mão, usando-a para controlar o ritmo, enquanto a outra mão apertava as cordas que prendiam os braços do mais novo.
— Você é meu! — Chan rosnou entre dentes, cada estocada fazendo o corpo de Seungmin colidir contra o dele. — Diga que é meu!
Seungmin balançava a cabeça, o som de sua respiração pesada e os gemidos contra a mordaça preenchendo a sala. Ele estava atingindo o limite. O uso do BDSM pesado despertara nele uma submissão que ele nunca soube que possuía. Ele amava o peso das cordas, a restrição da mordaça, e acima de tudo, a autoridade absoluta de Chan sobre seu corpo.
Ele gozou primeiro, sem que ninguém tocasse em seu membro, apenas pela fricção interna e pela intensidade psicológica da cena. O sêmen espirrou contra o chão de madeira do estúdio, e Seungmin sentiu suas pernas fraquejarem. Mas Chan não o deixou cair. Ele o segurou firmemente pela coleira e pelo arnês, continuando o movimento rítmico e impiedoso.
— Eu não terminei com você — Chan sussurrou no ouvido dele, mordendo o lóbulo sensível.
Chan o levou ao ápice mais três vezes naquela noite, mudando as amarras, suspendendo-o levemente pelas cordas para que Seungmin ficasse na ponta dos pés, vulnerável a cada investida. Na quinta vez que Seungmin sentiu o prazer inundar seu sistema, ele estava completamente desfeito. Sua mente era um borrão de dor, prazer e adoração por Chan.
Quando Chan finalmente atingiu seu próprio orgasmo, ele desabou sobre as costas de Seungmin, mantendo-os unidos por longos minutos enquanto recuperavam o fôlego. O silêncio que se seguiu não era mais frio; era carregado de uma compreensão mútua.
Lentamente, Chan começou a desamarrar os nós. Ele removeu a mordaça com cuidado, limpando o canto da boca de Seungmin com o polegar. O mais novo estava trêmulo, a pele marcada pelas cordas vermelhas, o corpo coberto de suor e fluidos. Ele parecia uma obra de arte da luxúria.
— Hyung... — a voz de Seungmin saiu como um sopro, rouca e quebrada.
— Eu sinto muito por ter te ignorado — Chan disse, puxando-o para um abraço apertado, ainda no chão. — Eu estava com medo. Mas ver você com aqueles caras... eu quase perdi a cabeça. Eu não posso te perder, Seungmin. Nunca.
Seungmin enterrou o rosto no pescoço de Chan, as lágrimas finalmente caindo livremente.
— Eu te amo, seu idiota — Seungmin soluçou. — Eu só queria que você me visse.
— Eu vejo você — Chan beijou sua testa, apertando-o contra o peito. — Eu vejo tudo agora. E eu nunca mais vou deixar você esquecer a quem você pertence.
Ali, entre restos de cordas e o cheiro de couro, a fachada de Bang Chan caiu definitivamente. Ele não era apenas o líder, e ele certamente não era hétero. Ele era o homem de Seungmin, e Seungmin era o seu porto seguro, seu "cachorrinho" e seu amor. A negação tinha dado lugar a uma verdade crua e intensa, selada com marcas que o tempo levaria para apagar, mas que a alma de ambos jamais esqueceria.