Sexo virtual
Sinfonia de Pele e Pixels
A luz azulada do monitor era a única testemunha da urgência que consumia Min Yoongi. Ele já não aguentava mais apenas olhar; a visão de Maria Clara do outro lado da tela, com os cabelos levemente bagunçados e o decote da camisola de seda deslizando pelo ombro, era um tipo de tortura refinada que ele mesmo havia aceitado infligir-se. O desejo era uma nota aguda e persistente, vibrando em cada centímetro de seu corpo.
— Você não tem ideia do que está fazendo comigo — murmurou Yoongi, sua voz baixando para um tom perigosamente rouco que fez Maria estremecer do outro lado do mundo.
— Eu tenho uma pequena ideia... — Maria respondeu, sua voz um sussurro carregado de intenção. Ela deslizou as mãos pelas próprias coxas, subindo lentamente até a barra da camisola. — Porque eu sinto a mesma coisa. O frio desse quarto não chega nem perto do calor que eu sinto quando você me olha assim.
Yoongi soltou um suspiro pesado, os dedos longos e pálidos puxando o cordão de sua calça de moletom. Ele se ajeitou na cadeira, aproximando-se da câmera, querendo capturar cada microexpressão dela.
— Tire — ordenou ele, o tom autoritário mascarando a vulnerabilidade de sua necessidade. — Quero ver cada centímetro de você. Quero imaginar que minha mão é que está deslizando por essa pele.
Maria obedeceu lentamente, mantendo os olhos fixos nos dele através da lente. A seda deslizou por seu corpo como uma carícia líquida, revelando-a por completo. Yoongi travou o maxilar, a respiração tornando-se curta. Ele começou a se tocar, seus dedos envolvendo-se com firmeza, enquanto observava Maria fazer o mesmo.
— Yoongi... — ela arqueou as costas quando seus próprios dedos encontraram o centro de seu desejo. — Eu queria que fosse você. Queria sentir o peso do seu corpo, o gosto do seu beijo.
— Fecha os olhos, Maria — ele instruiu, sua voz sendo o único fio que os conectava. — Fecha os olhos e me escuta. Eu estou aí. Eu estou atrás de você, sussurrando no seu ouvido o quanto você é linda. Minhas mãos estão na sua cintura, puxando você contra mim até que não sobre espaço nenhum.
Maria fechou os olhos, a respiração ofegante ritmada pelas palavras dele. Yoongi intensificou o movimento de sua mão, a fricção gerando um calor que parecia transcender a fibra óptica. Ele a via se tocar, os dedos dela movendo-se com uma urgência que espelhava a sua.
— Eu sinto você — ela gemeu, a cabeça tombando para trás. — Eu sinto seus lábios no meu pescoço, Yoongi.
— Isso... — ele sibilou, os olhos escuros e dilatados. — Não para. Olha para mim agora. Quero ver seus olhos quando você chegar lá.
O ritmo aumentou. O som da respiração pesada de Yoongi e os gemidos contidos de Maria preenchiam o silêncio de seus respectivos quartos. Era uma dança de sombras e luzes, onde a distância física era combatida pela entrega absoluta. Yoongi estava no limite, a tensão em seus músculos era quase dolorosa, o prazer subindo por sua espinha como uma descarga elétrica.
— Maria, agora... — ele disse, a voz falhando.
Maria Clara apertou os olhos, o corpo retesando-se enquanto as primeiras ondas do clímax a atingiam. Ela chamou o nome dele, um grito abafado que ecoou nos fones de ouvido de Yoongi como a melodia mais perfeita que ele já ouvira. Vê-la daquele jeito, entregue e vulnerável, foi o gatilho final. Yoongi soltou um rosnado baixo, o corpo tremendo enquanto ele se perdia no próprio prazer, a mente preenchida inteiramente pela imagem dela, pelo som dela, pelo desejo devorador de tê-la em seus braços.
O silêncio que se seguiu foi preenchido apenas pelo som de duas respirações tentando recuperar o compasso.
Yoongi encostou a cabeça no encosto da cadeira, os olhos fechados, sentindo o coração martelar contra as costelas. Ele sentia o suor esfriando em sua testa e uma lassidão deliciosa, mas acompanhada daquela pontada inevitável de solidão que sempre vinha após o sexo virtual. Ele abriu os olhos e viu Maria na tela, ela havia puxado um lençol para se cobrir parcialmente, as bochechas coradas e o olhar brilhante de uma forma que só ele conhecia.
— Você está bem? — ela perguntou baixinho, um sorriso tímido surgindo em seus lábios.
Yoongi soltou uma risada curta, meio seca, meio divertida, enquanto limpava as mãos com um lenço descartável que mantinha por perto.
— "Bem" é pouco para descrever — ele respondeu, voltando a se sentar de forma mais composta, embora o cabelo estivesse uma bagunça completa. — Mas eu me sinto um idiota por estar falando com uma tela enquanto tudo o que eu queria era estar deitado em cima de você agora, sentindo seu coração bater contra o meu.
— Eu sei — Maria suspirou, ajeitando o travesseiro atrás de si. — O pós é sempre a parte mais difícil. A adrenalina baixa e a realidade volta.
Yoongi ficou em silêncio por um momento, observando-a. Ele esticou a mão e tocou a tela, bem onde o rosto dela estava projetado. Sua expressão suavizou, perdendo a intensidade agressiva do desejo e sendo substituída por uma ternura profunda que ele raramente mostrava ao mundo.
— O que você está pensando? — ela perguntou, inclinando a cabeça como se pudesse sentir o toque dele através do vidro e do metal.
— Que eu odeio cada quilômetro que nos separa — ele admitiu com uma honestidade brutal. — Eu odeio que eu tenha que te ver em pixels. Mas, ao mesmo tempo... eu sou tão grato por você estar aqui, Maria. Mesmo que seja assim.
Ele se levantou por um momento, saindo do campo de visão da câmera, e voltou com uma garrafa de água. Bebeu metade dela de uma vez, o pomo de adão movendo-se ritmicamente. Maria o observava com adoração, amando cada pequena faceta daquele homem que o resto do mundo via como uma estrela inalcançável, mas que para ela era apenas o seu Yoongi.
— Você vai conseguir dormir agora? — ela questionou, vendo que ele parecia mais relaxado.
— Talvez — ele deu de ombros, um meio sorriso brincando em seus lábios. — Ou talvez eu passe o resto da noite compondo algo sobre como é possível sentir o cheiro de alguém através de uma chamada de vídeo de 4K.
— Você sente meu cheiro? — ela riu, os olhos brilhando.
— Minha mente cria — ele respondeu seriamente. — Baunilha e aquele hidratante de rosas que você usa. Eu fecho os olhos e o meu cérebro preenche as lacunas. É uma forma de sobrevivência, eu acho.
Maria sentiu os olhos marejarem, mas sorriu para não deixar a tristeza se instalar.
— Só faltam quarenta e oito horas, Yoongi. Quando você chegar, eu prometo que não vai precisar imaginar nada.
Yoongi soltou um suspiro longo, recostando-se novamente. Ele parecia estar processando a intensidade do que acabara de acontecer. Para ele, o sexo nunca fora apenas um ato físico, e com Maria, a conexão emocional tornava tudo mil vezes mais potente, mesmo à distância. Ele se sentia exposto, mas de uma maneira boa.
— Maria Clara? — ele chamou, sua voz voltando a ter aquele tom aveludado.
— Sim?
— Não se cubra tanto — ele pediu, com um brilho possessivo e doce nos olhos. — Deixa eu te ver só mais um pouco antes de você dormir. Quero levar essa imagem comigo para os meus sonhos.
Ela obedeceu, deixando o lençol cair um pouco mais, revelando a curva de seus ombros e o início dos seios. Eles ficaram ali, em silêncio, apenas se olhando. Não precisavam de mais palavras. A tecnologia era fria, mas o que fluía entre eles era puro fogo e sentimento.
Yoongi começou a cantarolar baixinho, uma melodia improvisada, sem letra, apenas uma sequência de notas suaves que pareciam ninar a distância. Ele via os olhos de Maria começarem a pesar, o cansaço do dia e o relaxamento pós-clímax finalmente vencendo-a.
— Durma, Maria — ele sussurrou. — Eu vou ficar aqui. Vou desligar a luz, mas vou deixar a tela ligada. Quando você acordar, se eu ainda estiver acordado, vou ser a primeira coisa que você vai ver.
— Eu te amo, Yoongi — ela murmurou, já quase entregue ao sono.
— Eu te amo mais do que o silêncio — ele respondeu, uma das maiores declarações que um músico como ele poderia fazer.
Ele observou até que a respiração dela se tornasse profunda e regular. Então, Yoongi esticou-se e apagou a luminária de sua mesa. No escuro de seu quarto em Seul, o brilho do laptop iluminava seu rosto. Ele não foi compor. Ele não foi dormir. Ele apenas ficou ali, guardando o sono da mulher que possuía sua alma, contando os minutos no relógio da parede, cada segundo sendo um passo a menos para o momento em que os pixels finalmente se tornariam realidade.
Sua reação interna era uma mistura de alívio e uma determinação renovada. Ele sempre fora um homem que conseguia controlar quase tudo em sua vida — sua carreira, sua música, sua imagem pública. Mas Maria Clara era a única variável que ele nunca queria controlar, apenas sentir. O sexo virtual fora intenso, sim, mas servira apenas para lembrá-lo de que ele era um homem incompleto sem o toque físico dela.
Ele passou a mão pelo rosto, sentindo a barba por fazer, e sorriu para a tela.
— Dois dias — ele sussurrou para o silêncio do quarto. — Apenas mais dois dias, e eu vou te mostrar que a realidade é muito melhor que qualquer conexão de alta velocidade.
Com um último olhar carinhoso para a imagem adormecida na tela, Yoongi finalmente fechou os olhos, deixando que a presença digital de Maria Clara fosse o seu porto seguro no meio da noite solitária.