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Sexo virtual

Sinfonia de Carne, Silêncio e Promessas

A luz azulada do monitor em Seul e o brilho pálido do laptop em Chicago eram as únicas pontes entre dois mundos que ansiavam por colidir. Yoongi observava Maria Clara através da lente da câmera, e o que ele via era uma obra de arte em movimento. A camisola de seda dela, da cor de um vinho profundo, contrastava com a pele alva que parecia brilhar sob a penumbra do quarto do hotel. Ele sentia a garganta seca, o desejo não era mais apenas uma ideia abstrata ou uma letra de música; era uma dor física, um latejar que exigia atenção.

— Você não tem ideia do que está fazendo comigo — murmurou Yoongi, sua voz baixando para um tom perigosamente rouco, aquele que ele usava apenas quando as defesas do "Agust D" caíam e sobrava apenas o homem, cru e faminto. — Eu passo o dia cercado de gente, de barulho, de música... mas esse silêncio aqui, agora, olhando para você... é o que mais me ensurdece.

Maria Clara sorriu, um sorriso lento e carregado de uma intenção que fez Yoongi apertar o braço da cadeira de couro em seu estúdio. Ela se ajeitou na cama, deixando que a alça da camisola escorregasse propositalmente, revelando a curva suave do ombro.

— Então quebre o silêncio, Yoongi — ela desafiou, a voz saindo como um sussurro que parecia acariciar o rosto dele através da tela. — Diga o que você quer fazer. Se eu não posso sentir suas mãos, quero pelo menos sentir suas palavras.

Yoongi soltou um riso curto, quase um rosnado de frustração, enquanto levava a mão ao pescoço, puxando a gola da camiseta preta. Ele se inclinou para frente, os olhos fixos nos dela, escuros e dilatados.

— Eu quero que você feche os olhos — ordenou ele, o tom baixo e autoritário fazendo Maria estremecer. — Agora. Quero que imagine que eu acabei de abrir a porta desse quarto. Eu não diria nada. Eu apenas caminharia até você, e você sentiria o cheiro do meu perfume misturado ao frio da rua que eu trouxe comigo.

Maria obedeceu, fechando as pálpebras e deixando que a voz dele se tornasse sua única realidade.

— Eu tocaria seu rosto com as pontas dos dedos — continuou Yoongi, sua própria respiração tornando-se pesada. — Sentiria o calor da sua pele contrastando com meus dedos gelados. E então, eu deslizaria minha mão por esse decote que você está me mostrando... eu sentiria seu coração batendo rápido, Maria. Tão rápido quanto o meu está agora.

Do outro lado do mundo, Maria Clara levou a mão ao próprio peito, seguindo o roteiro invisível que ele traçava. O toque de seus próprios dedos parecia carregar a eletricidade da voz de Yoongi.

— Eu tiraria essa seda de você — a voz dele agora era um sussurro sibilado. — Lentamente. Quero ver você se arrepiar. Quero que você coloque as mãos onde eu colocaria. Agora, Maria. Mostre-me o que eu estou perdendo.

Com os olhos entreabertos, nublados pelo desejo, Maria deslizou a camisola para baixo. O tecido escorregou como água, revelando sua nudez para o homem que a observava com uma intensidade devoradora. Yoongi não desviou o olhar nem por um segundo. Ele começou a se tocar por cima do tecido fino de sua calça de moletom, o ritmo de sua mão espelhando a urgência que crescia em seu peito.

— Isso... — ele sibilou, vendo-a morder o lábio inferior enquanto suas próprias mãos exploravam o corpo. — Você é tão linda, Maria. Tão perfeita. Eu quero que você chame meu nome. Quero ouvir como você soa quando está pensando em mim desse jeito.

— Yoongi... — o nome dele saiu como um suspiro quebrado. — Por favor... dói estar tão longe.

— Eu sei que dói — ele respondeu, os movimentos de sua mão tornando-se mais rápidos, mais focados. — Deixe doer. Deixe essa vontade queimar até não sobrar nada além de nós dois. Olha para mim, Maria. Abre os olhos e olha o que você faz comigo.

Ela olhou. Viu o rosto dele transfigurado, a mandíbula travada, os olhos fixos nela com uma adoração possessiva. Ver Yoongi daquela forma, perdendo o controle que ele tanto prezava, foi o gatilho final. O ritmo entre eles tornou-se uma sinfonia frenética de suspiros e movimentos sincronizados pela fibra óptica.

O clímax atingiu Maria primeiro, uma onda de calor que a fez arquear as costas e soltar um grito abafado contra o travesseiro. Segundos depois, Yoongi soltou um gemido profundo, o corpo retesando-se antes de desabar contra o encosto da cadeira, a respiração saindo em espasmos curtos e sonoros.

O silêncio que se seguiu não era mais tenso. Era um silêncio exausto, preenchido apenas pelo som rítmico de dois corações tentando encontrar o caminho de volta ao normal.

Yoongi limpou o suor da testa com as costas da mão, os olhos ainda fixos na tela, onde Maria tentava recuperar o fôlego, puxando o lençol para cobrir o corpo de forma desajeitada. Ele sentia uma lassidão deliciosa, mas havia uma pontada de melancolia que sempre vinha após esses momentos. Ele queria o cheiro dela. Queria o peso do corpo dela sobre o dele.

— Eu disse que seria pior — murmurou ele, a voz agora suave, sem a agressividade do desejo. — Agora eu sinto que meus braços estão vazios demais.

Maria Clara riu baixinho, ajeitando uma mecha de cabelo úmida que grudava em sua bochecha.

— Pelo menos agora você vai conseguir dormir, Yoongi. Você parecia que ia ter um colapso de estresse cinco minutos atrás.

— E eu ia — admitiu ele, recostando-se e fechando os olhos por um momento. — Você é a única coisa que me desestabiliza e me coloca no lugar ao mesmo tempo. É irritante o quanto eu preciso de você.

— Só faltam mais alguns dias — lembrou ela, a voz doce tentando acalmá-lo. — No dia 11, eu vou estar aí. E não vai ter tela, nem lag de conexão, nem fuso horário.

Yoongi abriu os olhos e sorriu. Era aquele sorriso pequeno e gengival que ele reservava apenas para os momentos de intimidade pura.

— No dia 11, eu vou desligar meu celular e o mundo vai ter que aprender a viver sem o Min Yoongi por um tempo — disse ele seriamente. — Porque eu não vou deixar você sair da minha vista.

— O que você vai fazer agora? — perguntou ela, notando que ele parecia mais relaxado.

— Eu deveria ir para o estúdio terminar uma letra — ele suspirou, passando a mão pelo cabelo bagunçado. — Mas acho que vou apenas ficar aqui, olhando para você até meu cérebro entender que você está segura e que logo estará comigo. O que você vai fazer em Chicago hoje?

— Priscila vai sair com uma amiga, e eu acho que vou apenas caminhar um pouco perto do lago — Maria respondeu, aconchegando-se nos travesseiros. — Talvez eu compre aquele vinil de jazz que você mencionou na semana passada. Eu vi uma loja de discos incrível perto daqui.

— Não gaste seu dinheiro comigo, Maria — ele resmungou, embora o brilho em seus olhos dissesse o contrário. — Guarde para as coisas que você quer ver.

— Eu quero ver você feliz, Yoongi. E se um disco raro de jazz te faz sorrir daquele jeito que eu gosto, então é um investimento.

Eles ficaram em silêncio por um longo tempo, apenas observando um ao outro. Era a parte preferida de Yoongi nas chamadas: o pós-tempestade. Onde eles não precisavam provar nada, apenas existir um para o outro. Ele observava as luzes de Chicago refletidas na janela atrás dela, e ela observava os equipamentos de som e os prêmios na estante atrás dele.

— Maria? — chamou ele, quando notou que os olhos dela começavam a pesar.

— Oi?

— Vá descansar. O voo e o fuso estão te vencendo.

— Eu não quero desligar — ela confessou, a voz já arrastada pelo sono.

— Não desligue — disse ele suavemente. — Deixe o laptop ligado na mesa de cabeceira. Eu vou ficar aqui trabalhando em silêncio. Vou ser sua vigia.

— Você promete que não vai virar a noite no estúdio? — ela perguntou, tentando manter os olhos abertos.

— Eu prometo que vou dormir assim que terminar essa melodia que você acabou de colocar na minha cabeça — ele sorriu, pegando um caderno de anotações. — Agora durma. Eu te amo.

— Eu também te amo, Yoongi.

Ele observou enquanto ela se ajeitava, apagava a luz do abajur e mergulhava em um sono profundo. O som da respiração dela, captado pelo microfone, tornou-se o metrônomo perfeito para sua nova composição.

Yoongi pegou sua caneta e começou a escrever. Ele não escreveu sobre a distância ou sobre a dor da saudade. Ele escreveu sobre a luz azulada de uma tela que salvava sua sanidade, sobre o som de um suspiro a milhares de quilômetros de distância e sobre a promessa de um abraço que faria o mundo inteiro parar de girar.

Horas depois, quando o sol começou a nascer em Seul, Yoongi finalmente fechou seu caderno. Ele olhou para a tela uma última vez antes de se levantar. Maria ainda dormia tranquilamente em Chicago. Ele esticou a mão e tocou o monitor, exatamente onde o rosto dela estava posicionado.

— Logo — sussurrou ele para o quarto vazio.

Ele se deitou em sua própria cama, sentindo o silêncio do apartamento de uma forma diferente. Não era mais um silêncio vazio; era um silêncio de expectativa. Ele fechou os olhos e, pela primeira vez em dias, o sono veio rápido, embalado pela certeza de que a contagem regressiva para o fim da saudade já havia começado.

Enquanto isso, em Chicago, Maria Clara sonhava com campos de neve e pianos de cauda, e com um homem de mãos pálidas e coração de fogo que a esperava do outro lado do horizonte. A tecnologia, que muitas vezes parecia fria, havia sido o útero onde o amor deles se fortaleceu, provando que, para corações que batem no mesmo compasso, a distância é apenas um detalhe técnico.