Sexo virtual
Sinfonia de Pixels e o Calor da Saudade
O dia 31 de março de 2022 amanheceu com aquele céu cinzento e característico de Chicago, onde o vento gelado soprava entre os arranha-céus, lembrando a todos por que a cidade tinha aquele apelido. Maria Clara e sua melhor amiga, Priscila, finalmente cruzaram as portas do hotel após uma jornada exaustiva de voos e conexões. O cansaço era visível, mas a adrenalina de estarem em um lugar novo, prontas para dez dias de aventura, mantinha os sorrisos acesos.
— Finalmente, chão firme! — exclamou Priscila, jogando-se na poltrona do lobby enquanto Maria fazia o check-in. — Eu sinto que meus pés ainda estão flutuando a dez mil metros de altura.
— Nem me fale — Maria riu, pegando os cartões do quarto. — Vamos subir, deixar essas malas e comer alguma coisa. Meu estômago está reclamando desde que saímos do aeroporto.
Depois de uma rápida passagem pelo quarto para trocar de roupa e retocar o visual, as duas saíram para explorar os arredores. O almoço foi em um bistrô charmoso no centro, com janelas amplas que permitiam observar o movimento frenético da metrópole. Foi nesse momento que o celular de Maria vibrou sobre a mesa. O visor mostrava o nome que sempre fazia seu coração dar um salto: Yoongi.
— "Acabei de acordar e estou indo ao shopping agora. Vou almoçar fora com os membros hoje, talvez comer algo pesado antes do ensaio. Quando eu voltar para o hotel, te aviso para fazermos nossa chamada de vídeo. Sinto sua falta." — Maria leu em voz alta, com um sorriso bobo que não conseguia esconder.
— Esse homem é um relógio suíço da atenção — comentou Priscila, atacando seu prato. — Manda uma foto do nosso almoço para ele ficar com inveja.
Maria não perdeu tempo. Fotografou o prato de massa artesanal e o copo de vinho, além de uma selfie rápida com o centro de Chicago ao fundo, onde os prédios espelhados refletiam a luz pálida da tarde.
— "Olha o que você está perdendo, Min Yoongi. Chicago é linda, mas o almoço está melhor ainda. Divirta-se com os meninos!" — ela digitou, enviando logo em seguida.
A tarde seguiu leve. Elas caminharam por lojinhas de souvenir, entraram em uma galeria de arte contemporânea onde Maria ficou hipnotizada por uma tela abstrata que lembrava as ondas sonoras de uma música, e terminaram o roteiro em um cinema antigo, assistindo a um filme cult que Priscila estava louca para ver.
Ao saírem do cinema, o frio havia apertado. Priscila olhou para o relógio e depois para Maria.
— Amiga, eu vou encontrar aquela minha colega de faculdade para jantar, lembra? Ela mora aqui perto e insistiu para eu dormir lá hoje. Você vai ficar bem sozinha no hotel?
— Vou sim, Pri. Na verdade — Maria deu um sorriso cúmplice —, eu estou contando os minutos para falar com o Yoongi. O fuso horário dele está batendo com a minha noite agora. Vá tranquila, aproveite o jantar!
Maria voltou para o hotel caminhando rápido, o rosto escondido no cachecol. Ao entrar no quarto, o silêncio era um convite. Ela tomou um banho morno, vestiu uma de suas camisolas de seda favoritas — uma que Yoongi adorava — e preparou o laptop sobre a cama. Não demorou muito para que a notificação de chamada de vídeo surgisse na tela.
Ao aceitar, o rosto pálido e cansado de Yoongi apareceu. Ele já estava de volta ao seu quarto, vestindo uma camiseta branca larga, os cabelos levemente bagunçados.
— Você demorou — disse ele, a voz rouca e profunda ecoando pelos alto-falantes do laptop. — Eu já estava quase indo dormir sem ver seu rosto.
— Chicago me distraiu, mas não tanto quanto você imagina — Maria respondeu, acomodando o laptop entre os travesseiros e deitando-se de bruços. — Como foi o almoço com os meninos?
— Barulhento, como sempre — Yoongi deu um meio sorriso, aquele que apenas ela conseguia extrair. — O Jin não parava de fazer piadas e o Namjoon quase quebrou um copo de cristal. Mas eu só conseguia pensar que queria estar em um restaurante silencioso com você.
O clima na chamada mudou rapidamente. O silêncio que se seguiu não era desconfortável; era carregado de uma tensão elétrica que atravessava os quilômetros de distância. Yoongi observou a maneira como a alça da camisola de Maria escorregava pelo ombro dela, e seus olhos escureceram.
— Maria... — ele chamou, sua voz baixando um tom. — Você tem ideia do quanto é difícil olhar para você por essa tela e não poder tocar sua pele?
— Eu tenho — ela sussurrou, sentindo um calor subir por seu corpo. — Porque eu sinto a mesma coisa. O meu quarto está frio, Yoongi, e eu queria que você estivesse aqui para me aquecer.
Yoongi soltou um suspiro pesado e ajeitou o aparelho para que ela pudesse vê-lo melhor. Ele recostou-se na cabeceira da cama, os dedos longos e pálidos subindo para o próprio pescoço, desabotoando os primeiros botões da calça do pijama.
— Então não me faça esperar — ordenou ele, o tom autoritário mascarando a necessidade. — Quero ver o que você está escondendo sob essa seda.
Com o coração batendo na garganta, Maria posicionou o celular de forma que ele pudesse ver seu corpo. Lentamente, ela deslizou a mão pela própria coxa, subindo até a barra da camisola. Os olhos de Yoongi não saíam da tela; ele parecia devorar cada movimento dela.
— Isso... — ele sibilou, a respiração tornando-se curta. — Agora, fecha os olhos e imagina que é a minha mão, Maria. Imagina que eu estou aí, sentindo o seu calor.
Maria obedeceu. O som da voz dele em seu ouvido era o gatilho perfeito. Ela começou a se tocar, os dedos movendo-se em um ritmo que acompanhava os comandos dele. Do outro lado, Yoongi fazia o mesmo. A imagem dele, entregue ao desejo, era a coisa mais intensa que ela já vira.
— Yoongi, eu... eu quero você — ela gemeu, a cabeça tombando para trás.
— Eu estou aqui, meu amor — ele respondeu, a voz falhando enquanto ele acelerava o próprio ritmo. — Olha para mim. Quero ver o momento em que você se perde por minha causa.
O ápice veio como uma onda avassaladora. Maria chamou o nome dele em um grito abafado, o corpo retesando-se antes de relaxar em um prazer profundo. Segundos depois, ela ouviu o rosnado baixo de Yoongi e o viu fechar os olhos, o rosto transfigurado pelo clímax.
O silêncio que se seguiu foi preenchido apenas pelo som de duas respirações ofegantes tentando recuperar o compasso. Maria puxou o lençol para cobrir o corpo, sentindo as bochechas coradas e o coração ainda martelando.
— Isso foi... — ela começou, mas não encontrou palavras.
— Foi necessário — completou Yoongi, limpando o suor da testa e recostando-se, exausto. — Mas me deixou com ainda mais vontade de pegar o primeiro voo para Chicago.
Eles ficaram ali, observando um ao outro através da luz azulada dos monitores. A adrenalina deu lugar a uma ternura imensa. Yoongi via Maria bocejar, o cansaço da viagem finalmente cobrando seu preço.
— Vá dormir, Maria Clara — disse ele suavemente. — Não desligue. Deixe o laptop aí. Eu quero dormir vendo você.
— Você também está exausto, Yoongi — ela murmurou, ajeitando o travesseiro. — Vá descansar. Amanhã você tem um dia longo.
— Eu vou. Mas não vou desligar. Quero acordar e saber que você ainda está ali.
Maria sorriu, sentindo as pálpebras pesarem. Ela posicionou o laptop de modo que ele pudesse ver seu perfil e ele fez o mesmo com o celular dele. Era uma ponte digital, um fio de conexão que desafiava o espaço.
— Yoongi? — chamou ela, já quase entregue ao sono.
— Oi?
— Eu te amo.
Houve uma pequena pausa, um momento de silêncio sagrado entre os dois.
— Eu também te amo, Maria — ele respondeu, a voz sendo a última coisa que ela ouviu antes de adormecer. — Durma bem. Dia 11 eu estarei aí para tornar tudo isso real.
E assim, separados por oceanos, mas unidos por uma frequência invisível, os dois adormeceram. Naquela noite, os pixels não eram apenas luz e código; eram o calor de uma promessa que nenhum fuso horário poderia quebrar.