Shanlan
O Sangue do Lobo e a Semente da Fênix
A primavera no Norte não trazia flores, mas um degelo lamacento que transformava as estepes em um campo de batalha de argila e gelo. Dentro da fortaleza de pedra, o clima de guerra estava em seu auge. Mapas eram riscados, espadas eram afiadas e o som de milhares de cavalos relinchando no pátio criava uma sinfonia de destruição iminente. Mulan, no entanto, sentia uma guerra diferente ocorrendo dentro de seu próprio corpo.
Ela estava parada diante do grande espelho de bronze polido em seus aposentos, as mãos espalmadas sobre o ventre. Não havia ainda uma protuberância óbvia para olhos destreinados, mas ela sentia. Havia um peso novo, uma pulsação que não era a sua, um calor que parecia irradiar de seu núcleo e se espalhar por seus membros, deixando-os estranhamente pesados e sensíveis.
A porta pesada rangeu, e o cheiro de couro e suor de cavalo anunciou a chegada de Shan Yu. Ele caminhou até ela com a possessividade de um imperador, envolvendo-a por trás com seus braços maciços. Suas mãos grandes cobriram as dela sobre o ventre, e ele inclinou a cabeça, aspirando o perfume do pescoço de Mulan.
— Você está pálida, minha general — disse ele, a voz vibrando contra as costas dela. — O frio está finalmente vencendo a sua vontade, ou a perspectiva de ver o Império queimar está tirando o seu sono?
Mulan fechou os olhos, sentindo o poder que emanava dele. Mas, antes que pudesse responder, a porta se abriu novamente. Batur entrou com a arrogância característica, jogando seu manto de pele sobre uma cadeira e servindo-se de vinho. Ele olhou para o irmão e para Mulan com um sorriso predatório.
— Ela não está com medo, Shan Yu — disse Batur, aproximando-se e colocando a mão livre no ombro de Mulan. — Ela está faminta. Eu sinto o cheiro das mudanças nela. O corpo de uma mulher não esconde segredos de homens que a conhecem tão intimamente quanto nós.
Mulan virou-se no abraço de Shan Yu, ficando de perfil para os dois. Ela olhou para Batur e depois voltou o olhar para o líder dos Hunos.
— Não é fome de comida, nem medo da guerra — sussurrou ela, sua voz firme apesar da incerteza que sentia. — Há algo crescendo aqui. Algo que pertence a esta fortaleza.
O silêncio que se seguiu foi absoluto, interrompido apenas pelo estalar da lenha na lareira. Shan Yu estreitou os olhos amarelados, sua mão apertando o ventre de Mulan com uma firmeza que não era dolorosa, mas carregada de uma nova espécie de intensidade. Batur deu um passo à frente, sua expressão de deboche desaparecendo, substituída por um interesse sombrio e fascinado.
— Um herdeiro — murmurou Shan Yu, e pela primeira vez, Mulan viu algo parecido com reverência em seu rosto brutal. — O sangue do Lobo e o fogo da Fênix unidos em uma única carne.
— Ou o sangue do irmão do Lobo — interrompeu Batur, sua voz rouca. Ele colocou a mão sobre o ventre de Mulan, logo abaixo da mão de Shan Yu. — Nós a compartilhamos em todas as noites de lua cheia e em todos os amanheceres gelados. Esse filho pode carregar a minha marca tanto quanto a sua, irmão.
Shan Yu rosnou, um som baixo e perigoso que faria qualquer outro homem recuar, mas Batur apenas sustentou o olhar. Mulan sentia a tensão elétrica entre os dois irmãos, o conflito de egos e linhagens que agora convergia para dentro dela.
— Não importa de quem é a semente — disse Mulan, sua voz cortando a tensão como uma lâmina. — O que importa é o que ele será. Ele não será um soldado do Império, nem um camponês de uma vila esquecida. Ele será o herdeiro das estepes.
Shan Yu soltou um riso gutural, puxando Mulan para mais perto, ignorando por um momento a provocação de Batur.
— Ela tem razão — disse o líder. — Seja meu ou seu, Batur, ele será criado no aço. Ele verá a Cidade Imperial cair antes mesmo de aprender a andar.
— E como saberemos? — perguntou Batur, sua mão deslizando pela curva do quadril de Mulan, o desejo despertando novamente, mesmo diante da notícia. — Como saberemos qual de nós plantou a vida nessa guerreira?
— Talvez nunca saibamos — respondeu Mulan, olhando nos olhos de ambos. — E talvez seja melhor assim. Ele terá dois pais para ensiná-lo a caçar e uma mãe para ensiná-lo a destruir. Ele será a personificação da nossa aliança.
Shan Yu pegou o queixo de Mulan, forçando-a a olhar para ele.
— Você não vai para a linha de frente — ordenou ele, sua voz não admitindo contestações. — Você ficará na retaguarda, protegida pelas muralhas de pedra até que essa criança nasça.
Mulan soltou um riso seco, desvinculando-se do toque dele.
— Você acha que pode me prender em um quarto de pedra enquanto o mundo queima? Eu sou a razão de você saber onde atacar, Shan Yu. Eu sou a mente por trás da sua força bruta. Se você quer que este filho nasça em um império conquistado, você me quer no campo de batalha.
— Ela é teimosa demais para ser uma prisioneira, irmão — zombou Batur, aproximando-se de Mulan por trás e pressionando seu corpo contra o dela. — Mas talvez devêssemos testar se essa nova condição a deixou mais... sensível.
As mãos de Batur subiram para os seios de Mulan, que estavam visivelmente mais cheios e doloridos. Ela soltou um arquejo quando ele apertou os mamilos através da túnica fina. O corpo de Mulan reagiu instantaneamente; a gravidez parecia ter amplificado seus sentidos, tornando cada toque uma explosão de eletricidade.
Shan Yu observou a cena, o desejo lutando com seu instinto protetor. A visão de Mulan sendo tocada por seu irmão, enquanto carregava uma vida que poderia ser de qualquer um deles, agia como um tônico potente em seu sangue bárbaro.
— Se você vai cavalgar para a guerra carregando o nosso futuro — disse Shan Yu, começando a se despir —, então precisamos garantir que você esteja bem alimentada de prazer. O sangue precisa circular, a vida precisa ser celebrada na carne.
Ele a pegou no colo e a levou para a cama de peles, deitando-a com uma delicadeza incomum, mas seus olhos ainda eram os de um predador. Batur ajudou a despi-la, removendo cada camada de roupa com uma urgência controlada. Quando Mulan ficou nua sob a luz das tochas, a visão era magnífica. Sua pele brilhava, e havia uma plenitude em suas curvas que a tornava ainda mais irresistível.
— Olhe para ela — sussurrou Batur, sua mão traçando o caminho entre os seios dela até o ventre ainda liso. — Ela carrega o nosso destino.
Shan Yu ajoelhou-se entre as pernas de Mulan, abrindo-as com firmeza. Ele inclinou a cabeça e beijou o ventre dela, um gesto de posse e promessa, antes de descer para a flor úmida que já clamava por ele. Mulan jogou a cabeça para trás, as mãos agarrando os cabelos de Batur, que se posicionava acima dela.
— Mais... — ela implorou, sua voz um sussurro rouco. — Eu sinto tudo com mais força... Por favor...
Batur entrou nela com uma estocada lenta, sentindo o aperto incrível de Mulan. A gravidez parecia ter alterado sua anatomia interna, tornando-a mais quente, mais acolhedora e desesperadamente apertada. Ele soltou um rosnado de surpresa prazerosa.
— Você está diferente, Mulan — Batur arquejou, começando um ritmo profundo. — Mais apertada... mais doce.
Shan Yu não ficou apenas observando. Ele usou a língua e os dedos com uma técnica que levava Mulan ao delírio, enquanto Batur a preenchia. A sensação de ser o centro das atenções dos dois homens, sabendo que dentro dela a semente de um deles — ou de ambos, em sua mente febril — estava germinando, levava Mulan a um estado de êxtase quase transcendental.
— De quem você é, Mulan? — Shan Yu perguntou, levantando o rosto, seus olhos fixos nos dela enquanto Batur continuava a fodi-la com vigor.
— Eu sou... do Norte — ela gritou, as contrações de seu clímax começando a se formar. — Eu sou de vocês dois! Me fodam... me fodam como se o mundo fosse acabar amanhã!
Shan Yu levantou-se e trocou de lugar com Batur. Ele queria sentir a mudança por si mesmo. Quando ele entrou no rabo de Mulan, o grito dela ecoou pela fortaleza. A plenitude era absoluta. Batur voltou para a frente dela, guiando o pau de Mulan para sua boca enquanto Shan Yu a reivindicava por trás.
Era um batismo de luxúria para a criança que ainda nem tinha forma. Mulan sentia cada estocada de Shan Yu ecoar em seu útero, um lembrete constante da vida que eles haviam criado. Batur a beijava com uma fome desesperada, suas mãos massageando o ventre dela como se tentasse reivindicar o filho através da pele.
— Ele será um monstro — rosnou Shan Yu, aumentando o ritmo, seu suor pingando nas costas de Mulan. — Um monstro que o mundo nunca viu.
— Ele será um rei — corrigiu Batur, sua voz falhando enquanto ele se aproximava do ápice.
O clímax os atingiu em ondas sucessivas. Mulan sentiu seu corpo explodir em cores e sensações, as paredes de seu ser contraindo-se violentamente ao redor dos dois homens. Shan Yu despejou seu sêmen dentro dela com um rugido de triunfo, seguido de perto por Batur.
Eles ficaram ali, amontoados sobre as peles, o silêncio retornando gradualmente ao quarto. Mulan estava exausta, mas sentia-se mais poderosa do que nunca. Ela era o vaso da linhagem mais perigosa da história.
— Se for um menino — disse Shan Yu, limpando o suor da testa de Mulan —, ele será treinado por mim na arte da conquista.
— E se for uma menina? — perguntou Mulan, olhando para o teto de pedra.
Batur sorriu, um brilho de orgulho nos olhos.
— Se for uma menina, ela será como você. E o mundo terá ainda mais motivos para temer o nome dos Hunos.
Mulan fechou os olhos, sentindo o calor dos dois irmãos ao seu lado. A dúvida sobre a paternidade não a incomodava; na verdade, ela a deleitava. Aquela criança era o fruto de sua libertação, o resultado de ter abraçado a escuridão e encontrado nela o seu verdadeiro lar.
— Amanhã cavalgamos — disse Mulan, sua voz carregada de uma determinação inabalável. — Para a China, para a vingança e para o futuro do nosso sangue.
Shan Yu e Batur assentiram. Eles sabiam que a guerra que viria não seria apenas por território ou ouro. Seria para garantir que a criança que Mulan carregava nunca tivesse que baixar a cabeça para nenhum imperador. A fênix estava grávida de destruição, e os lobos estavam prontos para garantir que o parto ocorresse sobre as cinzas do antigo mundo.
Naquela noite, sob o céu gélido das estepes, o destino da China foi selado não por tratados ou diplomacia, mas pelo sangue misturado e pela promessa de uma linhagem que não conhecia limites. Mulan dormiu profundamente, protegida pelos dois homens que a amavam de forma brutal, sonhando com o dia em que seu filho ou filha veria o sol nascer sobre uma terra onde a honra era escrita com sangue e o amor era forjado no fogo da batalha.