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Shes my woman

O Labirinto entre o Ódio e o Éxtase

A noite caiu sobre a cidade com uma promessa silenciosa, mas para Mizi, o silêncio era apenas o prelúdio do caos que ela pretendia desencadear. Ela saiu de casa usando uma jaqueta de couro preta, jeans rasgados e uma expressão de quem estava prestes a incendiar o mundo. A chave reserva, que ela guardara como um talismã proibido por dois anos, deslizou na fechadura da casa de Sua com uma facilidade quase poética.

Ao entrar, Mizi não disse "oi". Ela não esperou por gentilezas. Sua estava no corredor, vestindo apenas uma camiseta larga que mal cobria as coxas, com os olhos roxos arregalados de surpresa. Mizi avançou como um predador. Sem uma palavra, ela agarrou a cintura de Sua e a empurrou em direção ao quarto, os passos de ambas ecoando apressados até que o impacto contra o colchão silenciasse o ambiente.

— Mizi... — Sua tentou dizer, mas a voz morreu quando viu Mizi tirar o cinto de couro da própria calça com um movimento fluido.

— Shh... — Mizi murmurou, a voz vibrando com uma autoridade sombria. — Você disse que eu não precisava ir devagar. Agora, aguenta as consequências.

Com uma eficiência brutal, Mizi puxou os pulsos de Sua para cima da cabeça e os prendeu firmemente à cabeceira da cama com o cinto. Sua arqueou as costas, a vulnerabilidade e o desejo lutando em seu rosto pálido. Mizi não perdeu tempo. Ela rasgou a camiseta de Sua, expondo a pele que ela tanto cobiçava.

O que se seguiu foi uma maratona de luxúria e posse. Mizi não deu trégua. Seus dedos — dois, depois três, e finalmente quatro — invadiram Sua com uma agressividade que fazia a garota perder o fôlego. O som úmido do atrito preenchia o quarto, misturado aos gemidos agudos que Sua não conseguia mais conter.

— Mizi! Por favor... eu... — Sua soluçava, a cabeça jogada para trás enquanto sentia cada estocada profunda.

— Você é minha, Sua. Entendeu? — Mizi sibilou, descendo o rosto para os seios da outra.

Ela mordeu, sugou e marcou cada centímetro de pele, ignorando os protestos fracos que logo se tornavam gritos de prazer. O pescoço de Sua, já marcado pela cicatriz do cigarro, agora desaparecia sob uma constelação de chupões roxos e marcas de dentes. Mizi subiu novamente, alternando entre a boca e os dedos, usando a língua para explorar cada canto da boca de Sua com a mesma fome com que a possuía embaixo.

O ápice veio uma, duas, três vezes. No quinto round, Mizi virou Sua de costas, desferindo tapas sonoros na bunda da garota, que já estava vermelha e dolorida. O som dos estalos ecoava como tiros no quarto.

— Dói... Mizi, dói... — Sua choramingava, as lágrimas escorrendo pelo rosto enquanto ela tentava se mover contra as amarras.

Mizi parou por um segundo, o suor escorrendo pelo seu rosto, os olhos bicolores brilhando com uma intensidade quase insana. Ela viu o estado de Sua: destruída, trêmula e completamente entregue. O coração de Mizi deu um salto. Ela se inclinou, beijando a testa de Sua, depois as pálpebras, com uma ternura súbita que contrastava com a violência de antes.

— Só mais uma vez, princesa — Mizi sussurrou, a voz agora doce e encorajadora. — Aguenta pra mim. Goza pra mim uma última vez.

Ela voltou a penetrá-la, desta vez com um ritmo que buscava apenas o clímax final. Quando Sua finalmente atingiu o sexto orgasmo, seu corpo teve um espasmo tão forte que ela pareceu perder a consciência por alguns segundos. Mizi a soltou, desamarrando o cinto e puxando o corpo exausto de Sua para perto do seu, ambas ofegantes e cobertas de suor.

***

Na manhã seguinte, a escola parecia um cenário de guerra para Sua. Ela não conseguia sentir as próprias pernas; elas pareciam feitas de amoeba, falhando a cada passo. Sua voz tinha sumido, reduzida a um sussurro rouco que mal saía da garganta.

Mizi, por outro lado, parecia ter sido carregada por uma bateria eterna. Ela assumiu o controle total.

— Dá aqui essa mochila, Sua. Você mal consegue carregar a própria dignidade hoje — Mizi disse, pegando a bolsa da mão da outra logo na entrada.

Durante as aulas, Mizi serviu de apoio físico constante. Quando Sua precisava ir ao banheiro ou mudar de sala, Mizi passava o braço pela sua cintura, sustentando quase todo o peso da garota. Na aula de matemática, Mizi nem abriu o próprio caderno.

— O que você está fazendo? — Sua sussurrou, vendo Mizi copiar os exercícios para ela.

— Shh. Você não consegue nem segurar uma caneta sem tremer — Mizi respondeu, concentrada. — Deixa que a "monstra" resolve isso.

Na hora do almoço, a cena foi ainda mais inusitada. Mizi sentou Sua em um canto afastado do refeitório e abriu a marmita. Ela pegou o garfo e começou a levar a comida à boca de Sua.

— Abre o bocão, vai — Mizi disse, com um sorriso de canto.

— Mizi, todo mundo está olhando... — Sua tentou protestar, o rosto ficando vermelho.

— Deixa olharem. Eles sabem quem manda aqui — Mizi respondeu, enfiando um pedaço de brócolis na boca de Sua antes que ela pudesse reclamar mais.

Marty e Lexy passaram por elas, trocando olhares de puro choque. Till, do outro lado do pátio, parecia estar tendo um colapso nervoso ao ver Mizi cuidando de Sua com tamanha dedicação.

***

À noite, o cenário mudou drasticamente. Elas estavam na casa de Mizi desta vez. O caos da noite anterior e a agitação do dia escolar haviam dado lugar a uma calma profunda. Ambas estavam vestidas com pijamas confortáveis, deitadas na cama de Mizi, cercadas por travesseiros.

Não havia safadeza. Não havia dedos ou cintos. Havia apenas o som da chuva lá fora e o calor de dois corpos que finalmente haviam encontrado o caminho de volta um para o outro.

Mizi estava deitada com a cabeça no peito de Sua, agindo como um gatinho carente. Ela desenhava formas aleatórias na barriga de Sua, por cima do tecido do pijama, enquanto Sua acariciava os cabelos bicolores de Mizi com uma ternura infinita.

— Você está muito quieta — Sua comentou, a voz ainda um pouco rouca, mas carregada de afeto.

— Estou cansada — Mizi murmurou, fechando os olhos. — Cuidar de você dá trabalho, sabia? Você é muito pesada.

— Mentira. Você adorou me carregar o dia todo — Sua deu um beijo no topo da cabeça de Mizi. — E eu adorei ser carregada por você.

Mizi levantou a cabeça, olhando para Sua. A luz do abajur refletia nos seus olhos, e por um momento, toda a fachada de rebelde e sarcástica caiu. Ela parecia pequena, vulnerável e perdidamente apaixonada.

— Eu senti tanta falta disso, Sua — Mizi confessou, a voz falhando levemente. — Da paz. De não ter que fingir que eu te odeio na frente de todo mundo.

Sua sentiu as lágrimas arderem nos olhos. Ela puxou Mizi para mais perto, escondendo o rosto no pescoço dela.

— Eu também, Mizi. Eu fui tão burra por deixar a gente se perder.

— Você foi — Mizi concordou, voltando a se aninhar. — Mas você compensou ontem à noite. E hoje.

Sua riu baixinho, sentindo o coração transbordar. Mizi, a garota que todos na escola temiam ou admiravam de longe, era na verdade um poço de doçura quando estava entre quatro paredes. Ela era bonita, era intensa, era a melhor coisa que já havia acontecido na vida de Sua.

— Mizi? — Sua chamou, quase caindo no sono.

— Hum?

— Eu te amo. De verdade.

Mizi não respondeu de imediato. Ela apenas apertou o abraço, deixando um beijo suave no ombro de Sua.

— Eu também te amo, sua nerd chorona — Mizi sussurrou. — Agora dorme. Amanhã eu ainda tenho que te carregar, porque suas pernas continuam parecendo gelatina.

Elas adormeceram assim, entrelaçadas, as cicatrizes do passado finalmente começando a cicatrizar sob o peso do carinho e da certeza de que, desta vez, ninguém conseguiria separá-las. O 3º ano ainda teria seus desafios, mas enquanto estivessem juntas, o labirinto não parecia mais tão assustador.

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