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Entre Tribeca e o Pecado: Onde a Loira Não Ouve e o Chico Não Dorme

— Porra, Beltrão, se você enfiar essa lente no meu nariz mais uma vez, eu vou quebrar o teu equipamento e jogar no Rio Hudson, caralho! — gritei, afastando a câmera com a mão enquanto tentava manter o equilíbrio na calçada gelada de Tribeca.

— Calma aí, cara! — Beltrão riu, nem um pouco afetado pela minha ameaça. — O público quer ver o sofrimento do homem apaixonado em solo americano. Olha a cara dele, Cazé! Tá parecendo um Golden Retriever que perdeu o osso.

— Que Golden Retriever o quê, ô imbecil? — Casimiro rebateu, surgindo do meu lado com um copo de café gigante que parecia um balde. — O Chico tá com cara de quem não dorme faz três dias porque a Naju tá fazendo ele decorar a árvore genealógica dos ex-namorados da Taylor Swift. Fala aí, Chico, quem é o Joe Alwyn na fila do pão?

Passei a mão no rosto, sentindo o frio queimar a ponta do meu nariz, e soltei um suspiro pesado que virou uma nuvem de fumaça branca no ar. Eu tava exausto, mas era aquele cansaço bom, sabe? Aquele que vem acompanhado de um sorriso idiota que eu não conseguia tirar da cara. Lamba o lábio inferior, sentindo o gosto do último cigarro, e procurei por ela.

A Naju tava a uns cinco metros de distância, parada na frente de um prédio de tijolinhos que, segundo ela, era onde a "Loirinha" morava ou tinha morado. Ela tava de costas pra mim, ajustando a touca, e aquela calça... puta que pariu. Eu não sei quem desenhou aquela calça, mas o cara merecia um prêmio Nobel. A curva da bunda dela sob o tecido escuro era uma obra de arte que me fazia esquecer até o meu próprio nome.

Caminhei até ela, ignorando as piadinhas do Alvinho e do Maciel lá atrás, e a abracei por trás. Encaixei meu rosto no vão do pescoço dela, sentindo o cheiro doce do perfume misturado com o ar gélido de Nova York.

— E aí, amor? — sussurrei, a voz saindo mais grave por causa do frio. — Já sentiu a energia mística da Taylor ou a gente já pode ir pro hotel ver se a cama é macia?

Naju soltou uma risadinha deliciosa e se inclinou para trás, apoiando o peso do corpo em mim. Ela virou o rosto um pouco, roçando o nariz no meu.

— Você é muito impaciente, Chico. A gente tá em Tribeca! É histórico — ela provocou, os olhos brilhando de um jeito que me deixava completamente rendido. — E para de apertar minha bunda assim no meio da rua, tá todo mundo vendo.

— Deixa ver, caralho — respondi, apertando com ainda mais firmeza, sentindo a maciez da carne sob meus dedos. — O que é bonito é pra ser mostrado, e isso aqui é patrimônio da humanidade. Se o Beltrão pode filmar o bueiro, eu posso segurar o que é meu.

Ela se virou nos meus braços, passando as mãos pelo meu pescoço e puxando os fios platinados da minha nuca. O contato visual era um convite perigoso.

— Você tá muito abusado hoje, sabia? — ela murmurou, a boca a milímetros da minha. — Deve ser esse ar de Nova York. Ou o fato de que você tá doido pra me tirar esse casaco.

— Eu tô doido pra te tirar tudo, Naju — confessei, baixinho, sentindo o calor subir mesmo abaixo de zero. — Você fica uma gostosa absurda nesse frio. Dá vontade de te morder inteira.

— Então morde — ela desafiou, arqueando uma sobrancelha.

Eu não precisei de um segundo convite. Avancei na boca dela com uma fome que não era de hambúrguer. Foi um beijo profundo, explorador, as nossas línguas se entrelaçando com uma urgência que fazia o barulho do trânsito de Manhattan sumir. Eu a puxei para mais perto, querendo eliminar qualquer espaço entre nós, sentindo o volume dos seios dela pressionando o meu peito. Era um encaixe perfeito, uma química que me deixava zonzo.

— E LÁ VAMOS NÓS! — A voz de trovão do Casimiro quebrou o clima como um balde de gelo. — Olha o nível de promiscuidade em plena luz do dia! Ô Chico, a gente tá tentando gravar um vlog de viagem, não um vídeo pro OnlyFans, porra!

— Vai tomar no cu, Cazé! — gritei, sem soltar a Naju, apenas virando o rosto para encarar o gordo. — Deixa eu ser feliz, seu invejoso! Vai comer um hot dog e me erra!

— O Pigzada já comeu quatro! — Maciel reclamou, apontando para o Pigzada que, de fato, terminava de mastigar algo com uma cara de satisfação plena. — E agora ele quer ir numa confeitaria que a Naju indicou porque disse que "precisa de açúcar pra processar o frio".

— Eu tô com fome, porra! — Pigzada se defendeu, limpando a mostarda do canto da boca. — O metabolismo no frio é mais rápido, eu li isso no Google.

— Você lê o que te convém, seu animal — Alvinho retrucou, rindo. — Mas ó, o Chico tá certo. Se eu tivesse uma mulher dessa, eu também não queria saber de prédio de cantora americana não. Eu queria era estar debaixo do edredom.

— Tá vendo? — olhei pra Naju, passando o polegar pelo lábio dela que tava levemente inchado do beijo. — Até o Alvinho concorda comigo. Vamos fugir?

— Só mais uma parada, Chico — ela pediu, fazendo aquela voz de dengo que ela sabia que me dobrava. — O Central Park. A gente tira umas fotos lá, passeia um pouco e depois... depois eu sou toda sua.

— Promete? — perguntei, ladeando o rosto dela com as mãos, sentindo a pele macia.

— Prometo. E eu sempre cumpro minhas promessas — ela deu um selinho demorado em mim e depois pegou o maço de cigarros do meu bolso. — Me dá um aqui.

Acendi o cigarro pra ela e um pra mim. Ficamos ali, dividindo a fumaça e o calor, enquanto o resto do grupo discutia qual era o caminho mais curto pro metrô. O Ramon, como sempre, só observava a cena com um sorrisinho de canto, provavelmente pensando no quanto a gente era caótico.

— Calma aí, cara — eu disse pro Beltrão, que tentava me entrevistar sobre as expectativas pra o jogo do Brasil enquanto eu tentava dar um beijo no pescoço da Naju. — Você quer saber de tática ou de amor? Porque de tática eu não sei nada, mas de amor eu sou PhD aqui com a Ana Julia.

— Você é PhD em ser gado, isso sim — Beltrão zoou, mas continuou gravando.

Caminhamos em direção ao Central Park. No caminho, a Naju ia me contando histórias das músicas da Taylor, e eu, embora não entendesse metade das referências, ouvia tudo como se fosse a coisa mais importante do mundo. O jeito que ela gesticulava, o brilho nos olhos quando falava de uma letra específica... porra, eu tava muito perdido por aquela mulher.

Quando chegamos ao parque, a paisagem era de filme. Árvores secas, o contraste dos prédios altos e aquele clima de "inverno em Nova York". O grupo se dispersou um pouco. O Cazé sentou num banco pra descansar as pernas, o Pigzada foi atrás de um vendedor de pretzels, e o resto ficou tirando fotos da ponte.

Aproveitei o momento e puxei a Naju pra um canto mais reservado, perto de umas pedras grandes.

— Aqui tá bom pra foto? — perguntei, já sacando o celular.

— Tá perfeito, Chico. Deixa eu só ajeitar o cabelo.

Ela se posicionou e eu comecei a disparar. Mas, claro, eu sou o Chico Moedas. Eu não ia só tirar fotos normais.

— Vira de lado, amor. Isso... agora olha por cima do ombro. Puta que pariu, Naju, você é muito gostosa, sabia? — eu falava, enquanto focava na curva do quadril dela. — Se eu postar isso, o Instagram cai.

— Para de ser bobo e tira uma foto do meu rosto também! — ela riu, jogando a cabeça pra trás.

— Eu tiro, mas depois você vai ter que me recompensar por esse trabalho de fotógrafo profissional — sussurrei, me aproximando e guardando o celular.

Puxei ela pela cintura, colando nossas testas. O ar tava gelado, mas entre nós dois o clima tava fervendo.

— Você sabe que eu adoro quando você fica assim, todo mandão — ela disse, passando as unhas de leve pela minha nuca, me fazendo estremecer.

— E eu adoro quando você me provoca desse jeito, sabendo que eu não posso te pegar de jeito aqui no meio do parque — respondi, dando uma lambida no lóbulo da orelha dela e sussurrando: — Quando a gente chegar naquele hotel, eu vou te mostrar quem é que manda, Ana Julia. Vou te deixar sem voz de tanto que você vai gemer meu nome.

Ela soltou um suspiro pesado, fechando os olhos, e eu senti o corpo dela estremecer contra o meu.

— Chico... você não vale nada — ela murmurou, me puxando pra um beijo que começou lento e logo se tornou selvagem.

A mão dela desceu e apertou meu peito, enquanto a minha se perdeu naqueles cabelos cheirosos. Eu tava quase perdendo o controle quando ouvi um grito familiar.

— Ô DOIS! O PIGZADA ENTALOU COM O PRETZEL E O CAZÉ TÁ QUERENDO IR EMBORA PORQUE DISSE QUE O JOELHO TÁ RECLAMANDO! — Era o Alvinho, gritando do outro lado do caminho. — BORA, O TOUR ACABOU!

— Mas que caralho! — praguejei, encostando a testa no ombro da Naju e rindo de nervoso. — Esses caras têm um radar pra interromper a gente, não é possível.

— Calma aí, cara — a Naju imitou minha fala, rindo e me dando um selinho rápido. — O dia tá acabando. E a noite... a noite é nossa.

— Graças a Deus — respondi, passando a mão no rosto e tentando recompor a postura. — Vamos lá lidar com esses animais antes que o Pigzada coma um esquilo do parque por engano.

Nos juntamos ao grupo, que já tava no maior caos. O Cazé tava sentado no chão, jurando que não conseguia dar mais um passo, enquanto o Ramon tentava ajudar o Pigzada que realmente tinha se engasgado de leve com o sal do pretzel.

— Eu não aguento mais essa vida de nômade — Maciel reclamava, de braços cruzados. — Eu quero meu sofá, minha TV e uma cerveja que não custe quinze dólares.

— Reclama menos, Maciel! Olha que vista! — Beltrão filmava a skyline de Manhattan. — E olha o Chico! O homem tá renovado! O que um beijo no parque não faz, hein?

— Faz milagres, Beltrão — respondi, abraçando a Naju de lado e dando um beijo na têmpora dela. — Faz milagres.

Caminhamos de volta para o hotel enquanto o sol começava a se pôr, pintando o céu de Nova York de laranja e roxo. O frio aumentou, e a Naju se encolheu mais perto de mim. Eu a envolvi com meu braço, sentindo o calor do corpo dela, e por um momento, o barulho do grupo ficou em segundo plano.

— Valeu a pena, não valeu? — ela perguntou, baixinho.

— Cada segundo, pretinha — respondi com sinceridade. — Mesmo com o Cazé gritando no meu ouvido e o Pigzada querendo comer o mundo. Se for pra estar do teu lado, eu vou até pra Marte.

Ela sorriu, aquele sorriso que me fazia sentir o cara mais sortudo do mundo, e me deu um beijo rápido no canto da boca.

— Marte é muito longe. O hotel tá logo ali — ela piscou pra mim.

Apertei a cintura dela e lamba o lábio, já sentindo a antecipação do que viria a seguir. Nova York era incrível, a Copa do Mundo era um evento e tanto, mas pra mim, a melhor parte de tudo aquilo era saber que, no final do dia, eu tinha a Naju nos meus braços.

— Bora, gente! — gritei pro grupo, apressando o passo. — Quem chegar por último no hotel vai pagar o jantar do Pigzada!

— EITA, PORRA! — O grito foi uníssono e todo mundo começou a correr, transformando a calçada da Oitava Avenida num verdadeiro campo de batalha.

Eu só ri, segurando a mão da Naju e correndo com ela, sabendo que, naquela noite, a única coisa que eu ia querer "cobrir" não tinha nada a ver com jornalismo.