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O Quarto 402, o Caos de Manhattan e a Noite que a Loira não Previu

— Porra, eu vou morrer, eu vou ter um troço aqui mesmo, no meio do lobby do hotel — o Pigzada bufou, jogando o corpo imenso numa poltrona de veludo assim que atravessamos a porta giratória. — O meu pâncreas tá pedindo arrego, Chico. Aquele pretzel tava com mais sal que o Mar Morto, caralho.

— Deixa de ser dramático, Pig — eu respondi, sentindo o suor frio secar no meu pescoço agora que o aquecimento do hotel batia na gente. — Você comeu por três famílias de imigrantes italianos hoje. Se o teu pâncreas reclamar, ele tá sendo ingrato.

Passei a mão no rosto, sentindo o cansaço das pernas, mas a minha mão direita não saía da cintura da Naju. Eu tava num estado de alerta constante, os sentidos aguçados pelo cheiro dela e pela promessa que ela tinha sussurrado no Central Park. Lamba o lábio inferior, sentindo o bigode pinicar, e puxei ela mais pra perto, sentindo o quadril dela batendo no meu.

— O Chico tá com pressa, vocês não tão vendo? — o Cazé soltou, com aquela voz de quem tá pronto pra narrar um crime. — Olha a cara de tarado do homem. Ele tá com o olho vibrando, bicho. Se o elevador demorar mais de trinta segundos, ele sobe pelas escadas com a Naju nas costas igual o King Kong.

— Vai se foder, Casimiro! — a Naju gritou, rindo e jogando uma luva na cara dele. — Você que tá com inveja porque vai dormir abraçado com um balde de frango frito e o Chico vai dormir muito bem acompanhado.

— EITA! — Beltrão berrou, já com a câmera ligada na nossa cara. — Documentando aqui: Ana Julia acaba de declarar vitória por nocaute técnico no primeiro round! Chico Moedas, como você se sente sendo o homem mais invejado de Nova York hoje?

— Eu me sinto querendo que você enfie essa câmera em um lugar onde o sol não bate, Beltrão — respondi, rindo mas falando sério, enquanto apertava o botão do elevador com uma vontade que quase quebrou o painel. — Calma aí, cara. O dia foi longo, a gente trabalhou, a gente turisticou... agora é hora do descanso dos guerreiros.

— Descanso, né? Sei — Alvinho ironizou, encostado na parede do elevador que finalmente abriu. — O Maciel aqui tá reclamando de dor nas costas, o Pigzada tá tendo um treco gástrico, o Ramon tá em estado vegetativo de tanto frio, e o Chico... o Chico tá platinado e pronto pro combate. É o vigor da juventude ou é o efeito da Taylor Swift?

— É o efeito Naju, seu otário — sussurrei no ouvido dela, sentindo ela se arrepiar inteira enquanto a gente entrava no elevador apertado.

O grupo todo se amontoou lá dentro. Era um caos: cheiro de café, cigarro, perfume e o suor de quem andou a ilha de Manhattan inteira. O elevador subia devagar, e cada andar que passava parecia uma eternidade. Eu tava atrás da Naju, minhas mãos espalmadas na cintura dela, sentindo a respiração dela acelerar junto com a minha.

— Ô Chico — Maciel falou, com aquela voz de sono —, amanhã a gente tem que estar na Cazé TV cedo pra live, hein? Não vai me aparecer com olheira de quem virou a noite em claro fazendo... seja lá o que vocês fazem.

— Eu vou aparecer radiante, Maciel — respondi, dando um beijo no ombro da Naju, por cima do casaco. — Vou estar com a pele de um bebê e a alma lavada. Vocês que vão estar com cara de quem foi atropelado por um caminhão de lixo.

O elevador parou no quarto andar com um "ding" que soou como música pros meus ouvidos.

— Valeu, rapaziada! — gritei, puxando a Naju pra fora antes que o Beltrão inventasse de gravar mais alguma coisa. — Boa noite pra quem fica, juízo pra quem não tem, e Pigzada, se você morrer, me deixa o teu videogame de herança!

— Vai tomar no cu, Chico! — ouvi a voz do Pigzada sumindo enquanto as portas se fechavam.

Caminhamos pelo corredor acarpetado em silêncio por alguns segundos. A luz era baixa, o silêncio do hotel era um contraste absurdo com a gritaria da rua. Parei na frente da porta do 402, mas antes de colocar o cartão, eu a prensei contra a parede.

— Porra, Naju... — murmurei, colando meu corpo no dela. — Eu achei que aqueles caras nunca iam calar a boca.

— Eles são o nosso charme, Chico — ela disse, com aquele sorrisinho provocador, passando as mãos pelo meu peito e subindo até meu pescoço. — Mas eu confesso que também não aguentava mais esperar.

— Você me deixou maluco o dia inteiro — falei, passando a mão no rosto dela e descendo para o pescoço, onde dei um beijo demorado, sentindo o pulso dela acelerado. — Cornelia Street, Tribeca, o Central Park... em cada lugar eu só conseguia pensar em como você tava gostosa e em como eu queria te tirar de perto de todo mundo.

— E agora você me tem só pra você — ela sussurrou, mordendo o próprio lábio, um gesto que quase me fez perder os sentidos. — Vai abrir essa porta ou vai ficar só na conversa, Moedas?

Abri a porta num movimento rápido e entramos. Nem acendi a luz principal, só a do abajur perto da cama, que deixou o quarto num tom amarelado, quente. Joguei minha jaqueta em qualquer canto e vi a Naju fazer o mesmo com o casaco dela. Por baixo, ela usava uma blusa de gã fina, preta, que marcava perfeitamente o desenho dos seios. Eu lamba o lábio, sentindo o sangue pulsar.

— Vem cá — eu disse, a voz rouca.

Ela veio, caminhando com aquele rebolado que era um crime contra a saúde pública. Quando ela chegou perto, eu a puxei pela cintura e a sentei na cômoda alta que tinha perto da TV. Fiquei entre as pernas dela, minhas mãos subindo pelas coxas firmes até alcançarem a bunda dela, que eu apertei com vontade.

— Você é um absurdo, sabia? — falei, olhando bem no fundo dos olhos dela. — Às vezes eu acho que você faz de propósito, só pra me ver passar mal na frente dos outros.

— E se eu fizer? — ela respondeu, passando as pernas pela minha cintura e me puxando para mais perto. — Eu gosto de saber que eu tenho esse efeito em você. Gosto de ver você ficando nervoso, passando a mão no rosto, tentando disfarçar o que tá sentindo.

— Pois agora eu não tô disfarçando nada — respondi, e avancei na boca dela.

Dessa vez não era um beijo pra câmera do Beltrão ver. Era um beijo de verdade, profundo, com gosto de desejo acumulado. Minha língua explorava cada canto da boca dela, e ela respondia com a mesma intensidade, as mãos dela se perdendo no meu cabelo platinado, puxando de um jeito que me fazia soltar um rosnado baixo.

Eu desci os beijos pro pescoço dela, sentindo o cheiro da pele, e fui descendo até o colo, onde a blusa de gã oferecia uma barreira que eu logo tratei de resolver. Minhas mãos foram para a barra da blusa dela, subindo devagar, sentindo a pele quente e macia da barriga dela.

— Chico... — ela suspirou, a voz falhando.

— Fala, gostosa — murmurei contra a pele dela.

— Eu te amo, sabia? — ela disse, e por um segundo, o tom de voz dela mudou. Não era mais só provocação, era algo real, profundo. — Mesmo você sendo esse carioca safado que fala palavrão demais e vive com a mão na minha bunda.

Parei por um segundo, olhando pra ela. O cabelo dela tava bagunçado, o batom borrado, e os olhos brilhavam com uma sinceridade que sempre me desarmava.

— Eu também te amo, sua maluca — respondi, dando um selinho carinhoso nela antes de voltar a ser o Chico de sempre. — Mas agora, se você não parar de falar e não me deixar terminar o que eu comecei, eu vou ter um troço.

Ela riu, aquela risada que eu amava, e me puxou pra cama. O colchão era macio, mas a gente nem reparou. O frio de Nova York lá fora não chegava nem perto do calor que tava naquele quarto.

— Calma aí, cara — ela disse, imitando meu jeito de falar enquanto eu tentava tirar a minha camisa freneticamente. — Pra que essa pressa toda? A gente tem a noite toda.

— Pressa? Naju, eu tô esperando por esse momento desde que a gente saiu do hotel às oito da manhã pra ouvir música da Taylor Swift — falei, finalmente me livrando da camisa e jogando ela no chão. — Agora é a minha vez de colocar a trilha sonora.

Eu me joguei por cima dela, sentindo o peso do meu corpo contra o dela, o encaixe perfeito que a gente sempre teve. Minhas mãos voltaram pro lugar de sempre, a bunda dela, apertando e trazendo ela pra mais perto, sentindo cada curva.

— Você é linda demais, porra — sussurrei no ouvido dela, dando uma lambida lenta que a fez arquear as costas. — Minha loira, minha Taylor, minha Naju.

— Menos Taylor e mais Naju, por favor — ela pediu, as mãos descendo pras minhas costas, arranhando de leve.

O que se seguiu foi uma confusão de lençóis, beijos e sussurros que o aquecimento do hotel não conseguia dar conta. A gente se conhecia, cada ponto, cada desejo, mas parecia que em Nova York tudo tinha uma intensidade nova. Talvez fosse a distância de casa, talvez fosse o caos do grupo, ou talvez fosse só o fato de que a gente se pertencia de um jeito que não precisava de explicação.

Algum tempo depois, estávamos os dois jogados, ofegantes, o suor esfriando no corpo enquanto a gente tentava recuperar o fôlego. Eu tava com o braço por baixo da cabeça dela, e ela tava aninhada no meu peito, desenhando círculos imaginários no meu abdômen.

— O Cazé ia ter um infarto se visse o estado desse quarto — ela comentou, rindo baixo.

— O Cazé que se exploda — respondi, dando um beijo no topo da cabeça dela. — Amanhã eu aguento as piadinhas dele. Hoje eu só quero ficar aqui.

Peguei o maço de cigarros na mesinha de cabeceira e tirei um. Acendi, dei uma tragada longa e passei pra ela. Ficamos ali, dividindo o cigarro no escuro, vendo a fumaça subir e se dissipar sob a luz fraca do abajur.

— Chico? — ela chamou, a voz sonolenta.

— Oi, amor.

— Obrigada por ter ido na Cornelia Street comigo. Eu sei que você acha uma bobagem, mas foi importante.

Passei a mão no rosto, sentindo o cansaço finalmente bater, mas sorri.

— Não é bobagem se é importante pra você, Naju. Eu posso não entender nada da loira, mas eu entendo de você. E ver você feliz ali... porra, valeu as três horas de caminhada no gelo.

Ela se levantou um pouco, apoiando o queixo no meu peito, e me olhou com um carinho que me fez sentir o cara mais foda do mundo.

— Você é um fofo quando quer, sabia? Um fofo safado, mas fofo.

— Não espalha — brinquei, dando um último beijo nela. — Minha reputação na Cazé TV depende de eu ser o malandro desapegado.

— Sua reputação já era, Chico. Todo mundo sabe que você é meu — ela disse, apagando o cigarro no cinzeiro e se ajeitando pra dormir.

— Sou mesmo. Fazer o quê, né? — suspirei, puxando o edredom pra cobrir a gente. — Calma aí, cara... a gente ainda tem que acordar cedo amanhã.

— Cala a boca e dorme, Chico — ela resmungou, já fechando os olhos.

Fiquei ali por mais alguns minutos, ouvindo a respiração dela ficar pesada e regular. Lá fora, Nova York continuava barulhenta, caótica e fria. Mas ali dentro, no 402, tudo o que eu precisava tava bem ali, nos meus braços. E se o Pigzada morresse por causa do pretzel, ou se o Cazé me zoasse na live pra milhões de pessoas, que se fodesse. Eu tava exatamente onde queria estar.

Lamba o lábio inferior uma última vez, fechei os olhos e, pela primeira vez em muito tempo, não precisei de mais nada pra dormir em paz. Nem mesmo da Taylor Swift.