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Sleepy hollow

O Oratório de Carne sob a Lua de Sangue

A névoa, densa como leite derramado sobre o veludo negro da noite, parecia isolar o cemitério do restante do mundo. Ali, entre as lápides tortas e o aroma de terra úmida, o tempo havia parado para Ichabod Crane. O frio cortante de Sleepy Hollow, que antes o fazia encolher os ombros e buscar refúgio em seus casacos pesados, agora era apenas um detalhe irrelevante diante do calor febril que emanava de Katrina Van Tassel.

Ele ainda estava de joelhos, uma posição que para um homem de sua educação deveria sugerir penitência, mas que, naquele momento, era o mais puro ato de adoração pagã. Suas mãos, longas e pálidas, tremiam enquanto ele segurava as coxas de Katrina, sentindo a textura da pele dela contra as palmas de suas mãos calejadas pela escrita e pelo manuseio de instrumentos de precisão. Ela estava recostada contra o mármore frio de um mausoléu, os olhos semicerrados, observando o homem de ciência desmoronar diante de sua feminilidade.

Ichabod sentia o coração martelar contra as costelas, um ritmo descompassado que desafiava qualquer lógica médica. Ele olhou para cima, para o rosto etéreo de Katrina, e viu nela não apenas a mulher que desejava, mas o enigma que nunca conseguiria decifrar com seus livros ou lentes.

— Ichabod... — sussurrou ela, e o som de seu nome naquelas circunstâncias agiu como um gatilho.

Ele não conseguiu mais manter a distância mínima que a decência exigia. Com uma urgência que beirava o desespero, ele mergulhou o rosto novamente entre as pernas dela, mas desta vez não era apenas a curiosidade de um investigador; era a fome de um homem que estivera faminto por toda a vida sem saber. Ele aspirou o aroma dela — uma mistura inebriante de almíscar, flores silvestres e algo mais profundo, algo que cheirava a vida pulsante em meio à morada dos mortos.

A boca de Ichabod encontrou a intimidade de Katrina com uma avidez quase violenta. Ele usava a língua com uma precisão nervosa, explorando cada dobra, cada segredo que ela guardava sob aquelas camadas de seda. Ele ouviu o arquejo dela, o som seco da garganta dela se fechando enquanto ela puxava o ar, e sentiu as mãos pequenas de Katrina se enterrarem em seus cabelos negros e desalinhados, guiando-o, prendendo-o ali.

— Mais... — murmurou ela, a voz carregada de uma autoridade suave.

Ele obedeceu. Ichabod sentia que estava perdendo o juízo. A lógica, sua fiel companheira nas ruas cinzentas de Nova York, havia sido abandonada na entrada da floresta. Ali, ele era apenas carne e desejo. Ele lambeu a umidade que escorria por entre os dedos dela, saboreando-a como se fosse o elixir da imortalidade. Sua mente, sempre tão cheia de engrenagens e cálculos, agora estava em branco, preenchida apenas pelo som da respiração dela e pelo gosto salgado e doce de sua pele.

Incapaz de se satisfazer apenas com aquilo, Ichabod subiu o corpo, seus joelhos afundando na grama úmida e nas folhas mortas. Ele puxou o corpete dela ainda mais para baixo, expondo os seios alvo de Katrina ao luar pálido. Eles eram perfeitos, como esculturas de mármore que ganharam vida e calor. As pontas rosadas estavam rígidas pelo frio e pela antecipação.

Ichabod soltou um som baixo, quase um lamento, e inclinou a cabeça. Ele abocanhou um dos seios dela com um desespero que o assustou. Ele não apenas beijava; ele mamava com a intensidade de uma criança perdida que finalmente encontrara o caminho de casa. Suas bochechas cavadas se moviam enquanto ele sugava o mamilo dela, sentindo a firmeza do seio contra sua língua.

— Oh, meu Deus... — Ichabod arquejou entre uma sucção e outra, a voz abafada contra a pele dela. — Katrina... você é... você é um sacrilégio vivo.

A mão de Katrina desceu de sua nuca para suas costas, pressionando-o contra si. Ela sentia a vibração da voz dele contra seu peito, uma ressonância que parecia vibrar em seus próprios ossos.

— Deixe a sua ciência de lado, Ichabod — disse ela, inclinando a cabeça para trás, expondo a linha longa e elegante de seu pescoço. — Não há nada para medir aqui. Não há nada para provar. Apenas sinta.

Ele mudou para o outro seio, seus lábios úmidos deixando um rastro de brilho na pele clara dela sob a luz da lua. Ele estava possuído. O homem que temia sombras e fantasmas agora abraçava a escuridão com as duas mãos, contanto que Katrina fosse o centro dela. Ele mordiscou levemente a aréola dela, ouvindo-a soltar um gemido agudo que ecoou entre as árvores silenciosas.

— Eu não consigo... eu não consigo parar — confessou ele, as palavras saindo em espasmos. — É como se eu estivesse morrendo e você fosse o único ar disponível.

— Então beba, Ichabod — respondeu ela, um sorriso enigmático surgindo em seus lábios enquanto ela observava a devoção dele. — Beba até que não reste mais nada do homem que você costumava ser.

Ichabod Crane, o investigador racional, o homem que acreditava apenas no que podia ser pesado e medido, estava sendo devorado pela própria paixão. Ele apertou os quadris dela, sentindo a estrutura óssea de Katrina sob suas mãos, e continuou sua adoração febril, alternando entre as coxas e os seios, como se estivesse tentando mapear cada centímetro daquele território sagrado e profano.

O vento soprou mais forte, agitando as copas das árvores e trazendo consigo o cheiro de enxofre e névoa, mas para Ichabod, o único mundo que existia era aquele pequeno espaço entre as pernas e o peito de Katrina Van Tassel. Ele estava perdido, sim, mas nunca se sentira tão em casa.

— Você me enfeitiçou — murmurou ele, levantando o olhar por um breve segundo, seus olhos escuros brilhando com uma intensidade maníaca. — Não com ervas ou feitiços, mas com isso... com você.

Katrina acariciou o rosto dele, limpando uma gota de suor que escorria por sua têmpora.

— Talvez — disse ela suavemente. — Ou talvez você apenas tenha finalmente aberto os olhos para o que realmente importa, mestre Crane.

Ele voltou a esconder o rosto entre os seios dela, buscando o calor, buscando a vida, enquanto ao redor deles, as sombras de Sleepy Hollow observavam em silêncio o homem que trocara sua alma por um momento de eternidade no colo de uma bruxa.

Ele sentia o pulso dela sob sua orelha, uma batida rítmica e constante que parecia zombar da fragilidade da vida humana. Ichabod, em seu delírio, imaginou que cada sucção que dava no seio dela extraía um pouco daquela força sobrenatural que Katrina possuía. Ele queria ser parte dela, queria que o sangue dele corresse nas veias dela e vice-versa.

— Ichabod, olhe para mim — pediu ela, a voz agora mais séria, carregada de uma gravidade que o fez obedecer instantaneamente.

Ele ergueu a cabeça, a boca entreaberta, a respiração pesada. O rosto dele estava marcado pelo desejo, as bochechas coradas, uma visão muito diferente do investigador pálido e austero que chegara à aldeia semanas antes.

— Você entende agora? — perguntou ela, os olhos azuis fixos nos dele, parecendo ler cada pensamento secreto que ele já teve. — O medo é apenas o reverso do desejo. Você teme o Cavaleiro porque teme perder a vida. Mas aqui, agora... você está dando a sua vida para mim.

— Eu a daria mil vezes — respondeu ele, a voz rouca, sem hesitação. — Eu nunca soube o que era estar vivo até que senti o seu toque.

Ele a puxou para baixo, para o chão coberto de musgo e folhas, ignorando a sujidade que mancharia suas roupas impecáveis. Ele a queria sob ele, queria sentir o peso do corpo dela, a resistência e a entrega.

— — Aqui? — sussurrou ela, embora já estivesse se acomodando sob ele, as saias subindo para revelar novamente a brancura de suas pernas.

— — Aqui — afirmou ele. — Onde os ancestrais vigiam. Onde a terra reclama o que é dela.

Ichabod se posicionou entre as pernas dela mais uma vez, mas agora ele não se deteve em preliminares. Ele precisava daquela união, daquele impacto que o faria esquecer o próprio nome. Quando ele entrou nela, soltou um grito que foi abafado pelo beijo de Katrina. Era uma sensação de completude que beirava a dor.

Ele se movia com uma cadência desesperada, as mãos agarrando a grama, os dedos se enterrando na terra fria enquanto o resto de seu corpo queimava. Katrina o recebia com uma intensidade equivalente, suas pernas cruzadas sobre as costas dele, puxando-o para cada vez mais fundo, como se quisesse que ele se fundisse ao seu próprio ser.

— — Mais forte — pediu ela, as unhas cravando-se nos ombros dele através do tecido fino da camisa.

Ichabod não era mais um homem de palavras. Ele era um animal, um ser movido por instinto puro. Cada estocada era um protesto contra a morte, uma afirmação de sua existência. Ele olhava para o céu, para as estrelas escondidas pela névoa, e sentia que estava tocando o divino através da carne de Katrina.

O prazer subiu como uma maré, avassalador e incontrolável. Ichabod sentiu as paredes internas de Katrina apertarem-se ao redor dele, um abraço íntimo que o fez perder o fôlego. Ele acelerou o ritmo, o suor pingando de seu rosto no dela, misturando-se às lágrimas de êxtase que ele nem percebera que estava derramando.

— — Katrina! — ele gritou, desta vez sem se importar se alguém ou algo o ouvisse.

Ele desmoronou sobre ela, o corpo tremendo em espasmos longos e profundos enquanto se derramava dentro dela. Katrina o segurou com força, sussurrando palavras em uma língua que ele não reconhecia, mas que soavam como bênçãos em seus ouvidos.

Ficaram ali por um longo tempo, dois corpos entrelaçados em meio aos monumentos da morte. O silêncio voltou a reinar, quebrado apenas pelo som da respiração que gradualmente voltava ao normal. Ichabod sentia o frio da noite começar a penetrar em seus ossos novamente, mas o fogo em seu peito permanecia aceso.

Ele se afastou lentamente, olhando para Katrina. Ela parecia mais radiante do que nunca, a pele brilhando, os cabelos dourados espalhados como uma auréola sobre a terra escura. Ela sorriu para ele, um sorriso de quem possuía todos os segredos do mundo.

— — O mestre Crane parece ter encontrado sua resposta — disse ela, ajeitando o cabelo com uma calma irritante.

Ichabod sentou-se, tentando recompor sua dignidade, embora soubesse que ela fora deixada para trás há muito tempo. Ele olhou para as mãos, sujas de terra e marcadas pelo suor, e depois para a mulher à sua frente.

— — Eu não encontrei respostas, Katrina — disse ele, um pequeno sorriso surgindo em seus lábios pela primeira vez de forma genuína. — Eu apenas descobri que as perguntas certas não são feitas com a cabeça, mas com o coração.

Ele ajudou-a a se levantar, limpando cuidadosamente as folhas de seu vestido. O gesto era terno, uma transição brusca da paixão violenta de momentos antes.

— — Temos que voltar — disse ela, olhando em direção às luzes distantes da mansão Van Tassel. — As sombras estão ficando inquietas.

— — Deixe que fiquem — respondeu Ichabod, pegando sua maleta e oferecendo o braço a ela. — Depois desta noite, não há sombra em Sleepy Hollow que possa me assustar mais do que a ideia de não ter você.

Caminharam juntos pela névoa, deixando o cemitério para trás. Ichabod Crane ainda era um homem de ciência, mas agora ele sabia que havia mistérios que nenhuma lente poderia revelar, e que a maior verdade de todas estava escondida no calor de um beijo e no desespero de um desejo saciado sob o olhar dos mortos.