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Sleepy hollow

O Feitiço da Carne e o Silêncio Cortante

A manhã em Sleepy Hollow nasceu cinzenta, como se a própria luz do sol tivesse medo de penetrar a densa névoa que abraçava a mansão Van Tassel. Ichabod Crane acordou com a mente nublada, resquícios da febre da noite anterior ainda dançando em suas têmporas, mas seu corpo guardava uma memória muito mais vívida: o calor de Katrina, o peso dela sobre ele e a entrega absoluta que desafiava todas as leis da lógica que ele tanto prezava.

No entanto, o que Ichabod esperava ser um episódio isolado de delírio e paixão provou ser apenas o prelúdio de algo muito mais perturbador e faminto. Katrina Van Tassel não era mais a jovem contida e misteriosa de outrora; algo havia despertado nela, uma urgência primitiva que parecia consumir sua própria essência.

Ichabod desceu as escadas, ajeitando o colete preto com as mãos trêmulas. Ele precisava de café, precisava de seus livros, precisava de qualquer coisa que o ancorasse na realidade. Mas, ao chegar ao pé da escada, ele foi interceptado. Katrina estava lá, encostada na parede de carvalho. Seus olhos, geralmente melancólicos, estavam injetados, as pupilas tão dilatadas que o castanho quase desaparecia no preto.

— Ichabod — murmurou ela, a voz rouca, desprovida de qualquer polidez.

— Katrina, bom dia. Eu... eu estava indo para o desjejum — disse ele, tentando manter a compostura, embora seu coração disparasse.

Antes que ele pudesse dar um passo, ela avançou. Não foi um toque delicado. Katrina o empurrou contra a parede, suas mãos pequenas, mas surpreendentemente fortes, agarrando as lapelas de seu casaco.

— Eu não consigo parar — disse ela, ofegante, colando o corpo ao dele. — Eu tentei, Ichabod. No meu quarto, sozinha... usei meus dedos até que minhas coxas tremessem e eu não pudesse mais ficar de pé, mas não é o suficiente. Meus dedos não são você. Eles não preenchem o vazio que você deixou ontem à noite.

Ichabod empalideceu, o choque paralisando seus sentidos.

— Katrina, por favor, alguém pode ouvir... a servidão, seu pai...

— Eu não me importo — sibilou ela, deslizando uma das mãos para baixo, por cima do tecido grosso de suas calças, até encontrar o volume entre as pernas dele. Ela apertou com força, um gemido de frustração escapando de seus lábios. — Eu quero você. Agora. Aqui. Me come, Ichabod.

A crueza das palavras dele o atingiu como um tapa. O Ichabod racional queria fugir, mas o homem que fora despertado pela febre sentiu o sangue ferver. Ele a segurou pelos pulsos, tentando afastá-la suavemente.

— Você não está em si, Katrina. É a atmosfera deste lugar, talvez o estresse dos últimos dias...

— É fome! — interrompeu ela, desvencilhando-se e tentando enfiar a mão por dentro do cós da calça dele. — Uma fome que só o que você tem entre as pernas pode saciar. Eu sinto o cheiro do seu desejo, Ichabod. Não negue para mim.

Eles foram interrompidos pelo som de passos pesados. A governanta da casa, uma mulher de rosto severo e olhos que pareciam julgar até os pensamentos mais ocultos, surgiu no corredor com uma pilha de lençóis. Ela parou abruptamente, observando a proximidade indecente entre a filha do patrão e o convidado.

— Senhorita Katrina — disse a mulher, a voz fria como o gelo do inverno. — O decoro exige que se comporte como a dama que foi criada para ser. O senhor Crane é um hóspede, não um brinquedo de estábulo.

Katrina sequer olhou para trás, mantendo os olhos fixos em Ichabod, mas sua postura endureceu.

— Cuide das suas obrigações, Sarah. Minha alma e meu corpo pertencem a mim.

— Seu pai saberá disso se essa... exibição continuar — retrucou a governanta, antes de se afastar com um bufo de indignação.

Ichabod aproveitou a distração para se desvencilhar e caminhar apressadamente em direção aos jardins, buscando o ar frio para acalmar os nervos. Mas Katrina era como uma sombra persistente. Ela o seguiu pelos caminhos de pedra, entre as árvores retorcidas que pareciam observar o desenrolar daquela obsessão.

No jardim isolado, atrás das sebes altas, ela o alcançou novamente. Dessa vez, não houve palavras gentis. Ela o agarrou por trás, abraçando sua cintura e pressionando o rosto contra as costas dele.

— Por que você foge? — perguntou ela, a voz embargada. — Você sabe que me quer. Eu vi como você olhou para mim ontem. Eu vi como você se perdeu dentro de mim.

Ichabod virou-se, o rosto suado apesar do frio. Ele a segurou pelos ombros, olhando profundamente naqueles olhos que pareciam queimar com um fogo negro.

— Katrina, isso é loucura. Eu sou um homem de ciência, de fatos... mas o que você está me pedindo... o que você está fazendo comigo...

— Eu estou pedindo vida, Ichabod! — Ela se ajoelhou diante dele, no chão úmido, e começou a desabotoar a braguilha dele com uma urgência maníaca. — Eu quero sentir você rasgando esse vazio dentro de mim.

— Katrina, pare! — Ele tentou recuar, mas ela já havia libertado a masculinidade dele, que reagia involuntariamente ao toque febril das mãos dela.

O contraste era absoluto: a pureza do jardim gótico e a crueza do desejo dela. Ela levou a língua à ponta dele, gemendo contra a pele dele, e Ichabod sentiu seus joelhos fraquejarem. A razão estava perdendo a batalha. Ele a puxou para cima, forçando-a a ficar de pé, e a prensou contra uma estátua de mármore coberta de musgo.

— Você quer isso? — rosnou ele, a voz perdendo a polidez aristocrática. — Você quer que eu esqueça quem sou, que eu esqueça o perigo que nos cerca?

— Eu quero que você me possua até que eu não saiba mais meu próprio nome — respondeu ela, levantando a saia pesada do vestido, revelando que não usava nada por baixo. A umidade entre suas pernas brilhava sob a luz pálida. — Me come, Ichabod. Agora.

Ichabod olhou para baixo, para a visão daquela carne rosada e convidativa, tão exposta e faminta. O cheiro dela, uma mistura de lavanda e excitação pura, invadiu seus sentidos.

— Sua buceta... — a palavra saiu da boca de Ichabod como um sacrilégio, estranha e pesada em sua língua acostumada a termos técnicos e latim. — Sua buceta está encharcada, Katrina. Você está realmente no cio, como um animal.

— Então me trate como um — desafiou ela, envolvendo as pernas na cintura dele e puxando-o para o encontro de sua intimidade.

Ele não resistiu mais. Ichabod a penetrou com um estocada violenta, um grito de prazer e alívio escapando de ambos. O impacto contra a estátua de mármore ecoou no jardim silencioso. Ele a segurava pelas coxas, movendo-se com uma força que ele não sabia que possuía, enquanto Katrina cravava as unhas em suas costas, através do casaco, gritando o nome dele para o céu nublado.

Cada movimento era um protesto contra a morte que rondava Sleepy Hollow. Era um ato de rebelião carnal. Ichabod falava palavras que nunca ousaria dizer em voz alta, descrições vívidas do que sentia, de como a buceta dela o apertava, de como o calor dela parecia sugar sua própria alma.

No entanto, a sombra da governanta não estava longe. Do alto de uma das janelas da mansão, Sarah observava a cena com horror e uma reprovação que beirava o ódio religioso. Para ela, aquilo não era amor ou paixão; era a manifestação do mal que sempre habitara as florestas daquela região, agora corrompendo o homem da cidade e a herdeira dos Van Tassel.

Quando o clímax os atingiu, um espasmo violento que os deixou trêmulos e exaustos, Ichabod apoiou a testa no ombro de Katrina, o suor pingando de seu nariz. Ele sentia-se vazio, mas de uma maneira que a ciência nunca poderia explicar.

— Você está satisfeita? — perguntou ele, a voz falhando.

Katrina abriu os olhos, o brilho selvagem ainda presente, mas agora temperado com uma satisfação sombria. Ela deslizou para o chão, arrumando as saias com uma calma perturbadora.

— Por enquanto, meu querido Ichabod — disse ela, beijando o canto da boca dele, onde um rastro de saliva permanecia. — Mas a noite voltará. E a névoa sempre traz a fome de volta.

Ela se virou e caminhou em direção à casa com a elegância de uma rainha, deixando Ichabod sozinho no jardim, com as calças desabotoadas e a mente finalmente compreendendo que, em Sleepy Hollow, a lógica era a primeira vítima, e o desejo era a única coisa que restava quando as cabeças rolavam.

Ele olhou para a janela e viu a cortina se fechar bruscamente. Ele sabia que haveria consequências. Mas, enquanto sentia o formigamento em seu corpo e o cheiro de Katrina em suas mãos, Ichabod Crane percebeu que, pela primeira vez em sua vida, ele não tinha medo das consequências. Ele tinha medo de que Katrina parasse de pedir.