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Sleepy hollow

O Batismo do Pecado e da Névoa

A atmosfera na mansão Van Tassel havia se tornado irrespirável. Ichabod Crane, o homem que outrora acreditava que o mundo poderia ser medido por réguas, balanças e fórmulas químicas, sentia-se agora como um náufrago em um oceano de luxúria e sombras. O encontro no jardim não havia sido o fim, mas o rompimento definitivo de uma represa. A febre que antes queimava em seu sangue devido à doença fora substituída por uma combustão muito mais perigosa: a obsessão por Katrina Van Tassel.

Ele estava em seu quarto, tentando inutilmente organizar seus instrumentos de investigação. Suas mãos, porém, tremiam. Ele olhava para o bisturi de prata e não via o metal; via o reflexo da pele alva de Katrina sob o luar. Ele tentava ler seus próprios relatórios sobre o Cavaleiro, mas as letras se embaralhavam, transformando-se em visões das curvas dela, do modo como ela o cavalgara na noite anterior, de como ela agia como uma criatura no cio, faminta e insaciável.

A porta do quarto não estava trancada. Ichabod sabia que deveria ter passado a tranca, que deveria se proteger daquele magnetismo que o estava destruindo, mas uma parte dele — a parte que ele passara a vida tentando reprimir — ansiava pela invasão.

E ela veio.

Não houve batidas. A porta se abriu com um impacto seco contra a parede. Katrina entrou, e o cheiro de terra úmida e flores noturnas pareceu inundar o ambiente. Ela não estava mais com os vestidos elaborados de uma dama. Vestia apenas uma combinação de seda negra, descalça, com os cabelos loiros em um desalinho que sugeria uma luta interna ou uma urgência divina.

— Ichabod — disse ela, e o nome dele soou como uma sentença.

Ele se levantou da cadeira, derrubando um tinteiro que manchou o pergaminho de preto, como se a própria escuridão estivesse se espalhando pelos seus pensamentos.

— Katrina, você não pode estar aqui. Sarah... a governanta... ela nos viu no jardim. Ela vai contar ao seu pai. O escândalo será a sua ruína.

Katrina caminhou até ele com uma lentidão predatória. Ela ignorou as palavras dele, seus olhos castanhos fixos nos dele com uma intensidade que parecia querer arrancar a alma de Ichabod através de suas pupilas.

— Deixe que vejam — disse ela, parando a milímetros do peito dele. — Deixe que o mundo queime, Ichabod. Você não entende? O Cavaleiro está lá fora colhendo cabeças, a morte está batendo em cada porta desta vila amaldiçoada... e eu só sinto vida quando estou sob você. Eu só sinto que o sangue ainda corre em minhas veias quando você me preenche.

Ela levou a mão ao rosto dele, os dedos frios contrastando com a pele febril de Ichabod. Ele fechou os olhos, soltando um suspiro trêmulo.

— Eu sou um homem de razão, Katrina... isso não é racional.

— A razão é uma mentira que contamos a nós mesmos para não enlouquecermos com a verdade — sussurrou ela, deslizando a mão para baixo, agarrando a nuca dele e puxando-o para um beijo que não tinha nada de romântico. Era um beijo de posse, de dentes se chocando e línguas se entrelaçando com uma fúria desesperada.

Katrina soltou um gemido baixo e, com um movimento ágil, empurrou Ichabod em direção à cama. Ele caiu de costas, e antes que pudesse se situar, ela já estava sobre ele. Ela se rastejou por cima do corpo dele como uma gata, seus joelhos pressionando as costelas magras de Ichabod.

Com um movimento brusco, Katrina agarrou a barra de sua própria camisola e a puxou para cima, jogando-a longe. Ela estava nua sob a luz das velas, sua pele pálida brilhando como se fosse feita de madrepérola. Ela não esperou por preliminares ou gentilezas. Seus dedos voaram para os botões da calça dele, arrancando-os com uma força que demonstrava que ela não aceitaria um "não" como resposta.

— Agora, Ichabod — ordenou ela, a voz carregada de uma luxúria que beirava o animalesco. — Eu quero sentir cada centímetro de você. Eu quero que você me use como se fosse a última coisa que faria antes da forca.

Ela se posicionou, guiando-o para dentro de si com um suspiro de alívio que parecia vir do fundo de suas entranhas. Quando ele a preencheu totalmente, Katrina jogou a cabeça para trás, os cabelos loiros caindo como um véu sobre o rosto de Ichabod. Ela começou a cavalgar.

O ritmo era frenético. Katrina se movia com uma urgência que Ichabod nunca vira em nenhum ser humano. Ela não era apenas uma mulher; ela era uma força da natureza, uma personificação do desejo reprimido de séculos. Seus quadris subiam e desciam com uma cadência que fazia a cama de madeira ranger em protesto, um som que ecoava pelo quarto silencioso.

— Sim... oh, Deus, Ichabod... — gemia ela, as unhas cravando-se nos ombros dele, deixando marcas vermelhas na pele clara. — Mais fundo... não pare...

Ichabod, perdido em um transe de êxtase e terror, agarrou a cintura dela, ajudando no movimento. Ele olhava para cima e via o rosto dela transfigurado. Katrina parecia estar em um estado de transe, os olhos revirando, a boca entreaberta deixando escapar sons guturais. Ela agia como se estivesse no cio, uma necessidade biológica e espiritual de ser possuída, de ser marcada.

— Você é minha... — murmurou Ichabod, a voz saindo em um tom que ele não reconhecia. — Katrina... você vai me levar à loucura.

— Já estamos loucos, meu detetive — respondeu ela, inclinando-se para frente até que seus seios pressionassem o peito dele. — A loucura é o único lugar onde podemos ser livres.

Ela mudou o ângulo, inclinando o corpo para trás enquanto continuava a se mover sobre ele, oferecendo sua nudez à luz das velas. Ichabod sentia o calor da união deles, a fricção que parecia gerar eletricidade no ar úmido. Ele estava montado nela, ou ela nele — as fronteiras haviam desaparecido. Ele era o instrumento, e ela era a musicista tocando uma sinfonia de carne e pecado.

De repente, um som vindo do corredor os fez congelar por um milésimo de segundo. Passos. Passos leves e rápidos.

— Alguém... — Ichabod começou a dizer, mas Katrina o calou com a mão sobre a boca.

— Não pare — sibilou ela no ouvido dele, o hálito quente enviando arrepios pela espinha dele. — Se eles querem ver, que vejam o que é o verdadeiro poder.

Ela aumentou a velocidade, ignorando o perigo de serem descobertos. A audácia dela era contagiante. Ichabod sentiu uma onda de adrenalina se misturar ao prazer, e ele a puxou para mais perto, enterrando o rosto no pescoço dela, sentindo o cheiro de suor e desejo.

— Katrina... — ele arquejou, sentindo o ápice se aproximar como uma tempestade.

Ela não respondeu com palavras, apenas com um movimento circular de quadris que o fez ver estrelas. Ela se entregava a ele com cada fibra de seu ser, oferecendo sua intimidade, sua vulnerabilidade e sua força em um único ato de comunhão profana.

Quando o momento final chegou, Katrina soltou um grito abafado contra o ombro dele, seu corpo inteiro tremendo em espasmos violentos. Ichabod se perdeu nela, liberando toda a tensão acumulada, toda a dor de seu passado e todo o medo de seu futuro dentro daquele calor acolhedor.

Eles ficaram ali, entrelaçados, enquanto a respiração de ambos voltava ao normal. O silêncio voltou a reinar no quarto, interrompido apenas pelo estalar das velas que se apagavam.

— Você precisa ir — disse Ichabod, finalmente recuperando a voz, embora ela ainda estivesse trêmula. — Sarah... ela vai contar. Seu pai virá aqui.

Katrina se levantou lentamente, sem qualquer sinal de vergonha. Ela olhou para Ichabod, e o brilho em seus olhos era agora de uma calma absoluta, quase assustadora.

— Deixe que ele venha — disse ela, pegando sua camisola do chão. — Meu pai teme o Cavaleiro, teme a névoa e teme o que não pode controlar. Ele não tem poder sobre o que aconteceu aqui.

Ela vestiu a seda, que agora grudava em seu corpo úmido, delineando cada curva.

— Ichabod — chamou ela, já na porta.

— Sim?

— A ciência pode explicar como o coração bate, mas nunca explicará por que ele dói quando você não está perto de mim. Lembre-se disso quando a lógica tentar te roubar de mim.

Ela saiu, fechando a porta suavemente. Ichabod ficou deitado, olhando para o teto, sentindo o peso do que acabara de acontecer. Ele sabia que as consequências seriam severas. Ele sabia que Sleepy Hollow não perdoava transgressões, fossem elas sobrenaturais ou humanas.

Lá fora, o uivo do vento parecia carregar um riso sinistro. A névoa se fechava sobre a mansão, ocultando segredos e pecados. Ichabod Crane, o homem da razão, fechou os olhos e, pela primeira vez, não buscou uma explicação. Ele apenas sentiu o calor que ainda restava em seus lençóis e esperou pelo inevitável amanhecer.