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Somente minha

O Intruso e a Proteção do Vilão

O calor no covil de Max parecia aumentar a cada segundo. O som da música que vinha do andar de cima era apenas um zumbido distante, abafado pela batida acelerada do meu coração. Max continuava com os lábios pressionados contra a pele macia do meu pescoço, alternando entre beijos suaves e mordidas leves que me faziam estremecer nos braços dele. Eu estava sentada em seu colo, sentindo a firmeza de suas mãos em minha cintura, quando o som estridente de Phoebe gritando meu nome cortou o ar como uma navalha.

— Hanna! Hanna, cadê você? A Cherry derrubou ponche de uva no tapete novo da mamãe e eu não sei o que fazer! Hanna!

Max parou o que estava fazendo, encostando a testa no meu ombro e soltando um suspiro carregado de frustração. Ele jogou a cabeça para trás, olhando para o teto com uma expressão de puro ódio cômico.

— Mas será possível que eu não tenho paz nem para isso? — ele reclamou, a voz rouca e irritada. — Phoebe é uma destruidora profissional de momentos. Ela tem um radar, eu juro. Um radar para estragar a minha vida!

Eu não consegui evitar e soltei uma risada baixa, sentindo a vibração do peito dele contra as minhas costas.

— Ela está desesperada, Max. Se a sua mãe descobrir que o tapete está manchado, a Phoebe vai entrar em colapso — eu disse, tentando me recompor e ajeitando meu cabelo que já estava levemente bagunçado.

— Deixe que ela entre em colapso! — Max resmungou, apertando minha cintura uma última vez antes de me deixar levantar. — Ela tem superpoderes, que use o sopro de gelo para congelar a mancha ou sei lá. Por que ela tem que te chamar toda vez que algo dá errado?

— Porque eu sou a amiga sensata, ao contrário de você — brinquei, dando um selinho rápido nos lábios dele para acalmá-lo. — Eu já volto. Não saia daí.

— Para onde eu iria? — ele bufou, voltando a girar a cadeira para o computador, embora seus olhos ainda estivessem fixos em mim enquanto eu subia as escadas. — Não demora, ou eu vou lá em cima e transformo a festa dela em um desfile de baratas mutantes.

Subi as escadas rindo, mas assim que atravessei a porta do covil e entrei na sala, o caos me atingiu. A música estava ainda mais alta, e o cheiro de suco de uva era onipresente. Phoebe estava ajoelhada no chão, tentando desesperadamente esfregar uma mancha roxa gigante no tapete bege, enquanto Cherry abanava as mãos ao redor dela, pedindo desculpas mil vezes por segundo.

— Hanna! Graças a Deus! — Phoebe exclamou, olhando para mim com os olhos arregalados. — O que eu faço? Se a minha mãe vir isso, ela vai me mandar para o acampamento de verão para super-heróis certinhos pelo resto da eternidade!

— Calma, Phoebe. Pega um pouco de água com gás e bicarbonato na cozinha — instruí, assumindo o controle da situação. — Cherry, para de girar, você está deixando ela mais nervosa.

Passei os próximos dez ou quinze minutos ajudando-as. Foi uma operação de guerra, mas conseguimos suavizar a mancha até que ficasse quase imperceptível sob a luz da festa. Phoebe me abraçou, aliviada, e Cherry voltou a dançar como se nada tivesse acontecido. No entanto, o clima da festa estava ficando pesado. Havia muita gente que eu nem conhecia, amigos de amigos que Phoebe tinha deixado entrar.

— Obrigada, Hanna. Você é um anjo — Phoebe disse, pegando outro copo de suco. — Certeza que não quer ficar aqui com a gente? O DJ vai tocar aquela música que você gosta.

— Acho que vou voltar para baixo, Phoebe. Minha cabeça ainda está latejando um pouco e o Max... bem, você sabe como ele é — respondi, tentando soar casual.

— Ele é um chato, eu sei. Mas divirta-se — ela piscou para mim e se misturou à multidão.

Eu comecei a caminhar em direção ao corredor que levava à entrada do covil. O corredor estava mal iluminado e um pouco mais vazio do que a sala principal. Eu estava distraída, pensando no calor do toque de Max, quando senti uma presença se aproximar rápido demais.

Antes que eu pudesse reagir, um garoto alto, que eu lembrava vagamente de ter visto no time de futebol da escola, bloqueou meu caminho. Ele tinha um sorriso convencido e um olhar que me deixou desconfortável instantaneamente.

— E aí, gatinha? — ele disse, a voz arrastada, indicando que ele já tinha bebido mais do que devia. — Aonde você vai com tanta pressa? A festa é aqui em cima.

— Eu só vou ver um amigo — respondi seca, tentando passar por ele.

Ele não se moveu. Em vez disso, deu um passo à frente, invadindo meu espaço pessoal.

— Um amigo? O esquisito do Max? Você é bonita demais para ficar trancada naquele porão com ele — ele riu e, sem qualquer aviso, passou a mão pela minha barriga nua, subindo os dedos pela lateral da minha cintura por baixo do cropped.

Senti uma onda de nojo e raiva percorrer meu corpo. Empurrei a mão dele com força.

— Não encosta em mim! — disparei, meu tom de voz subindo.

— Calma, Hanna. Não precisa ser difícil — ele disse, os olhos brilhando de um jeito predatório que me deu calafrios.

Não esperei por uma segunda frase. Desviei dele com um movimento rápido e quase corri em direção à porta do covil. Eu podia sentir o olhar dele queimando nas minhas costas, uma sensação pegajosa e horrível que me fazia querer tomar um banho de três horas.

Desci as escadas do covil quase tropeçando nos próprios pés. Quando cheguei ao fundo, Max estava exatamente onde eu o deixara, mas ele se virou no instante em que ouviu meus passos apressados. Sua expressão mudou de tédio para preocupação em um milésimo de segundo ao ver meu rosto.

— Hanna? O que aconteceu? — ele perguntou, levantando-se da cadeira. — Você está pálida. Aquela mancha de suco era tão ruim assim?

Eu não respondi de imediato. Apenas caminhei até ele e me sentei novamente na cama, abraçando meus próprios joelhos. O tremor nas minhas mãos era leve, mas perceptível. Max se aproximou lentamente, ajoelhando-se na minha frente.

— Hanna, fala comigo — ele pediu, sua voz perdendo todo o sarcasmo habitual. — Alguém fez alguma coisa lá em cima?

— Aquele garoto... o Tyler, do futebol — comecei, sentindo minha garganta apertar. — Eu estava voltando para cá e ele me parou no corredor. Ele passou a mão em mim de novo, Max. De um jeito... nojento. E o jeito que ele me olhou...

O clima no covil mudou instantaneamente. O ar pareceu ficar mais frio, e eu vi os olhos de Max escurecerem de uma forma que eu nunca tinha visto antes. Não era apenas a irritação de vilão que ele costumava fingir; era uma fúria real, contida e perigosa. Seus punhos se fecharam ao lado do corpo e eu juro que vi uma pequena faísca de eletricidade estalar entre seus dedos.

— Ele o quê? — Max perguntou, a voz baixa, quase um sussurro mortal.

— Ele agiu como se eu fosse um objeto, Max. Eu me senti... — eu não terminei a frase, mas não precisei.

Max se levantou abruptamente, virando-se em direção às escadas.

— Max, não! — eu disse, levantando-me e segurando o braço dele. — Não vai lá em cima. Você vai acabar usando seus poderes na frente de todo mundo e vai se meter em encrenca com a Liga de Heróis.

— Eu não me importo com a Liga de Heróis agora, Hanna — ele disse, virando-se para mim. Seus olhos estavam fixos nos meus, cheios de uma proteção possessiva. — Ninguém toca em você. Ninguém olha para você desse jeito na minha casa. Se eu não der uma lição naquele idiota, ele vai achar que pode fazer isso de novo.

— Por favor, fica aqui — pedi, puxando-o para mais perto. — Eu só quero ficar longe daquelas pessoas. Se você for lá, vai criar uma cena e a Phoebe vai surtar. Só... fica comigo.

Max respirou fundo, lutando visivelmente contra o impulso de subir e congelar o tal Tyler até os ossos. Ele olhou para a escada e depois voltou para mim. A tensão em seus ombros relaxou apenas um pouco, mas a raiva ainda estava lá, fervilhando sob a superfície.

— Você tem sorte de eu gostar mais de você do que eu odeio aquele cara — ele resmungou, mas me puxou para um abraço apertado.

Enterrei meu rosto no peito dele, sentindo o cheiro familiar de eletrônicos e do perfume dele. Max me segurou como se eu fosse a coisa mais preciosa de seu covil, passando a mão pelo meu cabelo preto com uma delicadeza que poucas pessoas sabiam que ele possuía.

— Ele não vai chegar perto de você de novo, Hanna. Eu prometo — ele sussurrou contra o topo da minha cabeça. — Se ele tentar, eu não vou me importar com segredos ou poderes. Eu vou transformá-lo em um cubo de gelo e usá-lo para esfriar o ponche da Phoebe.

Eu dei uma risadinha fraca, sentindo-me um pouco mais segura. Max me guiou de volta para a cadeira dele e se sentou, puxando-me para o seu colo mais uma vez. Ele ligou os monitores e começou a mexer em alguns controles.

— O que você está fazendo? — perguntei, observando as telas.

— Vigilância — ele respondeu com um sorriso de lado sombrio. — Vou ficar de olho em cada passo desse idiota pelas câmeras. E, se ele chegar perto de qualquer outra garota ou fizer qualquer gracinha... digamos que o sistema de irrigação da casa pode ter um "acidente" bem em cima da cabeça dele.

Eu observei as câmeras de segurança que Max tinha espalhadas pela casa. Ele localizou Tyler na cozinha, rindo com alguns amigos. Max apertou um botão e, de repente, o som da música na cozinha aumentou para um volume ensurdecedor por apenas um segundo, fazendo o garoto pular de susto e derrubar a bebida na própria camisa.

— Pequenas vitórias — Max comentou, satisfeito.

Eu sorri e encostei minha cabeça em seu ombro. Max desligou o som das câmeras e colocou um filme qualquer para rodar em uma das telas laterais, mas ele não estava realmente assistindo. Ele voltou a distribuir selinhos pelo meu pescoço, mas desta vez o toque era diferente. Era um toque de conforto, de reivindicação.

— Você está bem agora? — ele perguntou entre um beijo e outro, sua mão descansando protetoramente sobre a minha barriga, exatamente no lugar onde o outro garoto havia tocado, como se quisesse apagar qualquer rastro daquela sensação ruim.

— Estou — respondi honestamente. — Com você aqui, eu estou bem.

— Ótimo — ele murmurou, virando meu rosto para que eu olhasse para ele. — Porque eu ainda não terminei de te mostrar por que o covil é muito melhor do que aquela festa lá em cima.

Max me beijou novamente, um beijo profundo que selava sua promessa de proteção. Eu sabia que, para o mundo, Max Thunderman queria ser um supervilão temido, mas ali, naquele momento, ele era apenas o meu porto seguro. E enquanto a festa continuava barulhenta e caótica acima de nossas cabeças, no silêncio do covil, eu me sentia exatamente onde deveria estar: nos braços do meu vilão favorito.