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Stranger things omegaverso

O Xerife, o Laboratório e a Garota Misteriosa

A manhã seguinte trouxe consigo uma fina névoa que cobria Hawkins, como um véu de incerteza e presságio. A busca por Will se intensificava, mas os resultados eram desanimadores. Equipes de busca, voluntários e a polícia varriam a floresta e os arredores da cidade, mas não havia sinal do ômega. O xerife Jim Hopper, um alfa experiente e com um semblante endurecido pela vida, sentia a pressão da comunidade. O desaparecimento de uma criança era sempre delicado, mas o fato de Will ser um ômega, conhecido por sua natureza gentil e sensível, intensificava a angústia coletiva. Havia uma expectativa social de que os ômegas fossem protegidos, e a falha em fazê-lo era sentida profundamente.

Hopper, com sua jaqueta de couro surrada e o cigarro pendurado no canto da boca, coordenava as operações com uma eficiência sombria. Ele não era um homem de muitas palavras, mas seus olhos azuis, geralmente opacos, agora carregavam uma intensidade que denotava sua determinação. Ele havia visto muita coisa em sua carreira, mas o desaparecimento de Will Byers parecia diferente. Havia algo de inquietante, uma peça que não se encaixava no quebra-cabeça.

– Não encontramos nada, Xerife, – disse um de seus oficiais, um beta jovem e visivelmente exausto. – Nem um rastro, nem um pedaço de roupa. É como se ele tivesse evaporado.

Hopper soltou uma baforada de fumaça, o cheiro amargo do tabaco misturando-se ao ar úmido.

– Continue procurando. Virem cada pedra. Verifiquem cada córrego. Ele não pode ter simplesmente desaparecido.

Enquanto a busca continuava, Joyce Byers, com seus cabelos emaranhados e olhos vermelhos de tanto chorar, recusava-se a desistir. Ela sentia, em cada fibra de seu ser, que Will estava vivo. A casa, antes cheia da vida e da arte de seu filho, agora parecia um túmulo. Cada objeto, cada desenho de Will pendurado na geladeira, era uma tortura silenciosa. Ela andava de um lado para o outro, chamando o nome do filho, como se sua voz pudesse atravessar a barreira do desconhecido e trazê-lo de volta.

Jonathan, o irmão mais velho, tentava ser a rocha de sua mãe, mas por dentro, ele estava tão devastado quanto ela. Ele passava horas vasculhando a floresta com sua câmera, na esperança de encontrar alguma pista, alguma evidência que a polícia pudesse ter perdido. Ele se lembrava da última vez que vira Will, desenhando no quarto, sua concentração quase palpável. A imagem do rosto delicado e expressivo do irmão ômega o assombrava.

No porão dos Wheeler, a atmosfera era tensa. Mike, Lucas e Dustin, com a determinação de jovens cruzados, planejavam sua própria busca. Eles sentiam que a polícia estava falhando, que não compreendia a urgência da situação. Para eles, Will não era apenas um "garoto desaparecido"; era seu amigo, seu companheiro de D&D, o ômega gentil e criativo que eles tanto admiravam.

– A gente não pode ficar parado, – Mike declarou, sua voz cheia de uma autoridade incomum para sua idade. – A gente sabe que o Demogorgon existe, e se ele pegou o Will...?

Lucas, sempre o mais cético, balançou a cabeça.

– Mike, isso é D&D. Não é a vida real.

– E se for? – Dustin interveio, seus olhos arregalados. – E se o Demogorgon for real e tiver levado o Will?

Mike olhou para a mesa de D&D, para as miniaturas do Demogorgon.

– A gente tem que pensar como o Demogorgon. Onde ele se esconderia?

Eles pegaram suas bicicletas e partiram, determinados a seguir o rastro de Will. A floresta, que antes era o palco de suas aventuras imaginárias, agora se apresentava como um labirinto sombrio e ameaçador.

Enquanto isso, em uma área mais isolada de Hawkins, os eventos tomavam um rumo ainda mais sinistro. Em um laboratório secreto, escondido nas profundezas de uma instalação governamental, o Dr. Martin Brenner, um alfa com uma mente brilhante e um coração gélido, observava os monitores. Ele era o diretor do Laboratório Nacional de Hawkins, um centro de pesquisa que, sob o disfarce de estudos de energia, realizava experimentos obscuros e perigosos.

Brenner era um homem de poucas emoções, seu rosto sempre impassível, seus olhos escondidos por trás de óculos grossos. Ele era um manipulador mestre, um cientista que via seres humanos como meros objetos de estudo. Sua maior criação, seu "projeto", era uma jovem com habilidades psicocinéticas extraordinárias, conhecida apenas como Onze.

Onze, ou El, como ela se chamava, era uma garota de doze anos, com a cabeça raspada e olhos que carregavam a dor de uma vida inteira de experimentos. Ela não era uma ômega, nem uma beta, nem uma alfa no sentido convencional. Sua identidade era definida por seus poderes, por sua capacidade de mover objetos com a mente, de entrar em outras dimensões. Ela era uma arma, uma ferramenta, e Brenner a controlava com uma crueldade calculada.

Naquela manhã, El estava em pânico. Ela havia sido forçada a usar seus poderes para "ver" algo, para "encontrar" algo. E o que ela viu a aterrorizou. Um monstro, uma criatura da escuridão, e um garoto. Um garoto que ela reconheceu como Will Byers, o ômega desaparecido.

– O que você viu, Onze? – Brenner perguntou, sua voz calma e controlada, mas com uma ameaça subjacente.

El se encolheu, seus olhos marejados.

– Monstro... Garoto... No escuro...

Brenner franziu a testa. Ele sabia que os poderes de El eram uma porta para algo que ele mal compreendia, algo que ele estava tentando controlar. O desaparecimento de Will Byers parecia estar conectado a esses experimentos, a uma fenda que eles haviam aberto entre dimensões.

Naquela mesma noite, a cidade de Hawkins foi abalada por um evento ainda mais perturbador. O corpo de um menino foi encontrado no rio, arrastado pela correnteza. A notícia se espalhou como um incêndio, e a esperança de encontrar Will vivo começou a diminuir.

Joyce Byers foi levada ao necrotério, seu coração batendo descompassadamente. Ela se recusava a acreditar. Ela sentia que não era Will. Ela sentia que seu filho ômega ainda estava por aí, em algum lugar. Mas a visão do corpo, inchado e desfigurado, a fez desabar.

– Não, não é o meu Will! – ela gritou, sua voz quebrando em um lamento primal. – Eu sei que não é ele!

Hopper, que estava presente, observava a cena com um nó na garganta. Ele havia visto muitas mães em desespero, mas a dor de Joyce era palpável, quase física. Ele sentia algo errado, uma intuição que o incomodava. O corpo parecia o de Will, mas havia algo que não se encaixava.

No porão dos Wheeler, a notícia atingiu os meninos como um raio. Mike, Lucas e Dustin ficaram em choque. Will. Morto. A realidade era brutal, esmagadora. A mesa de D&D, que antes era o centro de suas aventuras, agora parecia um altar fúnebre.

– Não pode ser, – Mike sussurrou, as lágrimas escorrendo pelo rosto. – Não pode ser ele.

Lucas, sempre mais pragmático, balançou a cabeça.

– A polícia achou o corpo, Mike. É o Will.

Dustin, com seus óculos embaçados pelas lágrimas, apenas concordou, sua voz embargada. A perda de Will, o ômega gentil e amado, era uma dor que eles nunca haviam experimentado.

Mas Mike, em seu luto, sentia uma fúria crescente. Ele sentia que havia algo errado, algo que não fazia sentido. Ele se lembrava da última vez que vira Will, daquele sorriso gentil, daquela energia contagiante. E ele se recusava a acreditar que aquele era o fim.

Enquanto a cidade de Hawkins se preparava para o funeral de Will Byers, em uma floresta escura e chuvosa, uma figura pequena e frágil emergiu das sombras. Era Onze, fugindo do Laboratório Nacional de Hawkins. Ela estava vestida com um avental de hospital, sua cabeça raspada, seus olhos grandes e assustados. Ela estava com fome, com frio e aterrorizada.

Ela tropeçou na floresta, seus pés descalços em contato com a terra fria e úmida. Ela não sabia para onde ir, mas sabia que precisava fugir de Brenner, de seus experimentos, de sua prisão. Ela havia visto o monstro, ela havia visto Will, e ela sabia que havia algo mais, algo que Brenner estava escondendo.

Enquanto ela caminhava, o som de vozes infantis chegou aos seus ouvidos. Ela se escondeu atrás de uma árvore, observando um grupo de três meninos pedalando suas bicicletas. Eram Mike, Lucas e Dustin, em sua própria busca silenciosa por respostas.

Mike, com a determinação de um líder, pedalava à frente. Ele sentia que precisava fazer algo, que precisava encontrar a verdade sobre o que aconteceu com Will. Ele se recusava a aceitar a versão oficial, a versão de que Will estava morto.

De repente, a chuva começou a cair, forte e impiedosa. Os meninos procuraram abrigo sob uma árvore grande. Foi então que Mike a viu. Uma figura pequena e estranha, escondida na floresta.

– Olhem! – ele sussurrou, apontando para a árvore.

Lucas e Dustin seguiram seu olhar. A garota estava lá, seus olhos arregalados, observando-os com uma mistura de medo e curiosidade.

– Quem é você? – Mike perguntou, sua voz cautelosa.

A garota não respondeu. Ela apenas os observava, como um animal assustado.

– Ela está assustada, – Dustin disse, sua voz suave. – Talvez ela esteja perdida.

Mike se aproximou dela, lentamente, estendendo a mão.

– Está tudo bem. A gente não vai te machucar.

A garota hesitou por um momento, depois levantou a mão, revelando um número tatuado em seu pulso: "011".

Os meninos se entreolharam, confusos. Um número. O que isso significava?

– Onze? – Mike perguntou, tentando pronunciar o número.

A garota assentiu, seus olhos fixos nos dele. Havia algo nela que o atraía, uma vulnerabilidade que ele sentia a necessidade de proteger. O instinto alfa de Mike, que ele ainda não compreendia completamente, estava começando a se manifestar.

Lucas, sempre desconfiado, olhou para a garota com ceticismo.

– O que você está fazendo aqui no meio da floresta? De onde você veio?

Onze não respondeu. Ela apenas apontou para a floresta, para a direção do Laboratório Nacional de Hawkins.

Os meninos se entreolharam novamente, uma nova onda de perguntas surgindo em suas mentes. Quem era essa garota misteriosa? E o que ela sabia sobre o desaparecimento de Will?

Mike, sentindo uma conexão inexplicável com a garota, tomou uma decisão.

– A gente não pode deixar ela aqui. Ela precisa de ajuda.

Lucas e Dustin, embora hesitantes, concordaram. Eles eram um grupo, e ajudar alguém em perigo era algo que eles não questionavam.

Eles levaram Onze para o porão de Mike, seu santuário. Ela estava com fome, com frio e visivelmente traumatizada. Mike, com a ajuda de Dustin e Lucas, deu-lhe algumas roupas, comida e um lugar para dormir.

Enquanto a garota com o número 011 dormia, Mike não conseguia tirar os olhos dela. Havia algo nela que o intrigava, uma aura de mistério e poder. Ele sentia que ela era a chave para desvendar o que havia acontecido com Will, que ela estava conectada aos eventos sinistros que estavam se desenrolando em Hawkins.

Naquela noite, enquanto a chuva continuava a cair, o destino de Hawkins, o destino de Will Byers e o destino de Onze se entrelaçaram de uma forma que ninguém poderia ter previsto. O desaparecimento do ômega havia aberto uma porta para um mundo de segredos, de perigos e de poderes ocultos. E no centro de tudo, estava uma garota misteriosa, com um número tatuado em seu pulso, e um grupo de amigos determinados a desvendar a verdade, não importa o quão sombria ela pudesse ser. A busca por Will havia se transformado em algo muito maior, algo que mudaria para sempre a vida de todos em Hawkins.