Suggar mommy
Entre Lençóis de Seda e Promessas de Adrenalina
Faye Malisorn não era apenas uma mestre na tecnologia; ela era uma mestre na manipulação de desejos. Enquanto observava a traseira da Ducati desaparecer em uma curva fechada na saída do complexo empresarial, ela reduziu a marcha do seu Aston Martin. Ganhar aquela corrida seria fácil, mas Faye sabia que a vitória de Engfa traria um brilho nos olhos da namorada que nenhum presente material poderia comprar. Além disso, uma Engfa vitoriosa era uma Engfa infinitamente mais ousada entre quatro paredes.
Quando Faye finalmente estacionou na garagem privativa da cobertura, o som do motor da moto ainda parecia reverberar no concreto. Engfa já estava fora do veículo, o capacete jogado de qualquer jeito sobre o banco de couro, os cabelos castanhos bagunçados e o rosto corado pelo esforço e pela velocidade. Charlotte, por outro lado, estava encostada na parede, respirando fundo, com as mãos levemente trêmulas.
— Eu ganhei! Eu disse que você estava morta, Sugar Mommy! — Engfa gritou assim que Faye saiu do carro. Ela saltitava, uma personificação viva de pura energia cinética. — Charlotte, você viu? Eu quase dei um "grau" naquela reta!
Charlotte soltou um suspiro longo, tentando recuperar o equilíbrio.
— Eu vi, P'Eng. Eu vi a minha vida inteira passar diante dos meus olhos em cada semáforo que você ignorou — disse Charlotte, embora seu tom não fosse de raiva, mas de uma resignação carinhosa.
Engfa se aproximou de Charlotte com a rapidez de um predador, envolvendo-a em um abraço apertado.
— Ah, não seja tão dramática, Char. Você amou cada segundo — Engfa começou a distribuir beijos rápidos e estalados pelas bochechas de Charlotte, descendo para o pescoço. — Admite. A adrenalina é melhor que qualquer relatório de mercado.
Faye caminhou até elas, seus saltos ecoando no chão polido. Ela retirou os óculos escuros, revelando um olhar carregado de segundas intenções.
— Vejo que as minhas meninas chegaram inteiras — Faye comentou, parando a poucos centímetros do casal. — Parabéns pela vitória, Engfa. Você pilota como se não tivesse nada a perder.
— Eu tenho tudo a ganhar hoje, Faye — Engfa rebateu, soltando Charlotte por um momento para encarar a CEO. Ela caminhou até Faye, reduzindo a distância até que seus corpos quase se tocassem. — Você perdeu. E você sabe o que acontece com quem perde as apostas comigo.
— Eu sou uma mulher de palavra — respondeu Faye, a voz baixando uma oitava, tornando-se um sussurro rouco. — Mas antes, vamos entrar. Não queremos que nenhum vizinho curioso ou algum drone de paparazzi veja a CEO da Malisorn Tech sendo rendida por duas mulheres tão jovens.
Elas subiram pelo elevador privativo em um silêncio carregado. A tensão sexual era quase palpável, uma eletricidade que fazia os pelos dos braços de Charlotte se arrepiarem. Dentro do cubo de metal e vidro, Engfa não conseguia ficar parada. Ela alternava entre morder o próprio lábio inferior e lançar olhares possessivos para Faye e Charlotte.
Assim que as portas se abriram para a sala de estar luxuosa, decorada com tons de cinza, ouro e obras de arte abstratas, o clima mudou. A iluminação era indireta, banhando o ambiente em uma luz quente e âmbar.
— Charlotte, querida — chamou Faye, jogando a chave do carro sobre o aparador de mármore —, por que você não serve um vinho para nós? Engfa parece que vai explodir se não canalizar essa energia logo.
Charlotte assentiu, movendo-se com sua graça habitual em direção à adega climatizada. Engfa, porém, não deu tempo para o vinho ser servido. Ela agarrou Faye pela cintura e a prensou contra a porta fechada do elevador.
— O que eu ganho, Faye? — Engfa perguntou, a respiração ofegante contra os lábios da mais velha. — Você prometeu uma recompensa. Eu quero meu prêmio agora.
Faye sorriu, aquela expressão de superioridade que sempre levava Engfa à loucura. Ela deslizou as mãos pelas costas da jaqueta de couro de Engfa, sentindo a textura áspera contra a pele.
— Você quer seu prêmio, pequena sociopata? — Faye provocou. — Então mostre-me que você pode ser obediente primeiro. Tire essa jaqueta. E ajude a Charlotte com o vinho.
Engfa rosnou baixinho, uma mistura de frustração e excitação, mas obedeceu. Ela jogou a jaqueta no chão — um hábito que Faye secretamente adorava, apesar de sempre reclamar da bagunça — e caminhou até Charlotte.
Charlotte já havia servido as taças. Ela entregou uma a Engfa e outra a Faye, que se aproximava lentamente.
— Você está muito calma, Charlotte — observou Faye, pegando a taça e tocando os dedos de Charlotte propositalmente. — O que está passando por essa mente brilhante agora?
Charlotte deu um gole lento no vinho, observando Faye por cima da borda do cristal.
— Estou observando como a Engfa é previsível — Charlotte disse com um sorriso doce. — E como você, Faye, adora brincar com o fogo. Eu só estou esperando o momento em que as chamas vão nos consumir.
Engfa terminou seu vinho em um único gole e colocou a taça de lado com força excessiva.
— Chega de conversa — Engfa declarou. Ela se aproximou de Charlotte e, com a possessividade que lhe era inerente, puxou-a para um beijo profundo e faminto.
Charlotte soltou um gemido baixo, entregando-se ao ritmo frenético de Engfa. Faye observava a cena com um prazer silencioso. Ela amava a dinâmica entre as duas: a forma como Charlotte era o porto seguro onde a tempestade de Engfa sempre desaguava.
Engfa separou o beijo, mas permaneceu com o rosto colado ao de Charlotte, mordendo levemente o queixo da namorada, deixando uma marca rosada ali.
— Ela é minha, Faye — murmurou Engfa, olhando para a CEO. — E você também é.
— Então venha nos reivindicar — desafiou Faye.
A noite se transformou em um borrão de toques e confissões sussurradas. Faye as conduziu para a suíte master, um santuário de lençóis de seda negra e janelas que iam do chão ao teto, revelando as luzes de Bangkok como um tapete de diamantes lá embaixo.
Faye sentou-se na poltrona de veludo, cruzando as pernas com elegância, observando enquanto Engfa e Charlotte se despiam uma à outra. Havia algo de artístico na forma como a luz da lua atingia a pele clara de Charlotte e as curvas atléticas de Engfa.
— Venham aqui — ordenou Faye.
As duas se aproximaram, ajoelhando-se aos pés de Faye. Charlotte, sempre a mais terna, pegou a mão de Faye e começou a beijar cada nó dos dedos com uma devoção quase religiosa. Engfa, por sua vez, apoiou os braços nas coxas de Faye, olhando-a com um desafio ardente nos olhos.
— Você perdeu a corrida, Sugar Mommy — lembrou Engfa, a voz carregada de malícia. — A punição é nossa.
— Oh, eu sei — Faye sorriu, passando os dedos pelos cabelos vermelhos e depois descendo para acariciar o rosto de Engfa. — E eu preparei algo especial para compensar o fato de que vocês têm que se esconder do mundo por minha causa.
Faye levantou-se e guiou as duas para a cama espaçosa. Ali, as hierarquias da Malisorn Tech não existiam. Não havia CEOs, não havia estagiárias, não havia idades. Havia apenas três almas que se completavam de uma forma que a sociedade nunca entenderia.
Engfa era o fogo, movendo-se com uma urgência que demandava atenção absoluta. Ela explorava cada centímetro do corpo de Faye e Charlotte com uma curiosidade insaciável, suas mãos nunca parando, seus beijos sempre carregados de uma intensidade que beirava a agressividade.
Charlotte era a água, fluindo entre as duas, acalmando os excessos de Engfa com carícias suaves e beijos lentos, mas revelando uma paixão profunda e silenciosa que surpreendia Faye todas as vezes. Ela sabia exatamente onde tocar, como olhar, como fazer Faye se sentir a mulher mais desejada do planeta.
E Faye... Faye era o centro de gravidade. Ela orquestrava o prazer das duas com a mesma precisão com que geria seus negócios. Ela sabia quando ser firme com Engfa, puxando-a pelos cabelos para trazê-la de volta à realidade, e quando ser infinitamente doce com Charlotte, sussurrando promessas de um futuro onde elas não precisariam de paredes de vidro para se amar.
— Faye... — Charlotte suspirou, as costas arqueadas enquanto as mãos de Faye a exploravam. — Por favor...
— Shh, meu amor — sussurrou Faye no ouvido de Charlotte. — Aproveite o momento. Você trabalhou duro hoje. Deixe-me cuidar de você.
Engfa, sentindo o ciúme borbulhar mesmo naquele momento de êxtase, moveu-se para ficar por cima de Faye, prendendo seus pulsos acima da cabeça.
— Olhe para mim, Faye! — Engfa exigiu, o brilho selvagem de volta aos olhos. — Diga que você não quer mais ninguém. Diga que somos o seu único vício.
Faye riu baixo, uma risada que vibrou no peito de Engfa.
— Você é o meu vício mais perigoso, Engfa. E a Charlotte é a minha paz mais necessária. Eu nunca trocaria isso por nada no mundo.
As horas passaram como se o tempo tivesse parado naquela cobertura. O suor brilhava na pele das três, o cheiro de perfume caro e desejo preenchia o ar. Engfa finalmente pareceu esgotar sua energia hiperativa, desabando sobre o peito de Faye, enquanto Charlotte se aninhava ao lado delas, traçando padrões invisíveis na barriga de Faye.
O silêncio que se seguiu não era vazio; era preenchido pela satisfação de um amor que desafiava convenções.
— Faye? — a voz de Engfa soou pequena, quase vulnerável, despojada da máscara de sarcasmo.
— Sim, pequena?
— Aquela Ducati... ela é realmente rápida. Mas nada corre mais rápido que o meu coração quando você me olha desse jeito na frente de todo mundo, mesmo que ninguém saiba o porquê.
Faye beijou o topo da cabeça de Engfa.
— Eu sei. E um dia, talvez, o mundo não importe tanto quanto importa hoje.
Charlotte levantou a cabeça, olhando para as duas com seus olhos observadores.
— O mundo já não importa, Faye. O que temos aqui é real. O resto... o resto é apenas silício e marketing.
Faye sorriu, puxando as duas para mais perto, sentindo o calor de seus corpos sob o edredom de seda. Ela era a CEO mais poderosa do país, mas ali, entre Engfa e Charlotte, ela era apenas uma mulher completa.
— Agora, durmam — ordenou Faye com carinho. — Porque amanhã, Engfa, você tem uma nova pista de teste para conhecer, e Charlotte, temos aquela fusão para finalizar.
— Só se você me deixar dirigir o seu Aston Martin amanhã — murmurou Engfa, já fechando os olhos.
— Nem nos seus sonhos mais selvagens, Engfa Waraha — Faye riu.
As luzes de Bangkok continuavam a brilhar lá fora, alheias ao segredo guardado no 45º andar. Mas para as três, o brilho daquela noite era o único que realmente importava. Charlotte adormeceu beijando a mão de Faye, Engfa adormeceu com o queixo encostado no ombro de Charlotte, e Faye permaneceu acordada por mais alguns minutos, apenas apreciando o peso doce de suas duas maiores conquistas.
A recompensa de Faye não era apenas o sexo ou o poder; era a certeza de que, não importa o quão caótico o mundo lá fora se tornasse, ela sempre teria seu fogo e sua paz esperando por ela ao final do dia.