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Suggar mommy

O Preço da Insolência e o Sabor da Obediência

A manhã na Malisorn Tech começou com o brilho clínico do vidro e a eficiência silenciosa de centenas de funcionários. No entanto, o silêncio durou apenas até que Engfa Waraha cruzasse as portas giratórias do saguão principal. Ela vestia uma jaqueta bomber de cetim vermelho, óculos escuros e trazia Kiew, seu vira-lata, na coleira. O cachorro parecia compartilhar da energia frenética da dona, latindo para o próprio reflexo no mármore polido.

— Ei! Você aí! Pare agora mesmo! — Um grito ecoou pelo átrio.

Um segurança novo, vestindo um uniforme que parecia um número menor e ostentando um crachá de "Treinamento", correu na direção de Engfa. Ele parecia nervoso, mas determinado a seguir as regras ao pé da letra.

— Não é permitida a entrada de animais sem autorização prévia, e a senhora precisa apresentar seu crachá de identificação — disse o rapaz, bloqueando o caminho de Engfa.

Engfa parou abruptamente, abaixando os óculos escuros até a ponta do nariz. Seus olhos castanhos brilharam com uma mistura de incredulidade e perigo. Ela inclinou a cabeça, um sorriso sarcástico começando a desenhar-se em seus lábios.

— "A senhora"? — Engfa repetiu, a voz perigosamente baixa. — Primeiro, eu tenho vinte e oito anos, não sou uma senhora. Segundo, este cachorro tem mais direito de estar aqui do que você tem de respirar o meu oxigênio. Sai da frente antes que eu decida testar se o seu nariz quebra tão fácil quanto o vidro dessa recepção.

O segurança, ignorando o tom de aviso, estendeu a mão para segurar o braço de Engfa.

— Eu vou ter que pedir para a senhora se retirar...

Antes que Engfa pudesse desferir o soco que já estava sendo planejado em sua mente hiperativa, um supervisor de segurança correu até eles, tropeçando nos próprios pés.

— Pare! Pelo amor de Deus, pare! — gritou o supervisor, puxando o novato para trás com tanta força que o rapaz quase caiu. — Você enlouqueceu? Essa é a Srta. Waraha! Ela tem passe livre total!

O novato piscou, confuso.

— Mas ela não tem crachá... e o cachorro...

— Ela não precisa de crachá! Ela pode trazer um elefante se quiser! — o supervisor sibilou, suando frio enquanto olhava para Engfa. — Mil perdões, Srta. Waraha. Ele é novo, começou hoje. Por favor, não conte à CEO Malisorn sobre isso.

Engfa ajeitou os óculos, observando o segurança novato com um olhar predatório. Ela não disse nada, apenas deu um tapinha condescendente no rosto do rapaz e seguiu em direção ao elevador privativo, deixando um rastro de tensão e o som das unhas de Kiew batendo no chão.

Enquanto isso, no 40º andar, Charlotte Austin estava em um mundo completamente diferente. Vestida com um terno cinza impecável, ela estava sentada em uma sala de reuniões repleta de executivos de meia-idade. Oficialmente, ela era a "estagiária de elite" que Faye estava treinando pessoalmente. Na prática, ela era a mente mais afiada da sala.

— Os custos de logística para a distribuição em Cingapura parecem inflados — comentou Charlotte, sua voz calma cortando a discussão barulhenta dos diretores. — Se mudarmos o centro de distribuição para a zona franca e utilizarmos a infraestrutura da Malisorn Tech, reduziremos o imposto em 12%.

Os executivos se entreolharam, surpresos. Faye, sentada na cabeceira da mesa, observava Charlotte com um orgulho indisfarçável, embora mantivesse sua máscara de seriedade profissional.

— A estagiária tem razão — Faye disse, sua voz autoritária encerrando qualquer debate. — Charlotte, prepare o memorando para o departamento financeiro. Senhores, a reunião acabou.

Quando a sala esvaziou, Faye e Charlotte trocaram um olhar rápido. Um sorriso sutil brincou nos lábios de Charlotte antes de ela recolher seus papéis e sair, mantendo a fachada necessária. Faye, porém, não teve tempo de apreciar o silêncio, pois seu interfone tocou imediatamente.

— Sra. Malisorn? A Srta. Waraha acabou de chegar. Houve... um incidente na recepção — informou a secretária, soando hesitante.

Faye suspirou, recostando-se na cadeira.

— Mande-a entrar. E peça para ninguém nos interromper pelos próximos quarenta minutos.

A porta se abriu com o estrondo habitual. Engfa entrou bufando, jogando a bolsa no sofá de couro e deixando Kiew solto para explorar o escritório.

— Faye! Você precisa contratar pessoas que saibam quem manda aqui! — Engfa exclamou, caminhando até a mesa da CEO. — Um idiota tentou me impedir de entrar. Eu quase arranquei a orelha dele!

Faye levantou-se lentamente, contornando a mesa. Ela não parecia irritada, mas havia um brilho disciplinador em seus olhos vermelhos que fez o coração de Engfa acelerar por um motivo diferente da raiva.

— Engfa, querida — começou Faye, parando na frente da namorada —, nós conversamos sobre suas explosões na empresa. Você sabe que manter a discrição é fundamental, e causar cenas no saguão atrai exatamente o tipo de atenção que não queremos.

— Ele me tocou, Faye! — Engfa protestou, cruzando os braços.

— E você ia bater nele — Faye completou, aproximando-se mais, invadindo o espaço pessoal de Engfa. — Você foi uma garota muito impulsiva hoje. E garotas impulsivas precisam ser lembradas de quem realmente detém o poder aqui.

Engfa engoliu em seco. Ela adorava quando Faye assumia aquele tom. A adrenalina da briga na recepção foi instantaneamente substituída por uma antecipação deliciosa.

— O que você vai fazer? — Engfa provocou, embora sua voz tivesse perdido a força.

Faye deslizou a mão pelo pescoço de Engfa, os dedos frios contrastando com a pele quente da namorada. Ela caminhou até a porta e girou a tranca eletrônica. Em seguida, foi até uma gaveta discreta em sua estante de livros e retirou um par de algemas de couro forradas de veludo e uma pequena palmatória de couro fino — presentes que Engfa mesma havia insistido que Faye guardasse no escritório para "emergências".

— Ajoelhe-se — ordenou Faye.

Engfa obedeceu imediatamente. O "cãozinho" dentro dela sempre emergia diante da autoridade de Faye. Ela se ajoelhou no tapete persa, olhando para cima com olhos brilhantes e submissos.

— Você vai aprender a se comportar, Engfa — disse Faye, prendendo os pulsos de Engfa atrás das costas com as algemas. — Cada vez que você causar um problema para os meus funcionários, haverá consequências.

— Eu sinto muito, P'Faye — murmurou Engfa, embora o sorriso em seu rosto dissesse o contrário.

— Não sinta. Apenas sinta isso — Faye rebateu, usando a palmatória de couro para dar batidas leves e rítmicas na palma da mão de Engfa, antes de passar para punições mais "direcionadas".

Durante os trinta minutos seguintes, o escritório da CEO tornou-se um cenário de um jogo de poder privado. Faye alternava entre a severidade de uma punição leve e carícias que deixavam Engfa implorando por mais. Ela forçou Engfa a manter o silêncio enquanto ouvia os funcionários passando pelo corredor externo, um exercício de controle que levava a hiperatividade de Engfa ao limite.

— Você é uma boa garota agora? — Faye perguntou, puxando a cabeça de Engfa para trás pelos cabelos, forçando-a a olhar em seus olhos.

— Sim... eu sou sua boa garota — Engfa ofegou, o rosto corado, a respiração errática.

Faye a soltou das algemas e a ajudou a se levantar, limpando uma lágrima solitária de excitação que escorria pelo rosto de Engfa.

— Ótimo. Agora, comporte-se enquanto eu termino esses contratos. Charlotte deve estar voltando da reunião em breve.

Engfa sentou-se no sofá, incomumente quieta, acariciando Kiew enquanto observava Faye trabalhar. No entanto, a mente de Engfa nunca parava de verdade. A punição de Faye a havia satisfeito sexualmente, mas o seu lado sarcástico e vingativo ainda tinha uma conta a acertar com o segurança da recepção.

Cerca de uma hora depois, Charlotte entrou na sala, parecendo exausta, mas satisfeita.

— A reunião foi um sucesso, Faye. Eles aceitaram os termos — Charlotte anunciou, antes de notar o estado de Engfa no sofá. Ela arqueou uma sobrancelha. — Vejo que alguém já teve sua dose de disciplina hoje.

Engfa mostrou a língua para Charlotte.

— Faye é malvada. Mas eu ganhei um beijo no final, então valeu a pena.

— Você é impossível — Charlotte riu, aproximando-se de Faye e beijando suas mãos, como sempre fazia. — Vamos para casa? Estou morrendo de fome.

— Em um minuto — disse Faye. — Só preciso assinar esses últimos papéis.

Engfa levantou-se rapidamente.

— Eu vou descendo na frente com o Kiew. Preciso... pegar uma coisa no carro.

Charlotte e Faye trocaram um olhar desconfiado, mas deixaram que ela fosse. Mal sabiam elas que Engfa tinha um plano.

Ao chegar no saguão, Engfa avistou o segurança novato perto da saída. Ela caminhou até ele com um sorriso que parecia amigável, mas que escondia segundas intenções.

— Ei, novato! — Engfa chamou. — Sinto muito por mais cedo. Quero te dar um presente de boas-vindas, para mostrar que não guardo rancor.

O rapaz, aliviado por não ter sido demitido, sorriu.

— Oh, obrigado, Srta. Waraha! Não precisava...

— Imagina. É um suco detox especial que a minha namorada... quer dizer, que eu tomo sempre. É ótimo para o estresse — Engfa entregou a ele um copo de plástico fechado que ela havia pegado na lanchonete do andar de cima, mas com uma "adição" especial de laxante concentrado que ela sempre carregava na bolsa para pregar peças em seus amigos de corrida.

O rapaz bebeu metade do copo em um gole só, agradecendo profusamente. Engfa saiu do prédio saltitando, entrando no carro de Faye assim que a CEO e Charlotte apareceram no elevador.

Dez minutos depois, enquanto Faye dirigia o Aston Martin em direção à cobertura, o telefone dela tocou. Era o chefe de segurança.

— Sra. Malisorn... temos um problema. O funcionário novo, aquele do incidente... ele teve uma crise súbita no saguão. Digamos que foi uma situação... muito embaraçosa e pública. Ele está pedindo demissão e ameaçando processar por danos morais, dizendo que a Srta. Waraha deu algo para ele beber.

Faye freou o carro bruscamente no sinal vermelho e olhou para o banco de trás, onde Engfa tentava se esconder atrás de Charlotte, sufocando uma risada.

— Engfa Waraha! — Faye exclamou, embora houvesse um traço de diversão em sua voz irritada.

— Eu só queria que ele tivesse um dia... movimentado! — Engfa defendeu-se, caindo na gargalhada.

Charlotte suspirou, cobrindo o rosto com as mãos.

— P'Eng, você é inacreditável. Faye, quanto vai custar essa brincadeira?

Faye voltou a acelerar, suspirando enquanto falava ao telefone.

— Pague a indenização. O dobro do valor que ele pedir para assinar um acordo de confidencialidade. E limpe o saguão. Agora.

Faye desligou o telefone e olhou pelo retrovisor, encontrando os olhos travessos de Engfa.

— Você vai pagar por isso hoje à noite, Engfa. E desta vez, a Charlotte vai ajudar na punição.

Engfa parou de rir por um segundo, seus olhos brilhando com uma nova onda de adrenalina.

— Isso é uma promessa ou uma ameaça, Sugar Mommy?

— É um fato — respondeu Charlotte, deslizando a mão pela nuca de Engfa e puxando-a para um beijo possessivo. — E eu já tenho algumas ideias de como usar aquele coelhinho de pelúcia que você odeia para te deixar bem quietinha.

Engfa estremeceu de prazer, encostando a cabeça no ombro de Charlotte enquanto o carro cortava a noite de Bangkok. A vida com Faye e Charlotte era um equilíbrio constante entre o caos e a ordem, entre a punição e o mimo. E para Engfa, não havia lugar no mundo onde ela preferisse estar do que no centro daquela tempestade de amor e segredos.