Swat
O Peso da Espera e o Dilema do Nome
O sol da tarde de Los Angeles filtrava-se pelas janelas de vidro reforçado do QG da SWAT, criando padrões de luz sobre as mesas de metal. No centro de comando, o som rítmico de teclados e o murmúrio constante de rádios eram o pano de fundo habitual, mas havia uma presença que mudava completamente a dinâmica do lugar.
Tatsuyo Nakamura, agora com sete meses de gestação, estava sentada em uma cadeira ergonômica especialmente ajustada, com os olhos fixos nos monitores que rastreavam uma perseguição em tempo real no sul da cidade. A pele parda parecia irradiar um brilho saudável, e seus cabelos pretos estavam presos em um rabo de cavalo prático. Ela continuava a mesma mulher letal de sempre, mas agora, o uniforme tático dera lugar a uma calça confortável e uma camiseta da SWAT que se esticava sobre a curva proeminente e adorável de sua barriga de sete meses.
— Unidade 20, aqui Comando. O suspeito está virando à esquerda na Figueroa. Hondo, você tem um bloqueio a duas quadras. Mantenha a pressão — a voz de Tatsuyo era firme, calma e autoritária.
— Copiado, Comando — a voz de Hondo ecoou pelos alto-falantes. — Bom trabalho, Tats. Mantenha-nos informados.
Hicks, que estava parado ao lado dela com uma caneca de café, observou a precisão da oficial. Ele tinha sido cético no início sobre ter uma operadora de campo na coordenação, mas Tatsuyo provara ser um trunfo tático indispensável. Ela conhecia o terreno, conhecia os atalhos e, acima de tudo, conhecia o ritmo de sua equipe.
— Você está indo bem nisso, Nakamura — comentou Hicks, sem desviar os olhos do telão. — Quase me faz esquecer que você deveria estar em casa descansando os pés.
Tatsuyo deu um sorriso de lado, ajustando-se na cadeira enquanto sentia um chute vigoroso contra suas costelas.
— O senhor sabe que eu morreria de tédio em casa, Comandante. Além disso, o "pequeno recruta" aqui parece gostar da adrenalina. Ele não para quieto quando o rádio começa a chiar.
Hicks soltou um ruído que poderia ser interpretado como uma risada.
— Por falar no recruta... Cortez me disse que vocês ainda não chegaram a um acordo. É verdade? Sete meses e o garoto ainda é um anônimo?
Tatsuyo suspirou, passando a mão pela barriga.
— O Kuro é impossível, senhor. Toda vez que eu sugiro um nome sério, ele vem com algo como "Kuro Júnior" ou nomes de personagens de anime. Ontem ele sugeriu "Goku". Eu quase o expulsei do quarto.
Hicks balançou a cabeça negativamente.
— Aquele garoto não tem jeito.
Alguns minutos depois, a missão foi concluída com sucesso. A equipe 20 retornou ao QG, exausta, mas satisfeita. Kuro Hatake foi o primeiro a entrar na sala de comando, ainda vestindo o colete pesado, o suor fazendo seu cabelo branco brilhar sob as lâmpadas fluorescentes. Seus olhos castanhos escuros encontraram Tatsuyo imediatamente, e seu rosto se iluminou com aquele sorriso sacana e apaixonado que era sua marca registrada.
— Sentiu minha falta, mamãe gata? — Kuro caminhou até ela, ignorando completamente a presença de Hicks e Cortez, e depositou um beijo rápido nos lábios de Tatsuyo antes de se ajoelhar para ficar na altura da barriga dela. — E aí, campeão? Ajudou a mamãe a pegar os bandidos ou ficou só tirando um cochilo?
— Ele ficou chutando minha bexiga o tempo todo, Kuro — disse Tatsuyo, bagunçando o cabelo branco dele. — Acho que ele herdou sua falta de respeito pela autoridade.
Deacon, Street, Tan, Luca e Cris entraram logo atrás, todos com expressões de cansaço que rapidamente se transformaram em sorrisos ao verem o casal.
— Certo, chega de romance — interrompeu Street, sentando-se em uma mesa próxima. — Precisamos falar sobre o elefante na sala. Ou melhor, o bebê sem nome na barriga. Nakamura, Hatake, já se passaram semanas! O chá de bebê é no próximo domingo e a gente nem sabe o que escrever nos cartões!
— Eu já dei ótimas opções! — defendeu-se Kuro, levantando-se e exibindo seu físico impecável, que nem mesmo as camadas de equipamento conseguiam esconder. — O que há de errado com "Lendário"? Imagine só: Lendário Nakamura Hatake. O garoto já nasceria com um emprego garantido em Hollywood.
— O que há de errado é que eu quero que meu filho tenha uma vida normal, Kuro — retrucou Tatsuyo, revirando os olhos. — Luca sugeriu "Buster", por causa do caminhão, o que é fofo, mas não.
— Eu sugeri nomes clássicos — disse Deacon, cruzando os braços. — Samuel, David, James... Nomes que impõem respeito em um tribunal ou em uma delegacia.
— Muito sem graça, Deac — rebateu Kuro, piscando para o colega. — Ele é filho de um Hatake. Ele precisa de algo com... faísca. Algo que diga "eu sou musculoso e engraçado".
— Ele tem 1,63 de mãe, Hatake — lembrou Cris, rindo enquanto tirava as luvas. — Há uma chance real de ele ser baixinho e invocado. Vocês deviam focar em algo forte, mas curto.
— Tipo "Kuro Pequeno"? — sugeriu Tan, e o grupo caiu na risada.
Tatsuyo massageou as têmporas. O debate sobre o nome do bebê tinha se tornado a atividade favorita da SWAT nas horas de folga. Até a Capitã Cortez já tinha deixado uma lista de nomes espanhóis na mesa de Tatsuyo na semana anterior.
— A verdade é que a gente não consegue decidir — admitiu Tatsuyo, olhando para Kuro com carinho. — Nós queremos algo que honre as raízes japonesas, mas que também funcione aqui em LA. E que não seja "Goku".
Kuro aproximou-se novamente, envolvendo a cintura dela com os braços, sendo cuidadoso com a barriga. A diferença de altura entre eles — ele com seus 1,80m de puro músculo e ela agora mais arredondada e fofa — sempre criava uma imagem que derretia o coração da equipe, por mais durões que tentassem ser.
— A gente vai achar, Tats — sussurrou ele, a voz perdendo o tom de brincadeira por um momento. — Só quero que seja perfeito. Assim como ele.
O momento terno foi interrompido por Luca, que entrou na sala carregando uma caixa de rosquinhas.
— Se não decidirem até o nascimento, eu vou registrar ele como "Black Betty Júnior" e ninguém vai poder me impedir!
— Nem pense nisso, Luca! — gritaram Kuro e Tatsuyo ao mesmo tempo.
Mais tarde, após o turno, Kuro e Tatsuyo caminhavam lentamente em direção ao estacionamento. O ritmo dela estava mais devagar, e Kuro a acompanhava como um guarda-costas atento, a mão sempre pronta para apoiá-la se ela tropeçasse.
— Você está bem mesmo, Tats? — perguntou ele, a preocupação nublando seus olhos castanhos. — Suas costas estão doendo?
— Só o peso habitual, Kuro. Ele está ficando grande. Às vezes parece que ele está tentando fazer abdominais aí dentro.
Kuro riu, abrindo a porta do carro para ela.
— Com certeza é meu filho. Já está treinando o tanquinho antes de nascer.
Eles dirigiram em direção ao apartamento que agora estava repleto de móveis de bebê e caixas de fraldas. A vida deles mudara drasticamente nos últimos meses. O "segredo" que antes os aterrorizava agora era o centro de sua existência, celebrado por todos.
Ao chegarem em casa, Kuro preparou um jantar leve enquanto Tatsuyo descansava no sofá. Ele era um "tarado" assumido, sempre fazendo comentários sobre como ela ficava ainda mais gostosa grávida, mas naquelas noites, ele era apenas o companheiro dedicado.
— Sabe, Tats... — começou Kuro, trazendo um prato de massa para ela. — Eu estava pensando em um nome. Um de verdade. Sem piadas.
Tatsuyo arqueou uma sobrancelha, interessada.
— Estou ouvindo.
— Kenji — disse ele, sentando-se ao lado dela. — Significa "segundo filho inteligente", mas também tem a ver com força e saúde. É japonês, é fácil de falar aqui, e soa como alguém que... bem, alguém que poderia ser um líder.
Tatsuyo repetiu o nome em voz baixa.
— Kenji. Kenji Nakamura Hatake.
Ela sentiu um movimento suave na barriga, um chute que não foi doloroso, mas sim um toque firme.
— Acho que ele gostou — disse ela, sorrindo e pegando a mão de Kuro para colocá-la onde o bebê havia se mexido.
Kuro sentiu a vida pulsando sob sua palma. Seus olhos brilharam.
— É um bom nome. Mas ainda acho que "Kuro Supremo" tinha potencial.
— Nem comece, Hatake — ela riu, dando um tapa leve no braço musculoso dele.
No dia seguinte, a equipe 20 estava reunida no refeitório para o almoço. Street estava prestes a iniciar mais uma rodada de apostas sobre o nome quando Hondo entrou, olhando para Kuro e Tatsuyo.
— E então? Alguma novidade sobre o recruta sem nome? A Cortez está prestes a fazer um sorteio no chapéu.
Kuro olhou para Tatsuyo, que assentiu com a cabeça. Ele se levantou, estufando o peito e fazendo uma pose dramática, apontando para a barriga da noiva.
— Senhoras e senhores, membros da elite de Los Angeles... preparem seus corações. O nome do futuro quebra-corações da SWAT foi decidido.
— Fala logo, Hatake! — gritou Tan. — A Cris já deve dez dólares pro Luca porque achou que seria "Hiro".
Kuro fez um suspense, olhando para cada um deles.
— O nome dele será Kenji.
Houve um momento de silêncio enquanto todos processavam.
— Kenji... — repetiu Deacon, com um sorriso de aprovação. — Forte. Significativo. Gostei.
— É um nome excelente, Nakamura — disse Hondo, aproximando-se para apertar a mão de Kuro e dar um beijo na testa de Tatsuyo. — Bem-vindo à família, Kenji.
— Mas — interrompeu Street, com um brilho malicioso nos olhos — isso não significa que a gente não vá dar um apelido. Ele ainda vai ser o "Baby SWAT" para nós.
— E ele vai ter cinco tios e uma tia prontos para ensinar tudo o que ele não deve fazer — acrescentou Luca, pegando mais uma rosquinha.
Tatsuyo riu, sentindo-se completa. A transição do campo para a coordenação fora difícil para sua mente de guerreira, mas ver o apoio daquela equipe — daquela família — tornava tudo mais fácil. Ela olhou para Kuro, que já estava envolvido em uma discussão acalorada com Street sobre qual seria o primeiro brinquedo de Kenji (Kuro queria um mini-carro de polícia motorizado, Street queria uma bola de basquete).
Apesar da barriga de sete meses pesar e das incertezas sobre quando voltaria a chutar portas e perseguir criminosos, Tatsuyo Nakamura sabia que estava exatamente onde deveria estar. Ela era uma oficial da SWAT, uma coordenadora tática, uma noiva amada e, em breve, a mãe de Kenji.
Kuro, percebendo o olhar dela, piscou e mandou um beijo no ar, acompanhado de um comentário sussurrado sobre como a camiseta da SWAT realçava as curvas dela de um jeito que o deixava "distraído".
— Você é impossível, Kuro Hatake — murmurou ela para si mesma, sorrindo.
— Mas você me ama — respondeu ele, como se tivesse lido seus pensamentos.
— Amo. E o Kenji também.
O QG da SWAT continuava barulhento, caótico e perigoso, mas para a equipe 20, o futuro nunca pareceu tão brilhante e cheio de esperança, tudo concentrado em um pequeno menino que, mesmo antes de nascer, já tinha o exército mais leal do mundo pronto para protegê-lo.