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Swat

O Batismo de Fogo e o Peso do Futuro

A notícia da gravidez e do noivado de Kuro e Tatsuyo espalhou-se pela pequena bolha da equipe 20 como fogo em palha seca, mas a realidade do mundo exterior — e as regras rígidas do Departamento de Polícia de Los Angeles — logo bateram à porta. O clima de celebração no quarto de hospital foi interrompido pelo som seco de batidas na porta de madeira. O Comandante Hicks entrou, com sua expressão habitual de granito, seguido pela Capitã Cortez, que mantinha os braços cruzados e um olhar que misturava preocupação e severidade.

Hondo imediatamente se empertigou, assumindo sua postura de líder. O restante da equipe se afastou da cama, criando um espaço respeitoso, mas Kuro não soltou a mão de Tatsuyo. Ele permaneceu ali, firme, como uma extensão da própria estrutura da cama.

— Comandante, Capitã — cumprimentou Hondo, tentando suavizar o terreno. — Estávamos apenas... conferindo o estado da Nakamura.

Hicks caminhou até o pé da cama, ignorando a tentativa de Hondo de aliviar a tensão. Ele olhou para as mãos entrelaçadas de Kuro e Tatsuyo e depois para o rosto pálido, porém determinado, da oficial ferida.

— Eu ouvi a notícia nos corredores — começou Hicks, sua voz rascante ecoando no silêncio súbito. — E, francamente, não sei se dou os parabéns ou se começo a preencher a papelada de suspensão de vocês dois por violação direta do código de fraternização.

Kuro sentiu o músculo da mandíbula saltar, mas antes que pudesse disparar uma de suas respostas rápidas e sarcásticas, Tatsuyo apertou seus dedos, pedindo silêncio.

— Comandante — disse ela, a voz clara apesar da dor nas costelas —, assumimos total responsabilidade. Não houve negligência no campo até hoje, e o que aconteceu na prisão foi um acidente tático que poderia ter ocorrido com qualquer um.

— Um acidente tático que envolveu um oficial agindo como escudo humano de forma imprudente — rebateu Cortez, dando um passo à frente. — Hatake, você quase comprometeu a formação da ala leste porque estava focado em uma única pessoa. Isso não é apenas contra as regras, é perigoso para toda a unidade.

Kuro respirou fundo, endireitando os ombros. A luz do hospital refletia em seu cabelo branco repicado, dando-lhe uma aura quase desafiadora.

— Com todo o respeito, Capitã, eu faria de novo. Mas entendo a gravidade. Eu amo a Tatsuyo e amo este bebê. Se o preço para mantê-los seguros for o meu distintivo, eu o entrego agora mesmo. Só não peçam para ela sair. Ela é a melhor operadora que vocês têm.

Tatsuyo olhou para ele, os olhos pretos brilhando com uma mistura de adoração e irritação.

— Kuro, cale a boca — sussurrou ela, antes de se voltar para os superiores. — Não queremos sair. Queremos encontrar uma solução.

Hicks suspirou, um som pesado que parecia carregar anos de experiência lidando com policiais teimosos. Ele olhou para Hondo, buscando uma opinião silenciosa. Hondo apenas assentiu, um gesto de apoio inabalável aos seus subordinados.

— Vamos fazer o seguinte — declarou Hicks. — Nakamura, você está de licença médica obrigatória até segunda ordem. Quando receber alta, você será realocada para o trabalho administrativo no QG até o fim da gestação. Não quero você nem perto de um colete tático por enquanto. Quanto a você, Hatake... você fica. Mas sob observação rigorosa. Se eu notar um segundo de hesitação ou favoritismo no campo, você estará fora da equipe 20 antes de conseguir dizer "papai".

Um suspiro de alívio coletivo varreu o quarto. Street soltou um "uhul" baixinho, que foi prontamente silenciado por um olhar severo de Cortez.

— Obrigado, senhor — disse Kuro, a voz carregada de uma gratidão genuína que raramente demonstrava.

— Não me agradeça ainda — disse Hicks, virando-se para sair. — Vocês ainda vão ter que lidar com o RH. E Hatake? Se esse bebê não tiver o nome de Robert ou pelo menos um nome decente, eu vou pessoalmente garantir que você faça as patrulhas mais chatas de LA por um ano.

O Comandante saiu, deixando a porta balançando. Cortez deu um pequeno sorriso de lado para Tatsuyo antes de seguir o chefe.

— Ele gosta de vocês — disse ela. — Só não contem para ninguém.

Assim que os superiores saíram, a atmosfera relaxou novamente. Luca se aproximou, pegando um copo de água para Tatsuyo.

— Cara, trabalho administrativo? — brincou Luca. — Você vai enlouquecer em duas semanas, Tats. Vai estar organizando os arquivos por ordem de letalidade.

— Pelo menos ela vai estar segura — comentou Cris, sentando-se na beira da cama. — E nós vamos cuidar do Kuro. Se ele começar a ficar muito "tarado" ou distraído no QG, a gente dá um jeito nele.

Kuro riu, recuperando seu jeito engraçadinho. Ele flexionou os músculos do braço, fazendo o tanquinho aparecer discretamente sob a camiseta justa do uniforme.

— Ah, Cris, admita. Vocês vão sentir falta da minha energia sexual e caótica no campo. Quem vai fazer as piadas quando as granadas de luz estourarem?

— O Tan — respondeu Street prontamente. — Ele é muito mais engraçado que você, ele só é mais tímido.

— Ei! — protestou Tan, rindo.

O grupo continuou conversando por mais uma hora, discutindo nomes de bebês e como seria o chá de revelação no QG — ideia que Kuro insistiu que deveria envolver explosivos coloridos, o que foi prontamente vetado por todos. Um a um, os membros da equipe foram se despedindo, prometendo voltar no dia seguinte para levar Tatsuyo para casa.

Hondo foi o último a sair. Ele parou na porta e olhou para o casal.

— Vocês sabem que a estrada vai ser difícil agora, certo? — perguntou o líder. — Equilibrar a paternidade com o que fazemos... não é para qualquer um.

— Nós sabemos, Hondo — respondeu Tatsuyo, segurando a mão de Kuro com força. — Mas temos a melhor equipe do mundo para nos apoiar.

Hondo sorriu, assentiu e fechou a porta silenciosamente.

Finalmente sozinhos, o silêncio do hospital pareceu mais acolhedor. Kuro sentou-se na beirada da cama, puxando Tatsuyo para um abraço cuidadoso. Ele enterrou o rosto no pescoço dela, inalando o cheiro de sabão hospitalar e o perfume natural dela que ele tanto amava.

— Eu tive tanto medo, Tats — confessou ele, a voz abafada. — Quando ouvi o rádio... eu senti como se meu oxigênio tivesse acabado.

Tatsuyo acariciou os cabelos brancos dele, sentindo a força dos braços musculosos que a envolviam.

— Eu também tive medo, Kuro. Mas não por mim. Eu só pensava: "ele vai fazer alguma loucura". E você fez. Você quase se matou por um ângulo de tiro.

Kuro se afastou um pouco para olhar nos olhos dela.

— Eu sou um homem de 23 anos com o corpo de um deus grego e a maturidade de um adolescente, eu sei — ele brincou, tentando aliviar o peso emocional. — Mas eu sou o seu homem. E vou ser o melhor pai que esse pirralho poderia ter.

Tatsuyo sorriu, puxando-o para um beijo calmo e profundo. Era um beijo que selava uma promessa, um pacto de sobrevivência e amor.

— Você vai ser um pai incrível, Kuro. Só tente não ensinar ele a flertar com as enfermeiras antes de aprender a andar.

— Sem promessas, Nakamura. Sem promessas.

Kuro deitou a cabeça cuidadosamente no colo dela. Ele estava exausto, a adrenalina da missão e do hospital finalmente deixando seu corpo. Tatsuyo continuou acariciando seus cabelos, observando o perfil forte do noivo.

— Kuro? — chamou ela baixinho.

— Hum?

— Você acha que vai ser menino ou menina?

Kuro abriu um dos olhos castanhos, um brilho travesso surgindo ali.

— Se for menino, vai ser musculoso e lindo como eu. Se for menina, vai ser inteligente e brava como você. De qualquer forma, Los Angeles não está preparada.

Tatsuyo riu, sentindo o bebê chutar levemente pela primeira vez, como se estivesse concordando.

— É — disse ela, fechando os olhos. — Eles não têm a menor ideia do que está por vir.

Naquela noite, sob as luzes esterilizadas do hospital, o guerreiro de cabelos brancos e a estrategista de olhos pretos dormiram juntos, protegidos pela certeza de que, não importava o quão perigosas fossem as ruas de LA, a maior missão de suas vidas estava apenas começando. E eles a enfrentariam da única maneira que sabiam: como uma equipe.

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