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Swin

Entre o Cio e a Esperança

O silêncio que se seguiu à partida de Sasuke e Naruto era, ao mesmo tempo, reconfortante e carregado de uma nova eletricidade. A casa nas montanhas, que por tanto tempo servira apenas como um santuário de quietude e meditação, parecia agora vibrar com a promessa feita sob o luar. As risadas de Sarada e o choro suave de Menma ainda ecoavam nas paredes de madeira, mas o foco de Kisame Hoshigaki havia mudado drasticamente.

Se antes ele era a sombra protetora de Itachi, agora ele era um Alfa com uma missão clara. E Kisame não era conhecido por fazer as coisas pela metade.

Alguns dias haviam se passado desde que Itachi concordara em suspender o uso dos supressores. Para um Ômega, o efeito de interromper uma medicação de anos era quase imediato; o corpo começava a despertar, os sentidos ficavam mais aguçados e o aroma natural, antes mascarado por ervas químicas, florescia como uma floresta após a chuva. Para Kisame, era como viver dentro de um sonho inebriante. O cheiro de sândalo de Itachi estava se tornando mais doce, mais profundo, e isso despertava no Alfa um instinto de possessividade e desejo que ele mal conseguia controlar.

Itachi estava na cozinha, cortando vegetais com a precisão cirúrgica de um ex-capitão da ANBU. O sol da tarde entrava pela janela, iluminando sua pele pálida e os fios escuros de seu cabelo que escapavam do coque. Ele sentiu a presença de Kisame antes mesmo de ouvir seus passos pesados.

Sem aviso, mãos grandes e azuladas envolveram sua cintura, e o peito largo de Kisame pressionou-se contra suas costas. O Alfa enterrou o rosto na curva do pescoço de Itachi, inspirando profundamente.

— Kisame... — Itachi murmurou, tentando manter o foco na faca, embora um arrepio percorresse sua espinha. — Eu estou preparando o almoço.

— O almoço pode esperar — rosnou Kisame, sua voz vibrando contra a pele do Ômega. — O seu cheiro está mudando, Itachi-san. Está ficando insuportável ficar longe de você.

Itachi soltou um suspiro contido, largando a faca sobre a tábua de madeira. Ele se virou nos braços do companheiro, encontrando aqueles olhos pequenos e intensos que o devoravam.

— Você disse isso há duas horas, quando eu estava tentando ler na varanda — relembrou Itachi, um pequeno sorriso de canto surgindo em seus lábios. — E também hoje de manhã, antes mesmo do sol nascer.

Kisame deu um sorriso lupino, mostrando suas fileiras de dentes afiados. Sem dizer uma palavra, ele ergueu Itachi com facilidade, sentando-o sobre o balcão da cozinha. Suas mãos subiram pelas coxas do Uchiha, puxando o tecido do yukata.

— Temos que aproveitar cada oportunidade — justificou Kisame, aproximando o rosto. — Você disse que queria tentar. Eu estou apenas garantindo que o destino não tenha desculpas para nos ignorar.

— Às vezes eu acho que você está se aproveitando da situação para fazer sexo a qualquer hora do dia — brincou Itachi, embora suas mãos já estivessem se enroscando nos ombros largos do Alfa, puxando-o para mais perto.

— E eu estou — admitiu Kisame com uma honestidade brutal, antes de selar seus lábios nos de Itachi.

O beijo foi faminto, uma mistura de urgência e uma ternura profunda que só eles compartilhavam. Itachi sentiu o calor de Kisame irradiar para seu próprio corpo. Sem os supressores, sua resposta ao Alfa era devastadora. Cada toque parecia queimar, cada roçar de pele era um convite para o esquecimento.

Kisame começou a desamarrar a faixa da cintura de Itachi com uma destreza surpreendente para mãos tão grandes. O yukata deslizou pelos ombros do Ômega, revelando a pele marcada por antigas batalhas, mas que agora brilhava com o suor da excitação.

— Aqui? — sussurrou Itachi, sua respiração falhando enquanto os dentes de Kisame mordiscavam seu pescoço, evitando por pouco a glândula de aroma, mas marcando o território. — Na cozinha?

— A Samehada não vai contar para ninguém — brincou o Alfa, embora sua voz estivesse rouca de desejo. — Além disso, não há ninguém a quilômetros daqui. Este mundo é nosso, Itachi.

Itachi fechou os olhos, entregando-se. O medo que o assombrara por anos — o medo de sua linhagem, do seu passado — parecia pequeno diante da força vital que Kisame emanava. Ele não era mais apenas o corvo solitário; ele era parte de algo maior.

Nas horas que se seguiram, a casa tornou-se um palco para a redescoberta. Não era apenas sobre o ato físico, embora Kisame fosse incansável em sua busca por engravidar o companheiro. Havia uma reverência em cada movimento. Kisame tratava o corpo de Itachi como um templo, mas o explorava com a curiosidade de um desbravador.

Mais tarde, quando a luz do sol começou a minguar e as sombras se alongaram pelo quarto, eles estavam deitados sobre os lençóis bagunçados. Itachi estava com a cabeça apoiada no peito de Kisame, ouvindo o coração do Alfa, que batia como um tambor constante e seguro.

— Você está bem? — perguntou Kisame, passando a mão pelos cabelos soltos de Itachi.

— Estou — respondeu o Ômega, sua voz quase um sussurro. — É estranho. Por tanto tempo eu vi meu corpo como uma arma, ou como algo que estava morrendo. Sentir que ele pode... criar algo... é uma sensação que eu ainda estou tentando processar.

Kisame beijou o topo da cabeça dele.

— Eu nunca pensei que teria esse tipo de vida. Quando eu era um subordinado na Névoa, tudo o que importava era a missão. Pessoas eram descartáveis. Eu era descartável. Mas quando olho para você, e penso no que podemos ter... eu sinto que finalmente encontrei a verdade que procurei a vida inteira.

Itachi levantou o olhar, encontrando a expressão serena do Alfa.

— Você será um pai incrível, Kisame. Você tem uma paciência que eu nunca tive.

— Eu tive que aprender — riu Kisame. — Viver com um Uchiha exige o máximo de autocontrole.

Itachi deu um leve soco no ombro dele, mas acabou sorrindo. O clima leve era uma benção. No entanto, por trás da descontração, ambos sabiam que o ciclo de Itachi estava se aproximando. O momento em que as chances seriam maiores.

Nos dias seguintes, a rotina de "ataques" de Kisame continuou. Ele encontrava Itachi no jardim, enquanto o Ômega cuidava das plantas medicinais, e o levava para dentro antes que a primeira cesta de ervas estivesse cheia. Ele o interrompia durante o chá da tarde, ou o puxava para o banho termal sob o pretexto de "ajudar a lavar as costas", o que inevitavelmente terminava em horas de intimidade na água quente.

— Kisame, eu realmente preciso terminar de consertar essa rede de pesca — disse Itachi certa manhã, embora não estivesse fazendo nenhum esforço real para se soltar do abraço do Alfa que o prendia contra a parede da varanda.

— A rede pode esperar. O seu cheiro está mudando de novo — Kisame murmurou, o nariz pressionado contra a têmpora de Itachi. — Está ficando... denso. Como mel.

Itachi sentiu o próprio corpo reagir instantaneamente. O calor subiu por suas bochechas. Ele sabia o que aquilo significava. Seu primeiro cio sem supressores em quase uma década estava prestes a começar.

— É agora, não é? — perguntou Itachi, a voz tremendo levemente.

— Sim — respondeu Kisame, seus olhos brilhando com um instinto ancestral. — Eu sinto isso. O seu corpo está pronto.

O Alfa não perdeu tempo. Ele pegou Itachi nos braços, carregando-o para o quarto principal. Ali, o ninho que eles haviam construído — uma pilha de lençóis macios, roupas de ambos e travesseiros — os esperava. Para um Ômega entrando no cio, o ninho era o lugar de segurança máxima, e Kisame fizera questão de prepará-lo com o máximo de cuidado.

Ao entrarem no quarto, o aroma de Itachi explodiu. Era doce, floral e carregado de uma necessidade biológica que o Uchiha não conseguia mais conter com lógica ou força de vontade. Ele se agarrou à túnica de Kisame, seus dedos cravando-se no tecido.

— Kisame... por favor...

— Eu estou aqui, Itachi. Eu não vou a lugar nenhum.

O cio de um Ômega era um período de vulnerabilidade extrema, mas com Kisame, Itachi sentia-se invencível. O Alfa era sua âncora. Durante os dias que se seguiram, o mundo exterior deixou de existir. Não havia passado, não havia guerras, não havia vilas ou renegados. Havia apenas o toque, o calor e a promessa silenciosa de vida que se formava entre eles.

Kisame foi devoto. Ele alimentava Itachi entre os momentos de exaustão, limpava seu suor com panos úmidos e o segurava durante os tremores que o cio provocava. E, acima de tudo, ele respondia ao chamado do Ômega com uma força e uma constância que reafirmavam seu vínculo a cada segundo.

Quando a febre do cio finalmente começou a baixar, alguns dias depois, a casa mergulhou em uma calmaria profunda. Itachi estava exausto, mas havia uma paz em seu rosto que Kisame nunca tinha visto. Eles estavam deitados, a pele de um contra a do outro, cobertos por um lençol fino enquanto a brisa fresca da montanha entrava pela janela aberta.

— Você acha que conseguimos? — perguntou Itachi, sua voz rouca, a mão repousando instintivamente sobre o próprio ventre.

Kisame cobriu a mão de Itachi com a sua.

— Eu sinto que sim. Mas se não tivermos conseguido agora, tentaremos de novo. E de novo. Eu tenho toda a eternidade para você, Itachi-san.

Itachi sorriu, fechando os olhos. O medo de antes ainda existia em algum lugar profundo de sua mente, mas agora estava cercado por camadas de amor e proteção. Ele pensou em Sasuke e Sarada, no pequeno Menma, e percebeu que a "maldição" dos Uchiha não era o ódio, mas a intensidade com que amavam. E ele amava Kisame o suficiente para acreditar que o futuro poderia ser diferente.

— Sabe — começou Itachi, com um tom de voz levemente provocador —, se o bebê herdar sua energia, eu vou precisar de muito mais do que chá para manter a calma nesta casa.

Kisame soltou uma gargalhada que fez o peito de Itachi vibrar.

— E se ele herdar sua teimosia, eu vou ter que comprar uma Samehada menor para ele se defender de você.

Eles riram juntos, um som que antes era raro, mas que agora se tornava a trilha sonora de suas vidas.

Semanas se passaram. A vida voltou ao seu ritmo habitual, mas com uma expectativa silenciosa. Kisame continuava atento, observando cada mudança no apetite de Itachi, cada momento em que o Ômega parecia mais cansado ou quando seu cheiro se estabilizava em algo novo e suave.

Certa manhã, Itachi acordou antes do sol. Ele sentiu uma leve náusea, mas não era o tipo de mal-estar que a doença que o afligira no passado causava. Era algo diferente. Algo vibrante.

Ele se levantou silenciosamente e foi até a varanda. O ar estava frio, e a névoa cobria o vale. Ele fechou os olhos e concentrou seu chakra em seu interior, uma técnica de autoexame que ele conhecia bem. No centro de seu ser, ele sentiu uma pequena centelha. Uma nova vida, minúscula, mas brilhante como uma estrela solitária no céu noturno.

Lágrimas silenciosas escorreram pelo rosto de Itachi. Não eram lágrimas de dor, mas de uma redenção que ele nunca achou que mereceria.

Sentiu os braços de Kisame o envolverem por trás. O Alfa não disse nada, apenas o apertou contra si, sentindo a mudança no fluxo de chakra do companheiro. Kisame encostou a testa no ombro de Itachi, e o Ômega sentiu que o Alfa também estava chorando.

— Ele está aqui, não está? — sussurrou Kisame.

— Sim — respondeu Itachi, virando-se para abraçar o companheiro. — Ele está aqui.

Ali, no topo do mundo, longe dos olhos de todos, o corvo e o tubarão finalmente deixaram de ser sombras do passado. Eles eram pais. Eles eram uma família. E, pela primeira vez na vida, Itachi Uchiha olhou para o horizonte e não viu o fim, mas um começo infinito.