Swin
O Brilho Frágil da Linhagem
A notícia da gravidez de Itachi espalhou-se como o aroma das flores de cerejeira na primavera, cruzando as fronteiras invisíveis que protegiam o refúgio do casal. Não demorou para que a quietude das montanhas fosse interrompida pelo som apressado de passos e vozes familiares. Sasuke e Naruto, movidos por uma mistura de choque e alegria genuína, não vieram sozinhos. No momento em que souberam, Sasuke insistira que apenas os melhores cuidados seriam aceitáveis para seu irmão. Assim, Sakura Haruno, a maior ninja médica de sua geração, subia a trilha íngreme carregando sua bolsa de equipamentos e uma expressão de profunda concentração.
Kisame os recebeu na entrada, sua figura imponente parecendo ainda mais protetora do que o habitual. Ele não portava a Samehada, mas seus olhos pequenos examinavam cada visitante com uma intensidade que beirava a paranoia.
— Ele está descansando — disse Kisame, sua voz rouca ecoando contra o vento. — Tem sentido muito cansaço ultimamente.
— É normal no início, Kisame — tranquilizou Naruto, colocando uma mão no ombro do Alfa azulado. — Mas o Sasuke quase teve um infarto de ansiedade. Tivemos que trazer a Sakura-chan para garantir que tudo esteja bem.
Sasuke não esperou pelas formalidades. Ele passou por Kisame e entrou na casa, seus olhos Sharingan desativados, mas sua percepção aguçada procurando pelo irmão. Ele encontrou Itachi sentado perto da janela, observando o jardim. O Ômega parecia mais pálido do que o normal, uma fragilidade quase etérea emanando de sua silhueta.
— Itachi — chamou Sasuke, sua voz suavizando-se instantaneamente.
— Você sempre foi impaciente, meu irmãozinho — comentou Itachi, esboçando um sorriso fraco enquanto tentava se levantar.
— Fique sentado — ordenou Sakura, entrando no cômodo com passos decididos. — Como médica e como sua amiga, eu exijo que você economize suas energias.
Sakura ajoelhou-se diante de Itachi, começando imediatamente a canalizar o chakra verde curativo em suas mãos. Kisame postou-se logo atrás de Itachi, uma de suas mãos grandes repousando suavemente no ombro do companheiro, como se pudesse transferir sua própria vitalidade para ele.
O silêncio caiu sobre o quarto enquanto Sakura realizava o exame. Naruto e Sasuke observavam de perto, a tensão palpável no ar. Sakura fechou os olhos, movendo as mãos sobre a região abdominal de Itachi, mergulhando profundamente na rede de chakra e na fisiologia do Uchiha.
Após alguns minutos que pareceram horas, o brilho verde em suas mãos desapareceu. Sakura suspirou, ajustando as luvas, e sua expressão não era das mais otimistas.
— E então? — perguntou Kisame, a impaciência transbordando em seu tom. — O filhote está bem?
— O bebê está se desenvolvendo, Kisame — respondeu Sakura, olhando de Itachi para o Alfa. — Mas precisamos ser honestos sobre a situação. Itachi, seu corpo carregou o peso de uma doença degenerativa por anos. Embora você tenha sido tratado e esteja em remissão, o estresse de uma gestação Ômega é imenso. Além disso, há a questão da linhagem Uchiha.
Sasuke franziu o cenho, cruzando os braços.
— O que quer dizer com isso, Sakura?
— O chakra desse bebê é incrivelmente potente, Sasuke. Mesmo agora, sendo apenas um pequeno embrião, ele está drenando as reservas de Itachi de uma forma agressiva. É como se o instinto Uchiha de sobrevivência estivesse lutando por espaço dentro de um sistema que ainda está se recuperando de danos antigos.
Itachi baixou o olhar para suas próprias mãos. Ele sentia isso. Sentia a pulsação constante, o calor que o consumia por dentro.
— É uma gravidez de risco — concluiu Sakura, sua voz firme. — Se não tomarmos cuidado extremo, o corpo de Itachi pode entrar em colapso antes do terceiro trimestre. O bebê pode simplesmente exaurir toda a força vital do pai.
Kisame sentiu um frio gélido percorrer sua espinha. Ele apertou o ombro de Itachi, seus dedos tremendo levemente. A ideia de perder Itachi, justamente agora que eles haviam alcançado a felicidade que parecia impossível, era insuportável.
— O que precisamos fazer? — perguntou Kisame. — Eu farei qualquer coisa.
— Repouso absoluto para começar — disse Sakura. — E eu precisarei vir aqui semanalmente para realizar infusões de chakra médico e monitorar o desenvolvimento. Itachi, você não pode realizar nenhum jutsu. Nada de Sharingan, nada de esforço físico. Você precisa ser um receptáculo passivo para essa criança.
Itachi suspirou, recostando-se no peito de Kisame.
— Eu entendo, Sakura. Eu farei o que for necessário para que ele sobreviva.
— Não é só sobre o bebê, Itachi! — exclamou Sasuke, sua voz subindo um oitavo. — Você tem a mania irritante de se colocar em segundo lugar. Eu não vou deixar você se sacrificar de novo, nem mesmo por um sobrinho.
— Sasuke tem razão — concordou Naruto, aproximando-se. — Estamos todos juntos nisso. Se o bebê precisa de chakra, nós podemos ajudar. Podemos criar selos de transferência ou algo do tipo.
Sakura balançou a cabeça negativamente.
— Não é tão simples, Naruto. O chakra precisa ser compatível. O ideal seria o chakra do Alfa que o gerou, para estabilizar o ambiente uterino, e o de um parente de sangue direto para fortalecer a linhagem.
Kisame olhou para as próprias mãos, as palmas calejadas por décadas de guerra.
— Meu chakra é bruto, Sakura. É vasto como o oceano, mas é violento. Eu não sei se consigo ser delicado o suficiente para não machucá-lo.
— Você vai aprender, Kisame — disse Itachi, pegando a mão do companheiro e levando-a aos lábios. — Você sempre foi mais gentil do que acredita.
Nas semanas que se seguiram, a rotina na casa das montanhas mudou drasticamente. O que antes era um refúgio de paz tornou-se quase um posto médico avançado. Sakura cumpria sua promessa, vindo regularmente com suprimentos e ervas raras de Konoha. Naruto e Sasuke também eram presenças constantes, alternando-se para garantir que Kisame tivesse ajuda com as tarefas pesadas e que Itachi nunca ficasse sozinho.
Certa noite, o vento soprava forte do lado fora, uivando entre as frestas da madeira. Itachi estava deitado no ninho, sentindo uma dor aguda e latejante em suas costas. O suor frio cobria sua testa. Kisame, que mal dormia desde o diagnóstico de Sakura, percebeu imediatamente.
— Itachi? O que você está sentindo? — O Alfa ajoelhou-se ao lado dele, os olhos arregalados de preocupação.
— É apenas... a pressão — ofegou Itachi, tentando manter a calma. — Sinto como se meu chakra estivesse sendo puxado por um redemoinho.
Kisame não hesitou. Ele lembrou-se das instruções de Sakura sobre como canalizar sua energia de forma lenta e rítmica. Ele colocou as mãos sobre o ventre ainda discreto de Itachi, fechando os olhos e tentando suprimir sua natureza predatória.
— Fique calmo, pequeno — murmurou Kisame, falando com o bebê pela primeira vez de forma direta. — Não machuque seu pai. Pegue de mim. Eu tenho o suficiente para nós três.
Lentamente, uma aura azulada e suave começou a emanar das mãos de Kisame. Era um processo exaustivo; manter o chakra em um estado tão refinado exigia um controle mental que até mesmo um espadachim experiente achava difícil. Itachi soltou um longo suspiro de alívio quando a dor começou a ceder, substituída por uma sensação de frescor, como se as ondas do mar estivessem acalmando um incêndio florestal.
— Você está indo bem, Kisame — sussurrou Itachi, sua mão cobrindo a do Alfa.
— Eu nunca tive tanto medo em toda a minha vida — confessou Kisame, a voz embargada. — Nem quando enfrentei exércitos inteiros. A ideia de que algo possa acontecer com você por causa de um desejo meu... isso me assombra.
Itachi forçou-se a sentar, olhando profundamente nos olhos de Kisame.
— Isso não é culpa sua. É a nossa escolha. Este filho é o símbolo de que deixamos de ser ferramentas de destruição para nos tornarmos criadores. O risco vale a pena, Kisame.
No dia seguinte, Sasuke chegou cedo. Ele trazia consigo alguns pergaminhos antigos do clã Uchiha que havia recuperado dos arquivos secretos de Konoha.
— Encontrei algo — disse Sasuke, espalhando os pergaminhos sobre a mesa. — Há registros de gravidezes de risco entre os Ômegas do nosso clã em tempos de guerra. Eles usavam uma técnica de ressonância de Sharingan para estabilizar o fluxo de chakra entre irmãos.
— Isso não seria perigoso para o Itachi? — perguntou Naruto, preocupado. — Sakura disse nada de Sharingan.
— O Sharingan dele permanecerá inativo — explicou Sasuke. — Eu usarei o meu para mapear o sistema circulatório de chakra dele e atuar como um regulador externo. Eu serei o filtro. Se o bebê começar a puxar demais, eu posso intervir com meu próprio chakra para suprir a demanda antes que chegue às reservas vitais do Itachi.
Sakura, que acabara de chegar para a visita semanal, examinou os pergaminhos com cautela.
— É uma técnica complexa, Sasuke. Exige uma sincronia perfeita. Se você errar a frequência, pode causar uma sobrecarga no sistema nervoso dele.
— Eu não vou errar — afirmou Sasuke com uma convicção absoluta. — Ele é meu irmão.
A primeira sessão de ressonância foi tensa. Itachi estava sentado no centro do quarto, com Sasuke à sua frente e Kisame logo atrás, servindo de suporte físico. Naruto guardava a porta, pronto para qualquer eventualidade.
Sasuke ativou seu Sharingan, os padrões complexos girando lentamente.
— Relaxe, Itachi. Não lute contra a minha presença.
Itachi fechou os olhos, sentindo a intrusão familiar e poderosa do chakra de Sasuke. Era como se uma luz fria e precisa estivesse escaneando cada fibra de seu ser. Ele sentiu o ponto de conexão com o bebê — uma pequena massa de energia pura e caótica que pulsava com uma fome insaciável.
— Céus... — murmurou Sasuke, o suor escorrendo por seu rosto. — A intensidade desse chakra... é como se ele já estivesse tentando despertar o Sharingan antes mesmo de ter olhos.
— Controle-o, Sasuke — pediu Sakura, monitorando os sinais vitais de Itachi. — A frequência cardíaca dele está subindo.
Kisame rosnou baixo, instintivamente liberando um pouco de seu feromônio Alfa para acalmar o ambiente. O efeito foi imediato; o aroma de mar e sal ajudou a ancorar Itachi, permitindo que Sasuke trabalhasse com mais facilidade.
Por quase uma hora, os dois irmãos Uchiha ficaram em transe, mediando a vida que crescia no ventre de Itachi. Quando Sasuke finalmente desativou o Sharingan e cambaleou para trás, Naruto o segurou.
— Funcionou? — perguntou o loiro.
Sasuke assentiu, ofegante.
— Estabilizei o fluxo. Por enquanto, o bebê está satisfeito. Mas ele é forte, Itachi. Forte demais.
Itachi abriu os olhos, que brilhavam com uma mistura de exaustão e orgulho.
— Ele tem o sangue do clã mais forte de Konoha e a força do monstro da Névoa Oculta. Eu não esperaria nada menos.
Meses se passaram sob essa vigilância constante. A barriga de Itachi cresceu, e com ela, a ansiedade de todos. Houve sustos — noites em que a febre de Itachi subia sem explicação, momentos em que o bebê se movia com tanta força que causava pequenos rompimentos internos que Sakura precisava curar às pressas.
Mas, apesar de todos os riscos, havia uma beleza indescritível naquele período. Kisame tornou-se um especialista em cuidados domésticos, cozinhando sopas nutritivas e garantindo que Itachi estivesse sempre confortável. Ele passava horas conversando com a barriga de Itachi, contando histórias de suas viagens e prometendo que, quando o pequeno nascesse, ele o ensinaria a nadar nos lagos mais azuis do mundo.
Sasuke e Naruto traziam Sarada e Menma com frequência. Ver as crianças brincando ao redor de Itachi era o melhor remédio para o Ômega. Sarada gostava de encostar o ouvido na barriga do tio, jurando que conseguia ouvir o primo treinando jutsus lá dentro.
— Ele vai ser um ninja incrível, não é, papai? — perguntava Sarada para Sasuke.
— Ele será o que ele quiser ser — respondia Sasuke, olhando para Itachi com um carinho que as palavras nunca poderiam expressar. — Mas, com esses pais, ele certamente será alguém que o mundo não poderá ignorar.
No final do oitavo mês, Sakura decidiu que era hora de se mudar permanentemente para a casa nas montanhas. O parto poderia acontecer a qualquer momento, e os riscos de hemorragia ou choque de chakra eram reais.
— Estamos na reta final — anunciou ela durante um jantar silencioso. — Itachi, seu corpo está no limite, mas o bebê está pronto. Agora é uma questão de resistência.
Itachi olhou para Kisame, que segurava sua mão por baixo da mesa. O Alfa parecia ter envelhecido dez anos em poucos meses, a preocupação gravada em cada linha de seu rosto azulado.
— Nós vamos conseguir, Kisame — sussurrou Itachi.
— Eu sei que vamos — respondeu o Alfa, embora sua voz estivesse carregada de uma vulnerabilidade que ele só mostrava ali. — Eu não aceito outro resultado.
Naquela noite, enquanto a lua cheia iluminava o vale, Itachi sentiu a primeira contração real. Não era como as dores de treinamento que sentira antes. Era um chamado. O futuro estava batendo à porta, exigindo passagem.
— Kisame... — chamou Itachi, sua voz calma, mas carregada de urgência. — Está na hora.
O Alfa saltou da cama, o instinto assumindo o controle. Em questão de segundos, ele alertou Sakura e os outros, que dormiam nos quartos de hóspedes.
O quarto foi preparado rapidamente. Velas foram acesas, água quente foi trazida, e o ambiente foi selado com jutsus de proteção. Sasuke e Naruto postaram-se do lado de fora da porta, agindo como sentinelas, enquanto Sakura e Kisame ficavam ao lado de Itachi.
O parto foi uma batalha. Por horas, Itachi lutou contra a própria exaustão, seu chakra oscilando perigosamente. Sakura trabalhava freneticamente para manter a estabilidade dele, enquanto Kisame servia de âncora, deixando que Itachi apertasse suas mãos com uma força que teria quebrado os ossos de um homem comum.
— Respire, Itachi! — comandava Sakura. — Só mais um pouco!
O suor escorria pelo rosto de Itachi, seus cabelos grudados na testa. Em um momento de dor extrema, seus olhos brilharam em vermelho — o Sharingan ativando-se involuntariamente.
— Kisame... eu não consigo... — arquejou Itachi, sua força minguando.
— Você consegue! — rugiu Kisame, sua voz cheia de autoridade Alfa e amor desesperado. — Você é Itachi Uchiha! Você sobreviveu ao inferno para estar aqui! Não desista agora! Olhe para mim!
Itachi focou nos olhos de Kisame. Naquele azul profundo, ele encontrou a razão de tudo. Ele deu um último grito, um som que pareceu rasgar o silêncio da montanha, e então, um novo som preencheu o quarto.
Um choro agudo, forte e cheio de vida.
Sakura segurou a pequena criança, limpando-a rapidamente antes de envolvê-la em um pano macio. Ela sorriu, as lágrimas brilhando em seus próprios olhos.
— É um menino — anunciou ela, sua voz trêmula de emoção. — E ele é perfeito.
Ela entregou o bebê a Itachi. O Ômega, trêmulo e exausto, segurou o filho contra o peito. O bebê tinha a pele azulada muito clara, quase um tom de porcelana fria, e pequenos fios de cabelo negro como a asa de um corvo. Quando ele abriu os olhos por um breve segundo, todos viram a promessa de uma linhagem poderosa.
Kisame aproximou-se, suas mãos imensas envolvendo tanto Itachi quanto o bebê. Ele soltou um soluço baixo, as lágrimas correndo livremente por seu rosto.
— Ele é lindo — murmurou Kisame. — Ele é o nosso milagre.
Itachi sorriu, sentindo o calor de sua família. O risco, a dor, o medo do passado... tudo parecia ter valido a pena para aquele momento.
— O nome dele — disse Itachi, sua voz fraca, mas decidida — será Ryuu. O dragão que nasceu do mar e do fogo.
Lá fora, Sasuke e Naruto entraram ao ouvir o choro, seguidos pelas crianças. O quarto, antes um local de tensão médica, tornou-se um santuário de esperança. A linhagem Uchiha continuava, não mais como uma maldição de ódio, mas como uma promessa de renovação, protegida pela força inabalável de um Alfa que aprendeu a amar acima de tudo.
A guerra havia acabado há muito tempo, mas para Itachi e Kisame, a verdadeira vida estava apenas começando.