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Taekookmin

Entre o Remorso e a Redenção

O quarto estava mergulhado em uma penumbra suave, iluminada apenas pelos reflexos da cidade que atravessavam as cortinas de seda. No centro daquele refúgio, a tensão que antes era de frustração e abandono havia se transformado em algo denso, palpável e carregado de uma necessidade mútua. Taehyung colocou Jimin sobre a cama com uma delicadeza que contrastava com a urgência em seus olhos, enquanto Jungkook fechava a porta atrás de si, trancando o mundo exterior e qualquer distração tecnológica longe dali.

Jimin estava deitada, o vestido azul-marinho subindo perigosamente pelas coxas, os cabelos espalhados pelo travesseiro como uma aura escura. Ela observava os dois, sentindo o poder que sua ausência temporária havia exercido sobre eles. O arrependimento no rosto de Taehyung e a possessividade no olhar de Jungkook eram o combustível para a pequena chama de satisfação que ainda ardia em seu peito.

— Vocês parecem ter visto um fantasma — provocou Jimin, a voz suave, mas carregada de uma confiança nova. — Ou será que finalmente perceberam que eu não sou um personagem de videogame que vocês podem pausar e retomar quando quiserem?

Taehyung ajoelhou-se na beira da cama, as mãos grandes e quentes encontrando os tornozelos dela. Ele subiu as palmas lentamente pela pele macia, sentindo o calor que emanava de Jimin.

— O fantasma foi a ideia de perder você, Minnie — Taehyung admitiu, a voz rouca. — Cada minuto que passava sem você responder, o silêncio desta casa ficava mais pesado. Eu olhava para aquele computador e sentia nojo de mim mesmo por ter preferido uma tela ao seu sorriso.

Jungkook aproximou-se pelo outro lado, sentando-se e inclinando-se sobre ela. Ele retirou uma mecha de cabelo do rosto de Jimin, o polegar traçando a linha de sua mandíbula com uma reverência quase religiosa.

— Eu não sou bom com palavras como o Tae — Jungkook murmurou, os olhos fixos nos dela. — Mas meu corpo inteiro doeu de ansiedade. Eu queria sair derrubando todas as portas da cidade até encontrar você. Nunca mais faça isso. Nunca mais nos deixe no escuro.

— Então nunca mais me deixem no vácuo — retrucou ela, sentando-se e ficando entre os dois. — Eu não quero ser a prioridade apenas quando estou saindo pela porta. Eu quero ser a prioridade quando estou bem aqui, tentando amar vocês.

Jungkook suspirou, derrotado pela lógica impecável dela. Ele se aproximou mais, unindo suas testas.

— Você é a nossa única prioridade. Às vezes somos idiotas, focados demais em coisas sem importância, mas o centro do nosso mundo é você. Deixe-nos provar isso. Por favor.

Jimin sentiu o coração amolecer por completo. Ela estendeu as mãos, uma para cada um, puxando-os para mais perto.

— Provar como? — perguntou ela, um sorriso travesso começando a surgir. — Porque eu ainda estou um pouco inclinada a fazer vocês dormirem no sofá por uma semana.

Taehyung riu, um som baixo e vibrante que aqueceu o ambiente. Ele deslizou as mãos para a cintura dela, sentindo a textura da seda do vestido.

— Uma semana no sofá seria uma sentença de morte, pequena. Que tal começarmos com uma compensação imediata? — Ele inclinou-se e beijou o pescoço dela, exatamente onde o perfume de baunilha era mais forte. — Eu quero tirar cada milímetro desse vestido e esquecer que qualquer outra coisa existe além de você.

Jungkook não esperou. Ele selou os lábios aos dela em um beijo profundo, faminto, que carregava todo o medo de perdê-la e todo o desejo acumulado das horas de negligência. Jimin correspondeu com a mesma intensidade, as mãos puxando os fios de cabelo na nuca de Jungkook, sentindo a força dos braços dele ao redor dela.

Enquanto Jungkook explorava sua boca, Taehyung trabalhava com paciência e foco no zíper invisível nas costas dela. O som do metal deslizando foi o único ruído no quarto por alguns segundos. Quando o vestido finalmente cedeu, Taehyung o deslizou pelos ombros de Jimin, revelando a lingerie preta que ela havia escolhido com tanto propósito horas antes.

Ao verem a pele dela sob a luz fraca, ambos pararam por um breve segundo, apenas admirando.

— Você se vestiu assim para sair? — perguntou Jungkook, a voz falhando levemente, os olhos escurecendo de ciúmes retroativo. — Para que outros homens vissem você assim?

— Eu me vesti assim para vocês — Jimin respondeu, os olhos brilhando. — Mas como vocês não olharam, decidi que o mundo merecia ver o que vocês estavam desperdiçando.

Taehyung soltou um rosnado baixo, puxando-a para que ela ficasse sentada em seu colo.

— O mundo não merece nada de você — ele sussurrou contra o ouvido dela. — Só nós. Somos gananciosos demais para compartilhar até mesmo o seu olhar.

A noite seguiu em um ritmo lento e deliberado. Não havia pressa, pois cada toque era uma forma de pedido de desculpas. Jungkook e Taehyung pareciam estar em uma competição silenciosa para ver quem conseguia arrancar os suspiros mais profundos de Jimin. Eles a adoravam como se ela fosse uma divindade, cobrindo cada centímetro de sua pele com beijos e carícias que prometiam fidelidade e atenção absoluta.

Jimin, por sua vez, sentia-se finalmente vista. O peso da solidão que a acompanhara durante a tarde havia sumido, substituído por uma plenitude que só o amor e a devoção daqueles dois homens podiam proporcionar. Ela explorava os corpos deles com a mesma sede, sentindo a firmeza dos músculos de Jungkook e a elegância dos movimentos de Taehyung.

— Minnie... — ofegou Taehyung, quando ela enterrou as unhas em suas costas enquanto ele a beijava. — Diga que você nos perdoa. Eu preciso ouvir.

Jimin afastou-se apenas o suficiente para olhar nos olhos dos dois. Eles pareciam vulneráveis, aguardando o veredito dela.

— Eu perdoo vocês — disse ela, a voz doce e firme. — Mas lembrem-se da minha condição. Se eu me sentir invisível de novo...

— Não vai acontecer — interrompeu Jungkook, selando a promessa com um beijo na palma da mão dela. — Eu vou quebrar aquele computador com minhas próprias mãos antes de deixar você triste de novo.

— Eu ajudo a jogar os restos pela janela — completou Taehyung, fazendo Jimin rir.

A madrugada avançou e, exaustos, os três se acomodaram sob os lençóis de algodão egípcio. Jimin estava no meio, como sempre, o ponto de equilíbrio perfeito entre as duas forças da natureza que eram Taehyung e Jungkook. O braço de Jungkook estava pesado sobre sua cintura, enquanto a mão de Taehyung estava entrelaçada à dela, o polegar acariciando seus nós dos dedos de forma rítmica.

— Sabe de uma coisa? — murmurou Jimin, já quase pegando no sono.

— O quê, meu amor? — perguntou Taehyung, a voz sonolenta e profunda.

— As meninas disseram que eu estava incrível hoje à noite. Mas o melhor momento da festa foi quando eu percebi que, não importava o quanto as pessoas me olhassem, eu só queria que fossem vocês.

Houve um momento de silêncio, quebrado apenas pela respiração pesada de Jungkook, que já começava a cochilar.

— Eu te amo, Jimin — disse Taehyung, beijando o topo da cabeça dela. — Obrigado por voltar para casa.

— Eu sempre volto — respondeu ela, fechando os olhos. — Só não me deem motivos para querer ficar fora por mais tempo.

No dia seguinte, o sol nasceu timidamente, mas o apartamento permaneceu em silêncio por muito tempo. Quando finalmente acordaram, não houve correria para os escritórios improvisados ou checagem de notificações. Em vez disso, houve café da manhã preparado a seis mãos, com muitas risadas, farinha espalhada pela cozinha e beijos roubados entre uma xícara de café e outra.

Jungkook, fiel à sua promessa, nem sequer olhou para a porta da "caverna gamer". Taehyung, por sua vez, passou a manhã inteira colado em Jimin, ajudando-a com pequenas tarefas e garantindo que ela soubesse que cada movimento seu estava sendo observado com adoração.

Enquanto descansavam no sofá após o almoço, Jimin encostada no peito de Jungkook e com as pernas sobre o colo de Taehyung, ela sentiu uma paz profunda. O equilíbrio havia sido restaurado.

— Então — começou Taehyung, enrolando uma mecha do cabelo de Jimin nos dedos. — O que a nossa rainha deseja fazer esta tarde? Cinema? Um passeio no parque? Shopping?

Jimin olhou para os dois, vendo a expectativa em seus rostos. Ela sabia que tinha o controle total da situação, e era uma sensação maravilhosa.

— Eu quero — ela começou, fazendo suspense — que vocês me levem para aquele restaurante de frutos do mar que abriu no centro. Aquele que tem uma lista de espera de três semanas.

Jungkook sorriu, pegando o celular imediatamente.

— Eu vou conseguir uma mesa para hoje. Nem que eu tenha que comprar o restaurante.

Jimin riu, sentindo-se amada e, acima de tudo, priorizada.

— Não precisa de tanto, Kookie. Só de estar com vocês, sem fones de ouvido e sem telas, já é o suficiente.

Eles cumpriram cada palavra. O dia foi dela, a noite foi deles, e o futuro seria construído sobre a lição aprendida: o amor não sobrevive de "um pouquinho" de tempo; ele exige a coragem de estar presente, de olhar nos olhos e de nunca deixar a pessoa amada sentir que é menos importante do que um brilho momentâneo em uma tela de computador.

Jimin adormeceu naquela noite com a certeza de que, embora as provocações e as fugas tivessem funcionado, o que realmente mantinha os três unidos era a capacidade de reconhecer as falhas e lutar para corrigi-las. E, se algum dia eles esquecessem disso de novo... bem, ela ainda tinha aquele vestido azul e o número de suas amigas salvo no celular. Mas, olhando para os rostos serenos de Taehyung e Jungkook ao seu lado, ela tinha a impressão de que não precisaria usá-los tão cedo.