Taekookmin
O Eco do Desejo e a Promessa de Amanhã
A manhã de segunda-feira nasceu com uma luz suave, filtrada pelas persianas entreabertas do quarto principal. O silêncio no apartamento era absoluto, uma raridade na rotina vibrante do trio, mas ali, naquele ninho de lençóis bagunçados e respirações sincronizadas, o tempo parecia ter finalmente decidido trabalhar a favor deles. Jimin estava aninhada entre os dois, sentindo o calor constante de Jungkook às suas costas e o braço de Taehyung jogado possessivamente sobre sua cintura, a mão dele descansando perto do seu coração.
Ela abriu os olhos devagar, sentindo o corpo leve. A noite anterior tinha sido uma jornada de reconciliação, onde as palavras de desculpa foram seladas com toques que queimavam e olhares que prometiam o mundo. Jimin se moveu levemente, tentando não acordá-los, mas o simples roçar de sua pele contra a de Jungkook foi o suficiente para despertar o instinto protetor do mais novo.
— Para onde você pensa que vai? — A voz de Jungkook surgiu rouca, carregada de sono, enquanto ele a puxava para mais perto, enterrando o rosto na curva do seu pescoço.
— Só ia buscar um copo de água, Kookie — Jimin sussurrou, sorrindo ao sentir os lábios dele pressionarem sua pele em um beijo preguiçoso. — Volto em um minuto.
— Nem um segundo — murmurou Taehyung do outro lado, abrindo um dos olhos e observando-os com uma intensidade que desmentia seu estado de sonolência. — Ontem você ficou longe por horas. Hoje, eu não quero você fora do meu campo de visão nem para beber água. Eu busco para você.
Taehyung se espreguiçou, os músculos das costas se contraindo de uma forma que fez o estômago de Jimin dar um nó de desejo puramente estético. Ele se levantou, sem se importar com a nudez, e caminhou até a cozinha com a elegância desleixada que lhe era peculiar.
Jungkook aproveitou a ausência do outro para girar Jimin em seus braços, ficando por cima dela, apoiado nos cotovelos. O olhar dele estava sério, analisando cada detalhe do rosto dela como se estivesse memorizando uma obra de arte.
— Você ainda está brava? — perguntou ele, a voz baixa e vibrante.
— Não estou brava, Jungkook — Jimin respondeu, passando as mãos pelos ombros largos dele. — Mas eu ainda sinto o peso do que aconteceu. Foi difícil me sentir invisível na minha própria casa.
— Eu sei. E eu odeio que tenhamos feito você se sentir assim. — Ele inclinou a cabeça, encostando o nariz no dela. — Eu estava tão focado em vencer aquela partida que esqueci que a única vitória que realmente importa é ter você feliz aqui. Prometo que vou me policiar mais. Se eu começar a agir como um idiota de novo, me dê um tapa, me grite... só não saia daquele jeito.
— Um tapa? — Jimin riu, a luz do sol batendo em seus olhos. — Talvez eu prefira métodos mais criativos de punição.
— Ah, é? — Taehyung voltou ao quarto, segurando dois copos de água, um sorriso malicioso brincando em seus lábios. — Que tipo de métodos, Minnie? Estou curioso para saber o que passa nessa sua cabecinha quando você resolve ser malvada.
Ele entregou a água para ela e sentou-se na beira da cama, observando a interação entre os dois. O clima de tensão do dia anterior havia se dissipado, mas deixara em seu lugar uma consciência muito mais aguçada das necessidades de Jimin.
— Eu estava pensando — começou Jimin, após beber um gole da água — que talvez precisemos de novas regras para os dias de folga. Nada de computadores até o pôr do sol. E o celular só para emergências ou para pedir comida.
— Justo — concordou Taehyung imediatamente. — E eu acrescento uma: pelo menos uma hora de atenção exclusiva para cada um de nós, onde o foco seja apenas o que o outro quer fazer. Sem reclamações.
— Eu gosto dessa regra — Jungkook disse, descendo os beijos para a clavícula de Jimin. — E eu quero começar a minha hora agora.
— Nada disso, senhor Jeon — Jimin o empurrou levemente, embora seu corpo estivesse traindo sua vontade. — Primeiro, vamos tomar um café da manhã de verdade. Eu estou faminta e, da última vez que verifiquei, nenhum de vocês me alimentou ontem.
Os dois riram, um som que preencheu o quarto e dissipou os últimos vestígios de melancolia. A dinâmica entre eles era assim: intensa, às vezes caótica, mas profundamente enraizada em um amor que não conhecia limites.
Enquanto se preparavam na cozinha, o clima era de leveza. Taehyung insistiu em colocar uma música suave para tocar, dançando com Jimin enquanto ela tentava fritar ovos, fazendo-a girar pela cozinha enquanto Jungkook observava tudo com um sorriso satisfeito, encostado no balcão. Era nesses momentos simples que a conexão deles brilhava mais forte.
— Minnie — disse Taehyung, parando a dança e segurando-a pela cintura, olhando-a nos olhos com uma sinceridade arrebatadora —, eu quero que você saiba que, mesmo quando somos estúpidos e nos perdemos em coisas bobas, você é o centro de tudo. Eu não conseguiria respirar neste apartamento se você não estivesse aqui para dar vida a ele.
Jimin sentiu os olhos marejarem. Ela sabia que Taehyung sentia as coisas de forma profunda, quase poética, e ouvir aquilo depois da dor da tarde anterior era o bálsamo que sua alma precisava.
— Eu amo vocês dois — ela sussurrou, puxando Jungkook para o abraço também. — Só não me deixem esquecer disso de novo.
— Nunca — prometeu Jungkook, selando a promessa com um beijo na testa dela.
Após o café da manhã, eles decidiram seguir a sugestão de Taehyung e sair para um passeio sem destino. Jimin vestiu algo leve, um vestido floral que balançava com o vento, e os dois homens pareciam guarda-costas dedicados, um de cada lado, as mãos sempre buscando o contato com a dela.
Caminharam por um parque próximo, conversando sobre coisas triviais, planos para o futuro e rindo de memórias antigas. Não havia telas, não havia notificações, apenas o som das folhas balançando e a voz uns dos outros. Para Jimin, aquele era o verdadeiro luxo.
— Olhem ali — apontou Taehyung para uma pequena galeria de arte de rua. — Vamos entrar?
Dentro da galeria, o ambiente era colorido e vibrante. Jimin se encantou com uma tela que mostrava três silhuetas abstratas entrelaçadas sob um céu estrelado. Ela ficou parada diante da obra por um longo tempo, sentindo uma conexão imediata.
— Parece com a gente — comentou Jungkook, parando atrás dela e descansando as mãos em seus ombros.
— Sim, parece — concordou Jimin. — Diferentes, mas inseparáveis.
Taehyung se aproximou do dono da galeria e, após uma breve conversa, voltou com um sorriso vitorioso.
— É nossa. Vou pedir para entregarem amanhã. Vai ficar perfeita na parede da sala, bem em cima do sofá, para nos lembrar do que realmente importa quando estivermos sentados lá.
Jimin sentiu o coração transbordar. Eles estavam se esforçando, e ela via isso em cada gesto, em cada palavra. O susto de ontem tinha servido para recalibrar as bússolas internas de todos eles.
Ao entardecer, eles voltaram para o apartamento. O sol se punha em tons de laranja e violeta, pintando a sala com cores quentes. Jungkook caminhou até a "caverna gamer", mas não para ligar os aparelhos. Ele começou a organizar os fios, cobrindo os monitores com uma capa de proteção.
— O que você está fazendo? — perguntou Jimin, observando da porta.
— Guardando as distrações — respondeu ele, olhando para ela. — Decidimos que este quarto vai ficar trancado durante todo o final de semana a partir de agora. Só abrimos em dias úteis, e olhe lá.
Taehyung apareceu atrás de Jimin, abraçando-a por trás.
— E decidimos outra coisa também — disse ele, a voz vibrando contra as costas dela. — Já que você teve a sua noite das garotas ontem, hoje é a nossa noite. E nós preparamos algo especial.
— Algo especial? — Jimin arqueou uma sobrancelha, curiosa.
— Banheira, sais de banho, vinho e massagem — listou Jungkook, aproximando-se e pegando a mão dela. — Sem pressa, sem interrupções. Só nós três, cuidando de você e lembrando a você por que você nos escolheu.
Jimin deixou-se levar para o banheiro principal, onde o vapor já subia e o aroma de sândalo e jasmim preenchia o ar. A luz era apenas de velas, criando uma atmosfera de santuário.
Eles a ajudaram a se despir com uma reverência que a fazia se sentir a mulher mais desejada do mundo. Dentro da água morna, cercada pelos dois, Jimin fechou os olhos e relaxou completamente. As mãos de Taehyung massageavam seus ombros, enquanto Jungkook cuidava de seus pés, ambos focados inteiramente em seu bem-estar.
— Isso é muito melhor do que qualquer jogo — murmurou Jungkook, sua voz ecoando suavemente no banheiro.
— Com certeza — concordou Taehyung. — Nada supera a sensação de ver você relaxada assim, Minnie.
— Eu poderia me acostumar com esse novo regime — brincou Jimin, sentindo a tensão acumulada de meses finalmente deixar seu corpo.
— Essa é a ideia — disse Taehyung, inclinando-se para beijar sua bochecha. — Queremos que você se sinta tão amada que nunca mais sinta a necessidade de fugir para ser notada.
A noite continuou naquele ritmo de adoração mútua. Mais tarde, deitados na cama, a conversa fluiu para lugares mais profundos. Falaram sobre seus medos, sobre como a rotina às vezes os cegava e sobre como pretendiam proteger o que tinham.
— Eu tive medo ontem — confessou Jungkook, a voz baixa na escuridão do quarto. — Quando você não atendia... eu percebi que o silêncio sem você é ensurdecedor. Eu nunca quero ouvir esse silêncio de novo.
— Eu também tive medo, Kookie — Jimin admitiu, segurando a mão dele. — Medo de que eu não fosse mais suficiente para manter a atenção de vocês.
— Você é mais do que suficiente, Jimin — Taehyung disse, a voz firme e cheia de convicção. — Você é o nosso norte. Sem você, estaríamos apenas vagando no escuro. Aqueles jogos, aquela adrenalina... nada disso chega perto do que eu sinto quando você me olha desse jeito.
Jimin sorriu, sentindo-se segura e amada. Ela sabia que a vida não seria perfeita e que haveria outros desafios, outras distrações e talvez outros momentos de falha. Mas ela também sabia que eles tinham a vontade de lutar um pelo outro.
— Prometem? — perguntou ela, a voz quase um sussurro.
— Prometemos — responderam os dois, em uníssono.
Enquanto o sono finalmente a envolvia, Jimin teve uma última imagem mental da tela que Taehyung comprara. As três silhuetas entrelaçadas, unidas contra o resto do mundo. Ela não precisava mais provocar para ser vista, nem fugir para ser valorizada. Ela estava em casa, e casa era onde Taehyung e Jungkook estavam, prontos para amá-la em cada detalhe, em cada silêncio e em cada novo amanhecer.
O "um pouquinho" de espera tinha acabado. Agora, o tempo era deles, e eles tinham a eternidade para gastá-lo da melhor forma possível: juntos.