Taekookmin
Seda e Pecado
A primeira manhã na mansão dos Kim-Jeon não começou com o som estridente de um despertador, mas sim com a sensação de estar sendo observada. Jimin abriu os olhos lentamente, sentindo o peso dos lençóis de fios egípcios sobre seu corpo nu. A claridade que entrava pelas frestas das cortinas de veludo denunciava que já passava das oito.
Ao tentar se mexer, percebeu que estava ancorada. O braço pesado e tatuado de Jungkook atravessava sua cintura, enquanto o rosto de Taehyung estava aninhado na curva de seu pescoço, a respiração dele quente e rítmica contra sua pele. Por um momento, a "Sentinela" da máfia esqueceu-se de prazos, carregamentos e relatórios. Ela era apenas uma mulher protegida pelo abraço de dois predadores.
— Acordou cedo, pequena — a voz de Taehyung soou rouca, vibrando contra os ombros dela. Ele não abriu os olhos, apenas apertou o abraço.
— O hábito é difícil de quebrar, senhor Kim — respondeu ela, sua voz ainda tingida pelo sono.
Sentiu Jungkook se espreguiçar atrás dela, a mão dele subindo possessivamente pelas suas costelas até repousar logo abaixo de seu seio.
— Primeira regra do dia — murmurou Jungkook, a voz grave enviando arrepios pela espinha de Jimin. — Aqui dentro, os títulos ficam na porta. É Taehyung e Jungkook. E você só sai dessa cama quando nós permitirmos.
Jimin sorriu, fechando os olhos novamente, entregando-se ao calor dos dois.
— Sim, Jungkook.
— Boa menina — ele disse, deixando um beijo estalado em sua nuca.
O café da manhã foi servido na varanda privativa da suíte. Jimin vestia apenas um robe de seda preta que Taehyung insistira em amarrar pessoalmente, garantindo que a gargantilha de diamante negro ficasse bem visível. Enquanto ela tomava seu café americano, os dois homens revisavam alguns relatórios em seus tablets, mas a atenção deles nunca saía totalmente dela.
— Hoje você não irá à empresa, Jimin — Taehyung declarou, sem desviar os olhos da tela. — Seus novos cartões de crédito foram ativados. Quero que passe a tarde com o estilista que virá aqui. Sua guarda-roupa de secretária é eficiente, mas para as nossas noites, precisamos de algo mais... específico.
— Estarei em prisão domiciliar, então? — brincou ela, embora houvesse um brilho de desafio em seus olhos castanhos.
Jungkook largou o tablet e se inclinou para frente, pegando a mão de Jimin e beijando a palma.
— Considere como um dia de treinamento. Você precisa aprender que seu tempo agora nos pertence. No escritório, você manda em todos abaixo de nós. Aqui, você não manda nem nos seus próprios desejos. Entendido?
Jimin engoliu em seco, sentindo o magnetismo de Jungkook.
— Entendido.
A tarde passou como um furacão de luxo. O estilista pessoal de Taehyung trouxe araras repletas de vestidos de seda, lingeries de renda francesa e sapatos que custavam mais do que o carro de um cidadão comum. Jimin sentia-se como uma boneca sendo vestida, mas havia um prazer culposo em ser mimada daquela forma. No entanto, o ponto alto foi quando uma joalheira trouxe uma seleção de peças exclusivas.
— Escolha três — disse Taehyung, que havia aparecido silenciosamente no closet para observar o processo.
— São todas lindas, mas não acha um exagero? — perguntou Jimin, segurando um bracelete de ouro branco.
— Nada é exagero para o que é nosso, Jimin — ele se aproximou, dispensando os funcionários com um gesto sutil. Ficando a sós com ela, ele a puxou pela cintura. — Quero que o mundo saiba que você é intocável. E quero que cada vez que você olhar para essas joias, lembre-se de quem as colocou em você.
Ele pegou um par de brincos de esmeralda e os colocou nela com uma precisão cirúrgica.
— Você está deslumbrante. Agora, prepare-se. Teremos um jantar com o conselho da máfia esta noite. Eles precisam ver a nova face da nossa organização.
— Eles sabem sobre... nós? — Jimin perguntou, sentindo um frio na barriga.
— Eles sabem que você é nossa — Taehyung respondeu, o olhar tornando-se frio e perigoso por um segundo. — E qualquer um que ousar olhar para você por mais de dois segundos sem permissão, terá que lidar com o Jeon. E você sabe que ele não é tão paciente quanto eu.
O jantar aconteceu em um restaurante subterrâneo exclusivo, frequentado apenas pela elite do crime organizado. Jimin estava impecável em um vestido de cetim verde-esmeralda que abraçava suas curvas, as costas totalmente nuas, revelando a pele impecável que Jungkook adorava acariciar.
Ao entrarem, o silêncio caiu sobre a mesa redonda onde cinco homens de meia-idade, todos figuras poderosas, aguardavam. Jungkook caminhou com uma confiança felina, mantendo a mão firmemente pousada na lombar de Jimin, enquanto Taehyung caminhava ao outro lado dela, como se estivessem escoltando uma rainha — ou um tesouro de guerra.
— Boa noite, cavalheiros — disse Jungkook, sua voz ecoando com autoridade. Ele puxou a cadeira central para Jimin antes mesmo de se sentar. — Acredito que todos conheçam a senhorita Park. A partir de hoje, ela não é apenas nossa secretária. Ela fala com a nossa voz. Qualquer desrespeito a ela será tratado como uma declaração de guerra contra a Jeon & Kim.
Um dos conselheiros, um homem de rosto cicatrizado chamado Sr. Choi, soltou uma risada seca.
— Uma mulher na mesa de decisões, Jeon? Ela é bonita, admito, mas a máfia não é lugar para flores.
O ar na sala gelou instantaneamente. Jungkook não se moveu, mas seus olhos escureceram. Taehyung, por outro lado, inclinou-se para frente com um sorriso que não chegava aos olhos.
— Sr. Choi — começou Taehyung, a voz perigosamente baixa. — Jimin não é uma flor. Ela é a faca que corta o pescoço de quem se esquece do seu lugar. Foi ela quem descobriu o desvio de verbas nas suas docas no mês passado, lembra-se? Se não fosse pela intercessão dela sugerindo uma "multa" em vez de uma execução, o senhor não estaria jantando conosco hoje.
Choi empalideceu, engolindo em seco. Jimin manteve o olhar firme, sem demonstrar medo. Ela sabia exatamente o poder que tinha, e agora, com o apoio total dos dois homens, sentia-se invencível.
— Peço desculpas — gaguejou Choi. — Eu não pretendia ofender.
— Ótimo — disse Jimin, sua voz soando clara e melódica. — Vamos falar de negócios, então? O carregamento vindo de Vladivostok terá um atraso de três horas. Sugiro que reforcem a segurança no galpão quatro.
Durante todo o jantar, Jungkook manteve a mão sob a mesa, apertando a coxa de Jimin de vez em quando. Era um lembrete constante de sua submissão. Por cima da mesa, ela era a estrategista implacável; por baixo, ela era a boneca deles, respondendo ao toque com leves arrepios que tentava esconder dos outros.
Quando finalmente voltaram para a cobertura, a adrenalina da reunião ainda corria pelas veias de Jimin. Mas o clima mudou assim que a porta do elevador se fechou. Jungkook a prensou contra a parede espelhada, beijando-a com uma fome que a deixou sem fôlego.
— Você foi perfeita lá — ele murmurou entre os beijos. — Tão arrogante, tão fria. Me deixou louco.
Taehyung parou atrás deles, observando o reflexo no espelho. Ele começou a desabotoar o paletó, seus olhos fixos em Jimin.
— O desempenho dela merece uma recompensa — disse Taehyung. — Mas também uma correção. Você falou sem minha permissão duas vezes durante o jantar, Jimin.
Jimin sentiu o coração disparar.
— Eu... eu achei que era necessário para manter a autoridade, senhor.
— "Senhor" — repetiu Jungkook, sorrindo contra o pescoço dela. — Ela está aprendendo, Tae. Mas você tem razão. Regras são regras.
Eles a levaram para o quarto, mas desta vez não para a cama. Jungkook abriu uma porta lateral que levava a um closet de acessórios que Jimin ainda não tinha explorado totalmente. Ele retirou uma fita de seda vermelha.
— Ajoelhe-se, Jimin — ordenou Taehyung.
Ela obedeceu imediatamente, o vestido verde espalhando-se ao seu redor no chão de madeira escura. Ela estava no centro do quarto, vulnerável e ansiosa.
Taehyung sentou-se na poltrona de couro, cruzando as pernas com elegância.
— Hoje, Jimin, você provou que pode mandar no mundo. Agora, prove que sabe obedecer a quem o governa. Jungkook, as mãos.
Jungkook aproximou-se e, com uma delicadeza que contrastava com sua força, amarrou os pulsos de Jimin atrás das costas com a fita de seda. Não era uma amarração dolorosa, mas era restritiva.
— Você vai ficar assim enquanto nós tomamos nosso uísque e discutimos os próximos passos da expansão — disse Jungkook, sentando-se ao lado de Taehyung. — Você não deve falar, não deve se levantar e não deve se desamarrar. Seus olhos devem permanecer em nós o tempo todo.
Jimin assentiu, sentindo o peso do silêncio. Os minutos passavam e suas pernas começavam a formigar, mas ela não ousava se mover. Ela observava os dois homens conversando, a harmonia entre eles era absoluta. Eles eram dois lados da mesma moeda: Taehyung era a mente fria, Jungkook era a força bruta. E ela era o elo que parecia completar aquela engrenagem de poder.
De vez em quando, Jungkook lançava-lhe um olhar intenso, um sorriso de canto que dizia que ele sabia exatamente o quanto ela estava se esforçando para ficar parada. Taehyung, ocasionalmente, levantava-se para acariciar o rosto dela ou oferecer-lhe um gole de água, tratando-a com uma adoração que a fazia se sentir a mulher mais importante do mundo, mesmo estando amarrada e de joelhos.
— Você está cansada, pequena? — perguntou Taehyung, horas depois, caminhando até ela.
— Só quero estar perto de vocês — ela admitiu, a voz baixa.
Taehyung soltou os laços de seda.
— Boa menina. Você aguentou muito bem.
Jungkook a pegou no colo como se ela não pesasse nada e a levou para a cama master. Ele a deitou entre os travesseiros e começou a despir o vestido dela com uma reverência quase religiosa.
— Amanhã você terá seu próprio escritório na mansão — disse Jungkook, enquanto se deitava ao lado dela. — Não queremos você longe de nós por muito tempo. E à tarde, haverá mais presentes.
— Eu não preciso de mais joias, Jungkook — murmurou ela, aninhando-se no peito dele.
— Não são joias desta vez — Taehyung disse, apagando as luzes e puxando o edredom sobre os três. — São cavalos. Compramos um haras para você. Você disse uma vez que sentia falta do campo.
Jimin sentiu as lágrimas arderem nos olhos. Eles não apenas a dominavam; eles a ouviam. Eles a conheciam de uma forma que ninguém jamais se deu ao trabalho de conhecer.
— Obrigada — ela sussurrou.
— Não agradeça — Jungkook respondeu, sua voz já pesada pelo sono. — Apenas continue sendo nossa. Isso é tudo o que exigimos.
Naquela noite, Jimin sonhou com campos verdes e diamantes negros. Ela entendeu que o contrato não era sobre perder a liberdade, mas sobre encontrar uma nova forma de ser livre dentro dos limites do amor e do controle daqueles dois homens. Ela era a secretária, a submissa, a estrategista e a protegida. Ela era de Jeon Jungkook e Kim Taehyung, e não havia outro lugar no mundo onde ela preferiria estar.