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Taekookmin

O Cálice de Cristal e a Rendição do Silêncio

A manhã em Seul nasceu tingida por um cinza metálico, mas dentro da cobertura dos Kim-Jeon, o ambiente era aquecido pelo aroma de café recém-passado e pelo perfume caro que impregnava os lençóis de fios egípcios. Jimin despertou sentindo o corpo leve, embora as palmas de suas mãos ainda guardassem uma lembrança pálida, um formigamento rosado da disciplina severa do dia anterior. Ela se espreguiçou, sentindo o vazio na cama; Jungkook e Taehyung já estavam de pé, provavelmente lidando com as consequências do pen drive que ela, em sua ousadia arriscada, havia recuperado.

Ao caminhar até a cozinha, Jimin encontrou Taehyung de pé junto à imensa janela de vidro que dava para a cidade. Ele vestia apenas uma calça de pijama de seda escura, os músculos das costas desenhados pela luz matinal. Jungkook estava sentado à mesa, digitando furiosamente em um tablet, mas parou no instante em que o som dos passos descalços de Jimin ecoou no mármore.

— Bom dia, pequena — disse Jungkook, seus olhos percorrendo o corpo dela com uma possessividade que não diminuíra nem por um segundo desde a noite anterior. — Como estão suas mãos?

Jimin aproximou-se, estendendo as palmas para que ele as visse.

— Estão bem, Jungkook. O bálsamo que o Taehyung usou fez milagres.

Taehyung virou-se, um sorriso enigmático brincando em seus lábios. Ele caminhou até ela e, sem dizer uma palavra, depositou um beijo em cada palma, um gesto de carinho que selava o fim da punição e o início de um novo dia de adoração.

— Hoje as coisas serão diferentes — anunciou Taehyung, conduzindo-a para uma cadeira. — O pen drive continha mais do que esperávamos. Não apenas provas contra nós, mas a localização de um cofre que pertence à família rival em Macau. Eles estão tentando nos cercar, Jimin.

— O que os senhores querem que eu faça? — perguntou ela, sentindo o instinto profissional despertar.

— Nada — respondeu Jungkook, fechando o tablet e levantando-se. — Hoje, você não é a Sentinela. Hoje, você é a nossa anfitriã. À noite, receberemos o embaixador da Itália e sua esposa. Eles são a chave para a nossa expansão legal na Europa. Queremos que você esteja ao nosso lado, impecável, como a joia da coroa desta casa.

Jimin assentiu. Ela sabia que esses eventos sociais eram campos de batalha tão perigosos quanto os becos do porto, onde cada sorriso era uma manobra e cada taça de vinho um contrato implícito.

— Mas antes da noite chegar — Taehyung interveio, inclinando-se sobre ela —, temos uma nova cláusula para o seu contrato de hoje. Devido à sua... iniciativa independente de ontem, decidimos que você precisa de um lembrete constante de quem detém o controle sobre a sua voz.

Ele retirou do bolso uma pequena caixa de veludo. Dentro, havia um anel de ouro branco com uma safira central, mas o aro não era fechado; ele possuía uma pequena corrente fina que se conectava a um bracelete no pulso oposto.

— É um limitador de movimentos — explicou Jungkook, observando a reação dela. — Se você tentar se afastar demais de nós ou agir sem permissão, a corrente a lembrará de que você está presa a nós. Você o usará durante todo o jantar.

Jimin sentiu um arrepio de excitação. A restrição física era uma forma de lembrá-la de que, embora fosse poderosa aos olhos do mundo, ela pertencia inteiramente àqueles dois homens.

— Eu aceito o lembrete — sussurrou ela.

A preparação para o jantar foi um ritual de luxo e controle. Taehyung pessoalmente escolheu o vestido dela: um modelo de alta costura em veludo azul-noite, com as costas totalmente nuas, exceto pelas finas correntes de diamante que desciam da gargantilha negra. Jungkook, por sua vez, encarregou-se de prender o anel-bracelete em sua mão.

Quando os convidados chegaram, a cobertura estava transformada. Velas aromáticas, música clássica ambiente e o serviço de buffet mais caro de Seul. O embaixador italiano, um homem de meia-idade com olhos astutos, ficou visivelmente impressionado ao ser apresentado a Jimin.

— Então esta é a famosa Srta. Park — disse o embaixador, fazendo menção de beijar a mão dela. — Ouvi dizer que a inteligência por trás da ascensão dos Kim-Jeon tem um rosto angelical.

Jimin sorriu, mas sentiu o puxão sutil da corrente em seu pulso quando Taehyung, parado ao seu lado, apertou levemente sua cintura.

— Ela é muito mais do que apenas inteligência, Excelência — disse Taehyung, sua voz soando como veludo sobre aço. — Ela é o pilar desta casa.

Durante o jantar, Jimin desempenhou seu papel com perfeição. Ela falava três idiomas fluentemente, discutia política internacional e economia com uma facilidade que deixava os convidados encantados. No entanto, por baixo da mesa, a dinâmica era outra. A mão de Jungkook repousava pesadamente sobre a coxa dela, subindo e descendo em carícias possessivas que a faziam perder o fôlego no meio das frases.

— A Srta. Park parece um pouco distraída — comentou a esposa do embaixador, sorrindo de forma cúmplice. — O vinho de Seul é realmente muito forte.

— Não é o vinho, senhora — respondeu Jungkook, seus olhos brilhando com uma malícia que apenas Jimin compreendia. — É apenas o peso das responsabilidades.

Em um momento, Jimin sentiu-se confiante demais. Ela começou a detalhar uma rota de comércio que Taehyung ainda não queria revelar totalmente. Ela sentiu a corrente em seu pulso esticar. Taehyung, do outro lado da mesa, deu um puxão quase imperceptível, mas o suficiente para que o anel pressionasse o seu dedo.

Jimin parou de falar imediatamente, tomando um gole de água para disfarçar o sobressalto.

— Como eu dizia — continuou Taehyung, assumindo a conversa com uma maestria gélida —, os detalhes logísticos ainda estão sendo refinados. Jimin às vezes se entusiasma com a eficiência, não é, pequena?

— Sim, Taehyung. Peço desculpas — disse ela, baixando os olhos em um gesto de submissão que não passou despercebido pelos convidados, mas que foi interpretado apenas como um respeito profundo pelos seus chefes.

Quando o jantar finalmente acabou e os convidados se retiraram, o silêncio que se seguiu na cobertura era denso. Jimin estava exausta, mas a eletricidade entre os três era palpável.

Jungkook afrouxou a gravata e caminhou até o bar, servindo-se de um uísque. Taehyung permaneceu parado no centro da sala, observando Jimin, que ainda estava sentada à mesa, sua mão direita ainda ligada ao pulso esquerdo pela corrente de ouro.

— Você foi quase perfeita hoje — disse Taehyung, aproximando-se dela. — Mas você tentou falar demais novamente. A corrente te lembrou do seu lugar, Jimin?

— Sim — ela respondeu, levantando-se e caminhando até ele. — Ela me lembrou a cada segundo.

Jungkook aproximou-se por trás dela, envolvendo-a em seus braços e sentindo o perfume de baunilha que emanava de sua pele.

— Você gosta de ser nossa joia, não gosta? — Jungkook sussurrou em seu ouvido. — Gosta de saber que todos aqueles homens poderosos te desejam, mas que nenhum deles pode sequer tocar na sua mão sem a nossa permissão?

— Eu amo ser de vocês — confessou ela, sentindo-se pequena e protegida entre os dois gigantes.

Taehyung pegou a mão dela e desfez a trava do anel-bracelete, mas em vez de libertá-la, ele usou a corrente para puxá-la para mais perto, até que seus corpos se tocassem.

— O contrato diz que, após eventos oficiais, a submissa deve passar por um período de descompressão e reafirmação — citou Taehyung, seus olhos focados nos lábios dela. — E hoje, a reafirmação será longa.

Eles a levaram para o quarto, mas não para a cama. Taehyung a conduziu até a chaise-longue de veludo vermelho que ficava diante da janela. A cidade de Seul brilhava lá fora, mas para Jimin, o único mundo que importava era aquele quarto.

— Ajoelhe-se na frente da janela, Jimin — ordenou Jungkook. — Quero que você olhe para a cidade que você ajuda a governar e se lembre de que, para eles, você é uma rainha. Mas para nós...

— Para nós, você é a nossa menina — completou Taehyung, sentando-se na chaise e puxando a cabeça dela para descansar em seu colo.

A noite transformou-se em uma exploração de sentidos. Não havia a urgência da paixão bruta, mas sim a paciência de quem possui algo valioso. Eles a tocaram com uma reverência que beirava o religioso. Jungkook usou as correntes do próprio vestido dela para restringir seus pulsos levemente, enquanto Taehyung explorava cada centímetro de sua pele com beijos lentos e palavras de afirmação.

— Você é tão inteligente — sussurrou Taehyung, traçando a linha de sua mandíbula. — Tão corajosa.

— E tão nossa — acrescentou Jungkook, beijando o ombro dela. — Nunca se esqueça disso. Você pode governar o mundo lá fora, Jimin, mas aqui dentro, você é o nosso descanso. O nosso porto seguro.

Em um momento de entrega total, Jimin sentiu as lágrimas escorrerem. Não eram lágrimas de dor ou de tristeza, mas de uma plenitude avassaladora. O peso de ser a Sentinela, de carregar os segredos da máfia e as responsabilidades da empresa, era imenso. Mas ali, sob o controle daqueles dois homens, ela não precisava ser nada além dela mesma.

— Por que está chorando, pequena? — perguntou Jungkook, sua voz cheia de uma preocupação genuína.

— Porque eu nunca pensei que poderia ser tão feliz sendo... dominada — respondeu ela, soluçando baixo. — Eu sempre achei que o poder era o que eu queria. Mas o que eu realmente queria era ser cuidada por alguém que fosse mais forte do que eu.

Taehyung a abraçou com força, escondendo o rosto em seu pescoço.

— Nós sempre seremos o seu escudo, Jimin. O contrato não é sobre nos servir; é sobre nos permitir cuidar de você da única maneira que sabemos: com posse e proteção total.

A madrugada avançou, e a dinâmica mudou para algo mais carnal e intenso. A rendição de Jimin alimentava o desejo deles, e o desejo deles a fazia sentir-se viva como nunca. Entre gemidos e sussurros de lealdade, o trio selou mais uma vez o pacto que os unia.

Horas depois, quando o primeiro raio de sol começou a despontar no horizonte, Jimin estava deitada na cama master, aninhada entre os dois. Jungkook dormia com a mão protetoramente sobre o ventre dela, enquanto Taehyung, ainda meio desperto, acariciava seus cabelos loiros.

— Amanhã temos muito trabalho — murmurou Jimin, o sono finalmente a vencendo.

— Amanhã você será a Sentinela novamente — disse Taehyung, beijando sua testa. — Mas esta noite, e em todas as noites que virão, você será apenas a nossa Jimin.

— Eu sou de vocês — ela sussurrou, fechando os olhos.

— Para sempre — respondeu Taehyung.

Enquanto a cidade de Seul despertava para mais um dia de caos e ambição, dentro daquela cobertura, o tempo parecia ter encontrado o seu equilíbrio perfeito. Park Jimin, a mulher que conhecia todos os segredos da máfia, havia descoberto o maior segredo de todos: que a verdadeira liberdade estava em se entregar completamente aos braços de quem detinha o seu coração sob chave e corrente. E sob a proteção de Jeon Jungkook e Kim Taehyung, ela sabia que nenhuma sombra lá fora poderia jamais apagar a luz que eles haviam acendido dentro dela.

O contrato de ouro e sombras estava mais vivo do que nunca, escrito não apenas em papel, mas gravado na alma de três pessoas que haviam encontrado, no controle e na entrega, a sua forma mais pura de amor.