Taekookmin
O Cálice de Cristal e a Disciplina do Aço
O ar na cobertura dos Kim-Jeon estava carregado com uma tensão que ia além do desejo habitual. Park Jimin, sentada em sua mesa de mogno no escritório particular que dividia com seus mestres, sentia o peso do olhar de Jungkook sobre suas costas. Ela sabia que estava brincando com fogo. O incidente anterior com o pen drive deveria ter sido um aviso suficiente, mas a natureza de Jimin era impetuosa, forjada no aço da sobrevivência e na inteligência que a tornara indispensável para a máfia.
Naquela tarde, um carregamento de mercadorias desviadas das docas de Incheon — um assunto que Taehyung havia proibido Jimin de tocar pessoalmente devido ao envolvimento de uma gangue dissidente violenta — exigia uma assinatura presencial para liberação imediata. Taehyung e Jungkook estavam em uma reunião ministerial por videoconferência que não poderia ser interrompida.
— Eu sou a Sentinela — sussurrou Jimin para si mesma, os dedos batucando nervosamente na mesa. — Se eu não for agora, perderemos três milhões em carga e pareceremos fracos.
Ela ignorou a voz de Jungkook em sua mente, aquela que lhe ordenara expressamente a nunca sair do perímetro de segurança sem um deles ou uma escolta de doze homens. Jimin pegou sua bolsa, desativou o rastreador do relógio-algema por apenas trinta minutos — um truque técnico que ela mesma desenvolvera — e saiu pelas portas dos fundos da empresa.
O encontro foi rápido. Ela usou seu nome e sua autoridade para intimidar os fiscais corruptos, assinou os documentos e garantiu que os caminhões seguissem o trajeto correto. No entanto, ao retornar para a cobertura, o silêncio que a recebeu foi absoluto. E o silêncio, na casa de Kim Taehyung e Jeon Jungkook, era sempre o prelúdio da tempestade.
Eles estavam na sala de estar, sentados no imenso sofá de couro, as luzes da cidade brilhando atrás deles como um cenário de julgamento. Taehyung segurava o relógio-algema de Jimin entre os dedos, observando o mecanismo que fora violado. Jungkook estava de pé, com as mãos nos bolsos da calça social, sua expressão uma máscara de fúria contida.
— Trinta e dois minutos — disse Taehyung, sua voz tão fria que parecia cortar o ar. — Trinta e dois minutos em que a nossa vida, o nosso coração, desapareceu do radar.
— Eu recuperei a carga de Incheon — Jimin começou, tentando manter a voz firme, embora suas pernas estivessem começando a tremer. — Se eu não tivesse ido, teríamos perdido o prazo.
Jungkook deu um passo à frente, a intensidade de sua presença física fazendo Jimin recuar até que suas costas batessem na porta fechada.
— Nós fomos claros, Jimin — Jungkook rosnou, a voz baixa e perigosa. — Nós lhe demos uma punição leve da última vez porque acreditamos que você tinha entendido. Mas você nos desobedeceu de novo. Você mentiu, desativou a nossa segurança e se colocou em perigo por causa de dinheiro. Você acha que três milhões valem mais do que a sua integridade?
— Não, senhor... — Jimin baixou a cabeça, o pavor começando a substituir a adrenalina da missão.
— O tempo das palavras acabou — Taehyung declarou, levantando-se com uma elegância letal. — Você provou que a sua mente brilhante não é suficiente para controlar sua impulsividade. Se você quer agir como uma criança rebelde que ignora os avisos de seus protetores, será tratada como tal.
Jungkook segurou o braço de Jimin e a conduziu, não para o escritório, mas para o centro da suíte master. Ele a colocou de pé diante da grande cama circular.
— Desfça-se da saia e da lingerie — ordenou Jungkook. — Agora.
Jimin sentiu o rosto arder em uma mistura de vergonha e antecipação temerosa. Ela obedeceu, os dedos trêmulos desabotoando a saia lápis de seda e deixando-a cair no chão, seguida pela renda fina. Ela ficou apenas com a camisa social branca e a gargantilha de diamante negro, sentindo-se exposta e vulnerável sob o olhar gélido de seus mestres.
— Deite-se atravessada na cama — instruiu Taehyung, sentando-se em uma cadeira de veludo próxima, cruzando as pernas. — De bruços.
Jimin se acomodou, o peito subindo e descendo com rapidez. Ela sentiu o peso de Jungkook se posicionando atrás dela, no colchão.
— Esta punição não é apenas pela desobediência, Jimin — Jungkook explicou, sua mão grande repousando sobre a base de suas costas. — É para que você se lembre, através da dor e da marca, que você não tem o direito de arriscar o que nos pertence. Suas mãos foram punidas da última vez, mas parece que você esqueceu rápido demais. Hoje, o lembrete será mais profundo.
Sem mais avisos, a primeira palmada desceu. O som da mão pesada de Jungkook atingindo a pele macia de Jimin ecoou pelo quarto como um tiro.
— Ah! — Jimin soltou um grito agudo, o corpo arqueando involuntariamente. A dor foi imediata, uma ardência que se espalhou como fogo por sua nádega esquerda.
— Um — contou Taehyung, sua voz implacável.
A segunda palmada veio logo em seguida, com a mesma força, atingindo o lado direito. Jimin enterrou o rosto no edredom, os dedos agarrando o tecido com força.
— Dois — continuou Taehyung.
Jungkook não tinha pressa. Ele alternava os golpes, garantindo que a ardência não diminuísse. A cada impacto, a pele de Jimin mudava de cor, passando do rosa pálido para um vermelho vivo e pulsante.
— Por favor... Jungkook... — ela soluçou, o corpo tremendo sob o domínio dele.
— Continue, Jungkook — ordenou Taehyung, sem um pingo de hesitação. — Ela precisa sentir o peso da nossa preocupação transformado em disciplina.
— Três. Quatro. Cinco — a contagem prosseguia.
Jimin tentou fechar as pernas, tentando proteger-se instintivamente, mas Jungkook usou seu joelho para mantê-las afastadas, garantindo que ele tivesse acesso total ao alvo de sua correção.
— Fique imóvel, submissa — Jungkook advertiu, sua voz rouca de autoridade. — Cada vez que você se mover ou tentar fugir do meu toque, eu recomeçarei a contagem.
Jimin forçou-se a ficar parada, embora os soluços agora sacudissem seus ombros. A dor era humilhante, crua e inevitável. Ela sentia a mão de Jungkook, firme e implacável, moldando sua carne, deixando uma marca de posse que duraria dias.
Quando chegaram ao número quinze, Jimin estava em lágrimas, a respiração entrecortada por gemidos de dor.
— Pare — disse Taehyung, levantando-se.
Jimin sentiu um breve alívio, achando que havia acabado, mas Taehyung aproximou-se da cama trazendo consigo uma palmatória de couro pesado, um objeto que ela sabia que era reservado para as transgressões mais graves.
— Jungkook já te deu o calor da mão dele — disse Taehyung, tocando o queixo de Jimin para que ela olhasse para ele. — Agora, eu lhe darei a frieza da minha disciplina. Mais dez golpes, Jimin. Pela mentira e por ter desativado o rastreador.
— Taehyung, por favor, dói muito... — ela implorou, os olhos castanhos suplicantes.
— Deveria doer — ele respondeu, sua expressão suavizando-se apenas um milímetro, mas sem recuar. — Imagine a dor que sentiríamos se tivéssemos que identificar o seu corpo em um necrotério porque você achou que era independente demais para seguir nossas regras.
Ele se posicionou e o primeiro golpe da palmatória desceu. Diferente da palma da mão, o couro era denso e não deixava a dor se dissipar; ele a concentrava. Jimin soltou um grito abafado, os pés batendo contra o colchão.
— Um — contou Jungkook, agora observando com os braços cruzados, sua fúria inicial dando lugar a uma vigilância protetora.
A cada golpe de Taehyung, Jimin sentia sua resistência desmoronar. A "Sentinela" da máfia, a mulher implacável, não existia mais ali. Restava apenas a submissa que compreendia, da maneira mais dolorosa possível, que sua segurança era a única coisa que realmente importava para aqueles dois homens.
— Nove... dez — Taehyung finalizou.
O silêncio voltou ao quarto, quebrado apenas pelo choro exausto de Jimin. Taehyung deixou a palmatória de lado e Jungkook imediatamente se aproximou, sentando-se atrás dela e puxando-a para o seu colo, apesar dos protestos de dor dela ao sentir o contato da pele ferida com o tecido de sua calça.
— Shhh... acabou, pequena. Acabou — Jungkook sussurrou, beijando o topo de sua cabeça e embalando-a suavemente.
Taehyung ajoelhou-se diante deles, pegando as mãos de Jimin e beijando os dedos que haviam agarrado o edredom com tanta força.
— Você entende agora, Jimin? — perguntou Taehyung, sua voz agora carregada de uma ternura melancólica. — Nós não podemos te perder. O mundo em que vivemos não perdoa erros como o que você cometeu hoje. Se você nos desobedecer de novo, se você nos deixar no escuro sobre onde você está, a punição será ainda pior. Não porque gostamos disso, mas porque precisamos que você tenha medo de se afastar de nós tanto quanto nós temos medo de te perder.
— Eu entendo — Jimin soluçou, escondendo o rosto no pescoço de Jungkook. — Eu sinto muito. Eu prometo... eu prometo que nunca mais vou desativar o rastreador. Nunca mais vou sair sozinha.
— Boa menina — murmurou Jungkook, apertando-a um pouco mais. — Você é a nossa mente, Jimin, mas você é o nosso coração. E nós protegemos o nosso coração com tudo o que temos, inclusive contra você mesma, se for necessário.
Taehyung buscou o mesmo bálsamo que usara anteriormente, começando a aplicá-lo com extrema delicadeza sobre a pele castigada dela. O frescor do remédio trouxe um alívio imediato para a queimação, e Jimin soltou um longo suspiro, relaxando nos braços de Jungkook.
— Hoje você não sairá deste quarto — declarou Taehyung, enquanto espalhava o creme. — Você não trabalhará. Você não atenderá chamadas. Você ficará aqui, sendo cuidada por nós, para que cada vez que você se sentar ou se deitar, você se lembre do preço da sua desobediência.
— Sim, senhor — Jimin respondeu, sua voz agora calma e aceitante.
Eles a deitaram suavemente entre os travesseiros, cobrindo-a com seda branca. Jungkook e Taehyung deitaram-se um de cada lado, formando uma barreira física entre ela e o resto do mundo.
— O carregamento de Incheon está seguro — Jungkook comentou, acariciando os cabelos loiros dela. — Mas eu mandei queimar o escritório onde você assinou os papéis. Não quero que nenhum rastro da sua presença sem a nossa escolta permaneça naquele lugar.
Jimin arregalou os olhos, mas não disse nada. O nível de possessividade deles era absoluto, uma redoma de vidro e ferro que a envolvia por completo.
— Descanse agora, pequena — disse Taehyung, abraçando-a por cima das cobertas. — Amanhã você voltará a ser a rainha da nossa organização. Mas hoje, você é apenas a nossa menina que precisa aprender a ouvir.
Enquanto o sol se punha sobre Seul, Jimin adormeceu sentindo a dor transformar-se em um calor reconfortante. Ela sabia que a disciplina fora severa, talvez a mais dura que já recebera, mas no fundo de sua alma, ela entendia a linguagem deles. Onde outros veriam crueldade, ela via um amor desesperado e protetor.
Ela era Park Jimin, a Sentinela, a mente por trás do império Kim-Jeon. Mas ali, naquele quarto, sob a vigilância constante de Jungkook e Taehyung, ela era algo muito mais precioso. Ela era a posse deles, a joia que eles poliam com rigor para que nunca perdesse o brilho. E enquanto as sombras da noite preenchiam a cobertura, ela soube que, não importa o quão longe tentasse voar, o único lugar onde suas asas encontravam descanso era sob o domínio absoluto daqueles dois homens. A disciplina fora o lembrete, mas o amor possessivo deles era a sua eterna e dourada prisão.