Tatsuro
Reforços das Estrelas
O clima dentro do complexo dos Vingadores era de puro caos controlado. Mapas holográficos flutuavam no centro da sala, exibindo trajetórias de naves espaciais e pontos de impacto que os asseclas de Thanos haviam deixado para trás após o primeiro confronto. Tony Stark andava de um lado para o outro, os dedos roçando o reator em seu peito, enquanto Steve Rogers debatia táticas de defesa com Natasha e Sam Wilson. Ao fundo, Wanda tentava confortar Visão, cuja Joia da Mente pulsava em um tom amarelo doentio.
Nick Fury, o homem que sempre parecia saber mais do que todos os gênios e super-soldados da sala, mantinha-se encostado em uma pilastra. Ele observava Peter Parker, o jovem Homem-Aranha, que tentava manter o otimismo apesar do medo evidente nos olhos. Em um movimento sutil, Fury retirou um comunicador de aparência antiga, mas com tecnologia interna que desafiava a compreensão humana, e se afastou para um corredor escuro.
— Está na hora — murmurou Fury para o dispositivo. — A Terra não vai aguentar o próximo round sozinha.
Ele voltou para a sala principal minutos depois, mantendo a expressão gélida de sempre. Cerca de quarenta minutos se passaram em meio a discussões acaloradas entre o Doutor Estranho e Tony sobre a segurança da Joia do Tempo, até que a voz sintética de Jarvis ecoou pelas paredes, carregada de uma urgência que fez todos pararem.
— Senhor Stark, detectei um objeto de massa colossal adentrando a atmosfera superior. A trajetória indica um pouso forçado... ou muito preciso... exatamente em nossas coordenadas.
— Outra nave do Thanos? — Rhodey já acionava os sistemas da armadura de Máquina de Combate.
— Todos para fora, agora! — ordenou Steve, pegando seu escudo.
O grupo correu para o vasto gramado que cercava a sede. O céu, antes azul, foi rasgado por uma bola de fogo que, conforme se aproximava, revelava formas metálicas e luzes coloridas. O vento provocado pelo deslocamento de ar bagunçou os cabelos de todos. Bucky preparou seu braço de metal, e Scott Lang já estava com o dedo no gatilho de encolhimento.
No entanto, Nick Fury soltou uma risada seca, quase imperceptível.
— Relaxem, seus paranoicos — disse Fury, cruzando os braços. — Eu chamei reforços.
A nave, uma estrutura magnífica e visualmente exótica chamada *Milano*, executou uma manobra de pouso perfeita, estendendo seus suportes e levantando uma nuvem de poeira. A rampa traseira se abriu com um chiado hidráulico e uma música de rock clássico dos anos 70 começou a ecoar de dentro da cabine.
Os Vingadores observavam, atônitos, enquanto um grupo peculiar desembarcava. À frente vinha Peter Quill, ajustando sua jaqueta de couro, seguido pela pele verde e o olhar mortal de Gamora. Drax vinha logo atrás, rindo de algo que ninguém entendia, enquanto Rocket Raccoon carregava uma arma maior que ele mesmo. No ombro de Rocket, um pequeno galho em um vaso — o bebê Groot — dançava conforme a música. Mantis caminhava timidamente ao lado deles.
Mas foram os dois últimos a sair que chamaram a atenção de Peter Parker.
Uma garota de pele parda e longos cabelos pretos, que desciam em ondas até a cintura, caminhava com uma postura de extrema confiança. Seus olhos pretos eram analíticos, escaneando o complexo com uma velocidade que sugeria que ela já estava calculando a integridade estrutural do prédio. Ao lado dela, um rapaz mais alto, de pele branca e cabelos brancos curtos e repicados, exibia um sorriso convencido, os músculos dos braços bem definidos sob a regata tecnológica.
— Fury! — exclamou Quill, fazendo um sinal de positivo. — Demoramos, mas o trânsito no Quadrante 4 estava um inferno.
— Quem são eles? — perguntou Tony Stark, baixando a guarda, mas mantendo o tom cético.
— Vingadores, conheçam os Guardiões da Galáxia — apresentou Fury, aproximando-se do grupo. — E antes que comecem a perguntar, sim, eu tenho contatos fora deste planeta. Vocês acharam mesmo que eu só tinha vocês para proteger o universo?
— Proteger a Terra é bonitinho, Stark — disse Rocket, cuspindo no chão. — Mas enquanto vocês estavam brincando de esconde-esconde aqui, nós estávamos salvando galáxias inteiras.
A garota de cabelos pretos deu um passo à frente, ignorando a provocação de Rocket. Ela parou diante de Tony e Bruce Banner, seus olhos brilhando com uma curiosidade intelectual.
— A arquitetura de rede do seu sistema de inteligência artificial é fascinante, embora um pouco arcaica no processamento de sub-rotinas quânticas — disse ela, com uma voz calma e precisa.
— Arcaica? — Tony arqueou uma sobrancelha. — Quem é a criança?
— Esta é Tatsuyo — respondeu Gamora, com um tom de orgulho maternal. — Ela é 100% humana, nascida na Terra, mas criada nas estrelas. E, honestamente, ela provavelmente é mais inteligente que metade desta sala.
Tatsuyo deu um sorriso modesto, mas seus olhos encontraram os de Peter Parker.
— Você usa nanotecnologia no seu traje? — perguntou ela. — O coeficiente de fricção parece otimizado para a atmosfera terrestre, mas eu poderia te ajudar a ajustar isso para combate no vácuo em cinco minutos.
Peter Parker piscou, boquiaberto.
— Eu... eu sou o Peter.
— Peter Quill? — perguntou o rapaz de cabelos brancos, aproximando-se com um andar gingado. — Não, esse é o nosso capitão idiota. Eu sou o Kuro.
Kuro olhou para Wanda e depois para Natasha com um olhar que não escondia sua admiração pela beleza das vingadoras.
— Uau, a Terra tem recursos muito mais... interessantes... do que eu me lembrava — comentou Kuro, com um sorriso malicioso, antes de sentir o cotovelo de Tatsuyo atingir suas costelas com força.
— Foco, Kuro — sibilou Tatsuyo, embora houvesse um brilho de ciúmes escondido no fundo de seus olhos pretos.
— Ai! — Kuro reclamou, esfregando o lado do corpo. — Só estou sendo sociável, Tatsy. Além disso, eu preciso de energia. Alguém aqui tem uma tomada de alta voltagem? Meu Chidori está clamando por uma descarga.
Faíscas elétricas azuis começaram a dançar entre os dedos de Kuro, emitindo um som de mil pássaros gorjeando, o que fez com que Steve Rogers desse um passo atrás, instintivamente.
— Ele é metade humano — explicou Quill, revirando os olhos. — Filho de saqueadores. Ele é um tarado elétrico, mas é o melhor combatente de curto alcance que temos depois da Gamora.
A tensão inicial começou a se dissipar, dando lugar a uma curiosidade mútua. O grupo se dirigiu para dentro do complexo, onde a discussão sobre Thanos precisava ser retomada, agora com novos jogadores no tabuleiro.
Enquanto caminhavam, Tatsuyo e Kuro ficaram um pouco atrás do grupo principal.
— Você não precisava dar em cima daquelas mulheres na frente de todo mundo — sussurrou Tatsuyo, ajustando a bainha de sua espada curta presa às costas.
— O quê? Ficou com ciúmes, gênio? — Kuro deu uma piscadinha, aproximando-se dela até que seus ombros se tocassem. — Você sabe que eu só tenho olhos para a garota mais inteligente da galáxia.
Tatsuyo sentiu o rosto esquentar, mas manteve a expressão firme.
— Você é um idiota, Kuro. E sua técnica de Chidori está com uma oscilação de 2% na frequência harmônica. Se não consertarmos isso, você vai acabar explodindo a própria mão.
— Então me conserta, Tatsy — ele sussurrou perto do ouvido dela, fazendo-a estremecer. — Você sabe que eu sou todo seu para... experimentos científicos.
Ela o empurrou levemente, escondendo um sorriso. Eles se conheciam há anos, desde que Tatsuyo fora resgatada de um planeta isolado onde sua mãe, uma exploradora terrestre, falecera. Kuro fora o primeiro a não ter medo do intelecto dela, e ela fora a única a conseguir controlar a energia selvagem dele. Mas a coragem que ambos tinham para enfrentar exércitos alienígenas sumia completamente quando o assunto era admitir o que sentiam um pelo outro.
Dentro da sala de reuniões, o Doutor Estranho observava os recém-chegados com seu olhar místico.
— A presença de vocês altera as probabilidades — comentou Estranho. — Mas o Titã Louco ainda detém a maioria das Joias.
— Ele não tem a da Mente — disse Gamora, olhando para Visão. — E ele não tem a determinação de quem já perdeu tudo para ele.
— Nós temos um plano — disse Steve Rogers, aproximando-se da mesa holográfica. — Mas agora, com a inteligência da Tatsuyo e o poder de fogo de vocês, talvez tenhamos uma chance real.
Tatsuyo já estava conectando um dispositivo de pulso ao computador central de Tony Stark.
— Jarvis, certo? — perguntou ela.
— Sim, senhorita Tatsuyo — respondeu a IA. — Devo dizer que sua interface de acesso é... impressionantemente eficiente.
— Obrigada, Jarvis. Vamos começar mapeando a assinatura energética das Joias do Infinito em escala galáctica. Tony, se você mover o núcleo de processamento para cá, eu consigo triangular a posição da nave de Thanos antes mesmo dele entrar no sistema solar.
Tony Stark cruzou os braços, observando a menina trabalhar. Ele olhou para Fury e deu um leve aceno de cabeça.
— Onde você achou essa garota, Nick?
— No mesmo lugar onde achei a esperança, Stark — respondeu Fury. — No meio do nada.
Enquanto Tatsuyo e Tony mergulhavam em cálculos complexos, Kuro se encostou na parede ao lado de Peter Parker, que ainda olhava para a nave dos Guardiões com admiração.
— Ei, garoto-aranha — disse Kuro, soltando uma pequena faísca entre os dedos. — Esse lugar tem comida boa? Estar no espaço me deixa com uma fome de leão. E depois, você tem que me mostrar o que esse seu traje faz. Se a Tatsy diz que é bom, é porque é bom. Mas eu aposto que meu Chidori é mais rápido que sua teia.
Peter riu, sentindo que, pela primeira vez em dias, a situação não parecia tão desesperadora.
— Acho que podemos encontrar algo na cozinha. E sobre ser mais rápido... bom, teremos muito tempo para testar isso quando o exército do Thanos chegar.
— Que venham — disse Kuro, olhando para Tatsuyo com um olhar protetor que desmentia sua atitude relaxada. — Ninguém toca na minha equipe. E ninguém toca na minha garota.
Tatsuyo, mesmo concentrada nos hologramas, ouviu o comentário e sentiu um frio na barriga. Ela não disse nada, mas a velocidade com que seus dedos operavam os teclados virtuais aumentou, movida por uma determinação renovada. Eles não eram apenas heróis de mundos diferentes; agora, eram a última linha de defesa de todo o universo.
A guerra estava chegando, mas agora, a Terra não estava mais sozinha. Os Guardiões haviam chegado, e com eles, a combinação perfeita de genialidade humana e poder estelar.