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Tatsuro

O Voo do Sacrifício e o Brilho da Mente

O laboratório real de Wakanda estava imerso em uma luz azulada e frenética. O som das explosões vindas do campo de batalha abaixo vibrava através das paredes de vibranium, um lembrete constante de que o tempo era um luxo que eles não possuíam. Visão estava deitado na mesa cirúrgica, sua expressão era uma mistura de dor e resignação.

Shuri trabalhava com precisão cirúrgica, seus dedos movendo-se sobre os hologramas com uma agilidade nativa. Ao seu lado, Tatsuyo não ficava atrás. A jovem guardiã tinha três telas holográficas abertas simultaneamente: uma monitorava a integridade neural do sintozoide, outra hackeava as frequências de comando da nave-mãe de Thanos que pairava na órbita, e a terceira processava a extração da Joia da Mente.

— A frequência de ressonância está subindo — alertou Tatsuyo, sua voz mantendo uma calma analítica que contrastava com o suor em sua testa. — Shuri, se não desconectarmos o quarto feixe sináptico agora, a consciência dele vai colapsar junto com a Joia.

— Eu sei, eu sei! — Shuri respondeu, os olhos fixos na estrutura molecular amarela. — Wanda, como está aí fora?

Wanda Maximoff estava parada na varanda do palácio, suas mãos envoltas em energia escarlate. Ela olhava para o campo de batalha, onde seus amigos estavam sendo dizimados pelas hordas de Outriders. O terror nos olhos de seus companheiros era quase palpável.

— Eles estão sendo cercados — murmurou Wanda, a voz embargada. — O Capitão... a viúva... eles não vão aguentar.

— Wanda, não saia do posto! — Tatsuyo gritou, sem desviar os olhos dos dados que roubava da rede de Thanos. — Se você sair, o perímetro interno fica vulnerável. Estamos a menos de cinco minutos de terminar!

Mas o grito de dor de Okoye, ecoando pelo rádio, foi o limite. Wanda olhou uma última vez para Visão, um olhar carregado de amor e desespero, e saltou da varanda, flutuando em direção ao caos para salvar os Vingadores.

— Wanda! Não! — Shuri exclamou, mas já era tarde.

Tatsuyo praguejou em três línguas alienígenas diferentes.

— Shuri, esqueça o protocolo de segurança. A gente precisa arrancar essa coisa agora. Eu sinto uma assinatura de energia subindo as escadas... e não é dos nossos.

Um estrondo ecoou nas portas reforçadas do laboratório. Corvus Glaive, um dos generais mais letais de Thanos, havia se infiltrado.

— Rápido! — Tatsuyo comandou, as mãos voando pelos controles. — Eu vou sobrecarregar o sistema de extração. Vai doer, Visão, mas é a única chance!

Com um movimento coordenado, Shuri e Tatsuyo dispararam um pulso magnético final. A Joia da Mente se soltou do suporte de vibranium, flutuando por um segundo antes de cair nas mãos ágeis de Tatsuyo. Ela imediatamente a colocou em um recipiente de contenção que ela mesma havia projetado, capaz de mascarar a assinatura energética.

— Shuri, leve o Visão daqui! Agora! — Tatsuyo ordenou, enquanto transferia os últimos arquivos hackeados para um drive de pulso. — O túnel de serviço sul está livre. Corram!

— E você? — perguntou Shuri, ajudando o Visão, ainda fraco, a se levantar.

— Eu sou o alvo agora. Se ele sentir a Joia, ele vem atrás de mim. Vão!

Shuri assentiu, sabendo que não havia tempo para discussões heroicas, e desapareceu pelas sombras do palácio com o sintozoide.

Tatsuyo mal teve tempo de respirar antes que a porta voasse pelos ares. Ela não ficou para lutar; sabia que contra um general de Thanos, suas chances físicas eram mínimas. Ela disparou em direção aos corredores superiores, seu coração martelando contra as costelas. O som dos passos metálicos de Corvus e de vários soldados Outriders atrás dela ecoava como um tambor da morte.

Ela dobrou um corredor, depois outro, mas parou abruptamente. À sua frente, um enorme vitral que dava para o precipício de Wakanda. Atrás dela, o corredor estava sendo tomado por soldados.

Ela estava encurralada.

Tatsuyo levou a mão ao rádio, ajustando a frequência para o canal aéreo.

— Aqui é a Tatsuyo! Alguém na escuta? Sam? Rhodes?

— Tatsuyo, fale! — A voz de Sam Wilson, o Falcão, surgiu em meio ao chiado de explosões.

— Eu estou no setor norte do palácio, nível 12. Vou pular em dez segundos. Coordenadas 11 horas, inclinação de 45 graus. Se alguém não me pegar, a Joia e os dados de Thanos viram panqueca no chão!

— Você enlouqueceu? — Sam gritou. — Estou a caminho, mas está tudo congestionado aqui embaixo!

— Dez segundos, Sam! — Ela gritou, começando a correr em direção ao vidro. — Nove... oito...

Tatsuyo não olhou para trás. Ela sentiu a ponta da lança de Corvus rasgar o ar a centímetros de seu ombro. Com um grito de determinação, ela se lançou contra o vidro reforçado. O impacto estilhaçou o cristal em mil pedaços cintilantes e, de repente, não havia mais chão. Apenas o vento frio e a queda livre de centenas de metros.

O mundo girava. O campo de batalha lá embaixo parecia uma miniatura de um pesadelo. Ela fechou os olhos, esperando o impacto ou o resgate.

De repente, dois braços fortes a seguraram por baixo das axilas. O solavanco quase deslocou seus ombros, mas ela sentiu as asas de vibranium de Sam Wilson batendo com força para estabilizar o voo.

— Peguei você! — Sam arquejou. — Você é completamente maluca, garota!

— Leve-me para a clareira leste! — ela gritou contra o vento. — A nave dos Guardiões, a *Benatar* menor, está lá no modo camuflado!

Sam mergulhou entre os tiros de canhão, desviando de naves inimigas com uma perícia impressionante. Ele não chegou a pousar; apenas desacelerou o suficiente para que Tatsuyo soltasse o corpo e rolasse na grama alta, a poucos metros da rampa da pequena nave que acabara de se materializar.

T'Challa, que estava combatendo uma horda próxima, viu a cena e correu em direção a ela, o traje de Pantera Negra brilhando com energia cinética acumulada.

— Tatsuyo! Você está com a Joia? — o Rei perguntou, ofegante.

— Sim, e com os códigos de defesa da nave-mãe! — Ela subiu a rampa, sentando-se imediatamente na cadeira do piloto. — T'Challa, eu preciso que você abra a barreira. Agora!

T'Challa parou na entrada da nave, os olhos arregalados sob a máscara.

— O quê? Se eu abrir a barreira, os Outriders vão inundar a cidade! Milhares vão morrer!

— Abra a barreira! — Tatsuyo berrou, as mãos voando pelos controles da nave, iniciando os motores iônicos. — Eu vou sair e atacar o núcleo de comando deles por fora. Se eu fizer isso de dentro, a explosão vai destruir Wakanda. Eu preciso de espaço para manobrar! Confie em mim!

T'Challa hesitou por um milésimo de segundo. Ele olhou para a batalha, depois para a determinação nos olhos daquela jovem que viera das estrelas.

— Okoye, abra a seção noroeste da barreira! Código Real: Delta-Um! — T'Challa ordenou pelo rádio.

— Mas, Majestade... — a voz de Okoye hesitou.

— AGORA!

A nave de Tatsuyo rugiu, levantando voo verticalmente. No momento em que um hexágono da barreira de energia se dissolveu, a nave disparou como um flash de luz. Ela saiu para o céu aberto, fora da proteção, e imediatamente foi recebida por um enxame de naves de ataque de Thanos.

— Agora fecha! Fecha essa droga! — Tatsuyo gritou no rádio geral.

T'Challa deu a ordem e a barreira se selou novamente, deixando Tatsuyo sozinha no céu hostil, cercada por inimigos.

— Certo, seus feiosos — Tatsuyo murmurou para si mesma, um sorriso feroz surgindo em seus lábios. — Vamos ver como vocês lidam com tecnologia terrestre aprimorada por Xandar.

Ela iniciou uma sequência de manobras evasivas que desafiavam a gravidade. A nave girava em torno de seu próprio eixo, disparando rajadas de plasma que desintegravam as naves menores dos Outriders. Ela subia e descia em mergulhos suicidas, atraindo os perseguidores para longe das muralhas de Wakanda.

— Tatsuyo, aqui é o Kuro! — A voz do rapaz de cabelos brancos soou no rádio, carregada de preocupação e adrenalina. — Onde você está? Eu estou vendo explosões fora da barreira!

— Estou fazendo o meu trabalho, Kuro! — ela respondeu, desviando de um míssil por centímetros. — Fique aí e proteja o perímetro! Eu estou com a Joia e os dados. Vou tirar esses caras da cola de vocês.

— Tatsy, volta aqui! Você não pode enfrentar a frota sozinha! — Kuro gritou, e ela podia ouvir o som do Chidori dele fritando inimigos ao fundo.

— Eu não estou sozinha, eu tenho os dados deles — ela disse, com uma calma súbita. — Eu hackeei o sistema de navegação. Vou levar eles para um passeio.

Ela executou um loop perfeito, eliminando as últimas três naves que a perseguiam. Olhando para o radar, ela viu que a nave-mãe estava preparando um disparo orbital contra a barreira.

— Nem pensar — ela disse, ativando o drive de dobra para um salto curto, algo extremamente perigoso dentro de uma atmosfera.

A nave desapareceu em um borrão azul e reapareceu quilômetros de distância, já fora do alcance visual de Wakanda. Ela precisava levar a Joia para longe. Se Thanos a encontrasse, tudo estaria perdido.

— T'Challa, Capitão... — ela falou no rádio, sua voz ficando fraca conforme a distância aumentava. — A Joia está segura comigo. Vou atrair o máximo que puder para longe de vocês. Mantenham a linha.

— Tatsuyo, para onde você vai? — perguntou a voz de Steve Rogers.

— Para onde o vento solar me levar — ela respondeu, olhando para o horizonte da Terra, o azul do oceano começando a surgir sob suas asas. — Kuro... se você morrer antes de eu voltar, eu juro que te mato.

Ela desligou o rádio, deixando apenas o som dos motores e o brilho dourado da Joia da Mente no banco do passageiro. Ela não sabia para onde estava indo, mas sabia que, enquanto estivesse voando, a esperança ainda tinha uma chance.

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